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27/11/2007

Tribuna de Petrópolis:
25/03/2008

Hospital da Casa de Caridade de Petrópolis (O) - 4 - Conhecendo Nosso Passado - (Série especial)

Paulo Machado da Costa e Silva

Na 13ª sessão, em 28 de setembro de 1868 (Atas, 358), a Câmara tem um primeiro relatório sobre a situação do Hospital, agora, novamente sob sua administração exclusiva, conforme consta do ofício do Administrador interino da Casa de Caridade, de 28 de setembro, nestes termos:

"Ilmos. Srs. Tendo sido encarregado por V. Sªs, em 31 de agosto, para administrar interinamente a Casa de Caridade, durante o corrente mês, com o produto das quantias subscritas por V. Sªs e pelo Exmo. Sr. Visconde do Rio Novo e estando o mês a findar-se e existindo nas enfermarias cerca de 15 doentes, dos quais a maior parte ainda são dos que existiam no dia 31 de agosto último e outros que se lhes não podia negar o ingresso, em atenção ao estado de enfermidade em que se achavam e também à pobreza atestada pelas autoridades, acresce que muitos desses enfermos não podem sair daquele estabelecimento sem grave perigo de suas existências. Devendo montarem as despesas, durante o mês corrente, em 800$000 réis, pouco mais ou menos, fico inteiramente exaurido dos meios de poder custear o estabelecimento em questão e, por isso, me dirijo a V. Sªs para que se sirvam declarar-me qual procedimento que devo ter logo que se conclua um mês".

À vista desse ofício, deliberou a Câmara que se oficiasse ao Presidente da Província, Benevenuto Augusto de Magalhães Taques, nos termos seguintes.

"Ilmo. Exmo. Sr. A Câmara Municipal, sempre zelosa no cumprimento de seus deveres, já se dirigiu a V. Exa., em 16 do corrente, respondendo a sua última portaria a respeito da Casa de Caridade, fazendo sentir a V. Exa. a necessidade em que ficava a Câmara de poder cumprir as ordens de V. Exa. depois dos 30 dias a que ela se obrigou, com a coadjuvação do Exmo. Visconde do Rio Novo, a manter a dita Casa de Caridade durante o mês que corre. Não tendo tido solução de V. Exa até o presente, a Câmara solicita ajuda, com a possível brevidade, pois se acha tanto mais embaraçada do que a princípio, como prova com o ofício junto, que remete a V. Exa., por cópia, dirigido a esta Câmara pelo cidadão José Antônio da Rocha que, obsequiosamente, se prestou a tomar a administração da referida Casa de Caridade durante o mês corrente.

Exmo. Sr., a Câmara pede a V. Exa. a bondade de dispensá-la de continuar na Comissão da Administração da Casa de Caridade, mas não pode deixar de fazer sentir a V. Exa a dificuldade em que se vê de fechar aquele estabelecimento, para cujo fim necessitará concorrer talvez para a morte de alguns doentes, que não estão no caso de sair, em conseqüência do mau estado de saúde em que se acham, e é mais por essa razão que a Câmara insiste nas providências que pede a V. Exa. Deus guarde a V. Exa.".

Na 14ª sessão, em 1º de outubro de 1868 (Atas, 359).

Visto a Câmara não poder dispor de fundos para ocorrer às despesas do Hospital ou de verba especial para tal fim, recorreu de imediato à caridade do sr. Visconde do Rio Novo (José Antônio Barroso de Carvalho), em favor dos enfermos existentes na Casa de Caridade.

O Visconde, no mesmo dia, respondeu à Câmara.

"Ilmos. Srs. Acabo de receber o ofício de V. Sªs em que me comunicam que, tendo se completado o mês que essa Câmara, com o meu pequeno auxílio, fez a despesa da Casa de Caridade e tratando da entrega da chave e utensílios da mesma ao sr. Coletor, conforme as ordens do Exmo. Sr. Presidente da Província, ( e sabendo-se) que o referido sr. Coletor se recusava a receber os 14 doentes, que existem ainda na casa, e que achando-se V. Sª embaraçados, visto essa Câmara não ter fundos para o tratamento de doentes pobres, e dessa maneira impossibilitados de cumprirem as ordens da Presidência, porque não podem pôr na rua doentes que, sem dúvida, podem perigar suas existências, recorrem a mim consultando se posso concorrer por mais um mês com o dinheiro para o pagamento das despesas do Hospital, visto V. Sªs não poderem mais dispor da consignação para esse fim. Sou a responder a V. Sªs que estou pronto a socorrer com o pagamento dessas despesas durante o mês corrente, porém, por conta da Província, comunicando V. Sªs ao Governo da Província para providenciar a respeito. Não me encarrego, porém, de tomar conta dos utensílios da Casa de Caridade, podendo V. Sªs comunicarem aos empregados dela, que venham entender-se comigo a respeito do fornecimento e mais despesas daquele estabelecimento, cujas contas apresentarei no fim do mês corrente a V. Sªs e ao Exmo. Governo da Província. Permitam-me V. Sªs que, agradecendo as provas de consideração e maneiras obsequiosas com que se me dirigiram, tenho o prazer de declarar a satisfação que tive em poder auxiliar a essa ilustre corporação no procedimento humanitário, que acabo de ter com a Casa de Caridade, procedimento próprio das qualidades de que dispõem o sr. Presidente e membros da ilustre Câmara Municipal desta cidade. Deus guarde a V. Sª. Petrópolis, 1° de outubro de 1868".

Passando à Ordem do Dia, a Câmara deliberou que se oficiasse, hoje, ao Exmo. Sr. Presidente da Província pedindo-lhe providências para a embaraçosa situação do Hospital da Casa de Caridade, visto que o sr. Coletor se recusou a receber os doentes, e que se enviassem cópias dos ofícios dirigidos à Câmara, hoje, pelo sr. Coletor e pelo Exmo. Sr. Visconde do Rio Novo.

Na 15ª sessão, em 12 de outubro de 1868 (Atas, 360).

Em ofício de 9 de outubro, a Câmara comunicou ao sr. Visconde do Rio Novo que o Exmo. Sr. Presidente da Província (Benevenuto Augusto de Magalhães Taques) não autorizava o reembolso das despesas pelas quais o mesmo sr. Visconde, a pedido da Câmara Municipal, se havia obrigado a fazer, durante o mês corrente, em favor da Casa de Caridade.

À vista desse comunicado, em ofício da mesma data, o sr. Visconde declarou que, assim, não podia continuar fazendo as ditas despesas dessa data em diante. - Ficou a Câmara inteirada.

Na 16ª sessão, em 15 de outubro de 1868 (Atas, 361).

Uma portaria do Exmo. Sr. Presidente da Província, de 8 de outubro, achando-se inteirado do que expusera esta Câmara, em ofício de 1º do corrente mês, sobre a recusa do Coletor das Rendas Provinciais de receber a chave do Hospital de Caridade com os doentes, declara que bem procedeu aquele funcionário, cumprindo com as ordens que lhe foram transmitidas e que, para poder aquela Presidência tomar uma deliberação qualquer a respeito da reorganização do mesmo hospital, é necessário que esteja desocupado pelos inválidos, que nele se acham recolhidos, os quais a Câmara confunde com doente. - Arquive-se.

Uma dita do dito, de 12 de outubro, declara à Câmara que serão pagas pelos cofres da Província as despesas indispensáveis com a remoção dos doentes, que existam no Hospital, para o da Misericórdia da Corte, não se incluindo naquele número inválidos e mendigos.

Oficie-se ao administrador do Hospital, enviando-lhe esta portaria, por cópia, para dar-lhe cumprimento. Proceda ao inventário dos móveis existentes para, logo que forem removidos os doentes, serem entregues com a chave ao Coletor.

Um ofício do administrador do Hospital, datado de hoje, 15, está acompanhado da conta e documentos da despesa feita com o custeio do Hospital durante o mês de setembro último, por onde se vê que a despesa foi de 607$960 réis e a receita de 304$000 réis do donativo do sr. Visconde do Rio Novo, a qual, somada com mais 303$960 réis, de sete Vereadores, recebidos, em partes iguais e para o mesmo fim, perfaz o total de 607$960 réis.

Acompanhou também este ofício um mapa e a declaração feita pelo médico respectivo. Por ela se vê que perfazem o número de 20 os 15 doentes, que passaram de agosto, e mais 5, aos quais não se lhes pode negar entrada. Deles 4 saíram curados e 2 faleceram, passando para o corrente mês 14 e destes só podem ter alta 4, sem serem curados. - Inteirada.

27.11.2007

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