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26/10/1998

CINEMA EM PETRÓPOLIS - SUA HISTÓRIA (1)

Joaquim Eloy Duarte dos Santos

O CINEMA PETRÓPOLIS

INÍCIO PELO FIM

Na noite de 21 de abril de 1996 a tela do Cinema Petrópolis foi iluminada pela última vez. O filme exibido "Coração Valente", protagonizado por Mel Gibson, coloriu de muita aventura a despedida do maior e mais confortável cinema do Município. Alguns cinéfilos fizeram questão de permanecerem até as 23 horas, retirando-se devagar e lançando últimos olhares para o salão, a tela, o monumental espaço, esperando o projecionista desligar as máquinas, as luzes serem apagadas e acompanhando, já na calçada, os funcionários fecharem as portas.

Na manhã de 22 de abril, muito cedo, funcionários da empresa Luiz Severiano Ribeiro, desmontaram o cinema, embarcaram tudo para o Rio de Janeiro, lacrando as portas e sepultando definitivamente o palácio de tanto sonho, divertimento, emoção, música, levando naquelas barulhentas viaturas um pouco da alma de cada espectador.

Na mesma semana, a empresa Severiano Ribeiro recebeu visita de petropolitanos inconformados mas que não apresentaram nenhuma alternativa financeira válida para a continuidade do cinema. A argumentação mais forte do empresário era o número reduzido de freqüentadores, tornando inviável o funcionamento do gigantesco cinema em imóvel alugado, não cobrindo a ínfima renda as despesas da mínima manutenção.

Abria-se, para a reminiscência do Município, mais um capítulo da sua melhor História Cultural, que tivera em seu palco tantos teatros e cinemas desde o início da povoação fundada por Júlio Köeler e D. Pedro II.

O TEATRO XAVIER

No ano de 1913, no espaço urbano, que corresponde ao números 804 a 808 da Rua do Imperador, o capitalista João Xavier fez construir um sobrado amplo destinado ao funcionamento de um teatro. Caprichou na concepção arquitetônica procurando edificar um espaço de diversões com as características dos melhores teatros do Distrito Federal. O salão de espetáculos foi projetado e construído com 28 camarotes, 18 frisas, 620 cadeiras e 400 galerias, com bom palco e camarins confortáveis. A fachada compunha-se, no térreo junto a calçada, de 3 portas, com entrada central onde eram expostos os cartazes e fotografias dos espetáculos, enquanto as demais destinavam-se ao comércio. Passada a sala de exposição e a bilheteria, penetrava-se em um corredor e, em meio a este, a esquerda, abria-se espaçosa sala de espera com cadeiras estofadas; no final do corredor chegava-se a uma grande área ao ar livre, ornamentada com vasos de plantas; pelo lado esquerdo da área penetrava-se na platéia do suntuoso e belo teatro.

Na noite de 6 de fevereiro de 1914 o capitalista e empresário João Xavier inaugurou a casa, denominada TEATRO XAVIER, apresentando, no palco, a "Companhia de Óperas Cômicas e Operetas Scagnamiglio Caramba", empresada por Carlos Zanini, A. M. Willner e R. Bodansky.

A "Tribuna de Petrópolis", alguns dias antes, na edição de 31 de janeiro de 1914, noticiou: "Está definitivamente resolvido que a récita inaugural do belo Teatro Xavier tenha lugar na noite de 5 de fevereiro próximo, com a aplaudida opereta "Il Barone Zingaro".

"A Companhia Caramba dará suas récitas nesta cidade com o mesmo esplendor com que se tem apresentado no Teatro Lírico, da Capital Federal.

"Para o transporte do material da importante "troupe", vão ser tomados três vagões de carga da Estrada de Ferro Leopoldina.

"A Companhia Caramba virá completa e compõe-se de 90 pessoas.

"A orquestra será regida pelo distinto maestro Beleza.

"Já tomaram localidades, como assinantes, os senhores: Dr. Joaquim da Costa Leite, comendador Carlos Leal, Dr. Moscoso Bandeira, Dr. Araújo Silva, João de Souza Lage, deputado Souza e Silva, Dr. Luiz da Rocha Miranda, viúva Guinle, Seixas Corrêa, Dr. Paulo de Frontin, Dr. Pedro Nolasco, José Figueiredo, viúva Reinghantz, Dr. Viveiros de Castro, Dr. Alberto de Faria, Dr. Toledo Dodsworth, Dr. Jacy Monteiro, Dr. Regis de Oliveira, Eduardo Dantas, Dr. Grandmasson, Dr. Maurílio de Abreu, Dr. Tavares Guerra, Barão de Ibirocahy, Dr. Queiroz Mattoso, comendador Arthur Watson, Vasco Ortigão, Francisco José de Souza, Dr. José Kallembach, Roldão Barbosa, Rodrigo Monteiro, Oscar Liberal, José Loureiro da Silva, Manoel Maia, Domingos Nogueira, Francisco Cossenza, Mário Corrêa Ventura Thomaz, Vicente Gagliardi, Eugênio Gudin, Dr. Oswaldo Cruz, Almeida Amado, Dr. Arthur Araripe, Dr. Américo Guimarães, Dr. Austregésilo R. Pestana, Freitas Machado, Antônio Noronha, Carlos Cirne, Vicente Marchesi, major Paulo Queiroz, Atílio Cerri, Edmundo Tetcher, Dr. Jorge Esteves".

A divulgação, encomendada pelo empresário, assinalava a boa receptividade junto a figuras representativas da sociedade local e veranista endossando o importante empreendimento cultural, garantindo presença nas primeiras récitas. Todos os assinalados eram importantes cidadãos de larga influência social e, ao anotar suas adesões, prenunciava-se absoluto sucesso na estréia.

A inauguração atrasou um dia, estreando no dia 6 com a opereta cômica "Le Zingaro Barone", seguindo-se nos dias subseqüentes alguns espetáculos componentes do vasto repertório da Companhia Caramba, que vinha anunciando as peças musicais "Diabo a Quatro", "A Viúva Alegre", "Amore de Maschere", "A Casta Susana", "La Bella Roette", "Reginatta delle Rose", "O Conde de Luxemburgo", "Mãe", obviamente nem todas encenadas no Teatro Xavier na seqüência anunciada, por impraticável a presença, em todos os dias, do público amante dos espetáculos operísticos.

A inauguração repercutiu intensamente, foi grande o movimento, tanto de espectadores como de curiosos que, se comprimindo em empurrões e apertos, fecharam a então Avenida 15 de Novembro diante da fachada iluminada da casa.

A "Tribuna de Petrópolis", na edição de 7 de fevereiro, abriu grande espaço para o marcante acontecimento, assinalando textualmente o sucesso de público, não deixando, porém, de criticar a peça e o espetáculo:

"Não foi surpresa para nós, nem para ninguém, o brilhantismo com que foi inaugurado ontem o Teatro Xavier, essa confortável casa de diversões com que o espírito empreendedor e progressista do Sr. João Xavier acaba de dotar a nossa cidade.

"O teatro esteve repleto, notando-se por todo o recinto as mais distintas famílias da nossa sociedade. Não podia, na verdade, ter sido nem mais numerosa nem mais seleta a assistência no espetáculo inaugural.

"A peça escolhida para a estréia foi "Le Zingaro Barone"", em três atos, de Strauss. Todos os artistas que se encarregaram dos diversos papéis mereceram bem os aplausos entusiastas que lhes dispensou o público. Não vale, pois, destacar este ou aquele.

"Le Zingaro Barone" é, porém, uma opereta que não agrada em absoluto. O primeiro ato, demasiadamente longo e um tanto monótono, cansa o espectador. O segundo, ao contrário, prende e atenção do princípio ao fim, decorre mais suavemente e tem melhores trechos de música que aquele. O último ato, entretanto, deixa o espectador insatisfeito.

"O que se deseja, em teatro, é que os atos se passem num crescendo, para que a impressão deixada pelo final seja sempre mais forte, mais agradável e perdure por mais tempo que a dos demais. A peça levada ontem à cena no Teatro Xavier contraria, infelizmente, essa praxe primordial de sucesso, que todos os autores procuram observar.

"Mas isso não quer dizer que a opereta não agradasse. Agradou, e foi aplaudida, podendo-se, por isso mesmo, afirmar que a Companhia Caramba teve uma estréia auspiciosa.

"A orquestra, composta de 24 professores, sob a regência do Maestro Belezza, não desmentiu, antes consolidou a justa fama de que vem precedida".

A notícia crítica, como não poderia deixar de ser, assinala, em seguida, o comparecimento das personalidades à inauguração do Teatro Xavier, com presenças ilustríssimas, o que orgulhava sobremaneira a vida da cidade.

"Muito mais foram as pessoas que compareceram à "premiére"de ontem, cujos nomes não nos foi possível conseguir", afirmou o repórter, deixando assinalados os seguintes nomes: nos camarotes e frisas: Marechal Hermes da Fonseca e sua exma. Senhora, coronel Arthur Alves Barbosa e senhora, encarregado dos negócios de Portugal, Dr. Oscar Weinschenk, J. A. Brohe, D. Teresa Souza F. Monteiro, Leitão da Cunha, Joaquim de Gomensoro, marechal Pires Ferreira, comendador Augusto Ferreira, Maurílio Abreu, dr. Silva Costa, comendador Amoroso Lima, Dr. H. Mayrinck, Dr. João Proença, ministro argentino e adido, John Kumming, Dr. Frederico Pinheiro, Dr. Ramos Valadão, Dr. Hermogênio Silva e famílias; nos "fauteuils": Dr. Aníbal Freire, Dr. Benjamim Batista, Oliveira Figueiredo, Casimiro Vianna, Dr. Sampaio Vianna, Dr. Arthur de Sá Earp, coronel José Guilherme, Rodrigo Mattoso, Marcos Abreu, Fridolino Cardoso, Dr. João Murtinho, Dr. Fernando Vidal, Dr. Mário e Aroldo Leitão da Cunha, Dr. Joaquim Vidal, Mme. e Mlle. Nioac de Souza, Mme. J. Guimarães, Dr. Gustavo de Souza, Dr. Augusto Reinghantz, Dr. Franklin Sampaio Filho e famílias" e, ainda, todos os assinantes assinalados na notícia da "Tribuna" de 31 de janeiro de 1914, transcrita no início desse trabalho.

Na bela noite de gala não faltaram sorvetes e bombons mandados distribuir pelo empresário João Xavier às famílias que ocupavam os camarotes; também taças de champanhe oferecidas às autoridades e aos representantes da imprensa. Na oportunidade, saudaram o empresário João Xavier, o presidente da Câmara Municipal, coronel Arthur Alves Barbosa, em nome do Município, a ele agradecendo dotar à cidade de um teatro "digno de sua cultura e civilização"; o poeta, escritor e jornalista Dr. Gregório de Almeida, em nome da imprensa carioca; o jornalista Armando Martins em nome da "Tribuna de Petrópolis"; o jornalista Guimarães Júnior, em nome do "Jornal do Comércio". Por último, o Dr. Smith Vasconcellos, em vibrante improviso, saudou o Chefe do Executivo, Arthur Barbosa, pelo total apoio dado ao empresário para a construção e instalação do teatro.

O evento contou com a presença do Presidente da República, Marechal Hermes da Fonseca e de sua jovem esposa Nair de Teffé, com a qual se consorciara no dia 8 de dezembro de 1913, no Palácio Rio Negro, constituindo-se a inauguração do Teatro Xavier no primeiro evento social e cultural em Petrópolis com a participação do casal. Recebeu-o, na porta do teatro, o Chefe do Executivo Arthur Alves Barbosa e o empresário João Xavier, acompanhando o ilustre casal e sua comitiva até o camarote.

Não menos ilustres foram as presenças do cientista Oswaldo Gonçalves Cruz, que seria, em 1916, o primeiro prefeito de Petrópolis, o engenheiro Paulo de Frontin, o economista Eugênio Gudin, os notáveis políticos petropolitanos Hermogênio Silva e Arthur de Sá Earp e tantos outros citados nesse artigo.

Terminada a temporada da Companhia Caramba, na noite de 15 de fevereiro estava no palco a afamada Companhia Teatral de Eduardo Pereira, vinda do Teatro Carlos Gomes, do Rio de Janeiro, apresentando duas peças: "Rosas de Todo Ano" e "A Boneca Alemã".

No dia 18 de fevereiro o empresário contrata duas páginas na "Tribuna de Petrópolis", nas quais divulga o seu teatro, com fotos da fachada e interiores, edição em papel especial, com matéria nas duas primeiras páginas do periódico.

O propósito de João Xavier era explorar o teatro lírico e declamado, como casa especializada, já que os teatros funcionavam como cinemas: o "Cinema Paulicéia", da empresa D. Teixeira, na Avenida 15 de Novembro (hoje Rua do Imperador) n. 629, no prédio onde mais tarde funcionou a "Casa Cossenza", a "Casa Sloper" e hoje abriga a "Farmácia Avenida"; o "Cinema Centro", da empresa Carlos Zanini, na mesma avenida, esquina com Barão de Teffé, naquela época a Rua do Palácio, prédio demolido para dar lugar ao "Edifício Minas Gerais"; o "Teatro Floresta", mais tarde", em 1916, "Cinema Rio Branco", da empresa Mello & Cia.

No Carnaval de 1914, nos dias 21 a 24 de fevereiro, o teatro abriu suas portas para bailes carnavalescos, como era costume naquele tempo como atividade de compensador movimento financeiro. Passado o carnaval, o empresário reabriu a casa, agora predominando o cinema.

Na noite de sábado, dia 28 de fevereiro de 1914, a "Tribuna de Petrópolis" anunciava:

"CINEMA TEATRO XAVIER
"Hoje - sábado, 28 de fevereiro de 1914 - hoje
"Grande e magnífica orquestra sob a regência do conhecido maestro Salvador Cammardelle
"A mais suntuosa sala de espetáculos desta cidade com a exibição do magnífico programa que se segue:
"Pathé Journal" - último número repleto de variados e empolgantes assuntos. As últimas proezas do frio na Europa
"A VAMPIRA INDIANA - magistral trabalho da Aquila Film, de Torino. Grande drama da vida real em 4 longos e belíssimos atos
"BIGODINHO - Gata Borralheira, magnífica comédia interpretada pelo cômico da Pathé, Mr. Prence
"ROMANCE DE UM TOUREIRO - grandioso drama, a vida real em 2 longos atos, editado pela importante fábrica italiana Cines de Roma
"AMANHÃ
"O VASO CHINÊS - alta comédia em 3 atos da Nordiak Film, de Copenhague.
"PREÇOS - Camarotes: 10$000; Frisas: 8$000; Poltronas: 1$000; e Galerias: $500".

A casa era a melhor de Petrópolis, nenhuma a suplantava em conforto e instalações de primeira linha, dai praticar preços superiores em relação aos concorrentes. Durante o período de veraneio, a boa freqüência cobria os custos mas quando as famílias veranistas retornavam ao Rio de Janeiro e o frio começava a dominar o tempo, ressentiam-se os cinemas de espectadores assíduos em razão do poder aquisitivo da população, que era de regular a baixo. O empresário João Xavier tentava atrair público, divulgando na imprensa local as qualidades do cinema. Como na edição da "Tribuna" de 24 de março de 1914:

"AO PÚBLICO
"O Cinema Teatro Xavier é o único que oferece completa segurança aos seus espectadores pois que é construído de barras de ferro, tijolos e cimento armado, tendo além disso 8 saídas, sendo 3 na fachada e 5 de um lado, construído especialmente para teatro e cinema. Não é armazém arvorado em sala de diversões de Petrópolis. Este cinema, além de todas as vantagens já enumeradas, é o único que dispõe de ampla platéia espaçosa e com as suas poltronas suficientemente separadas, tendo a preferência dos melhores filmes da Companhia Cinematográfica Brasileira e de outras casas congêneres".

Em verdade era a única construção petropolitana criada para a atividade de casa de diversões, não sendo adaptada como as demais. A propaganda não surtiu muito efeito pois, a 17 de abril de 1914, o empresário procurava passar o contrato do teatro:

"TEATRO XAVIER - Arrenda-se por contrato este luxuoso teatro, completamente mobiliado, boa instalação elétrica, dínamo e aparelhos para cinema, pronto a funcionar. Para tratar no mesmo com o proprietário".

Não apareceram interessados e João Xavier continuou a gerir a casa, procurando sensibilizar o público com boas programações. Na fase difícil do outono e inverno, a 2 de julho de 1914, o empresário anunciou que o teatro passaria a funcionar apenas às quintas-feiras e domingos "com programa sempre novo, exibindo os melhores filmes e as mais emocionantes novidades".

Para não deixar de lado a finalidade de casa de espetáculos cênicos, o empresário, conquanto tivesse dificultada a contratação de companhias do Rio de Janeiro, pela época imprópria da pouca movimentação da cidade pelos veranistas, paralisou o cinema durante poucos dias para a cenarização do espetáculo "A Cabocla de Caxangá", levada ao palco na noite de 17 de julho de 1914, juntamente com a exibição dos filmes "Belezas da Natureza", "Os Aviadores Rivais", "Folias de Lucas", "Dano Cruel" e "Mistérios do Telefone".

O cinema passa a divulgar textos de exaltação de suas instalações e melhorias técnicas: "O mais luxuoso, o mais ventilado e o mais confortável cinema, com 49 camarins e frisas, 800 cadeiras de primeira e 700 de segunda. Projeções sem trepidação". No dia 23 de julho uma nova investida visando a qualidade da casa, publicada na "Tribuna de Petrópolis" sob o título "Notícias Diversas": "A empresa do Teatro Xavier acaba de adquirir uma nova máquina registradora e emissora de bilhetes, adaptável às bilheterias dos teatros.

"Esse aparelho, que é movido a eletricidade, distribui aos espectadores as entradas com mais presteza, evitando a demora na porta quando é mais de uma entrada adquirida, pois enquanto a máquina emite, o bilheteiro faz o troco.

"Como a máquina constitui uma novidade para esta cidade convém, única a exclusivamente, por sua causa, ir-se ao espetáculo de hoje no elegante Teatro Xavier".

A nota não dá a mínima importância ao programa em exibição desde que convoca os espectadores para constatarem a eficiência da máquina emissora de bilhetes, esta a máxima atração da noite.

No mês seguinte, agosto de 1914, o Cinema Xavier aparece com outra novidade, divulgada na edição da "Tribuna" do dia 17:

"O Teatro Xavier inaugurará amanhã um novo aparelho cinematográfico da fábrica "A Universal" cujas projeções são nítidas e sem trepidações.

"Com esse melhoramento a empresa procura corresponder à preferência que tem tido a sua casa de diversões por parte das exmas. famílias petropolitanas".

Em setembro divulga na propaganda diária:

"TEATRO XAVIER - Empresa brasileira
"Dominando sempre. Veni. Vidi. Vinci."

Em novembro de 1914, dia 27, o cinema lança as matinês infantis, apresentando como atração os artistas cômico-circenses Fathmé, César Nunes, Pepe e Oterito.

Um fato pitoresco, acontecido no Cinema Xavier, no início da noite de 10 de setembro de 1914, ilustrou a crônica policial e fez a sociedade dar boas gargalhadas e o assunto ser tema de muitas conversas durante algum tempo. Assim a "Tribuna de Petrópolis" noticiou o acontecimento, na edição de 11 de setembro:

"QUEM O ALHEIO VESTE
"Todos os que se achavam ontem, às 7 horas da noite, na porta do Cinema Xavier foram atraídos pelo vozerio que faziam no corredor da conhecida casa de diversões alguns cavalheiros e senhoras.
"É que uma dama, bem trajada, que se fazia acompanhar de um rapaz, ao comprar o seu bilhete para assistir a exibição dos "Três Corações", foi repentinamente chamada à ordem por um senhor já idoso, que à viva força a conduziu à polícia.
"Na delegacia foi o caso explicado e dado à reportagem. A referida dama roubara um vestido e um fino par de sapatos e com eles havia aparecido em público. O dono das "prendas", como é natural, reclamou os seus direitos, vendo-se o agente na contingência de mandar a dama para o xadrez.
"A fita teve aí o seu epílogo".

Uma cena de filme de cinema, um espetáculo para a rua, de custo nenhum, com direito a um bate-boca na delegacia, que, nesses anos, estava instalada no conjunto dos prédios do Fórum.

Passou o ano de 1914 sem muita novidade, funcionando o cinema como sempre, com pouca incursão de espetáculos teatrais, até dezembro de 1915 quando a empresa anunciou, com muito orgulho, a retomada do lírico, com a apresentação da "Grande Companhia do barítono francês De Francesky, tudo abrilhantado pela orquestra de 24 professores do Teatro Xavier.

Mas a Companhia não veio e em seu lugar entrou, a 3 de janeiro de 1916, a "Companhia de Operetas Vienenses Esperanza Iris".

Em 29 de março de 1916 o Cinema Teatro Xavier fecha as portas, comunicando, pela imprensa, o início de algumas reformas. Na verdade essa reforma não compreendia qualquer alteração estrutural no prédio ou nas instalações do cinema, porém um acerto de passagem da casa para um arrendatário, desistindo João Xavier de continuar gerindo os negócios. A casa passa para o exibidor cinematográfico do Rio de Janeiro, J. R. Staffa, empresário do "Cinematógrafo Parisiense", um dos melhores dos Distrito Federal.

Fontes de consulta: No arquivo e hemeroteca da Biblioteca Municipal de Petrópolis, as coleções da "Tribuna de Petrópolis", anos 1914 a 1944; "Jornal de Petrópolis", anos de 1941 a 1943. No meu arquivo particular exemplares da revista "Verão em Petrópolis", anos de 1922 a 1924; artigo de Gabriel Kopke Fróes: "O Velho e Saudoso Teatro Petrópolis" (23/11/1964, Jornal de Petrópolis); série de artigos publicados no ""Diário de Petrópolis", sob o título geral "Cinema - 100 Anos", de minha autoria, a partir do dia 17/12/1995, e nos 7 domingos subseqüentes, terminando na edição de 4/2/1996; artigos meus: na Coluna do Instituto Histórico, da "Tribuna", intitulados "Os Teatros-Cinemas - 1920 / 1940" (Tribuna de Petrópolis 9 e 10/2/1994) e "Subsídio para uma História da Atividade Teatral em Petrópolis (Revista do Instituto Histórico de Petrópolis, 1988); artigo de Raul Lopes na coluna do Instituto Histórico de Petrópolis, sob o título "Em Torno do Teatro" (Tribuna de Petrópolis, 13/11/1993); e artigo de Alice Gonzaga "Parisiense: Cinema na Avenida Central", in "Filme e Cultura", número 47, agosto de 1986, publicação da Embrafilme.

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