digitação original: 30/04/1996

Relembrando amigos . . .

Lourenço Luiz Lacombe

ARTUR CÉSAR FERREIRA REIS. Prossigo com o nosso saudoso Artur César o necrológio dos sócios correspondentes do nosso Instituto. Nasceu em Manaus a 8-1-1906. Seu pai era jornalista e escritor teatral - Vicente Torres da Silva Reis e sua mãe Emília Ferreira Reis. Fez os estudos iniciais em sua cidade, em grupos escolares, na época em que tais estabelecimentos preparavam de fato seus alunos, estudando depois no Ginásio Amazonense, de tantas tradições. Bacharelou-se em Direito no Rio pela velha Faculdade da Rua do Catete; velha nos dois sentidos: o velho casarão, já em mau estado abrigava a Faculdade criada em 1827 e então pertencente à Universidade do Rio de Janeiro

Mas dedicou toda a sua vida ao magistério. Foi fundamentalmente, professor, iniciando sua carreira no Colégio D. Bosco, de Manaus, daí passando para a cadeira de História Universal, do Brasil e Noções de Direito Pátrio na Escola Normal do Amazonas; logo depois nomeado catedrático de História da Civilização e do Brasil na Escola de Comércio Sólon Lucena.

Nesse mesmo ano participou da Comissão encarregada de fixar os limites dos municípios do seu estado - designado relator geral dos trabalhos.

Todas essas preocupações levaram-no ao Instituto Histórico do Amazonas, do qual foi eleito presidente perpétuo, tendo sido ainda Representante no seu estado, da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Em 1961, já no Rio, foi, por designação do Governador Carlos Lacerda, exercer o cargo de Diretor de Departamento da História e Documentação do Estado da Guanabara.

Mas há um fato pitoresco na biografia de Artur César. Em 1964 estava ele em Genebra, integrando a Delegação do Brasil à conferência do Comércio e Desenvolvimento, quando se deu no Brasil o Golpe de Estado de 31-03. Sem noticias precisas do Brasil, apenas a de que o Presidente Goulart fora deposto, decidiram embarcar todos de volta, à frente o Ministro (seria ainda Ministro?) do trabalho que chefiava a delegação.

Ao aterrissar no aeroporto do Rio o avião, deu-se uma cena interessante e ao mesmo tempo pitoresca: pela janela do avião estranhou a presença na pista de vários colegas de trabalho e - o que foi mais curioso: sua secretária sobrassando um buquê de flores. E pensou: que faz toda essa gente aí ? Eu já viajei tantas vezes com minha mulher e nunca minha secretária lhe trouxe flores... Mal desceram a escada do avião, sobe às pressas um filho seu para avisar: você foi eleito governador do Amazonas, e o Presidente Castelo quer falar-lhe ainda hoje em Brasília! E para a capital partiu Artur César, governador do Amazonas, malgré lui...

Governou seu estado de 27 de junho de 1964 a 31 de janeiro de 1967, nessa época tendo feito a publicação de inúmeras obras referentes ao passado e às tradições amazônicas.

Artur César recebeu o título de cidadão honorário de vários municípios do Pará e do Amazonas bem como das cidades do Rio de Janeiro e da nossa de Petrópolis.

Foi nomeado para o Conselho Federal de Cultura onde integrou a Câmara de Ciências Humanas, atingindo, por longo período, a presidência do próprio Conselho. Nessa época prestigiou da maneira mais eficiente o Museu Imperial, nunca deixando de comparecer às atividades para as quais o convidavam, pronunciando algumas conferências sobre temas de sua especialidade.

Sua extensa e vasta bibliografia abrange todos os ramos da História do Brasil, o que fez Afonso Arinos exclamar ser ele um “ autêntico representante da Nação Brasileira” .

Arthur César Ferreira Reis foi um dos mais profícuos hostoriadores brasileiros. Além da extensão da sua obra, ocupa lugar de destaque pelo extremo  curidado com que apoiava suas afirmações em segura documentação muitas vezes inédita. Foi um benemérito da história não somente pelo que produziu, como ainda pelo que fez para a proteção dos livros  e documentos das regiões em que exerceu sua atividade de ativo administrador.

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