digitação original: 30/04/1996

Relembrando amigos . . .

José De Cusatis

CLAUDIONOR DE SOUZA ADÃO. O “véio” Adão - como todos o chamávamos, em resposta ou retribuição ao apelativo que ele mesmo usava - era petropolitano de boa cepa, descendente de colonos alemães, os Dorr que com tantos outros vieram povoar e dar  vida à nascente Petrópolis. E ele explicava, para justificar a sua tez morena, que era também descendente dos mouros que ocuparam Portugal por tanto tempo.

Adão nasceu a 26 de agosto 1917 nesta cidade que ainda não era imperial. Fez seus primeiros estudantes no Colégio Plínio Leite, instalado no velho casarão onde se aboletara a Assembléia Legislativa do estado, ao tempo da Capital em nossa cidade, e onde depois, por tantos anos, funcionou o Colégio Carlos Werneck, na atual Rua do Imperador. Foi dos melhores e mais inteligentes (e isto ele provou pelo resto da vida!) alunos do Plínio Leite e tanto que, quando veio a ocupar este a secretaria do Rotary local, em 1933, levou consigo Adão como seu  auxiliar. Tinha Adão 16 anos- era um menino - e tanto se interessou pelo Rotary e pelos seus ideais, assimilando-as de tal maneira, que foi considerado como a enciclopédia do Rotary.

Aliás, não foi apenas ali. Em tudo o que realizava, em todas as iniciativas que tomava, ele o fazia com verdadeira paixão. Bacharel pela Faculdade de Direito de Niterói, tornou-se Adão, com o correr dos  anos, um dos mais abalizados advogados em Direito Trabalhista de Petrópolis. Aqui foi um dos fundadores da Associação Comercial e Industrial e do Sindicato do Comércio Varejista, tendo sido consultor jurídico de outros sindicatos que vieram a ser criados e de várias firmas importantes, como a Companhia de Eletricidade, onde permaneceu por mais de 30 anos.

Interessado pela vida cultural de sua cidade, foi atraído pelo Instituto Histórico de Petrópolis, sendo um dos mais assíduos freqüentadores, sempre em companhia da sua Genita. Aqui no Instituto ocupou vários cargos de diretoria, assumindo por fim a presidência, que ocupou por dois mandatos consecutivos. Na presidência do Instituto foi Adão dos mais ativos e eficientes, sabendo presidir - e como! - as suas reuniões, inclusive as mais tempestuosas.

Foi ainda eleito para a Academia petropolitana de Letras, produzindo, na sua posse um discurso memorável, elogiado por todos.

O colega Claudionor de Souza Adão - o “véio”  - repito de propósito, deixará em nossa enternecida lembrança, uma saudade inesquecível.

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