Instituto Histórico de Petrópolis
 24/09/1938
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31/07/2000
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Digitação utilizada para inclusão no site:
06/2012

Tribuna de Petrópolis
20/06/2012

Texto revisto segundo Princípios de Edição, considerado o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, promulgado pelo Decreto n.º 6.583/2008.

 

Academia: noventa anos

Joaquim Eloy Duarte dos Santos

Aproxima-se o mês de agosto, deste ano de 2012 e, nele, a data dos 90 anos da fundação da Academia Petropolitana de Letras, organizada a partir de 3 de agosto de 1922.

Trata-se de uma das mais antigas academias de letras do País.

Os pioneiros que a idealizaram, fundaram e organizaram, sempre são relembrados em cada comemoração anual do aniversário.

Coube à “Tribuna de Petrópolis” um papel fundamental na divulgação e apoio a todo o processo, publicando a carta de idealização, as repercussões a cada dia, os noticiários das reuniões, a divulgação de discursos e matérias oficiais. O matutino já abrigava colaborações dos escritores locais, em prosa e verso e a própria direção do jornal – sob Álvaro Machado, na época – tinha comprometimento com  a literatura.

Era uma imprensa diferente da que hoje admiramos e respeitamos. A cidade era mais tranquila, os moradores menos estressados, havia acompanhamento das atividades sociais das diversas famílias que se conheciam e se respeitavam; as crianças eram crianças e os escolares, em seus uniformes, mesmo que crianças por vezes irreverentes, traziam um comportamento do lar mais respeitoso.

Poetas e articulistas honravam as páginas dos jornais, fossem matutinos ou semanais, com poemas, crônicas, contos e alguns, mantendo colunas informativas e críticas.

Havia intensa atividade industrial, com operários  entrando, almoçando e saindo dos prédios sob o comando dos apitos ou sirenes estridentes; o comércio possuía estabelecimentos tradicionais e comerciantes que todos conheciam e cumprimentavam, enfim, a cidade do verão sazonal vivia os tempos do frio e do calor bem definidos, marcando a encantadora vilegiatura.

Menos automóveis e ônibus, muitas bicicletas e casas de aluguel do gostoso e saudável veículo; respirava-se melhor e a grande fumaceira esvoaçante no  Município vinha mais das chaminés fabris do que das descargas dos ônibus e automóveis.

Dificuldades muitas, racionamentos de gêneros ocasionados pelos conflitos armados externos e, nesse ano da APL, a intensa expectativa dos povos diante do fracasso da Liga das Nações e o rearmamento dos beligerantes humilhados e derrotados.

Apesar de tudo, Petrópolis respirava tranquilidade e os sonhadores literatos escreviam suas impressões sobre a vida, poetando sonhos e quimeras. A Academia de Letras aportava à cidade sob o embalo dessa vida em busca de mais sensações e opções de entretenimento.

Por coincidência, ela chega no mesmo ano da “Semana de Arte Moderna”, revolucionário  movimento cultural, sem nada ter de igual ou influência. Os jovens que a  fundaram eram ainda românticos, idealistas, sonhadores, sem os protestos das modernidades que ganhavam o mundo. Eclética, composta de nativos e veranistas, a Academia sofreu bastante os dias da organização, trocando algumas diretorias nos três primeiros anos, até firmar-se e, ainda na década de 1920, impor-se sob a denominação de Academia Petropolitana de Letras, ela que surgira sob Associação.

É um feito para ser recordado e comemorado. Uma Diretoria nova está surgindo para renovação de pensamento e ação, esperança de todos aqueles que amam a entidade e desejam vê-la sob respeito e credibilidade.

Os fundadores e antigos dirigentes confiam e apresentam irrestrito voto de confiança.

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