Tribuna de Petrópolis: 28/01/2001

REGISTROS SOBRE KOELER (2)

Thalita de Oliveira Casadei

Parte 2

Voltando aos trabalhadores portugueses, lembramos a chegada ao Brasil da Barca Hamburguesa "Therese", em abril de 1845, que trouxe os colonos que ficaram em Niterói acomodados no barracão da obra da Matriz que se estava construindo. O engenheiro Damaso da Fonseca Lima, engenheiro administrador, da obras do 4º Distrito, os recebeu. Na mesma data, Francisco José do Reis Alpoim, chefe do 4º Distrito, dirigiu ao Presidente da Província um ofício, o qual disse que achavam-se diversos casais de colonos engajados pela Província, a 9 de dezembro de 1844, no barracão da Matriz e que seriam empregados nos trabalhos de Obras Públicas, mas como não era possível empregá-los nas obras desse citado Distrito, por terem ofício, e não seria conveniente ao serviço que "homens livres se empreguem como serventes de operários, pela maior parte escravos, mandava o mesmo para as obras da serra da Estrela." Assim iriam reforçar contingente de açorianos que, desde 1838, trabalhavam com Koeler na obra da ponte de Paraíba do Sul.

No relatório de 1841 preparado por Koeler para o Presidente Honório Hermeto Carneiro Leão e para ser publicado na sua apresentação à Assembléia no ano de 1842, ainda se fala "nas extraordinárias enchentes de fim de janeiro deste ano prejudicaram sumamente as passagens da Paraíba do Sul e do comércio". Na Paraíba do Sul rebentou a corrente, e ficando presa sobre a ponte entrelaçada com paus e árvores que a enchente trazia, destruiu essa ponte cuja sólida construção lhe tinha resistido 3 a 4 dias. Pelo administrador da obra da ponte Antonio Gonçalves Duarte, e pelos auxílios do cidadão Hilario Joaquim de Andrade, se restaurou brevemente essa passagem.

Em 1841, Manoel José de Sousa França "atendendo ao que me representou o Sargento Mor Julio Frederico Koeler, Chefe da 2º Seção das Obras Públicas e Membro da Diretoria respectiva, Hei por bem exonerá-lo dos respectivos Empregos e transferir para a vaga, que assim fica, o Sargento Mor Galdino Justiniano da Silva Pimentel, Chefe da 4ª. Seção membro da sobredita Diretoria, cujo Presidente assim o tenha entendido e faça executar na parte que lhe respeita. Niterói, 16 de março de 1841."

De Jerônimo Francisco Coelho, ao Presidente da Província do Rio de Janeiro: "Hesitando ao Major de Engenheiros Júlio Frederico Koeler, a quem o respectivo comandante oficiou para se recolher ao Corpo por ter sido desligado do serviço desta Província como se me participou em ofício de 21 de maio p.p. se deve ou não deixar sem que se apresente sucessor a administração a seu cargo, da obra sobre o Rio Paraíba; cumpre que V. Exa. providencie a respeito da dúvida em que se acha aquele oficial, comunicando-me o que deliberar para se dar os esclarecimentos que pede o Comandante do Corpo. Deus Guarde a V. Exa., Palácio do Rio de Janeiro, em 15 de junho de 1844".

O Presidente da Província Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho, a 16 de Abril de 1846 diz: "O presidente da Província do Rio de Janeiro, atendendo ao que em ofício de 10 de Fevereiro do corrente ano, representamos os engenheiros Tte. Cel. Galdino José da Silva Pimentel e Major Frederico Koeler, o 1º encarregado das obras da Estrada Normal da Estrela e o 2º como Diretor da Colônia de Petrópolis e tendo mais em consideração o que expôs aquele Tte. Coronel em Ofício de 5 do corrente à cerca das ditas obras e colônia;

Resolve: Art. 1º - Ficam a cargo do dito Major Diretor da Colônia, obras daquela estrada compreendida no espaço que conta as sesmarias do Córrego Seco e do Itamarati.

Art. 2º - Todas as demais obras da mesma estrada, inclusive a ponte sobre o Paraíba continuam sob a direção do Tte. Coronel Galdino José da Silva Pimentel.

Art. 3º - Os ditos 2 engenheiros formarão um Conselho Diretor dessas obras e da Colônia, tendo cada um a seu cargo a parte deliberativa e executiva e executiva na sua e voto consultivo na outra seção devendo sempre estar de fato de todas as ocorrências e medidas e substituir-se um ao outro nos seus impedimentos temporários.

Art. 4º - O referido Tte. Coronel residirá em Petrópolis e continuará as obras desde o ponto em que acaba a seção daquele Major para o porto da Estrela, e encontrar a parte da serra arrematada a Carlos Riviére, empregando neles os colonos solteiros, ou casados que de acordo com o Diretor da Colônia puderem sem inconvenientes, ser distraídos desde já de outra seção.

Art. 5º - O dito Coronel poderá empregar nos consertos da estrada em toda a sua extensão e na obra nova a seu cargo, até 80 braços escravos, quando absolutamente não os tenha livres.

Art. 6º - O Conselho Diretor regulará as obras de ambas as seções inclusive a ponte do Paraíba, de maneira tal que com eles se não gaste mais do que a quantia mensal de 16 contos, ficando cada um responsável pelo que na sua seção gastar mensalmente de mais daquilo que em conselho marcarem para cada uma de tais obras devendo submeter à aprovação do Governo Provincial qualquer deliberação que a tal respeito tomarem.

Palácio do Governo da Província do Rio de janeiro, 16 de 1bril de 1846. Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho".

No ano seguinte Koeler apresentou ao Presidente "justas razões" no que foi atendido: "Artigo Único - Fica marcada ao mencionado Diretor a contar de 1º de janeiro de 1847, a gratificação anual de um conto e duzentos mil reis que será pago pela quantia dada para a sobredita Colônia.
Palácio da Província do Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 1846".

Justamente naquele anno de 1847, o Major Koeler faleceu no mês de Novembro em um acidente na sua Chácara da Presidência, em Petrópolis.

Em julho o Tte. Coronel Galdino foi encarregado do conserto e calafate geral na barca de passagem.

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