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15/06/2005

A ESCOLA DE ENGENHARIA INDUSTRIAL

Jeronymo Ferreira Alves Netto

A Escola de Engenharia Industrial da Universidade Católica de Petrópolis nasceu de um convênio entre as Faculdades Católicas Petropolitanas e o Centro Industrial do Rio de Janeiro (CIRJ).

O citado convênio foi assinado em 13 de dezembro de 1960, em solenidade que se realizou no auditório da Federação de Indústrias do Estado e que foi presidida pelo Núncio Apostólico, Dom Armando Lombardi.

Compareceram ao ato destacadas personalidades, entre as quais o Exmo. Sr. Bispo de Petrópolis, Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra; o presidente do Centro Industrial do Rio de Janeiro, Sr. Zulfo de Freitas Mallmann; o prefeito de Petrópolis, Dr. Nelson de Sá Earp; o diretor da Faculdade de Direito, Dr. Aloysio Maria Teixeira, que também representou o Reitor das Faculdades Católicas Petropolitanas e os representantes dos governadores Roberto Silveira e Carlos Lacerda.

A nova Faculdade surgiu da necessidade de se adequar a formação do elemento humano, com vistas aos interesses gerais da produção e ao desenvolvimento econômico do país.

Sua criação, é justo salientar, deveu-se em grande parte aos esforços desenvolvidos pelo professor Décio José de Carvalho Werneck, educador realista, objetivo e prático, que soube conduzir, com rara habilidade, as conversações entre as Faculdades Católicas Petropolitanas e o Centro Industrial do Rio de Janeiro.

Quanto à escolha de Petrópolis para instalação de tão importante unidade de ensino, encontrou ela justificativa no excelente conceito das Faculdades que já vinham funcionando, pelo rigor e qualidade do ensino; na expressiva atividade industrial desenvolvida na cidade; e na curta distância do parque industrial carioca.

Para dirigir a nova escola foi convidado o engenheiro Oscar Lisboa da Graça Couto, Diretor Superintendente da Graça Couto S.A. Indústria e Comércio e que também foi professor titular da cadeira Higiene de Habitações e Indústrias.

Instalada em 6 de maio de 1961, no recinto da Câmara Municipal, em ato presidido pelo Magnífico Reitor Dr. Arthur de Sá Earp Neto, o qual contou com a presença de expressivas figuras eclesiásticas, municipais e estaduais, da indústria e do comércio, a nova Escola foi autorizada a funcionar pelo Decreto nº 50.419, de 7 de junho de 1961, do então presidente Jânio da Silva Quadros.

A Escola de Engenharia Industrial iniciou suas atividades com o Curso de Mecânica, ministrado em cinco séries.

Visando a fornecer a seus alunos um ensino de alto padrão, propiciando não apenas a formação do técnico, mas a formação segura, bafejada pelos princípios da Fé e da Moral Cristã, os dirigentes das Faculdades Católicas Petropolitanas assinaram importantes convênios com a Companhia Eletromecânica CELMA, a Ferraria Petrópolis S.A. e a Companhia de Energia Elétrica, cujas instalações e pessoal foram postos à disposição da Escola, nos termos ajustados.

Dentro deste mesmo espírito, foi contratado um abalizado corpo docente, no qual salientamos: Amauri de Oliveira Fontes, Elementos de Máquinas; Paulo Franchini Melo, Resistência de Materiais; Hosannah Minervino dos Santos, Estatística e Cálculo de Probabilidades; Marcelo Teixeira Brandão, Metalurgia Geral e Metalografia; José Eugênio P. de Macedo Soares, Planejamento e Organização Industrial; Walter Vilela Guerra, Termodinâmica e Máquinas Térmicas; Guilherme Pedro Eppinghaus, Máquinas Hidráulicas; Celair Batista dos Reis, Máquinas Operatrizes e de Transportes; Miguel de Assis Vieira, Materiais de Construção Mecânica; Moacyr Néri Costa, Métodos de Planejamento; Oscar de Araújo Fonseca Filho, Tecnologia Mecânica; César Augusto Lourenço Filho, Mecânica dos Fluidos; Josias da Silveira, Construção de Máquinas; Karl Curt Litzmann, Instalações Complementares; Carlos Paladini, Desenho a Mão Livre e outros.

A aula inaugural da nova escola superior foi ministrada pelo professor Oscar Edinaldo Porto Carreiro que discorreu sobre o relevante tema: “Sentido da Máquina no Mundo Moderno”.

Alguns anos mais tarde, dois novos e importantes cursos foram incorporados ao inicial, o de Engenharia Elétrica, reconhecido pelo Decreto nº 72.117, de 24 de abril de 1973 e o de Engenharia Civil, reconhecido pelo Decreto nº 80.024, de 26 de julho de 1977.

A Escola de Engenharia Industrial representou, na verdade, um louvável esforço dos dirigentes das Faculdades Católicas Petropolitanas no sentido de promover a tão necessária integração Escola-Indústria.

Em 20 de setembro de 1961, com a fusão das Faculdades de Direito, Filosofia, Ciências e Letras e a Escola de Engenharia Industrial, a Diocese de Petrópolis fundou a Universidade Católica de Petrópolis, reconhecida pelo Decreto nº 383, de 20 de dezembro de 1961, a qual foi solenemente instalada em solenidade realizada no Teatro Petrópolis, a 10 de março de 1961, presidida por Dom Armando Lombardi, representante do Santo Padre o Papa João XXIII, no Brasil.

(1) Jornal de Petrópolis, Petrópolis, 17 de março de 1962, p. 1

Na ocasião, o Jornal de Petrópolis, sob o título de “Petrópolis de Parabéns” publicou interessante artigo, comentando a certa altura: “Sob a inspiração da fé cristã, a Universidade Católica de Petrópolis coloca a nossa querida cidade num plano destacado na cultura brasileira, justificando a alegria do nosso povo, que a saúda, hoje, como grande marco em nossa história e horizonte mais amplo que se abre às novas gerações. Ressalte-se, ainda, no acontecimento a força criadora do ideal, pedra de toque no grandioso acontecimento, que veio desmentir pessimismos, para afirmar-se como a notável obra de cultura que Petrópolis tem a ventura de ver plenamente concretizada e dela orgulhar-se” (1).

Viabilizava-se assim a constituição de um grande centro de ensino superior, que no decorrer de todos estes anos vem apresentando um ritmo constante e crescente de desenvolvimento, dedicando-se não apenas ao ensino, mas também à pesquisa e à prestação de serviços, estando sempre alerta para enfrentar os desafios dos novos tempos.

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