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20/11/2007

(*) Título de matéria jornalística publicada na Tribuna de Petrópolis, no ano de 1944.

ESCOLA DE MÚSICA SANTA CECÍLIA: ORGULHO CULTURAL DE PETRÓPOLIS (*)

Joaquim Eloy Duarte dos Santos

Desde os tempos imperiais e, principalmente, na última década do século XIX, Petrópolis era sítio obrigatório para a fuga ao calor e aos problemas de saúde que grassavam no Rio de Janeiro. Com a industrialização atraia trabalhadores do Exterior e do País e o trem de ferro estabelecia a união estreita da cidade com os mineiros imigrantes. A República, recentemente instaurada, sofria pressões políticas e a Revolta da Armada contra o governo de Floriano Peixoto feria a paz, estando decidida a mudança da capital do Estado do Rio de Janeiro para Petrópolis. Os verões alegres da cidade, a tranqüilidade, o ambiente saudável, a garantia de emprego, atraiam e fixavam uma nova população que se integrava paulatinamente aos colonos alemães.

A Família do Barão de Araújo Maia não fugia à regra e desde o ano de 1890 veraneava em Petrópolis. Subia a serra, com ela, o professor de música João Paulo Carneiro Pinto, pernambucano talentoso e excelente músico, "Medalha de Ouro" do Conservatório de Música do Rio de Janeiro. Gostou, ficou e resolveu abrir um ensino de música para crianças talentosas e, principalmente, sem recursos, deixando definitivamente a vida carioca. No dia 16 de fevereiro de 1893 instalou a sua Escola com 34 alunos, escolhendo o nome da padroeira da música Santa Cecília para a denominação do curso. Andando de um prédio para outro, vivendo de doações e subvenções do Poder Público e do empresariado, a Escola foi acolhida no Hotel Bragança que nada cobrava do maestro, expandindo sua Escola pelos salões e salas do grande prédio na Rua do Imperador.

A Escola Santa Cecília, de Paulo Carneiro, tornou-se presença obrigatória em toda a vida cultural e festiva de Petrópolis, não só pelo ensino como pela orquestra, participante efetiva de todas as festividades públicas e particulares. O maestro era respeitadíssimo e extraordinária figura da vida petropolitana.

Ao falecer o maestro, a 10 de setembro de 1923, com ele também estava fenecendo o Hotel Bragança.

- Não deixem morrer a minha Escola! - pediu o Maestro aos seus amigos e devotados auxiliares.

Na manhã de 23 de setembro de 1923 reuniram-se esses amigos com Sanctino Carneiro, filho do maestro, que abriu mão de todos os bens do pai - representados por instrumentos musicais e a própria Escola -, iniciando a organização da sociedade civil que é hoje a Escola de Música Santa Cecília, 111 anos de existência, no ano comemorativo dos 150 anos do nascimento do fundador Paulo Carneiro.

De prédio em prédio, a sociedade, por fim, adquiriu uma pequenina casa na Rua Marechal Deodoro nº 192, esquinada com a Rua General Osório, onde se instalou com os cursos musicais e abrindo o salão para as atividades artísticas em geral, com um cine-teatro. Graças a uma campanha sólida, junto à população petropolitana, em 1950, arrecadou-se significativo capital. O pequenino prédio foi demolido e, em seu lugar, levantado o Edifício Paulo Carneiro e o Teatro Santa Cecília. Enquanto em obras, a Escola funcionou no Palácio de Cristal, por deferência da Prefeitura de Petrópolis. Em 1955 chegava às novas instalações, onde até hoje corporifica o sonho feito realização do Maestro Paulo Carneiro.

Homenageando as centenas de alunos, professores e dirigentes, que passaram pelos bancos escolares e administrativos, citamos três extraordinárias personalidades da Arte Musical, todos petropolitanos natos, de três fases da Escola: da primeira, (século XIX) a pianista Magdalena Tagliaferro, aluna do maestro Paulo Carneiro; da segunda (1ª metade do século XX), o maestro, pesquisador e compositor César Guerra Peixe; da terceira: o maestro, compositor e pesquisador Ernani Aguiar (2ª metade do século XX).

A Escola de Música Santa Cecília é, hoje, indelével e maravilhoso patrimônio cultural de nosso País.

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