Instituto Histórico de Petrópolis
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Jornal de Petrópolis
11/03/1976
Acervo Histórico de
Gabriel Kopke Fróes – Via Internet –
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arquivo
cdd03001a – RG 6297 - 04/02/2012

Centenário do Hospital Santa Teresa - As Irmãs de Santa Catarina

José Kopke Fróes

Quando o Hospital Santa Teresa foi entregue à Congregação das Irmãs de Santa Catarina, em 29 de janeiro de 1901, por Decreto do Presidente do Estado do Rio de Janeiro, contava o edifício com duas enfermarias para homens, uma de medicina, outra de cirurgia, e duas para mulheres, além de quartos particulares, modesta capela, farmácia, secretaria, sala do médico.

Irmã Lídia era a Superiora naquele momento, e conservou-se no cargo até 1907, tempo em que os recursos financeiros eram muito reduzidos. Sucedeu-a a Irmã Macrina, também com a mesma situação, por três anos.

De 1910 a 1920, a Superiora foi a Irmã Julieta, em cuja direção foi construída a capela atual, inaugurada em 1.º de novembro de 1912, sendo também no mesmo ano inaugurado o andar térreo de Sanatório S. José, logo depois o pavilhão S. Geraldo, destinado a isolar doentes tuberculosos, e iniciada a construção do necrotério. No ano de 1915, ainda sob a direção de Irmã Julieta, foi construída a casa para as Irmãs, ali de serviço, que ocupavam pequenos quartos nos porões do edifício, sem o menor conforto, sujeitos às enchentes. Continuando na direção, Irmã Julieta, foram construídas 3 amplas enfermarias e a seção de maternidade.

De 1920 a 1926, a Superiora foi a Irmã Eulalia, que, como era natural, encontrou grandes dívidas, liquidadas em sua administração.

De 1927 a 1933, a Superiora foi a muito nossa conhecida Irmã Agatonia, muito estimada de todos os que passaram pela casa, e que, felizmente, vive hoje em dependência anexa ao Hospital. Irmã Agatonia promoveu a aquisição do Raio X, e a renovação da canalização de água. Durante sua administração ali esteve internado o Presidente Vargas, vítima de acidente na serra de Petrópolis, que mais atingiu sua esposa D. Darci Vargas, durante um mês.

De 1933 a 1939, Irmã Eustoquium foi a Superiora, de grande atividade, construindo o segundo pavimento do Sanatório, a maternidade, a enfermaria infantil, a nova lavanderia e a nova farmácia.

Nos anos de 1939 a 1942, a Superiora Irmã Thadeia, instalou o laboratório de pesquisas clínicas, o aumento da maternidade.

Finalmente, chegamos à bondosa Irmã Paula Schaeffer, decana das Irmãs do Hospital, Superiora de 1942 a 1948 e de 1950 a 1956. Em seu primeiro ano de administração, em convênio com a Prefeitura, a 7 de setembro de 1942, foi inaugurado o Serviço de Pronto Socorro, terminando com situação constrangedora para nossa cidade, e que teve por primeiro Diretor o Dr. Nélson de Sá Earp. Incontáveis são os melhoramentos introduzidos por Irmã Paula no estabelecimento, bastando lembrar ainda a criação do Banco de Sangue, que esteve a cargo dos saudosos médicos Hélio Bittencourt e Braz Scaldaferri.

Irmã Paula Schaeffer, homenageada especial pela Comissão do Centenário do Hospital, conta hoje 81 anos de idade, perfeitamente lúcida e com boa memória, mas, muito modesta, pouco quis dizer da sua vida inteiramente dedicada à caridade, na entrevista que ontem nos concedeu.

Nascida em Juiz de Fora, veio para Petrópolis complementar seu curso. Ainda noviça, no ano de 1918, ao tempo da terrível epidemia de gripe, mais conhecida por “espanhola”, catástrofe que assolou o Brasil em setembro e outubro daquele ano, a maior de toda a nossa história, ingressou no Hospital de Santa Teresa, substituindo Irmã Inácia, vítima do mal. Recebendo o hábito, manteve sempre contato útil com a instituição.

No alto da parede principal, da entrada do edifício dois bons retratos a óleo do Imperador Dom Pedro II e da Imperatriz Teresa Cristina, lembram aos que chegam ao Hospital seus grandes benfeitores. Para eles chamamos a atenção de Irmã Paula, e ela nos disse, energicamente, “Já houve quem, no meu tempo de direção, quisesse levar estes retratos para um museu mas, eu não consenti”. Lembrou-nos os antigos médicos diretores Arthur de Sá Earp, avô do atual, Joaquim Moreira, Alynthor Werneck, Paulo Figueira de Melo. Mas, com carinho comovente, os servidores modestos como as parteiras D. Sofia Nicolai e D. Conceição, esta que há 44 anos ali trabalha, e que substituiu a outra, também com muitos anos de serviços. O Sr. Francisco Macedo, falecido há 2 anos, e que durante 65 anos, foi dos maiores colaboradores, como empregado para tudo naquela casa. O velhinho Nicola Marinali, com seus óculos de lentes grossas, que cuidava de todas as obrigações externas do Hospital. Irmã Plácida, enfermeira de D. Darci Vargas, que acompanhou-a para o Rio, até que ficasse restabelecida. Enfim, outras Irmãs dedicadas, suas companheiras de trabalho.

A terrível enchente de 1945, quando o Hospital ficou ilhado, e com grandes prejuízos. – O ônibus com 69 nordestinos que rolou a serra, todos muito feridos, socorridos pelo Pronto Socorro, em época de Carnaval, na década de cinquenta, foram outros fatos lembrados.

Aqui fica um pouco da história das Irmãs de Santa Catarina que, bondosamente, dirigem há 75 anos o centenário Hospital Santa Teresa, inaugurado em 12 de março de 1876, para orgulho de Petrópolis.

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