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07/02/2010

O VISCONDE DE UBÁ EM PETRÓPOLIS

Jeronymo Ferreira Alves Netto

Joaquim Ribeiro de Avellar Júnior, Barão e, posteriormente, Visconde de Ubá, era filho de Joaquim Ribeiro de Avellar, Barão de Capivary, grande cafeicultor e influente político na região do Vale do Paraíba.

O Visconde de Ubá nasceu a 12 de maio de 1821, em Paty do Alferes, fez seus estudos iniciais no Rio de Janeiro e os estudos superiores na Europa, recebendo em conseqüência uma esmerada educação.

Em 1849, casou-se com Mariana Velho da Silva, filha mais velha do casal José Maria Velho da Silva e Leonarda Velho da Silva. A família Velho da Silva, é interessante assinalar, mantinha relações muito estreitas com a Corte. O casal teve onze filhos.

O Visconde de Ubá “era tenente coronel da Guarda Nacional, jurado eleitor e comandante do batalhão da Guarda Nacional, oficial da Imperial Ordem da Rosa, fidalgo cavaleiro da Casa Imperial e sócio correspondente do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro” (1).

Em 1º de agosto de 1863, o então Barão de Ubá adquiriu de Dom Andrés Lamas, Ministro da República do Uruguai, um casarão de rara beleza, localizado à então Rua dos Mineiros, hoje Rua Silva Jardim, em Petrópolis.

Do ponto de vista arquitetônico, “o referido prédio de linhas clássicas, reflete a influência do estilo colonial português utilizado sobretudo nos sobrados e fazendas do período colonial no Brasil. Os porões e a escadaria conferem-lhe certa harmonia na composição arquitetônica”(2).

(1) MUAZE, Mariana. As Memórias da Viscondessa: família e poder no Brasil Império. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008, p.65.
(2) KRÜGER, Maria das Neves. História dos Prédios da Universidade Católica de Petrópolis. Petrópolis, 1992, p. 1 (mimeo).
 


O referido casarão, mencionado em vários relatos de estrangeiros em visita a Petrópolis, durante o final do 2º Império foi palco de intensa vida social e política. Nele, as princesas imperiais Isabel e Leopoldina, passaram suas respectivas luas de mel, em 1864.

Em Petrópolis, a família do Visconde de Ubá participou intensamente da vida social, cultural e religiosa da cidade, conquistando a amizade e a estima de todos que aqui viviam.

Por ocasião do falecimento do Visconde, ocorrido em sua fazenda, em 1º de outubro de 1888, o Mercantil, prestigioso jornal de nossa cidade, lhe dedicou a seguinte mensagem:

“Cidadão prestimoso e que, trilhando sempre a vereda do justo, soube conquistar um nome, que a negridão do túmulo não poderá obscurecer, nem lhe empanar o brilho [...] Viverá sempre na recordação de quantos lhe conheceram as virtudes, de quantos lhe apreciaram os dotes. O luto que envolve a família do finado estende-se a todos os seus amigos: soframos pois, resignemo-nos”(3).

Um de seus filhos, o Dr. Antônio Velho Ribeiro de Avelar, nascido em Paty do Alferes e falecido no Sanatório São Jose, em nossa cidade, a 30 de junho de 1933, era, segundo nos informa a Tribuna de Petrópolis, “Bacharel pela Faculdade de Direito de São Paulo e exerceu as funções de Juiz Municipal em Paraíba do Sul e, posteriormente, em Nova Friburgo”(4).
 

(3) O MERCANTIL, Petrópolis, 6 de outubro de 1888, p.1.
(4) TRIBUNA DE PETRÓPOLIS, Petrópolis, 2 de julho de 1933, p.1.

 


Militou na política fluminense como Deputado à Assembléia Constituinte de 1892 e na legislatura seguinte, sempre com destacada atuação, sobretudo nos debates sobre a mudança da Capital do Estado.

Uma de suas filhas, D. Maria José de Avellar Tosta, Baronesa de Muritiba, foi uma das mais ilustres damas da sociedade brasileira. Foi casada com o Desembargador Manoel Vieira Tosta, 2º  Barão de Muritiba e foi companheira e amiga de infância da Princesa Isabel.

Ela e o esposo, voluntariamente, acompanharam os soberanos depostos ao exílio e lá se mantiveram em Boulogne-sur-Seine, durante 33 anos, só voltando ao Brasil após a morte da Princesa Isabel.

Chegando ao Brasil, a baronesa elegeu Petrópolis para residir, entregando-se aqui a piedosas obras, tornando-se inclusive a grande benfeitora da obras da Catedral de São Pedro de Alcântara, “chegando, segundo afirmam alguns, em certa ocasião a se desfazer de suas jóias para auxiliar a conclusão do Mausoléu de D. Pedro II e D. Teresa Cristina, no referido templo”.

Faleceu em Petrópolis, em sua residência à Rua Buenos Aires, 255, a 13 de julho de 1932, sendo sepultada no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro.

A Baronesa de Muritiba permanece na lembrança dos petropolitanos, pelo fato de “ser ornada de raras virtudes e de peregrinos dotes de espírito e de coração, aliados a uma incomparável simplicidade”(5).
 

(5) JORNAL DE PETRÓPOLIS, Petrópolis, 14 de julho de 1932m p.1.

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