Tribuna de Petrópolis:

CONHECENDO NOSSO PASSADO (9) - História da Câmara Municipal segundo suas Atas

Paulo Machado da Costa e Silva

Ata da 7ª sessão (Atas 008)

No mês de outubro de 1859, o livro de Atas nada registra. Esta sessão de 8 de novembro contou com a presença de 6 Vereadores, tendo os srs. Augusto da Rocha e Cândido Brito comunicado não poder comparecer, "o 1º por motivos independentes de sua vontade e o 2º por incômodo de saúde".

As portarias do Presidente da Província, na época, tiveram um papel fundamental na vida e na organização do novo Município, servindo de orientação e de "cobrança" para os novos administradores municipais.

Nesta sessão, foram cinco as portarias do governo provincial.

"Na 1ª, comunicando ter concedido dois meses de licença ao bacharel José Caetano de Andrade Pinto, Juiz de Direito da Comarca, para tratar de sua saúde; na 2ª, remetendo para informar os papéis relativos à proposta que faz o conselheiro João Fernandes Tavares para a venda de um prazo que possui nesta cidade, para edificação de uma casa de Câmara; na 3ª, para que a Câmara informe acerca do projeto que anexa, na parte eclesiástica, o 2º distrito de Petrópolis, anteriormente 2º distrito de Petrópolis, anteriormente 2º distrito de São José do Rio Preto, à freguesia de São Pedro de Alcântara da mesma cidade; na 4ª, para que a Câmara envie uma exposição circunstanciada relativamente aos seguintes objetos: qual o estado da indústria de mineração, agrícola e da fabril, referindo os principais estabelecimentos; as causas do seu atraso ou progresso, etc. etc; e na 5ª, finalmente, para que a Câmara informe se estando a colônia existente em Petrópolis hoje confundida na massa geral da população, é de vantagem a sua continuação com os regulamentos vigentes, que estabelecem conflitos com o elemento municipal e a legislação civil e penal".

Dos requerimentos lidos, destacam-se:

"Um do barão de Entre Rios pedindo o nivelamento da rua do Imperador a fim de poder mandar assentar o lajeamento em frente às casas que mandou construir.

Um dito de Henrique H. Carpenter, no referido sentido, para poder edificar uma casa à rua de Tonelero.

Um dito de Joaquim José Rebelo pedindo licença para levantar um telheiro à praça do Imperador, junto ao jardim do Palácio Imperial, e poder ali trabalhar em cantaria por tempo presumível de oito meses".

Os requerimentos do barão de Entre Rios e o de Henrique H. Carpenter foram atendidos. O de Joaquim José Rebelo foi indeferido.

Na Ordem do dia, foram aprovados os seguintes requerimentos:

"Dos srs. Manuel de Paula e Antônio da Rocha ( votando contra o sr. Batista da Silva) para que sejam relevados do pagamento da multa em que incorreram, por falta de aferição, conquanto pagassem à Câmara de Paraíba do Sul os respectivos direitos os negociantes, digo, vários negociantes estabelecidos no 2º distrito desta cidade".

Um requerimento do sr. Antonio da Rocha quer "que o sr. fiscal informe, na próxima reunião da Câmara, quais as casas que pagaram impostos à municipalidade da Estrela, depois do empossamento desta Câmara, com designação das quantias e datas de seus recebimentos".

"Foi aprovada a seguinte indicação do sr. Batista da Silva que se represente à Presidência da Província do Rio de Janeiro acerca da utilidade recíproca que sobreviverá a Petrópolis e Paraíba do Sul, estabelecendo-se uma mala para a correspondência entre esses dois importantes municípios e cuja correspondência seja diretamente conduzida desta cidade para Paraíba do Sul".

Pelo Presidente foram nomeadas as seguintes comissões:

- dos srs. Roberto Malpas, Batista da Silva e Antonio da Rocha para informarem acerca da anexação, na parte eclesiástica, do 2º distrito de Petrópolis à freguesia de São Pedro de Alcântara do mesmo nome;

- dos srs. Augusto da Rocha, Inácio da Silva e João Meyer para a exposição sobre o estado da indústria de mineração, agrícola e da fabril, etc etc;

- dos srs. Manuel de Paula, Batista da Silva e Antonio da Rocha para informarem a respeito da conveniência, ou não, dos regulamentos vigentes da colônia.

Nesta sessão, prestou juramento, na qualidade de cidadão brasileiro, o súdito alemão João Jacob Tesch.

Aos leitores e possíveis interessados:

o grande objetivo da presente divulgação é despertar a curiosidade para se saber quem foram os cidadãos aqui citados e o significado e a importância dos fatos mencionados. Em outras palavras, incentivar a pesquisa, descobrir o relacionamento entre os diversos dados apontados, justificar e explicar o que ocorreu em virtude de outras normas, outros costumes e hábitos. Isto é tarefa complementar, porém, de muita importância.

Na parte biográfica, quanto por se descobrir sobre cidadãos prestantes, hoje, totalmente no olvido. A genealogia familiar tem muito a resgatar, pois, até agora, a privilegiada tem sido a do grupo dos colonos alemães, sobre os quais também ainda há o que desvendar.

Em suma, é preciso pesquisar.

A mina de informações está aberta à lavra. Que os pesquisadores do Instituto Histórico de Petrópolis, do Museu Imperial, das Universidades e das outras Instituições culturais do Município se lancem ao trabalho e construam, cientificamente, a História de Petrópolis.

Em 19.07.06.

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