digitação utilizada para inclusão no site:
23/04/2006

CURSO DE HISTÓRIA DE PETRÓPOLIS (5)

Jeronymo Ferreira Alves Netto

Módulo V

A vida cultural de Petrópolis: a evolução religiosa; a educação e as instituições culturais; a imprensa petropolitana; as ciências letras e artes.

A EVOLUÇÃO RELIGIOSA

A Paróquia ou Freguesia de São Pedro de Alcântara de Petrópolis foi criada pelo Governo da Província do Rio de Janeiro, pela Lei nº 377, de 20 de maio de l846.

Esse ato de política administrativa do Governo da Província, envolvendo o setor religioso, encontra explicação no fato de que, na monarquia, a religião católica era oficial e o regalismo, isto é, a doutrina segundo a qual é lícito ao chefe de Estado intrometer-se em questões religiosas, havia sido herdado do Absolutismo português.

Assim, a Paróquia era, no sistema constitucional do Império, uma divisão administrativa da Província, tendo inclusive atribuições de caráter civil e político.

Por ocasião da criação da Paróquia foi designado seu primeiro vigário o Cônego Luís Gonçalves Dias Correia, proprietário da Fazenda da Samambaia e Vigário da Paróquia de São José do Rio Preto, a respeito do qual o major Júlio Frederico Koeler deu o seguinte depoimento:

[...] pessoa de notórias virtudes e dotado de uma bondade e de um desinteresse raros, vive perto de Petrópolis, a uma légua de distância. Sou amigo deste prelado há muitos anos e ele nunca se negou a exercer suas funções eclesiásticas a pedido meu, privado, ou dos colonos católicos. Muitas vezes , ao menos de 15 em 15 dias, ele tem vindo dizer missa em Petrópolis, batizar, casar, e por duas vezes, crismar [...]. (35)

(35) KOELER, Julio Frederico apud MACHADO, Jorge Ferreira. A Vida Cultural de Petrópolis. Geopolítica dos Municípios: Petrópolis Cem Anos de Cidade. Petrópolis, 1957,  p. 112.


Não obstante, por solicitação de Koeler, foi contratado um sacerdote que falava a língua alemã, o Padre Francisco Antonio Weber, da Diocese de Estrasburgo, que veio exercer sua missão ao lado do Cônego Luís Dias Correia, por cinco anos, após os quais retornou à Europa.

Em 1848, foram concluídas as obras da Matriz Velha, localizada à Rua da Imperatriz, defronte ao Palácio Imperial, que gozava das regalias de Capela Imperial, recebendo sempre sob o seu teto a Família Imperial. Todas as cerimônias da época e da Corte nela eram celebradas, tendo funcionado por mais de 77 anos, assistindo aos católicos petropolitanos.

O citado templo foi palco de importantes acontecimentos, como a sagração de Dom Antônio Macedo da Costa, décimo Bispo do Pará e uma das figuras mais notáveis do episcopado brasileiro e a celebração, a 15 de outubro de 1875, de um "Te Deum Laudamos", pelo Bispo do Rio de Janeiro, Dom Pedro Maria de Lacerda, em homenagem ao nascimento do Príncipe do Grão Pará, ocorrido naquela manhã.

A 29 de novembro de 1925, foi inaugurada a Catedral São Pedro de Alcântara, ainda inacabada, graças aos esforços do saudoso vigário Monsenhor Teodoro Rocha. À tarde do mesmo dia foi transladado, da Matriz Velha para o novo templo, o Santíssimo Sacramento com grande acompanhamento de fiéis e realizada benção do novo templo, pelo Bispo Dom Agostinho Benassi, sendo Vigário Monsenhor Conrado Jacarandá, por haver falecido meses antes Monsenhor Teodoro Rocha.

Pelo Decreto Consistorial de 16 de julho de 1897, Petrópolis foi desmembrada do Arcebispado do Rio de Janeiro e distinguida pelo Sumo Pontífice com o título de sede da Diocese Fluminense. Em conseqüência, a 13 de novembro de 1897, Dom Francisco do Rego Maia, nomeado Bispo da Diocese de Niterói, chegou a Petrópolis.

Durante os sete anos que respondeu pela Diocese Fluminense, escreveu:

[...] 18 pastorais, todas vazadas num estilo singularmente aprimorado, nas quais se retrata perfeitamente o seu grande caráter, revelando-se nestas longas e magníficas cartas o literato, elegante e fino, o canonista exímio, o teólogo claro e profundo, o sociólogo notável. (36)

O sucessor de D. Francisco foi Dom João Francisco Braga, natural do Rio Grande do Sul, que chegou à nossa cidade em 26 de outubro de 1902.

Múltipla, constante e laboriosa foi a sua atuação em Petrópolis, "quer dando às irmãs do Amparo uma constituição eclesiástica para formar uma Congregação Diocesana" (37), quer realizando visitas pastorais às paróquias mais distantes, quer publicando Cartas Pastorais, sempre com profundo conhecimento e lealdade aos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

(36) COSTA, Mons. Gentil apud REGO MAIA, Dom Francisco. Centenário de Petrópolis. v. VI, 1943, p. 69.
(37)
COSTA, Mons. Gentil apud REGO MAIA, Dom Francisco. Centenário de Petrópolis. v. VI, 1943, p. 69. p. 72.


Em 1907, com a mudança da sede da Diocese para Niterói, foi transferido para Curitiba, onde exerceu o arcebispado por 28 anos, retornando a Petrópolis em 1935, após ter resignado ao Arcebispado de Curitiba, aqui falecendo, em 13 de outubro de 1937.

Em 13 de abril de 1946, realizava-se uma das mais caras aspirações dos católicos petropolitanos, a criação da Diocese de Petrópolis pela Bula "Pastoralis quae urgemur" do Papa Pio XII.

Para pastorear a nova Diocese, o Papa Pio XII escolheu Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra, que não só realizou a missão de Pastor a que se propôs, como ainda transformou Petrópolis num centro cultural e religioso conhecido em todo o Mundo. A ele Petrópolis ficou devendo o Seminário Nossa Senhora do Amor Divino; as Faculdades Católicas Petropolitanas, que, em 20 de dezembro de 1961, se transformaram na Universidade Católica de Petrópolis; o convênio entre a Mitra e a Prefeitura Municipal, proporcionando ensino fundamental a dezenas de crianças; o Centro de Formação Apostólico-Social (CEFAS); o Lar São João de Deus; o 2º Congresso Eucarístico realizado em 1955; a criação de l7 novas Paróquias e um extraordinário legado espiritual em Cartas Circulares, Homilias e Pastorais.

Os protestantes realizavam seus cultos em salas cedidas, no Quartel das Obras Provinciais ou em Escolas. Foram inicialmente assistidos pelo Pastor Dr. Avé Lallemant, da Comunidade Evangélica do Rio de Janeiro.

Em 1846, a Comunidade Evangélica de Petrópolis teve seu primeiro pastor efetivo, o Dr. Júlio Frederico Lippold, que foi extraordinariamente zeloso na assistência religiosa aos colonos, liderando um movimento em favor da construção de um templo e procurando obter do Imperador a doação de um terreno para tal fim, o que acabou não acontecendo, pois o Dr. Lippold submeteu-se a delicada cirurgia, financiada pelo Imperador e, enquanto convalescia, contraiu a febre amarela, falecendo em conseqüência da mesma.

Passou então a Comunidade Evangélica a ser assistida pelo Pastor Jacó Daniel Hoffmann, que, em conseqüência da morte de suas filhas acometidas de cólera, epidemia que castigou Petrópolis em l850, regressou à Alemanha.

Sem pastor, a Comunidade passou a ser assistida por um diácono, o Professor Pedro Jacoby, o qual não só ensinava a religião evangélica às crianças, como também celebrava em sua Escola culto de leituras.

Em 1862, assumiu a direção da Comunidade Evangélica o Pastor Jorge Gotlob Stroele, que, com o apoio dos fiéis e com a ajuda econômica de alguns amigos do exterior, conseguiu adquirir um terreno na Rua Joinville, hoje Avenida Ipiranga, onde foi construído o templo evangélico, inaugurado em 1863.

A EDUCAÇÃO EM PETRÓPOLIS NO IMPÉRIO

O major Koeler, diretor da Colonia de Petrópolis, "instituiu o ensino obrigatório, com multa de 40 réis, em favor da Caixa de Socorros, a todo colono que não mandasse seus filhos de 7 a 12 anos às escolas, pelo menos três vezes por semana". (38)

(38) FRÓES, José Kopke. Primeiros Tempos da Instrução Pública em Petrópolis. Tribuna de Petrópolis, 29 de junho de 1945.


Criou seis escolas para meninos, duas para meninas exclusivamente e uma de música.

Quase todas entraram em funcionamento em 1846, tendo por professores: Pedro Jacoby, Frederico Husch, Marlin Dupont, Augusto Moebus, João Guilherme Schimidt e Teodoro Pausacker e mais tarde nomeou também Henrique Monken.

Em 26 de outubro de 1846, o conselheiro Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho criou duas escolas de primeiras letras, em Petrópolis, uma do sexo masculino e outra do sexo feminino, destinadas ao ensino da língua nacional.

Para provimento destas escolas foram nomeados, em 12 de novembro de 1846, o Professor Joaquim Ricardo Vieira de Freitas e, em 28 de agosto de 1847, a Professora D. Zeferina Josepha Pinto de Bulhões, removida de Valença, sendo o primeiro mais tarde substituído pelo Professor Pedro Correia Taborda de Bulhões. Foram estas as duas primeiras escolas públicas de Petrópolis.

Até o governo do Prefeito Paula Buarque, o ensino municipal organizado ainda não existia em Petrópolis. A contribuição do Município à instrução consistia em subvencionar escolas cuja criação fosse requerida por pessoas interessadas. Para que uma escola fosse subvencionada pelo Município, deveria a mesma atender, entre outros, aos seguintes requisitos:

[...] funcionar em prédios que tivessem uma sala para aulas com 3,50 metros de pé direito e uma área de um metro quadrado por aluno, espaço coberto destinado a recreio e instalações sanitárias satisfatórias. Exigia-se ainda que a freqüência média à escola não fosse inferior a 20 alunos. (39)

O ensino era prático, objetivo e intuitivo e ministrado em três séries: 1ª série: Português, Aritmética e Caligrafia; 2ª série: Português, Aritmética e Caligrafia; 3ª série: Português, Aritmética, Caligrafia, Metrologia (o metro, o litro, o gramo; múltiplos e submúltiplos. Questões Práticas) e Geografia e História Pátria e, para as meninas, trabalhos em agulha.

Ao assumir o Dr. Paula Buarque, encontrou a instrução pública municipal numa situação desesperadora. Existiam apenas:

[...] 15 escolas, com matrícula aproximada de 400 alunos, para as quais a Prefeitura destacava do orçamento de dois mil e quinhentos contos a verba de 18 contos, dos quais 16:000$000 para manutenção delas e 1:800$000 para a aquisição de material escolar. (40)

(39) PREFEITURA MUNICIPAL DE PETRÓPOLIS. Deliberação nº 15, de 28 de setembro de 1916.Petrópolis: Tipografia Tocantins,1917, p. 9. 
(40) TRIBUNA DE PETRÓPOLIS, 5 de agosto de 1927.


Para atender às necessidades do ensino no Município, o Dr. Paula Buarque destacou da receita municipal, considerável quantia para a época a fim de custear as 20 escolas então criadas e ajudar a manutenção de 10 outras que se encontrassem em dificuldades.

Os professores passaram a ser admitidos por concurso, submetendo-se a exames que evidenciassem suas aptidões pedagógicas e o curso primário foi acrescido de uma série, sofrendo a educação pública primária um considerável impulso tanto no plano quantitativo como no plano qualitativo.

Em 1853, dez anos após sua fundação, Petrópolis, que então possuía uma população de aproximadamente 2.959 habitantes, aproximadamente, contava com cinco colégios particulares: O Kopke, o Calógeras, o do Prof. J.M. Ballá, o de Madame Taulois e o de Madame Jenny Diemer. Os três primeiros para meninos e os dois últimos para meninas.

O Colégio Kopke foi fundado em 1º de janeiro de 1850, por Henrique Kopke, considerado por Fernando de Azevedo "como um dos grandes batalhadores em prol da elevação dos estudos no Brasil e da renovação do ensino". (41)

O Colégio dos Meninos, também conhecido como Colégio Calógeras, foi fundado por João Batista Calógeras, grego, naturalizado brasileiro e professor do Colégio Pedro II.

O Professor Calógeras arrendou o prédio pertencente ao Marquês do Paraná, no Palatinato, em 1850 e, no ano seguinte, inaugurou o Colégio dos Meninos, a respeito do qual encontramos interessantes referências nos relatórios anuais da Imperial Colônia de Petrópolis. Assim, em 1853, um desses relatórios se refere ao mesmo do seguinte modo: "sua freqüência é de 86 alunos e o estabelecimento faz honra ao país e aos seus respectivos diretores". (42)

(41) MOACYR, Primitivo. A Instrução e as Províncias. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1939.
(42) TRIBUNA DE PETRÓPOLIS, 3 de março de 1956.


Em 1859, Calógeras vendeu seu colégio ao Professor Bernardo Falleci que o manteve até 1863, ao que tudo indica, fazendo jus à tradição do referido educandário, pois encontramos na imprensa local referências elogiosas à capacidade e dedicação dos professores, à disciplina e à maneira inteligente como o tempo era empregado no mesmo.

Em 1870, chega ao Brasil o Padre José Benedito Moreira, português de nascimento, hospedando-se no Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro, sendo autorizado a lecionar latim, filosofia e inglês, por um aviso do Ministério do Império.

Vem para Petrópolis, onde funda um educandário, citado pela primeira vez no Almanaque Laemmert, em 1879, funcionando o citado colégio, que recebeu o nome de São José, na Rua dos Artistas, próxima ao Asilo do Amparo.

Em 1881, vendeu o Colégio São José ao Dr. Achiles Biolchini e, em 1886, adquiriu a propriedade em que funcionava o Colégio Kopke, ali instalando o Colégio Padre Moreira.

Sobre suas atividades nesse período, informa Cardoso Fontes:

Foi então legendária sua ação. Mestre à antiga, ríspido nas ordens, implacável na exação dos deveres e na disciplina moral, tolerante nas fraquezas humanas, cujo remédio encontrava no reerguimento da personalidade de quem fraquejava, pelo conselho e pelo seu exemplo, a todos indicava a prática da virtude. (43)

(43) LACOMBE, Lourenço Luís. Velhos Colégios de Petrópolis. Tribuna de Petrópolis, junho de 1950.


Foram alunos de seu afamado educandário o Príncipe do Grão Pará, Dom Pedro de Orleans e Bragança. Aristides Werneck, Henrique Viard, Afonso d'Escragnole Taunay, Luís de Souza Dantas e muitas outras personalidades.

ALGUMAS INSTITUIÇÕES CULTURAIS

A Academia Petropolitana de Letras foi fundada em 3 de agosto de 1922, com o nome de Associação Petropolitana de Letras, mais tarde simplesmente Associação de Ciências e Letras.

Seus idealizadores foram João Roberto d'Escragnole e Joaquim Heleodoro Gomes dos Santos, que logo tiveram o apoio de ilustres intelectuais petropolitanos.

Assim, a 3 de agosto de 1922, na sala do Centro de Imprensa, sob a presidência do Dr. Eugênio Lopes Barcellos, realizou-se a sessão de fundação, com a presença de Joaquim Heleodoro Gomes dos Santos, João Roberto d'Escragnolle, Salomão Pedro Jorge, Raul Serrano, Hildegardo Silva, J.B. de Freitas Mello, Raul Affonso Boulanger Uchoa, Pedro Jorge, Jorge Silami, Júlio Flates, Alfredo de Mattos Rudge, João Alfredo de Castro, Joaquim da Silva Maia Junior, Henrique Mercaldo, Pedro de Lacerda Rocha, Reynaldo Antonio da Silva Chaves, João Paulo Carneiro Pinto, Francisco Manoel da Rocha, Setembrino de Campos e João Benevente de Almeida.

A denominação Academia Petropolitana de Letras foi adotada durante a presidência de D. Nair de Teffé Hermes da Fonseca que dirigiu a Entidade no período de 1928 a 1932.

A Academia Petropolitana de Poesia Raul de Leoni, fundada em 15 de agosto de 1983, pelo Prof. Paulo César dos Santos e teve como co-fundadores Joaquim Eloy Duarte dos Santos, André Heidemann e Fernando Costa.

A Escola de Música Santa Cecília, fundada pelo Maestro João Paulo Carneiro Pinto, instalada a 16 de fevereiro de 1893, com 34 alunos matriculados.

O Clube 29 de Junho, fundado a 29 de junho de 1959, em sessão solene realizada na Câmara Municipal, por uma Comissão formada por Guilherme Auler, Gustavo Ernesto Bauer, Manoel Walter Bechtlufft, Brasílio Felipe Bretz e Manoel W. Betchtlufft.

O Instituto Histórico de Petrópolis foi criado por proposta do Dr. Henrique Carneiro Leão Teixeira Filho, em 24 de setembro de 1938, e instalado, a 2 de dezembro de 1938, tendo como Presidentes de Honra o Príncipe D. Pedro de Orleans e Bragança, o Dr. Manuel Cícero Peregrino da Silva, Presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro, sob cujo patrocínio foi o Instituto Histórico de Petrópolis fundado e os Prefeitos Yedo Fiúza e Cardoso de Miranda, em cujas administrações se instalara a Comissão do Centenário de Petrópolis e se fundara o Instituto.

A Academia Petropolitana de Educação, criada em sessão solene realizada a 17 de dezembro de 1977, data em que foi instalada por seu fundador, o Prof. José De Cusatis.

A IMPRENSA PETROPOLITANA

A 3 de março de 1857 surgiu em Petrópolis o 1º jornal O Mercantil, sob a direção de Bartolomeu Pereira Sudré, estabelecido com tipografia à Rua Teresa.

O Mercantil sempre defendeu causas nobres e humanitárias, como as da elevação de Petrópolis à categoria de cidade e a abolição da escravatura, que sempre tiveram em seus diretores os mais decididos apóstolos.

O citado órgão de imprensa funcionou até 25 de maio de 1892, quando foi transformado na Gazeta de Petrópolis, a qual se tornou o principal órgão da imprensa petropolitana, até 23 de dezembro de 1904, quando deixou de circular.

A 2 de dezembro de 1857, Augusto Emílio Zaluar, de parceria com Quintino Bocaiúva, fundam o 2º jornal petropolitano, O Parayba, periódico no formato dos jornais do Rio de Janeiro, que, durante o tempo em que circulou em nossa cidade, contou com a colaboração de ilustres personalidades como Machado de Assis, Charles Rybeyrolles, Remigio de Sena Pereira, Thomaz Cameron, Frederico Damke e outros.

A Tribuna de Petrópolis sucedeu a um pequeno bi-semanário O Povo, a partir de 9 de outubro de 1902, mantendo o mesmo formato de seu antecessor, saindo às quintas e domingos, ao preço de 100 réis.

Dois anos mais tarde assumiu a direção da Tribuna de Petrópolis Artur Alves Barbosa, que, melhorando as condições gráficas e as instalações, pode anunciar que a partir de lº de janeiro de 1908, Petrópolis teria seu primeiro jornal diário, sendo pois considerado, com muita justiça, o fundador da imprensa diária em nossa cidade.

Em 1º de janeiro de 1929, com a ajuda do povo petropolitano, foi construído um prédio próprio para a Tribuna, na Rua Alencar Lima.

Nota: Para maiores informações consultar o interessante trabalho de autoria de Marcello e Cybele de Ipanema, intitulado A Imprensa em Petrópolis, publicado na Revista do Instituto Histórico de Petrópolis, vol. 6, 1989, p.27-54.

AS LETRAS E AS ARTES EM PETRÓPOLIS

Entre os principais prosadores e poetas que exerceram suas atividades literárias em Petrópolis, destacamos: Dante Milano, autor de "Antologia dos Poetas Modernos" e "Poesias"; Décio Duarte Ennes, autor de "Paz Bendita", "Flor da Vida", "Poesias Várias" e vários trabalhos sobre a Língua Portuguesa; Hermes Guimarães, autor de "Idéia Superior", "Ernesto Tornaghi", "O papel do Jovem no Desenvolvimento e Segurança Nacional e o Escotismo". "Dinâmica do Elismo"; José De Cusatis, autor de "Ver, Ouvir, Viver,Contar", "O Rio e a Serra", "A saga do velho Albino"; Mariná Sarmento, autora de "Ânfora"; "Poesias", "Verão em Flor", "Macaé", "Poemas Marinhos"; Mario Fonseca, autor de "Impressões de Viagem", "Sol Ardente", "Variações", "Poemas de Amor"; Olavo Dantas, autor de "Folhas de Acalanto", "Sob o Céu dos Trópicos", "Gaivota dos Sete Mares", "Jardim dos Mortos"; Petrarca Maranhão, autor de "O Turbilhão", "Ronda de Estrelas", "Jardim Suspenso", "Veleiro de Ilusões"; Salomão Jorge, autor de "Arabescos", "Canções do Oriente"; "Porta do Céu", "Tendas do Meu Deserto"; Sílvio Júlio, autor de "A Covardia", "Espelho", "Fundamentos da Poesia Brasileira"; "Elegias a Lastênia"; Raul de Leoni, autor de "Ode a um Poeta Morto" e "Luz mediterrânea" e muitos outros.

Entre os principais musicistas destacamos: Bernardino Viana, exímio pistonista, organizou em Petrópolis a Banda Leopoldo Miguez. Foi regente de orquestra do Clube dos Diários e compôs inúmeras músicas para bandas e orquestras. Sua composição, o maxixe intitulado "O Pixe", provocou grande entusiasmo em Petrópolis; João Baptista Maul, nascido no Morin, tocava baixo, clarineta e bombardino e organizou a famosa Banda Maul, sendo famosas suas composições para piano, entre as quais destacamos a Valsa "June Caprice", a Polca "É tudo Novo" e o Tango "Edem Dramático"; Ernesto Silva, mineiro que fixou residência em Petrópolis, por volta de 1900. Foi mestre da Banda do lº Batalhão da Polícia Militar, professor e mestre da Banda do Liceu de Artes e Ofícios. Entre suas composições salientamos "Cidade Nova em Petrópolis" (Polca), "Os Olhos de Ida" (Schotisck), "Jacaré" (Dobrado); Paulo Carneiro Pinto, pernambucano que chegou a Petrópolis em 1890, e que, três anos mais tarde fundou a Escola de Música Santa Cecília, que deu a Petrópolis notáveis musicistas como Magdalena Tagliaferro, destacada pianista, Arthur Pender y Terre, pistonista com medalha de ouro da Escola Nacional de Música e Guerra Peixe, violinista, regente de orquestra e compositor; Paulino Alves de Souza, nascido no Alto da Serra, compôs os dobrados "Coluna Avança" e "Augusto Severo".

Frei Pedro Sinzig, dirigiu a Revista Música Sacra desde a sua fundação até 1952. Sua obra musical foi muito rica e numerosa, destacando-se o oratório Maria Santíssima.

Frei Pedro dirigiu vários espetáculos musicais, como o drama lírico "Santa Cecília", composto para solos e coros e publicou o "Dicionário Musical".

Entre os pintores do século XIX e XX, destacamos Agostinho José da Mota, notável paisagista, professor de desenho figurado na Imperial Academia e no Liceu de Artes e Ofícios. "A Imperatriz D. Teresa Cristina lhe encomendava paisagens a óleo e aquarelas de parasitas, quadros que S.M. enviava aos parentes e às amizades da Europa" (44); Nicolau Fachinetti, italiano, radicado no Brasil, grande paisagista, deixou-nos esplêndidas paisagens de Petrópolis, notadamente da Avenida Koeler; Otto Reimarus, engenheiro da Colônia, em 1854 elaborou uma planta de Petrópolis e uma série de desenhos a lápis: Praça Coblenz, Nassau, Casa Mauá, Palácio Imperial, Hotel Bragança e Rua do Imperador, todos em 1854; João Batista da Costa, um dos mais notáveis paisagistas brasileiros, especialmente interessado pela natureza petropolitana.

(44) SANTOS, Marques. Artes Plásticas. Geopolítica dos Municípios: Petrópolis Cem Anos de Cem Anos de Cidade. Petrópolis, 1957, p. 133.


É de sua autoria o belo retrato a óleo de D. Pedro II, existente na Câmara Municipal, tirado de uma fotografia do Imperador no exílio. Alguns de seus trabalhos figuraram na 1ª Exposição Brasileira de Belas Artes, realizada em São Paulo , em 1911, inclusive 7 pinturas de Petrópolis de sua autoria: Quaresmas, Manhã de Sol em Petrópolis, Serra dos Órgãos, Avenida Piabanha, Melancolia, Residência do Barão do Rio Branco. "No pincel de Batista da Costa, encontram-se os encantadores sítios da terra petropolitana o seu grande glorificador [...]" (45); Joaquim da Rocha Fragoso, notável pintor de retratos, radicado em Petrópolis, onde sua família se projetou, inclusive seu irmão mais velho Augusto da Rocha Fragoso que integrou nossa 1ª Câmara Municipal e exerceu a vereança até 1888. Em seu atelier, localizado à Rua Paulo Barbosa, pintou retratos da família imperial, como o do Imperador, inaugurado na Câmara Municipal, a 7 de junho de 1859 e o retrato do Major Julio Frederico Koeler, existente no Salão da Câmara.

(45) BRETZ, Walter. Tribuna de Petrópolis, 23 de abril de 1926.


José Huss, decorador e pintor alsaciano, decorou o salão nobre da Nossa Câmara Municipal e o antigo Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro.

Carlos Oswald, desenhista e pintor, residiu durante 49 anos em Petrópolis. Nasceu em Florença, na Itália, sendo registrado pelo pai no Consulado Brasileiro. Sua obra abrange a gravura, pintura a óleo, pintura mural, vitrais e estatuária.

Em Petrópolis colocou seu talento a serviço da Catedral, onde foi responsável pela execução dos murais e vitrais da Capela denominada "Panteón dos Imperadores" e da "Capela do Batistério". Os assuntos representam a "Imaculada Conceição" e a "Crucificação", acompanhados de vários símbolos relativos a D. Pedro II e na "Capela do Batistério", quadros históricos alusivos ao Batismo.

Carlos Oswald faleceu em Petrópolis, a 14 de fevereiro de 1971.

topo da página

índice de trabalhos

índice de autores