Tribuna de Petrópolis:
01/08/2006

INCLUSÃO DE ISABEL

Joaquim Eloy Duarte dos Santos

O Museu Imperial realizou na última semana o seminário "A Princesa das Camélias". O centro das atenções foi a extraordinária Princesa Isabel pela passagem da data natalícia de 160 anos completados no dia 29 de julho de 2006. Durante três dias, sob o comando da Diretora Drª Maria de Lourdes Parreira Horta, apresentaram-se renomados pesquisadores: Eduardo Silva, Robert Daibert Júnior, Mary Del Priore, Maurício Vicente Ferreira Júnior, Pedro Karp Vasques, Maria de Fátima Moraes Argon e Bruno Cerqueira, com encerramento pelo bisneto da homenageada, D. Pedro Carlos de Orleans e Bragança.

Foram tardes maravilhosas em que o público, que lotou o Espaço Multimídia, teve oportunidade de conhecer a Princesa sob múltiplos enfoques, desde narrativas sobre o gesto magno da assinatura da "Lei Áurea" e as influências acarretadas no País e na vida da Família Real, passando pela faceta de estadista e Chefe de Estado, sob grandes pressões políticas e no cenário do universo feminino da Corte no século XIX, findando com exibição de farta iconografia e um estudo sobre a precariedade bibliográfica sobre Isabel. A nossa História do País tem sido muito mal ensinada, desde a oficial como aquela que pretende adequar tudo a um enfoque marxista no mínimo e mais gratuito da teoria político-social do grande pensador.

O que dizer, então, da história política, sempre predominante e a serviço da inverdade ou do mito forjado?

Diante da figura de Isabel, sua personalidade, seu preparo para a assunção do Estado, sua inteligência e argúcia feminina, sua projeção junto ao povo, tem-se que o Brasil perdeu o bonde da História quando deixou que a mediocridade política assentasse a República e embarcasse o Império para o exílio. O resultado aí está, sob ditaduras de diversas gradações, entregue o poder ao despreparo, ao corporativismo, ao salve-se-eu-mesmo. Os assentados no poder não permitem a moderação do gabinete parlamentarista que garanta o exercício da política com seriedade e mais competência.

Necessário que a figura de Isabel I, Chefe de Estado por quase 4 anos, nos impedimentos do pai, Imperador D. Pedro II, embora alternados, tenha citação e correto estudo nos compêndios da História Pátria e que sua personalidade forte, ao tempo que maternal e doce, possa servir de exemplo e fortaleza em favor das gerações de hoje e futuras. Isabel foi a primeira Chefe de Estado de nosso Continente Americano, um marco em nossa Cultura e exemplo de imortal amor à Pátria, da qual foi banida e nunca mais divisou com seus olhos claros de bondade, firmeza e argúcia.

O Seminário do Museu Imperial foi de grande valia para essa visão de Isabel e sua conseqüente inclusão no quadro de estadistas que conduziram o Brasil ao século XXI.

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