Instituto Histórico de Petrópolis
 24/09/1938
www.ihp.org.br
31/07/2000
c785150Ts80025021

digitação utilizada para inclusão no site:
26/12/2009

Texto revisto segundo Princípios de Redação, considerado o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, promulgado pelo Decreto n.º 6.583/2008.

 

A ENCANTADA - LUMINÁRIA - IDENTIFICAÇÃO DE DESENHO

Manoel de Souza Lordeiro

Trata-se de luminária que teria sido presenteada ao inventor pela Princesa Isabel após o incidente envolvendo o balão dirigível S-D n.º 5 em julho de 1901.

Nessa ocasião a aeronave, perdendo altura, foi chocar-se com um dos mais altos castanheiros da propriedade de Edmond de Rotschild, próxima à residência da Princesa Isabel, Condessa D´Eu, então no exílio, em Paris.

Sabedora da ocorrência e de que o inventor lá estava dependurado à espera de resgate pelos bombeiros, apressou-se em enviar-lhe um almoço que foi providencialmente içado por uma corda.

Superado o incidente, Santos-Dumont foi visitar a princesa para agradecer-lhe o almoço e narrar a aventura.

Posteriormente a princesa enviou-lhe uma medalha de São Benedito que, segundo ela, “iria proteger-lhe contra acidentes”. Desse relacionamento teria resultado um novo presente: a luminária que hoje integra o acervo da Encantada por doação do sobrinho-neto do inventor, Jorge Henrique Dumont Dodsworth.

O desenho que adorna a luminária é uma policromia representando o pavilhão imperial de D. Pedro I.

O pavilhão, sinônimo de bandeira, insígnia ou estandarte, teve origem nos selos reais.

É composto pelo manto ou mantel, em geral representado na parte externa pelo esmalte púrpura e é rematado pela coroa real (ou imperial).

No caso em estudo o mantel é rematado pela coroa de D. Pedro I, facilmente identificável não somente pela forma como pelo gorro (forro interno) que é de cor vermelha (o de D. Pedro II é de cor verde).

Sobre o mantel está representado o brasão de armas do Brasil do Primeiro Reinado, que é igualmente encimado pela coroa imperial, daí a duplicidade da mesma.

O pavilhão d´armas do Império do Brasil no Segundo Reinado é bem mais, digamos, elaborado, dele constando o cetro e a Mão da Justiça, símbolos da autoridade soberana.

Um exemplar desse pavilhão, esculpido em cedro e pintado a óleo, faz parte do acervo do Museu Imperial.

Petrópolis, março de 2002

Fontes consultadas:

Lello Universal. Porto, Portugal: Lello & Irmão, s/d.

SANTOS-DUMONT, Alberto. Os meus balões. Rio de Janeiro: Fundação Projeto Rondon – Ministério da Aeronáutica, 1986.

TOSTES, Vera Bottrel. Princípios de heráldica. Petrópolis, Museu Imperial / Fundação MUDES, 1983.

topo da página

índice de trabalhos

índice de autores