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26/10/1998

CINEMA EM PETRÓPOLIS - SUA HISTÓRIA (2)

Joaquim Eloy Duarte dos Santos

O TEATRO PETRÓPOLIS

A grande reforma do Cinema Teatro Xavier foi a troca da denominação. Sob Jacomo Rosário Staffa, a casa foi rebatizada de TEATRO PETRÓPOLIS e sua inauguração marcada para o dia 1 de abril de 1916. Uma grande festa coroou a abertura da casa segundo a notícia da "Tribuna de Petrópolis", edição de 2 de abril:

"TEATRO PETRÓPOLIS

"Foi uma festa de elegância, uma festa ultra-chic, a que ontem se realizou no ex-teatro Xavier, para solenizar a data da sua reabertura sob propriedade e direção do Sr. J. R. Staffa.

"A festa começou com a exibição de vários filmes cinematográficos de incontestável valor artístico. A assistência foi numerosa e seleta, vendo-se nos camarotes representantes do corpo diplomático e distintos cavalheiros e famílias de elevada representação na sociedade brasileira.

"O Sr. Senador Leopoldo de Bulhões compareceu representando o Sr. Presidente do Estado e a Câmara Municipal.

"Após o espetáculo efetuou-se no salão do Teatro uma esplêndida soirée que se prolongou, sempre muito concorrida, até a madrugada.

"Nas danças tomaram parte inúmeras famílias.

"O Sr. Staffa ofereceu a todos os seus convidados, aos quais prodigalizou as máximas gentilezas, um profuso e delicado "buffet", trocando-se, ao champanhe, várias saudações.

"O serviço de "buffet" esteve a cargo da Confeitaria Falcone.

"Durante a festa fez-se ouvir uma excelente orquestra.

"O Teatro Petrópolis dará hoje matinê e "soirée" a preços comuns.

A grande reabertura foi a convite e o comparecimento assinalou importantes personalidades da vida petropolitana, do Estado e País. Não teve, entretanto, como na inauguração do Teatro Xavier, no dia 6 de fevereiro de 1914, a presença do Presidente da República e esposa.

No dia 2 abriu as portas para o público com a seguinte programação, em sessões contínuas em matinê e "soirée" : "Praia de Skagen", "Mam'zelle Nitouche", "O Prisioneiro Real do Castelo de Zenda".

Jacomo Rosário Staffa, como João Xavier, desejava que o Teatro apresentasse diariamente filmes cinematográficos mas, sempre que possível, peças teatrais, cortinas cênicas e artistas avulsos para se exibirem nos intervalos das mudanças de rolos. Atendendo ao objetivo anunciou no dia 5 de abril:

"A empresa desejando tornar o Teatro Petrópolis o ponto predileto de rendez-vous da sociedade serrana resolveu dar diariamente as sessões teatrais em um só espetáculo.

"Assim, nos dias úteis, as funções começarão as 7 e meia havendo nesse período de tempo um intervalo de 15 minutos para a entrada dos trabalhos puramente de palco.

"Nenhuma alteração de preços acarretará essa útil modificação, porquanto será mantida a tabela seguinte: camarotes: 10$000; poltronas: 1$000; e galerias $500.

"Nos domingos haverá duas sessões".

Para Staffa era fácil o contato com os artistas avulsos e as companhias de teatro e canto lírico, além da distribuição de fitas cinematográficas, por estar no ramo no Rio de Janeiro desde 1907 quando abriu o afamado "Cinematógrafo Parisiense", inaugurado em 9 de agosto de 1907, na Avenida Central (hoje Rio Branco) n. 179, no mesmo prédio onde funciona o Inacen, órgão do Ministério da Cultura e o Teatro Glauce Rocha. Era um cinema de apenas 160 lugares, sempre com casas lotadas. Staffa, como um dos pioneiros da atividade, tinha grande prestígio, tornando-se representante das melhores fábricas de filmes, dentre elas a maior de todas na época, a Nordisk, que distribuía os filmes dos maiores astros. O empresário, no apogeu, distribuiu filmes para cerca de 500 cinemas no país. Sua vinda para Petrópolis foi uma conseqüência natural de sua visão empresarial já que arrendava um cinema bem instalado, em prédio apropriado, uma casa digna, na cidade mais importante do país nas temporadas dos verões presidenciais. No mês de julho de 1914, quando o Teatro Xavier ganhava nome e tornava-se um bom ponto de entretenimento, Staffa fez um contrato para exibição de filmes no "Coliseu Luso-Fluminense", com o empresário Adelino Motta, que anunciou orgulhosamente: "Hoje, contrato com o Cinema Parisiense de R. Staffa - O salão cinematográfico mais freqüentado do Rio".

O Coliseu era uma enorme tenda de circo instalada na Praça da Inconfidência, com espetáculos variados, a preços populares, onde Staffa auscultou o público petropolitano para o cinema, cedendo filmes para exibição. Provavelmente, desse contato surgiu-lhe a idéia de adquirir o Teatro Xavier, esperando o momento propício, até consegui-lo e explorá-lo com sucesso.

Staffa, que nascera na Itália, a 3 de novembro de 1869, em família de posses, fugiu de casa ainda menino de seus 12 anos, embarcou em navio com destino ao Brasil, em terceira classe, passou a viver de expedientes, contraindo febre-amarela aos 15 anos de idade. Engraxate, jornaleiro, baleiro, vendedor ambulante, condutor de bonde da linha do Jardim Zoológico, travou conhecimento com o recente negócio do Barão de Drummond, o "jogo do bicho", ganhando alguns contos de réis em uma bem sucedida "fezinha", aplicando o dinheiro em bancar, por conta própria, algumas apostas, estabelecendo-se com uma porta na Rua do Ouvidor para venda de cartões postais e jogo-do-bicho. Amealhando bom capital, fez um passeio à terra natal, onde viu o grande sucesso que faziam as casas exibidoras de cinema. De volta ao Rio de Janeiro, abriu o "Cinematógrafo Parisiense" e tornou-se empresário empreendedor e muito rico.

Assumindo o Teatro Petrópolis, J. R. Staffa, como assinava e era conhecido, não descurou de suas atividades empresariais no Rio de Janeiro, começando a busca de uma pessoa de empreendimento e tirocínio para assumir a casa.

Encontrou Roldão Barbosa, filho do construtor Adelino Barbosa, com o qual trabalhara na mocidade mas que, no momento, exercia atividades comerciais. Era apaixonado por teatro e cinema; esteve presente, em meio a muitas personalidades, sendo muito jovem e ainda pouco conhecido nas elevadas rodas da cidade, na inauguração do Teatro Xavier naquele esplêndido dia 6 de fevereiro de 1914.

Roldão Barbosa, no dizer do saudoso historiador Gabriel Kopke Fróes foi "sem dúvida alguma, o mais lúcido dos empresários cine-teatrais que Petrópolis até hoje possuiu". A observação está contida no artigo "O Velho e Saudoso Teatro Petrópolis", publicado na edição de 23 de novembro de 1964, no "Jornal de Petrópolis". E ficou para sempre porque nenhum outro, na cidade, foi maior do que ele, na atividade, em todos os tempos.

Nasceu e cresceu em Petrópolis, estudos no Colégio São Vicente de Paulo, estágio cultural nos Estados Unidos, auxiliar do pai nos anos 1910 e 1911, esportista, foi partícipe eficiente na fundação do Petropolitano Futebol Clube, lá no campo da Terra Santa, de saudosa memória. Muito alegre, extrovertido, participava de festas e eventos com seu grupo de amigos. De certa feita, na madrugada de 8 de março de 1914, quando retornava de um baile, sofreu acidente de automóvel na carona de seu amigo Oswaldo Oliver, que bateu contra uma mureta na Avenida Köeler. Os rapazes foram medicados na Farmácia Leite e convalesceram em suas casas, com ferimentos leves e grande susto. Roldão residia com os pais na casa n. 237 da Rua 14 de Julho, hoje Rua Washington Luís, construída por seu pai no ano de 1899, hoje relacionada no tombamento geral do Centro Histórico e à espera de uma boa restauração.

Após os bailes carnavalescos realizados no Teatro Petrópolis nos dias 17 e 18 de fevereiro de 1917, o empresário Staffa preparou a casa para passá-la para Roldão Barbosa. A "Tribuna de Petrópolis", edição de 4 de março desse ano estampou a seguinte notícia:

" A REABERTURA DO TEATRO PETRÓPOLIS

"A ansiedade do público petropolitano pela reabertura dessa magnífica casa de diversões vai ser, afinal, satisfeita hoje. O arrendatário do Teatro Petrópolis, Sr. Roldão Barbosa, fez organizar um programa que vale ouro, e que será exibido em matinê "soirée".

"Damos, a seguir, publicidade de todo o programa, pois não há um só filme que desmereça de destaque:

"Ei-lo:
"Festas Esportivas em Christiania, natural
"Em Apuros, comédia da fábrica Luxo
"A Marinha Italiana, primeira série, obra em prol da vitória e da glória da Itália
"Tricot porte Bonheur, filme cômico da Ambrosio, só na matinê.
"Cora, drama em 3 atos, trabalho que será exibido pela primeira vez no Brasil, tendo sido retirado ontem da Alfândega.
"Na "soirée" será exibido, como extra, a segunda série de "A Marinha Italiana".
"É, como se vê, um belíssimo programa, que atrairá, por certo, ao Teatro Petrópolis grande concorrência".

J. R. Staffa passou a programar os filmes para o Teatro, escolhendo os lançamentos, estendendo-os à serra e, muitas vezes, nas mesmas datas das estréias no Rio de Janeiro. Na programação dessa reabertura, nota-se o seu dedo patriótico ao exibir filmes de exaltação e glória à rua terra natal, a Itália.

A imprensa petropolitana saudou com entusiasmo o "novo" Teatro Petrópolis, estampando a "Tribuna", a 6 de março, em sua seção "Crônica de Verão", o seguinte comentário:

" A reabertura do Teatro Petrópolis anteontem levou a essa elegante casa de diversões enorme concorrência agradando a todos o magnífico programa, no qual fulguravam filmes artísticos e de valor. E, assim, o novo empresário, o simpático e estimado moço R. Barbosa pode começar bem, como que tendo entrado no seu teatro com o pé direito".

O Teatro Petrópolis se agigantou nas mãos de Roldão Barbosa que diariamente fiscalizava tudo, recebia os espectadores, criando para a casa muitas chamadas estampadas nos programas, no "hall" do Teatro e na divulgação pela imprensa, tais como:
"Salon da Elite Petropolitana"
"Conforto e elegância"
"O melhor Teatro do Estado do Rio"
"Os programas mais variados"
"Verdadeiro triunfo das celebridades cinematográficas"
"As maiores produções do mundo, todas elas possuidoras de milhares de admiradores"
"O Teatro Petrópolis é o melhor cinema do Brasil"
"Pela primeira vez na América do Sul…", anunciando a estréia do filme "A Irmã Branca", com Lilian Gish, a grande atriz daqueles tempos.
"O Teatro Petrópolis é exibidor das melhores fábricas do mundo".

Criada a Prefeitura Municipal, por ato do presidente do Estado do Rio de Janeiro, Dr. Nilo Peçanha, em agosto de 1916, nomeado o primeiro prefeito, Dr. Oswaldo Gonçalves Cruz, a preocupação desse consagrado cientista com a saúde e a segurança da população, incentivou um trabalho de redobrada fiscalização nas construções urbanas, mandando o prefeito Oscar Weinschenck, por ato n. 66, de 3 de agosto de 1917, que fosse procedida rigorosa fiscalização no Teatro Petrópolis e nomeando os engenheiros-civis Maurício Morand e Manoel Ribeiro de Almeida e o médico Dr. Eduardo Corrêa de Lemos, instruiu que vistoriassem com rigor aquela casa de diversões. Assim, também, com o Cinema Rio Branco, antigo Floresta.

Os técnicos assinalaram no extenso laudo da vistoria as boas condições do prédio e das instalações, recomendando apenas pequenos reparos. Eis alguns trechos do documento:

"O Teatro Petrópolis é um edifício em alvenaria, de construção recente e em perfeitas condições de estabilidade. Tendo nele procedido exame cuidadoso os peritos notaram apenas alguns defeitos, de correção fácil, relativamente aos recursos em caso de incêndio, à aeração da sala de espetáculos e a parte da instalação elétrica. Os peritos passam a expor esses defeitos, indicando as medidas de correção que lhes parecem convenientes. Quanto aos casos de incêndio, notaram os peritos a falta de canalização d'água capaz de fornecer esse líquido nas condições de pressão e de descarga necessárias para tal eventualidade observaram que, com obra relativamente pequena, poder-se-ia tornar sensivelmente mais rápida e fácil a saída dos espectadores".

Os peritos especificam, em seguida, as providências técnicas a serem seguidas para sanar os defeitos. Sobre as condições gerais da casa, observam:

"As condições de saída dos espectadores são em geral boas, salvo quanto às galerias do lado direito da pessoa voltada para o palco. É necessário que se construa desse lado uma escada de descida para o segundo pavimento, igual e simétrica da que existe do lado oposto. São muito boas as condições de saída dos espectadores do segundo para o primeiro pavimento. As de saída do primeiro pavimento, porém, conquanto regulares, podem ser facilmente muito melhoradas, transformando-se em portas as duas janelas da fachada nesse pavimento e construindo-se externamente ai escadas semelhantes à que existe em frente à porta entre essas janelas. Essa obra é também julgada necessária pelos peritos porque representa melhoramento de grande alcance tornando muito mais fácil que atualmente a saída dos espectadores.

"A aeração da sala de espetáculos se faz em boas condições, exceto nas proximidades do palco porque pela abertura destinada ao "ponto" penetra na sala dos espectadores ar carregado de umidade e de exalações da terra, e porque o lugar destinado à orquestra fica em ponto baixo onde naturalmente se acumulam os produtos mais pesados da respiração. Tal defeito pode ser corrigido revestindo-se de concreto o solo sob o palco e instalando-se um pequeno exaustor…

"A instalação elétrica está em geral, em boas condições, havendo alguns reparos a fazer a respeito na "cabine" de projeção e no quadro geral de distribuição. A "cabine" de projeção é de madeira mas convenientemente revestida de amianto. Os fios condutores da energia, porém, estão ai em alguns pontos presos por pregos. Tais pregos devem ser substituídos por suportes de porcelana. Há nessa "cabine" um pequeno quadro em madeira que deve ser substituído por outro de mármore…"

O laudo foi firmado em 22 de agosto de 1917. Se as exigências foram cumpridas não ficou assinalado, porém eram de pouca relevância, salvo a parte elétrica e a umidade no setor do palco que, provavelmente, foram corrigidas.

O cinema firmou-se verdadeiramente, com programações atraentes, funcionando durante todo o ano.

A revista "Verão em Petrópolis", de 20 de dezembro de 1924, comenta em artigo da redação, a excelência dos dois melhores cinemas de Petrópolis, o "Capitólio" e o "Petrópolis", afirmando em um trecho:

"… dois belíssimos edifícios que honram a cidade e o Estado do Rio, funcionam diariamente e todos exibem programas de primeira ordem, com produções das mais acreditadas e afamadas fábricas, além de turnês artísticas de conhecidas companhias teatrais que sobem a esta cidade. Os nossos teatros por enquanto reuniram sua ação na exploração do divertimento comum: o cinema. A não ser a vinda de artistas avulsos, alguns realmente bons, o cinema invadiu tudo e tornou-se querido, fazendo parte já do programa natural da vida de qualquer cidadão".

Mais adiante a crônica define a excelência da melhor casa de exibição cinematográfica da cidade, o "Petrópolis":

"Pertencente ao Sr. J. R. Staffa, está entregue à empresa Roldão Barbosa que imprime, rigorosamente, um cunho de elegância nas suas funções e detém, em primeira mão, filmes suntuosos da Fox, Paramount, First Circuit, Gaummont, Pathé, com os já célebres "Programas Serrador". Excelente orquestra, ampla sala de exibições, traz artistas avulsos que deliciam a nossa platéia merecendo sempre uma concorrência das mais seletas e elegantes".

Na noite de 29 de novembro de 1929 chegou o cinema sonoro e o "Petrópolis" era o pioneiro da novidade.

A revista "Verão em Petrópolis", sintetizou, em artigo da redação, publicado em janeiro de 1930, a euforia e o entusiasmo dos petropolitanos:

"A nossa terra teve, há pouco, uma demonstração positiva de quanto pode a boa vontade de um de seus filhos, aliada ao esforço e à capacidade de trabalho de quem possuindo um espírito adiantado e culto, sente constantemente a ânsia do progresso e da perfeição. Queremos referir-nos ao Sr. Roldão Barbosa, o empresário dos nossos dois grandes teatro (referência ao Cine-Teatro Glória que existiu no local onde hoje está a agência do INSS, na Rua Barão de Teffé) com a sua iniciativa de instalar em Petrópolis a última novidade da arte cinematográfica - o cinema falado, cantado e sincronizado. A aquisição e montagem dos aparelhos pelos quais se fazem as novas exibições, a que o público vem assistindo no Teatro Petrópolis com muito agrado, custaram dezenas de contos de réis".

Segue-se, no artigo, laudatório elogio à capacidade empresarial e ao destemor de Roldão Barbosa por dotar a cidade dessa evolução do cinema concomitante com o Rio de Janeiro.

Nas décadas de 20 e 30, de Roldão Barbosa, no prédio de J. R. Staffa, o "Petrópolis" e, da empresa Trotta & Ramos em prédio de propriedade de Jeronymo Ferreira Alves, o "Capitólio" foram as maiores casas de lançamentos cinematográficos e coqueluche dos amantes da Sétima Arte. 

Funcionavam, ainda, os cinemas "Dom Pedro", construído por João D'Ângelo, "Glória" e "Santa Cecília", este explorado pela Escola de Música Santa Cecília sob a administração direta do presidente da entidade, Joaquim Gomes dos Santos. Haviam desaparecido o "Cassino Fluminense", o "Paulicéia", o "Central", o "Floresta" ( depois "Rio Branco"). 

Nas quatro décadas seguintes, firmaram-se o "Petrópolis", o "Capitólio", o "Dom Pedro" e o "Glória", este de menor duração, sob Luiz Severiano Ribeiro, e mais o "Cine Art-Palácio" no novo prédio da Escola de Música Santa Cecília, o "Esperanto", em larga garagem no final da Rua Paulo Barbosa, de propriedade de José Varanda, todos no centro e, nos bairros e distritos, algumas pequenas casas exibiam filmes e a maior delas, construída para a finalidade, o "Cine Garcia"(depois "Santa Teresa"), no Alto da Serra.

O Cinema Capitólio antigo foi demolido e, em seu lugar, surgiu o prédio, ainda existente, construído no decorrer dos anos de 1939 e 1940, inaugurado em 4 de abril de 1940, arrendado da família Ferreira Alves pela empresa Severiano Ribeiro. Mas, esta história merece ser contada em capítulo próprio.

O historiador Gabriel Kopke Fróes sintetiza em seu artigo "O Velho e Saudoso Teatro Petrópolis", já citado, o que foi a casa de Roldão Barbosa no período áureo. Diz":

"As "soirées" do "Petrópolis", no verão, eram como que a sala de visitas da alta sociedade brasileira. As frisas e os camarotes tinham, todos os anos, donos certos, alugados que eram para a temporada. Tal como faziam no Rio, durante o inverno no Municipal, os assinantes visitavam-se durante o espetáculo e, no intervalo, freqüentavam o "foyer". Também o teatro na era Roldão Barbosa viveu sua fase áurea. Basta dizer que, em 1924, só no mês de fevereiro, exibiram-se no "Petrópolis", com suas companhias, Maria Olenewa e Ermetti Zacconi… Quem teria coragem de trazer à nossa cidade figuras da projeção da extraordinária bailarina e do grande trágico?"

Fontes de consulta: No arquivo e hemeroteca da Biblioteca Municipal de Petrópolis, as coleções da "Tribuna de Petrópolis", anos 1914 a 1944; "Jornal de Petrópolis", anos de 1941 a 1943. No meu arquivo particular exemplares da revista "Verão em Petrópolis", anos de 1922 a 1924; artigo de Gabriel Kopke Fróes: "O Velho e Saudoso Teatro Petrópolis" (23/11/1964, Jornal de Petrópolis); série de artigos publicados no ""Diário de Petrópolis", sob o título geral "Cinema - 100 Anos", de minha autoria, a partir do dia 17/12/1995, e nos 7 domingos subseqüentes, terminando na edição de 4/2/1996; artigos meus: na Coluna do Instituto Histórico, da "Tribuna", intitulados "Os Teatros-Cinemas - 1920 / 1940" (Tribuna de Petrópolis 9 e 10/2/1994) e "Subsídio para uma História da Atividade Teatral em Petrópolis (Revista do Instituto Histórico de Petrópolis, 1988); artigo de Raul Lopes na coluna do Instituto Histórico de Petrópolis, sob o título "Em Torno do Teatro" (Tribuna de Petrópolis, 13/11/1993); e artigo de Alice Gonzaga "Parisiense: Cinema na Avenida Central", in "Filme e Cultura", número 47, agosto de 1986, publicação da Embrafilme.

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