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16/07/2002

Jornal da Catedral de Petrópolis
Ano II, Nº 11, junho/julho de 1998

MONSENHOR CONRADO JACARANDÁ

Jeronymo Ferreira Alves Netto

Nasceu no Rio de Janeiro, a 18 de dezembro de 1891, sendo filho de Conrado Ferreira de Souza Jacarandá.

A 11 de agosto de 1906, matriculou-se no Seminário do Rio Comprido, onde após um ano e meio de estudos, transferiu-se para o de Pirapora em São Paulo. Ali pertenceu à Academia Literária e foi escolhido para assistente e disciplinário da classe dos alunos médios e menores. Com sérios problemas de saúde retornou à casa dos pais, tendo sua carreira ameaçada. Felizmente recuperou-se, atribuindo o restabelecimento de sua saúde a um milagre de Nossa Senhora, retornando aos estudos, desta vez no Seminário de Niterói.

Recebeu a prima Tonsura e Ordens Menores, em maio de 1913, o Subdiaconato em dezembro do mesmo ano e o Diaconato logo após. Foi ordenado Presbítero a 19 de dezembro de 1914 e celebrou sua primeira Missa no altar do monumento de N. S. Auxiliadora como reconhecimento de, por sua intercessão, ter recobrado a saúde, em 20 de maio de 1914.

Sua carreira sacerdotal foi brilhante, tendo desempenhado, no decorrer da mesma, os seguintes cargos: Capelão do Colégio das Irmãs Dorotéas, onde exerceu também as funções de Diretor das Filhas de Maria (1915-1916); Coadjutor da Catedral de Niterói (1917); Secretário particular do Bispo Diocesano; Secretário do Bispado; Professor do Curso de Filosofia do Seminário de Niterói; Capelão da Igreja de Nossa Senhora das Dores, no Ingá, tendo, no desempenho destas funções, contribuído de modo extraordinário para a criação da Paróquia do mesmo nome, para a qual foi nomeado Vigário, em 21 de setembro de 1924.

Transferido para Petrópolis, substituiu Monsenhor Theodoro da Silva Rocha, assumindo a Paróquia, em 21 de abril de 1925, revelando-se desde logo um sacerdote de raras virtudes e privilegiada inteligência, impondo-se à admiração e ao respeito de seus paroquianos.

Monsenhor Theodoro da Silva Rocha, grande incentivador das obras da Catedral, faleceu a 22 de fevereiro de 1925, antes, portanto, da Bênção da nova Matriz e da sua inauguração em 29 de novembro do mesmo ano. O então Padre Conrado Jacarandá, que o substituiu, prosseguiu na linha traçada pelo mesmo, dirigindo as obras nos últimos meses e redigindo a ata da Nova Matriz da Paróquia de São Pedro de Alcântara.

Monsenhor Conrado Jacarandá dedicou grande atenção às obras de assistência social, fundando o Patronato “O Cruzeiro”, instituto profissional que procurava dar à juventude instrução primária e profissional. Possuidor de grandes pendores literários, editou a Revista “O Cruzeiro”, órgão oficial da Paróquia e do Patronato, que, pela excelência de seus artigos, teve grande influência na cultura petropolitana. Conquistou, deste modo, grande prestígio em nossa cidade, tendo recebido grande manifestação de carinho por parte de seus paroquianos, quando de sua transferência para Niterói onde assumiu o posto de Vigário Geral da Diocese.

Perfeito humanista, cultor das letras clássicas, foi admitido na Academia de Letras de Petrópolis, em 25 de março de 1928 e, posteriormente, na Academia Fluminense de Letras, tendo sido também membro da Associação Brasileira de Imprensa.

Em reconhecimento aos inestimáveis serviços que prestou à causa da Igreja, a Arquibasílica Lateranense lhe outorgou a “Cruz Áurea Lateranense”. Faleceu Monsenhor Conrado Jacarandá, em Niterói, a 12 de setembro de 1943, no exercício das funções de Vigário Geral da Diocese da capital do Estado. Foi sepultado no cemitério do Sacramento, depois de ter sido velado na Catedral de São João Batista, tendo na ocasião, Dom José Pereira Alves, Bispo Diocesano, celebrado missa de corpo presente.

Bibliografia Consultada:
O Cruzeiro. Órgão Oficial da Paróquia de Petrópolis. Petrópolis, Ano I, nº 24, 19 de dezembro de 1926.
O Cruzeiro. Órgão Oficial da Paróquia de Petrópolis. Petrópolis, 6 de fevereiro de 1927.
MACHADO, Jorge Ferreira. O Clero na Academia Petropolitana de Letras. Separata das Vozes de Petrópolis, Petrópolis, julho/agosto de 1935.
Tribuna de Petrópolis, 14 de setembro de 1943.

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