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04/05/2000

SÍRIO-LIBANESES EM PETRÓPOLIS (OS)

Joaquim Eloy Duarte dos Santos

(sob estudo de Yedda Maria Lobo Xavier da Silva, uma saudade imensa de todo o coração petropolitano)

A colonização alemã é muito estudada, a portuguesa revivida e a sírio-libanesa teria ficado esquecida no registro de nossa história se não fosse a saudosa e querida professora, bibliotecária e historiadora Yedda Maria Lobo Xavier da Silva, que escreveu e publicou na Revista do Instituto Histórico de Petrópolis, páginas 97 a 107, edição do ano de 1989, o artigo "Imigração Sírio-libanesa".

O levantamento foi feito pela professora, ela descendente direta da família Mitri Dib, que veio para o Brasil com 5 integrantes, os irmãos Anibal, Felippe, Elias, Teófilo, João e Helena, originários de Tartus, na Síria. Segundo narra Yedda, foi assim que Mitri Dib virou Lobo: "Por decisão do Serviço de Imigração e para regularização de seus documentos tiveram seu nome transformado em "Lobo" - os irmãos Lobo". Continuando sua narrativa, a historiadora revela: "Os primeiros a vir para o Brasil em 1908 foram Anibal e Elias e em 1911 chegam Felippe e João, ficando todos sediados no Rio de Janeiro. Em 1913 Elias volta para a Síria e com o surgimento da 1ª Guerra Mundial não retorna mais. Em 1920 Anibal vem para Petrópolis e começa a trabalhar aqui no comércio ambulante de flores, trazendo logo depois seus irmãos para nossa cidade. Em 1923, Felippe volta à Síria, lá permanecendo por um ano. Retorna ao Brasil em 1924 trazendo seus irmãos Teófilo e Helena e sua mãe Labib-Dib".

A reminiscência histórica da professora Yedda narra a odisséia da sua família, sua fixação na cidade, o sucesso na atividade comercial e, em especial, seu pai Felippe vence com a conceituada "Flora Oriental", a qual, com seu falecimento em 1974 continuou por muitos anos sob a direção da viúva Angelina..

Sempre com base no estudo de Yedda, recordemos e louvemos o trabalho, principalmente no comércio, de algumas importantes famílias sírio-libaneses que ajudaram e ajudam a escrever a melhor história de Petrópolis: Nassar (imigrante Salim Jorge Nassar, Líbano 1889), ramo da armarinho; Nassif (imigrante Euzébio Nassif, Djoubeil, 1893), ramo de tecidos e armarinho, a famosa "Casa do Galo"; Cury (imigrantes Afonso, Amim, Abdala, Roa, Sofia, Maira, Zilda, Marta e Amelin, oriundos de Mazrait-Yachuch) de dedicados e diversos ramos do comércio a varejo e atividades industriais; Firjan (imigrante Pedro Firjan), numerosa clã; Latuf (imigrantes os irmãos José, Saul e Jorge); Abichedid (imigrante José Jorge, oriundo de Hamut, vindo só e depois buscando a família); Mcauchar (imigrante Nagib Gabriel), barbeiro; Haddad (imigrantes Nahim e esposa Saada, depois os irmãos Saydé e Bechara e, por fim, George Youssef); Salomão (imigrante Magid e, mais tarde José Miguel e esposa Tamyne; Pachá (imigrante Alfredo e esposa Elvira Bittar, trazidos pelo irmão Miguel que já estava estabelecido em Petrópolis); Bailune (imigrante Saba Bailune, a esposa Vidoca Pachá e filhos Clara Elias e Jorge); Nicolau (imigrante Antônio e seu irmão José).

Yedda cita, ainda em seu artigo, outros grupos de famílias que se estabeleceram em Petrópolis, em fluxo contínuo de imigração nas 5 primeiras décadas do século XX: El Kaddoun, Iabrudi, Mussi, Geigi, Neffer, Urdan, Charif, Fiani, Somenson, Salim-Farah, Chehab, Daher, El-Karin, Abi-Daud, Zarzur, Murad, Simão, Tayar e tantos outros.

As famílias sírio-libanesas, por trato afável, sólida formação familiar e extremada capacidade de trabalho, lograram integrar-se de coração e alma a Petrópolis Hoje não poderíamos pensar em nosso desenvolvimento sem a elas atribuir uma fundamental contribuição ao desenvolvimento comercial de todo o Município. De famílias sempre numerosas, os descendentes dos pioneiros, que o imaginário histórico chamava de "primos", por casamentos no seio das famílias imigrantes, constituem hoje uma sociedade só, a petropolitana de tantas influências e resultante de muitos povos de todo o globo terrestre. Obviamente, com os sírio-libaneses despontando como expressivos formadores do povo petropolitano.

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