Tribuna de Petrópolis:
 20/03/ 1998

GUILHERME PEDRO EPPINGHAUS  ( DR.) - IN MEMORIAM

Jeronymo Ferreira Alves Netto

Petrópolis perdeu na madrugada do dia 19 de março de 1998 um de seus mais ilustres filhos: Guilherme Pedro Eppinghaus.

Pelas numerosas obras que realizou em nossa cidade; por sua condição de engenheiro civil, de longo tirocínio, quer à frente da Secretaria de Obras do Município por três longos períodos; pelos conhecimentos históricos que armazenou sobre a formação de Petrópolis, o Dr. Guilherme Pedro Eppinghaus foi o exemplo de uma existência ativa e gloriosamente modesta.

Nasceu em nossa cidade, a 25 de fevereiro de 1897, na parte residencial da casa de comércio de seu pai, localizada à então Av. Quinze de Novembro, hoje Rua do Imperador.

Seus pais, o comerciante Guilherme Eppinghaus e D. Deolinda Hingel Eppinghaus eram descentes de duas tradicionais famílias de colonos alemães.

Guilherme Pedro recebeu esmerada educação, iniciando seus estudos no Colégio de D. Honorina Baptista, instalado na atual rua Washington Luiz, freqüentando posteriormente o Colégio Franco Brasileiro, dirigido pelo professor Jean Teulère, notável educador francês que havia se estabelecido em Petrópolis e, mais tarde, o Colégio São Vicente de Paulo, onde concluiu o curso secundário.

Tendo decidido tornar-se engenheiro matriculou-se no Instituto Politécnico de Juiz de Fora, onde recebeu o grau de engenheiro eletricista e de obras públicas, em 1917 e, em 1928, o grau de engenheiro geógrafo, pela Escola de Engenharia de Juiz de Fora.

Apesar de sua árdua e profícua atividade profissional, ainda encontrava tempo para dedicar-se à pesquisa e ao ensino, bem como desenvolver intensa participação na vida cultural e social da cidade.

Membro efetivo do Instituto Histórico de Petrópolis, no qual foi admitido a 12 de novembro de 1959, publicou inúmeros trabalhos na imprensa local e na revista do referido Instituto.

Dedicou-se também ao ensino, tendo sido professor da cadeira de Máquinas Hidráulicas, da Escola de Engenharia da Universidade Católica de Petrópolis, cujo Conselho Universitário lhe outorgou o título de “Professor Emérito”.

Membro do Conselho Municipal de Cultura, até 1979 e do Conselho da Medalha Koeler, como representante do Instituto Histórico de Petrópolis, foi também sócio da Sociedade Artística Villa-Lobos, da Escola de Música Santa Cecília, do Clube de Engenharia e da Associação Petropolitana de Engenheiros e Arquitetos.

Foi casado dom D. Carmem Tavares de Lacerda, natural de Guarapuava, no Paraná, formando um dos mais distintos e bem relacionados casais, tanto no sul, como posteriormente em Petrópolis. Uma feliz união que durou 52 anos, até o falecimento de D. Carmem, ocorrido a 26 de janeiro de 1975.

Sua carreira como engenheiro civil foi realmente extraordinária. Sua competência aliada à sua notável capacidade de trabalho logo se refletiram nos numerosos cargos que ocupou e nas importantes obras que realizou, tanto no sul do páis como em nossa cidade.

Foi engenheiro auxiliar da comissão de exploração e projeto de uma estrada de ferro estratégica, entre Rio Negro, no Paraná, e Caxias, no Rio Grande do Sul; engenheiro da Diretoria de Viação e Obras Públicas e Diretor de Obras da Superintendência Municipal de Joinville.

No desempenho destes importantes encargos teve a oportunidade de realizar obras de grande envergadura como estradas, pontes, o matadouro de Joinville e os trabalhos de abastecimento de água da cidade de São Francisco.

Retornando a Petrópolis, abriu seu escritório de engenharia de construção, à Rua Washington Luiz, nº 16, realizando importantes obras em nossa cidade.

A pedido do saudoso Monsenhor Gentil, entrou em concorrência das obras da Catedral, vencendo-a e dedicando aos trabalhos, então iniciados, nove anos. Coube-lhe a construção das capelas laterais do histórico templo, dos quatro pavimentos da torre, do coro, do mausoléu, da escada com pedras de granito do Caxambu e a colocação da porta, de cerca de 4.800 quilos de peso.

Destacou-se ainda na construção de prédios residenciais, industriais, obras de contenção, merecendo destaque, por sua repercussão, a construção da Capela do Seminário Superior de São Vicente de Paulo e o terceiro pavimento do Ex-Colégio Notre Dame de Sion, hoje, Universidade Católica de Petrópolis.

A convite do Prefeito Mario Cardoso de Miranda exerceu o cargo de Diretor de Engenharia da Prefeitura, ocupando a partir daí, sucessivamente, os seguintes cargos no Município: Chefe do Departamento de Engenharia, em duas gestões; Chefe dos Serviços de Construção das Represas do Caxambu e Obras Complementares; Diretor do Departamento de Obras e Esgotos, em cinco gestões; Secretário de Viação e Obras Públicas, em duas gestões e Engenheiro da Consultoria Técnica do Setor de Planejamento.

No desempenho de tão importantes encargos houve-se com tal acerto e desvelo que foi agraciado com a Medalha Koeler (Cruz de Mérito), por relevantes serviços prestados ao Município.

Guilherme Pedro Eppinghaus construiu uma obra imperecível que dignifica seu nome e lhe exalta a figura humana. Sua morte desfalca Petrópolis de uma das mais lídimas expressões de sua intelectualidade.

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