digitação original: 11/01/2001

Palestra no IHGB: 06/11/2000

Parte 1

Parte 3

AMAZÔNIA E OS SEUS DESAFIOS - Parte 2

Cláudio Moreira Bento

Ecos da Campanha em Defesa da Amazônia

Desde que o Gen Ex Luiz Gonzaga Shoroeder Lessa ex comandante Militar da Amazônia, e atual Comandante Militar do Leste proferiu palestras nas principais escolas do Exército, e pelo Brasil afora, inclusive no Clube Militar e ABI. Na última a convite de seu presidente ilustre Barbosa Lima Sobrinho e denunciando ameaças potenciais reais à soberania brasileira sobre a Amazônia e de sua internacionalização, este assunto vem ganhando corpo em que pese o silêncio da Mídia, que consciente ou inconscientemente faz coro à Mídia Internacional, a qual segundo jornalistas em Seminário da ESG sobre a Amazônia propaga repetimos, esta inverdade a serviço do Poder Econômico Mundial:

"O Brasil está desmatando, queimando a Amazônia e massacrando suas populações indígenas e é incapaz de promover o desenvolvimento sustentável da área".

Mídia que, as mais das vezes, além do silêncio sobre esta problemática vital para o Brasil, a deforma e desconhece os esforços governamentais, em especial das Forças Armadas, para darem conseqüência patriótica ao seguinte apelo do falecido General Rodrigo Octávio Jordão Ramos:

"Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la. "

Desde as palestras do General Lessa, a Academia de História Militar Terrestre do Brasil se engajou nesta cruzada, elaborando e distribuindo seus citados informativos, Guararapes 22 e 25, e colecionando em seu Centro de Informações de História Militar Terrestre do Brasil tudo o que lhe chega sobre o tema. O último síntetizou o Simpósio promovido pela Escola Superior de Guerra, então comandada pelo acadêmico da AHIMTB General Carlos Patrício de Freitas Pereira, em parceria com o Centro de Estudos Estratégicos Brasileiros (CEBRES). O Clube Militar, sob a presidência do agora acadêmico da AHIMTB General Hélio Ibiapina Lima e fiel às suas tradições históricas, tem alertado seu Corpo Social através de sua revista sobre os perigos que corre a nossa Soberania na Amazônia ao publicar artigos sobre ela. O mesmo se diga da Revista do Clube Naval. Têm engrossado este movimento patriótico as entidades: II Encontro de Oficiais da Reserva do Brasil (ENOREX), Campanha Nacional de Defesa da Amazônia (CNDDA); Movimento em Defesa da Economia Nacional (MODECON); Associação de Engenheiros da Petrobrás (AEPET); Associação Democrática e Nacional e, por fim, a Associação Brasileira de Imprensa, pela iniciativa de seu falecido presidente Barbosa Lima Sobrinho, em convidar o General Lessa para ali proferir palestra sobre a Amazônia em 20 julho 2000. E, por último, a DEAM - Comissão de Estudos da Defesa da Amazônia constituída por ex-alunos militares egressos das escolas que funcionaram no atual CM de Fortaleza. E hoje, aqui se juntam ao esforço, além do Clube Militar e da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, a Federação de Academias de Letras do Brasil, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro que guarda como sua maior relíquia o sabre invicto de 6 campanhas de seu sócio ilustre o Duque de Caxias, patrono do Exército e de nossa AHIMTB. Sabre que ele manifestou o desejo de quebrá-lo por ocasião da Questão Christie, por não poder usá-lo em defesa da Soberania do Brasil. Mas elaborou um Plano de Defesa para o Imperador como Conselheiro de Guerra, e antes copidescado por seu amigo o Visconde do Rio Branco, a seu pedido, para que o "limasse, pois não me campo por escritor. "

E é hora de argumentar! E a Mídia e a Sociedade Civil brasileiras onde estão? Qual a razão do seus silêncios sepulcrais sobre o tema! Desinformação? Como seria justo que elas entrassem nesta luta nacionalista, investigando e denunciando crimes ambientais praticados por nacionais e estrangeiros, omissões e corrupções de agentes governamentais e alertando o povo dos perigos de internacionalização da Amazônia e do significado econômico vital da mesma para as futuras gerações de brasileiros. Não pode a Mídia mais contribuir, com o seu silêncio e deformações, para a desnacionalização da Amazônia e agredir as memórias das gerações que há mais de 350 anos vem se sacrificando para mantê-la e desenvolvê-la e, mais, concorrer para o esbulho da Amazônia, patrimônio vital para nossos netos, bisnetos. etc no insondável 3º Milênio.

Pensamento: Como seria ideal que as Forças Armadas, Igreja Católica e Imprensa em especial unissem forças para mobilizar os brasileiros em defesa da nossa soberania na Amazônia e de seu desenvolvimento sustentável, que se opõe à solução antinacional de congelamento das atividades da Amazônia para tornar a área reserva estratégica do Poder Econômico Mundial! Votos de que a Mídia Nacional divulgue o que de positivo está sendo feito na Amazônia pelos brasileiros no sentido do seu desenvolvimento sustentável, e que policie, investigue e denuncie, com apoio documental e com patriotismo, as ações de maus brasileiros e ingerências externas. E, por fim, que contra-ataque os objetivos escusos da Mídia Internacional a serviço do Poder Econômico Mundial.

É relevante o que afirmaram, em declaração conjunta dois ecocientistas de nomeada Patrick Moore (Um dos fundadores do Green Peace ) e Philip Stott, segundo Barry Wigmore no New York Post de 9 julho 2.000, sobre o que os dois consideram falsas teses divulgadas nos EUA e Europa sobre "os perigos ambientais para a humanidade provenientes da devastação da floresta amazônica. "

"O movimento para salvar a floresta tropical amazônica é incorreto. E na melhor hipótese o movimento desencaminhou-se. Na pior hipótese, ele é uma fraude. Todos os segmentos dos salvadores da floresta amazônica estão baseados numa falsa ciência. Estão simplesmente errados. Nós encontramos a floresta tropical amazônica, mais de 90 % dela intacta. Voamos sobre toda a sua extensão e contatamos com todas as autoridades. Estudamos as fotos de satélites em toda a área."

Subsídio apresentado pelo acadêmico emérito da AHIMTB e sócio titular do IHGB Gen Carlos de Meira Matos e acatado geopolítico brasileiro em artigo "Desmitificando a Amazônia" in: Amazônia II, Clube Militar, 2.000.

Isto coloca por terra os dois argumentos dos "salvadores internacionais da floresta Amazônica" (entenda-se donos do Mercado Mundial): 1º De que a floresta amazônica estaria sendo criminosamente devastada; 2º A falsa idéia de que a Amazônia é o Pulmão do Mundo, pois o clima é governado pelos oceanos. Exemplos: El Ninho, La Ninha etc

 

Por uma História Militar Crítica Terrestre da Amazônia

 

A Amazônia, por sua extraordinária projeção econômica e geopolítica no 3º Milênio, está cada vez mais ameaçada de ser, unilateralmente, em nome da "Nova Ordem Mundial", internacionalizada e declarada patrimônio da Humanidade. Ameaças reais feitas através de lideranças das grandes potências, conforme têm denunciado autoridades civis e militares brasileiras abalizadas e de grande credibilidade, como mostramos.

O poder econômico internacional, com seus capitais localizados nas nações do G/7 e, em especial, na única potência mundial hegemônica, os EUA, pretende congelar a exploração das riquezas da Amazônia para colocá-las a serviço de seu objetivos, ao invés do desenvolvimento auto-sustentável da mesma, em beneficio do Povo e Sociedade do Brasil e de outros povos, mas sem prejuízo da nossa Soberania. Porém ameaças potenciais reais de intervenção na Amazônia existem na voz de líderes da grandes potências, como mostramos. E impõe-se ao Brasil fazer o seu dever de casa na Amazônia e ficar em condições de defende-la a todo custo. E para tal será de real valor o levantamento crítico da História Militar da Amazônia e, em especial, a sua História Militar Terrestre Crítica, para ajudar a orientar melhor o esforço de defesa daquela área estratégica. com apoio na estratégia do fraco contra o forte - a guerra de guerrilhas, à base da qual o Brasil foi em grande parte mantido em suas dimensões continentais. E, de igual forma, como foi feito, a partir de 1922, o da Região Sul. e dentro de uma hipótese de guerra que existia.

Camões o poeta soldado em Lusíadas já afirmava esta verdade:

"A Disciplina Militar prestante (leia-se Doutrina Militar) não se aprende senhores na fantasia senão vendo (estudo da História Militar), tratando (exercitando-se) e pelejando (experiência de combate)."

E grandes capitães da História têm reafirmado a importância do estudo crítico da História Militar, à luz dos fundamentos da Arte Militar, a Arte do Soldado e não da História descritiva, infelizmente predominante.

Foi do Mal Ferdinand Foch, o comandante da vitória aliada na 1ª Guerra Mundial, esta afirmação como professor de História Militar da Escola Superior de Guerra da França, de onde saiu para comandar os aliados:

"Para alimentar cérebro (Comando) de um Exército na paz, para prepará-lo para a eventualidade indesejável de uma guerra, não existe livro mais fecundo em meditações e lições do que o da História Militar."

E o livro da História Militar Crítica da Amazônia não existe, como o do Sul, iniciado em 1922, pelo ilustre sócio do IHGB e hoje patrono de cadeira na AHIMTB, General Augusto Tasso Fragoso, ao estudar criticamente a batalha do Passo do Rosário, circunstância pela qual tem sido considerado o Pai da História Militar Crítica no Brasil.

Isto atendendo a conselhos da Missão Militar Francesa de que a Tática, a Logística e a Estratégia brasileiras possuíam seus fundamentos na História Militar Terrestre do Brasil. E nestes últimos 77 anos a prioridade foi o Sul. E vários historiadores do Exército, que foram também sócios do IHGB e hoje patronos de cadeiras ou acadêmicos da Academia de História Militar Terrestre se debruçaram sobre estes estudos.

A Amazônia é um deserto de estudos críticos de História Militar Terrestre do Brasil por historiadores militares. Dos civis, que têm escrito sobre o tema descritivamente, privamos aqui no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro com Marcos Carneiro de Mendonça, Artur César Ferreira Reis, Silvio Meira e Vicente Tapajoz, todos falecidos. E com os vivos Leandro Góes Tocantins e Mario Barata e general Carlos de Meira Mattos. E todos com valiosas obras que se constituirão em infra-estrutura a apoiar os estudos que se impõem de uma História Militar Critica da Amazônia ou o Livro da História Militar da Amazônia que estamos ensaiando e será objeto de um Seminário a ser realizado na Escola de Estado - Maior do Exército. E de todos, cujas obras constam do Dicionário de Historiadores Brasileiros, editado em 5 volumes pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e na bibliografia ao final desta palestra.

Para um ensaio da História Militar Terrestre Crítica da Amazônia, cujas razões abordamos na Revista do Clube Militar nos 371,372 e 373, propomos inicialmente os seguintes assuntos:

HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DA AMAZÔNIA

TEMAS PARA ESTUDO MILITAR CRÍTICO

    1. RECONHECIMENTOS E EXPLORAÇÃO MILITAR

    2. FUNDAÇAO DO FORTE DO CASTELO

    3. LUTAS COM HOLANDESES NA FOZ DO XINGÚ 1615

    4. LUTAS COM INGLESES E IRLANDESES NO ESTUÁRIO DO AMAZONAS ( Nos canais sul e norte do estuário do Amazonas ) 1616-31

    5. A CONQUISTA DA AMAZÔNIA PELO CAP PEDRO TEIXEIRA 1639

    6. A FUNDAÇÃO DE MANAUS

    7. A EXPLORAÇÃO DA AMAZÔNIA POR RAPOSO TAVARES

    8. LUTAS COM FRANCESES NO AMAPÁ 1697 -1713

    9. LUTAS EM TORNO DE TEFÉ, COARI, FONTE BOA,SÃO PAULO DE OLIVEIRA COM ESPANHÓIS E ÍNDIOS CAMBEBA 1709-1710

    10. A GUERRA DE AJURICABA NA AMAZÔNIA 1723 -27(Nos vales dos rios Negro e Branco com índios apoiados por holandeses)

    11. O TRATADO DE MADRID DE 1750 NA AMAZÔNIA E SUA DEMARCAÇÃO

    12. O ESTABELECIMENTO DE FORTIFICAÇÕES NA AMAZÔNIA

    13. A PROJEÇÃO POMBALINA MILITAR TERRESTRE NA AMAZÔNIA

    14. LUTAS COM FRANCESES NA GUIANA FRANCESA1808-17

    15. AS LUTAS PELA INDEPENDÊNCIA NA AMAZÔNIA (Agitações em Belém, Cameta, São Caetano de Olivença e Monte Alegre)

    16. A CABANAGEM NO PARÁ 1834-40

    17. O COMBATE A INTRUSÃO FRANCESA NO AMAPÁ 1895

    18. A CAMPANHA MILITAR NO ACRE 1900 -03 ( Contra os interesse de capitais norte - americanos e ingleses do Bolyvian Sindycate)

    19. A PERDA DE 15687 Km 2 NO PIRARA e DO ACESSO AO ESSEQUIBO 1904

    20. INCIDENTES MILITARES NA FRONTEIRA PERUANA

    21. A CONSTRUÇÃO NA AMAZÔNIA DE LINHAS TELEGRÁFICAS , ACOMPANHAMENTO DE EXPEDIÇÃO DO CEL TEODORO ROOSEVELT ,CAMPANHAS SERTANISTAS E DE LEVANTAMENTOS GEOGRÁFICOS , CIENTIFICOS E DE INSPEÇÃO DE FRONTEIRAS CHEFIADAS PELO MAL POR RONDOM 1907-1930

    22. LUTAS AUTONOMISTAS NO ALTO PURUS E JURUÁ

    23. REAÇÕES EM MANAUS ÀS POLÍTICAS DE SALVAÇÕES NACIONAIS 1912

    24. REVOLTAS EM MANAUS De 1913 e 1917

    25. A REVOLTA TENENTISTA NA AMAZÔNIA 1924

    26. A DEFESA TERRITORIAL DA AMAZÔNIA NA 2a GUERRA MUNDIAL

    27. REFLEXOS NA AMAZÔNIA , DA ATUAÇÃO DO MAL RONDON COMO PRESIDENTE DA COMISSSÃO MISTA BRASIL, COLÔMBIA E PERU ,EM LETÍCIA ,PARA O CUMPRIMENTO TRATADO DE PAZ PERÚ COLÔMBIA 1934 -38 28- CONTRIBUIÇÃO DAS BASES AÉREAS DE MACAPÁ E VAL DE CANS CEDIDAS AOS EUA ,PARA À VITÓRIA ALIADA NA AFRICA, EUROPA E ORIENTE M/EDIO

    28. A CONTRIBUIÇÃO DOS SOLDADOS DA BORRACHA DA AMAZÔNIA PARA A VITÓRIA ALIADA NA 2 GUERRA MUNDIAL.

PS: Segundo o acadêmico João Ribeiro da Silva perdemos na Questão do Pirara com a Inglaterra em 1904, 15.687 Km2 e o acesso ao Essequibo, em função de Geopolitica Inglesa liderada pelo Lord Palmerton (Henry John Temple 1785 1865) Secretário da Guerra (1809-28) e Ministro das Relações Exteriores (1830-41 e de 1846-51) e Primeiro Ministro (1855-58 e 1859-1865). Isto ao enviar para a Guiana Inglesa o explorador alemão Robert Shomburgk, sob o patrocinio da Royal Geografic Society para que territórios habitados por tribos independentes fossem primeiro neutralizados para depois serem assimilados pela Inglaterra. E sua estratégia foi vitoriosa. Os brasileiros foram expulsos do Pirara por oficial inglês sob o argumento de ser ocupado por tribos independentes que reclamavam proteção inglesa. O Brasil reconheceu provisoriamente a neutralidade da região do Pirara e dali retirou seus funcionários e o destacamento militar sob condição que as tribos continuassem independentes. Mas, em 1842, uma expedição militar liderada por Shomburgk colocou marcos fronteiriços. A questão se prolongou até 1904 quando o Brasil aceitou o laudo arbitral do rei Vittório Emanuel I da Itália que deu ganho de causa à Inglaterra, perdendo o Brasil 17.687 Km 2 de seu território e o acesso ao Essequibo, conquistando a Inglaterra acesso a Amazônia pelo Pirara. E foi assim que fomos esbulhados.

Em anexo a esta palestra, um levantamento bibliográfico inicial de fontes históricas para o estudo que aqui propomos para orientar da defesa militar da Amazônia

 

Aeronáutica teme ação de grupos de defesa dos índios

 

MANAUS - Relatório confidencial da Aeronáutica sobre a fronteira do Brasil com a Colômbia classifica como fator de tensão na área a atuação de missões católicas e organizações não - governamentais (ONGs) a favor da criação de áreas indígenas "supranacionais" e "intocáveis" porque elas podem servir para refúgio de guerrilheiros.

O documento aponta que a criação de reservas indígenas binacionais na fronteira da Colômbia com o Brasil, cuja idéia é defendida principalmente pela Organização Indígena Binacional dos Rios Querari e Uaupés (Obiqueua). É uma entidade que congrega comunidades indígenas que vivem nas regiões fronteiriças entre os dois países.

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