digitação utilizada para inclusão no site:
31/07/2000

Texto original:
após maio de 1963

Acervo Histórico de Gabriel Kopke Fróes - Via Internet
www.earp.arthur.nom.br 
- em 30/08/2005
Arquivo cdb01001, rg 6634 e 6635,  revistos para o site.

Título atribuído pelo site.

Avé-Lallemant, Pastor Frederico e Dr. Roberto

Gabriel Kopke Fróes

Pastor Frederico Avé-Lallemant

Cura da Igreja Evangélica do Rio de Janeiro em 1845. Quando vieram para Petrópolis os primeiros colonos alemães contaram com a assistência religiosa de Frederico Avé-Lallemant, já conhecido de Koeler, pelo menos, desde 1844. Em vários ofícios ao Presidente da Província, o Diretor da Colônia solicitou autorização, depois concedida, para contratar Avé-Lallemant para os serviços religiosos evangélicos, vindo duas vezes por mês a Petrópolis.

Em livro publicado “Erinnerungen an Brasilien” o pastor diz haver celebrado o primeiro culto divino em Petrópolis no dia 29 de agosto de 1845, o que Koeler confirma em ofício de 30 seguinte, acrescentando: “depois do serviço, procedeu o casamento de oito casais de colonos e abençoou o Cemitério Protestante Petropolitano”. “O reverendo cura combinou comigo de vir de 3 em 3 semanas e estar 3 ou 4 dias, a fim de ter tempo de exercer seu sagrado ministério, e simultaneamente de ensinar Religião Cristã a meninos.” Foi tambem Avé-Lallemant quem celebrou na Praça da Confluência a missa evangélica festiva no dia 19 de outubro de 1845, conforme relata Paulo Barbosa, em carta ao Imperador.

Os diretores da Comunidade Evangélica do Rio de Janeiro, tendo em vista que as ausências do seu pastor, ao mesmo tempo diretor e único professor da Escola da Comunidade, traziam certas inconveniências, chamaram a atenção do Mordomo para o fato de que residia no Rio o Dr. Lippold, homem que já tinha exercido as funções de ministro evangélico na Alemanha, pelo que foi o mesmo contratado para pastor definitivo em Petrópolis, iniciando seu trabalho em 1846.

Apesar de a Igreja Evangélica de Petrópolis considerar o Dr. Lippold como seu primeiro pastor, parece-me que tal honraria devia caber a Frederico Avé-Lallemant, embora não residisse este efetivamente na Colônia. Tambem o primeiro vigário católico Luiz Gonçalves Corrêa residia na Samambaia e nem por isso deixou de ser o primeiro.

Era irmão do Dr. Roberto Avé-Lallemant, autor do livro de viagem pelo Brasil, médico, com quem muita confusão tem havido.

Dados extraídos da publicação “1º Centenário da Inauguração da Igreja Evangélica de Petrópolis”, 24 de maio de 1963.

Dr. Roberto Avé-Lallemant

Nome completo Roberto Cristiano Bertoldo Avé-Lallemant. Nasceu em Lubeck, Alemanha, em 25-7-1812 e faleceu na mesma cidade em 10 de outubro de 1884.

Médico, cientista e literato. Estudou em Berlin, Paris e Kiel, onde se doutorou em 1837. Dotado de espírito irriquieto e aventureiro fez longas viagens pela Europa, Egito e Brasil. Após 17 anos de permanencia no Rio de Janeiro onde clinicava, tendo sido médico da Santa Casa, regressou a Alemanha, onde pouco se demorou, pois, em 1855 engajou-se com um dos médicos da fragata austríaca “Novara” para uma viagem de circunavegação. E partiu de Trieste para a America do Sul, mas, desentendendo-se com oficiais de bordo, teve que desembarcar no Rio de Janeiro, e aqui ficou. Foi então que realizou suas grandes excursões ao sul e ao norte do Brasil, escrevendo a obra Viagem pelo Brasil no ano de 1858, editada em Leipzig no ano seguinte, traduzida e publicada pelo Instituto Nacional do Livro em 1953, em 2 vols., e de onde são extraídos todos estes dados. É bom registrar que, no seu retorno inesperado ao Rio, o Dr. Avé-Lallemant foi logo readmitido no serviço médico da Santa Casa, sem nenhuma dificuldade, pelo Marquês de Abrantes, e depois de mais alguns anos de serviço, licenciado para realizar a viagem citada em 1858.

Em seu livro, diz que naquele ano, pela terceira vez, visitava Petrópolis.

A primeira em 1844, quando alta noite foi chamado para prestar serviços médicos a um irmão do Major Koeler, o qual recebera forte contusão na mão, e que se encontrava na fazenda da Mandioca, propriedade de Langsdorf, subindo depois até o Córrego Seco, em companhia do Major Koeler e do irmão dele, Avé-Lallemant, então pastor da comunidade evangélica alemã, sucessor do ditoso L. Neumann, e do Barão de Tautpheus.

A segunda, sete anos mais tarde (dezembro de 1851) a conselho médico, para repousar na já próspera Petrópolis, viajando num barco a vapor até o porto da Estrela e depois em carruagem, ocasião em que não poude deixar de recordar a figura de Koeler e a obra por este realizada.

A terceira, em fevereiro de 1858, utilizando-se já então do barco a vapor e da estrada de ferro, via Mauá, a fim de se despedir do Imperador D. Pedro II, para depois seguir viagem. Faz interessante descrição de Petrópolis, consignando que foi na Praça Coblentz “celebrado o primeiro serviço religioso católico e o protestante e o meu irmão, então pregador da comunidade do Rio, celebrou o primeiro casamento ao ar livre.” Antes, diz Avé-Lallemant na obra citada, visita de 1858: “Fomos à igreja protestante. A pequena e acanhada casa de orações estava cheia de gente, que com o acompanhamento de um orgão, cantava devotamente.... Em seguida pregou o meu velho e fiel amigo Jakob Daniel Hoffman, jovialmente, sobre o Bom Pastor.”

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