digitação utilizada para inclusão no site:
27/07/2000
de
www.earp.arthur.nom.br

Texto acima atualizado a 12/07/2003, quanto ao endereço do Acervo Histórico de Gabriel Kopke Fróes.

Texto básico de palestra no IHP a
15/03/1958

Jornal de Petrópolis:
04/03 e 08/05/1958

digitação incompleta para Tribuna de Petrópolis a
10/09/1996

O CARÁTER PETROPOLITANO

Parte 2

Gabriel Kopke Fróes

Assalto á Camara Municipal

A 18 de fevereiro de 1903, realizaram-se em nossa cidade as eleições para vice-presidente da República, senadores e deputados federais.

Desde o ano anterior, tinha sido declarada Niterói capital do Estado, e, muito embora aqui permanecesse o presidente Quintino Bocaiuva, a Assembléia e diversas outras repartições já tinham sido transferidas.

Petrópolis, pràticamente, não tomara conhecimento da mudança da capital, mas jamais perdoaria a atitude de certos inimigos gratuitos, a começar pelo presidente do Estado.

Tensas eram as relações entre Estado e Município, por ocasião das referidas eleições, quando a situação ainda mais se agravou com a derrota que o eleitorado petropolitano impôs aos candidatos da preferência de Quintino Bocaiuva.

A ordem pública não fora perturbada durante as eleições, mas as manifestações hostis aos políticos municipais situacionistas, feitas, durante o dia, em diversos bairros, por elementos ligados ao govêrno estadual, deixavam prever que, a qualquer momento, alguma coisa muito grave poderia ocorrer.

E foi, de fato, o que aconteceu. Estava em via de conclusão o processo eleitoral da secção instalada no Paço Municipal, quando, na praça fronteira, apareceram, ameaçadoramente, numerosos populares armados. Os que ali se encontravam, entre êles alguns eleitores, instintivamente, fecharam as portas do prédio.

Os populares, porém, se irritaram e iniciaram o assalto ao Paço Municipal. Arrombadas as portas, penetraram na portaria da edilidade e maltrataram o velho porteiro, que teve um dos braços fraturado; na sala contígua, mataram, a pauladas, o empregado Joaquim Tavares; e, noutros locais, espancaram a valer mais quatro infelizes que não haviam logrado fugir.

Depois, galgando a escadaria interna, arrancaram a artística balaustrada que a circundava, quebrando-a e atirando-a para longe. Penetrando no imponente salão nobre, reduziram a estilhas a bela mobilia e destruiram inteiramente espêlhos, vidraças, reposteiros e quadros, não escapando nem os retratos de Rodolfo Bernardelli e Floriano Peixoto.

Nas demais salas, continuou a destruição, sendo sacrificados espêlhos, móveis, relógios, instrumentos, livros e documentos.

Os prejuizos causados ao Paço Municipal, o edifício-orgulho da cidade, foram consideráveis, elevando-se, segundo cálculo oficial, a cêrca de cem contos de réis.

O dr. Hermogênio Silva, presidente da Câmara Municipal, por ofício dirigido ao presidente Quintino, protestou enèrgicamente contra o ataque ao Paço Municipal, acusando de assaltantes elementos da polícia ou a ela ligados e declarando que o próprio chefe de polícia, dr. Alvaro Tefé, tivera conhecimento prévio do atentado e o classificara de “deposição da Câmara”, nada tendo feito, porém, para evitá-lo.

Em resposta, o chefe do govêrno estadual contraditou, pùblicamente, as declarações do dr. Hermogênio Silva, afirmando, entre outras coisas, que a polícia estadual, no dia das eleições, não saira à rua justamente para evitar explorações politicas, já que a lei eleitoral proibia a presença da fôrça nas proximidades das seções eleitorais.

O dr. Hermogênio Silva, acompanhado dos drs. Horácio Magalhães Gomes e Artur de Sá Earp, levou as graves ocorrências ao conhecimento do presidente da República, dr. Rodrigues Alves, que acabava de chegar a Petrópolis.

Soube-se, posteriormente, que um dos assaltantes do Paço Municipal chegou a apontar revólver para o dr. Hermogênio Silva, quando êste, durante o assalto, tentava aproximar-se do edifício, só não fazendo o disparo por haver um popular desferido uma bengalada na mão do facinora, desarmando-o.

Registre-se, como curiosidade, que, bem ao contrário do que contavam os oposicionistas ao govêrno estadual, êste determinou a abertura de rigoroso inquérito policial para apuração dos responsáveis pelo atentado, tendo sido processados judicialmente todos os acusados.

Mas Petrópolis, depois de 18 de fevereiro, ainda viveu muitos dias de agitação política.

É que aqui permanecia teimosamente o presidente Quintino e sua presença fazia mal aos petropolitanos ...

Sòmente a 20 de junho, quando a capital, enfim, se instalou definitivamente em Niterói e o presidente foi-se, de vez, de Petrópolis, é que a calma e a alegria voltaram à cidade.

A – epopéia de 31 de Dezembro de 1934

A manhã de 31 de dezembro de 1934 foi diferente em Petrópolis. O comércio não abriu as portas; as fábricas e oficinas permaneceram paradas; os bondes e ônibus, depois de terem apenas iniciado o tráfego, estacionaram.

A vida da cidade, justamente num dos dias mais animados do ano, estava paralisada. Raros eram os transeuntes e raríssimos os veículos em movimento – o que emprestava às ruas um aspéto estranho, quiçá misterioso.

As lâmpadas de iluminação pública da Avenida Quinze e da Praça D. Pedro II estavam envoltas em crepe e a estátua do Imperador fôra coberta, sendo colocado a seu lado um grande cartaz com os dizeres “Para que não veja a desgraça de Petrópolis”.

Anunciada, na véspera, a substituição do Prefeito Iedo Fiuza, o povo se preparara, durante a noite, para reagir contra o ato do Interventor Federal no Estado. O petropolitano jamais perdoaria a Arí Parreiras a afronta de afastar da Prefeitura o ídolo de Petrópolis.

Talvez que hoje, já passado mais de quatro lustros, haja quem pense exagerado o título de ídolo para o Iedo Fiuza de 1934. Mas a verdade é que o grande, o maior dos administradores que a nossa terra já possuiu, era, na época, venerado pelos petropolitanos. Homens e mulheres, velhos e moços, pobres e ricos, clérigos e leigos; filhos da terra e adventícios, brasileiros e estrangeiros, pretos e branco, todo o mundo, com raríssimas exceções, devotava a Iedo Fiuza, após seus quatro anos de govêrno, verdadeiro culto.

Nunca terá havido, em qualquer outra cidade do globo terrestre, tanta criança batizada com o nome de Iedo, como em Petrópolis entre os anos de 1931 e 1934. E eram comuns nos muros, nos jardins e até nas paredes das  casas residenciais inscrições como esta que permaneceu largos anos em um paredão da rua Paulino Afonso: “Deus no céu e Iedo Fiuza na terra” ...

A paralisação completa da vida urbana na manhã daquele memorável 31 de dezembro de 1934 era, assim, o início do protesto do petropolitano contra o esbulho que acabara de sofrer. Se Iedo Fiuza, naquele dia, não podia trabalhar por Petrópolis ninguém mais trabalharia.

E, então, ninguém trabalhou e tudo parou!

Mas, às 13 horas, principiou o centro da cidade a movimentar-se. Grupos e mais grupos de populares, vindo a pé de todos os bairros, chegavam à Praça D. Pedro II, onde, sabia-se, haveria um comício. Às 14 horas, era enorme, sem similar em Petrópolis, a massa de povo reunida na velha Bacia. Alguém sugere que, ao invés de fazer comício na praça pública, o povo se dirigisse à Avenida D. Pedro I, onde residia Iedo Fiuza.

Começa, então, a multidão a movimentar-se para aquêle local. Extraordinária era a mole humana que se aglomerava na Avenida D. Pedro I, quando o ex-Prefeito apareceu na varanda de sua residência e foi aclamado como ninguém fôra, nem veiu a ser, em nossa terra.

Falam inúmeros oradores enaltecendo a personalidade do grande administrador, e profligando a atitude do Govêrno do Estado, agradecendo Iedo Fiuza comovido até às lágrimas.

Deixando a Avenida D. Pedro I, a massa popular, aí já conduzindo um caixão de defunto, percorreu a Avenida Quinze, nos seus dois lados, fazendo o entêrro simbólico do Interventor Federal no Estado do Rio de Janeiro, comandante Arí Parreiras.

Em frente à Delegacia de Polícia, num acintoso desafio à autoridade, houve uma parada e vários oradores, entre êles Cardoso de Miranda, o mais inflamado, manifestaram todo o azedume do povo petropolitano contra o Interventor Arí Parreiras, terminando por conclamarem a polícia a fazer causa comum com o povo e incorporar-se à passeata.

O delegado Mirtaristides Toledo Piza achou-se, então, no dever de comunicar ao Govêrno Estadual o que se passava e pedir instruções, fazendo-o pelo telefone diretamente ao Palácio do Ingá. Diz-se que foi o próprio Arí Parreiras quem respondeu: - Compareça ao entêrro ...

Depois, o povo se dirigiu para a Estação da Leopoldina, onde deveria desembarcar o substituto de Iedo Fiuza. Vã, porém, foi a espera, porquanto nem o novo Prefeito nem o trem que o deveria trazer chegaram a Petrópolis. Mais tarde, soube-se o motivo: o trem estava retido na Raiz da Serra, porque o pessoal da Leopoldina, solidário com o povo petropolitano, se negara a prosseguir viagem.

Resolve a multidão, então, encaminhar-se para a Prefeitura, onde, forçòsamente, deveria comparecer o encantado Prefeito. O caixão fúnebre é colocado em cima do chafariz existente no jardim fronteiro.

No entretanto, de Raiz da Serra são solicitados os serviços dos motoristas de praça da nossa cidade, mas nenhum dêles atendeu ao chamado. E mais: nenhum particular concordou em descer a serra para tal fim.

Cai, por fim, a noite, e nada de chegar o novo Prefeito. O povo, firme em frente ao Paço Municipal, quer, contudo, conhecê-lo, e espera pacientemente.

Eram quase 20 horas, quando o Prefeito-fantasma chegou à praça Visconde de Mauá. Momentos antes, lá havia tomado posição um forte contingente policial, constituido de soldados de cavalaria e infantaria e de guardas civis. O automóvel prefeitural, cercado de policiais armados, força a passagem entre o povo, que vaia estrepitòsamente e atira pequenas moedas dentro do veículo, para significar seu repúdio.

Mas o novo Prefeito, que é o engenheiro Stefane Vanier, consegue, finalmente, atingir o Paço Municipal onde tem comêço, em ambiente fúnebre, o cerimonial de praxe. Lá de fóra, chega em surdina, porque, prudentemente, as portas e janelas estão fechadas, a assuada tremeda do povo.

É assinado o têrmo de entrada em exercício, são feitas as nomeações dos primeiros auxiliares da nova administração e, com sorrisos forçados, faz-se pose para a posteridade ante o fotógrafo da comitiva prefeitural.

As cerimônias findam, porém, e o silêncio cai pesado e confrangedor sôbre as salas do Palácio Amarelo. Só se ouve o vaiar que vem de fóra.

O sr. Vanier, visivelmente constrangido, declara, enfim, que vai retirar-se, sendo sua intenção voltar a 2 de janeiro para iniciar sua atividade.

Repetem-se, à saída, os acontecimentos da chegada. Tumulto, váias e niqueis jogados dentro do automóvel do Prefeito.

E o sr. Vanier inicia, então, melancòlicamente, a descida da serra para nunca mais voltar a Petrópolis.

Até aí, os acontecimentos haviam transcorrido pacìficamente. Os manifestantes não tinham cometido uma única violência e a polícia mantivera-se calma e tolerante.

Aliás, outra atitude da polícia não seria admissível, já que à frente da delegacia local estava o dr. Mirtaristides Toledo Piza, grande amigo da cidade, e o chefe da polícia era o dr. Joubert Evangelista da Silva, benquisto ex-delegado.

Depois das 20 horas, entretanto, uns tiros disparados a êsmo na Avenida Quinze, esquina de Gal. Osório, vieram alterar por completo o panorama.

Nunca foi esclarecido devidamente o motivo daqueles tiros. Alguns culparam a polícia de haver disparado seus revólveres para o ar, quando interveiu num assalto que populares planejavam contra um bonde elétrico; mas outros afirmaram que os disparos tinham partido do sobrado em que residia o tabelião João Duarte da Silveira, tido como inimigo de Iedo Fiuza, em revide aos apupos do povo. Jamais ficou provada, entretanto, uma outra coisa.

O certo é que, aos referidos tiros, seguiu-se enorme confusão, com a multidão desvairada investindo contra a polícia e atacando a residência do tabelião Duarte da Silveira.

Houve, então, muita algazarra, muita correria e cerrado tiroteio.

E, dentro em pouco, estavam caidas no logradouro público quatro pessoas, uma das quais já morta. O jovem Domingos de Oliveira pagara com a vida o seu destemor e entusiamo pela causa de Petrópolis.

O povo, porém, não se atemorizou com as baixas. Socorridos os feridos e recolhido o cadáver, voltou a investir contra a moradia de Duarte da Silveira. A porta da rua fôra arrombada, mas, no alto da escada, os filhos do conhecido tabelião, abrigados atrás de móveis e fortemente armados e municiados, defendiam, valentemente, o lar fraterno.

Disparos e mais disparos são, então, feitos, generalizando-se o conflito por todo o trecho final da nossa principal avenida. Os populares, em sua maioria, entrincheirados nas portas das casas e nas margens do rio, faziam fogo contra inimigos invisíveis, porquanto a polícia, sem ação, permanecia em frente à delegacia e os Duarte da Silveira não saiam de casa.

Mas, apesar de tôda a fuzilaria vinda do alto através estreito corredor, o povo, em dado momento, alcançou o sobrado que visava e arrancou da barricada o dr. Samideano Duarte Silveira, que é levado para o logradouro público. O jovem advogado seria, fatalmente, linchado, não fôra a interferência do delegado Toledo Piza; recebeu, no entanto, muita pancada e foi jogado dentro do rio, de onde os bombeiros o retirariam mais tarde.

Novas vítimas do tiroteio, a essa altura dos acontecimentos, são apanhadas na rua. Olímpio José dos Santos é outro popular que morre por Petrópolis.

A noite já ia alto, com o povo dominando as ruas, quando o tiroteio cessa e ouvem-se vibrantes aclamações.

Era o 1º Batalhão de Caçadores que, muito embora, desde cedo, tivesse sua presença reclamada no centro da cidade, só àquela hora chegava à Avenida Quinze. E chegava para agir, não contra, mas sim a favor do povo. Porque a verdade que hoje pode ser dita sem rebuço é que, em todo o transcorrer daquele memorável dia, o nosso 1º B. C. jamais deixara de estar ao lado do povo petropolitano.

O batalhão da cidade chegou, portanto, como vencedor. A polícia se recolhe logo ao quartel e a multidão começa a se dissolver.

Badalavam os sinos das igrejas anunciando o ano novo, quando os populares, depois de um dia de intensa vibração, se recolhiam às suas casas.

A luta fôra árdua e, lamentàvelmente, o generoso sangue petropolitano correra abundantemente. Mas, nas fisionomias cansadas de todos aquêles autênticos heróis que, no limiar do ano novo, retornavam aos lares, lia-se estampada a consciência do dever cumprido!

O dia 1º de janeiro de 1935 amanheceu calmo, sereno. Pouco movimento nas ruas, tôdas

elas fortemente patrulhadas por soldados petropolitanos. À tarde, realizou-se no cemitério municipal o emocionante enterramento dos dois bravos abatidos na véspera em combate na via pública.

Petrópolis soube – graças a Deus – homenagear condignamente, seus heróis, acompanhando-os, em pêso, à última morada. E Décio Cesário Alvim abrir-lhes-ia o caminho para a imortalidade através o seguinte inspirado sonêto que tão bem retrata o ambiente da época:

“VIVER É LUTAR”

(À memória de dois bravos)

Petrópolis descansa, aliviada,
Mas orgulhosa do dever cumprido ...
Morre no espaço o último bramido
do Cordeiro – Leão desta jornada! ...

Saibam quantos armaram-lhe a cilada
Que o Povo é bom, forte e destemido:
Não aceita os grilhões de um oprimido
Não foge à luta, nem recúa à espada! ...

Petrópolis descansa ... E rememora
Os dias agitados da cidade ...
Risos álacres ... compungidos prantos ...

Tudo, tudo passou ... Espaço em fóra,
Sobem a Deus, num halo de saudade,
Domingos de Oliveira e Olímpio Santos! ...

Mas a causa de Petrópolis ainda não estava ganha. Cessadas as hostilidades, foi criada a Comissão Pró-Defesa de Petrópolis com a finalidade de orientar e salvaguardar os interêsses da cidade. Constituiam essa comissão os seguintes elementos de proa do movimento do dia 31 de dezembro: Plínio Leite, Carlos Magalhães Bastos, Mário Cardoso de Miranda, Mário Martins, Antônio Rezende, Armando Brito, Nestor Ahrends, Paulo Gouveia e Benjamin Tanembaum.

E os ideais do povo se achavam expressos no seguinte

DECÁLOGO PETROPOLITANO

Persistir na atitude de intransigência com desassombro e energia.
Envidar esforços para sustentar seu direito.
Tornar, por todos os meios dignos, impossível a vitória do adversário.
Recusar qualquer apôio aos usurpadores da vontade do povo.
Organizar, metódica e eficientemente, a defensiva.
Preparar a resistência tenaz em qualquer terreno.
Opôr, aos ataques brutais, o revide inquebrantável.
Libertar a cidade dos seus inimigos rancorosos.
Invocar a proteção Divina para o povo oprimido.
Só aceitar um Prefeito que sustente a obra de Iedo Fiuza.

Três imposições principais foram feitas ao Govêrno Estadual para um acôrdo com o povo:
a) o afastameto imediato do sr. Stefane Vanier;
b) a nomeação de um Prefeito petropolitano; e
c) a manutenção dos serviços de energia elétrica e água em poder da Prefeitura.

E o povo indica o nome daquele que deseja à frente da edilidade: o petropolitano digno e respeitável José de Carvalho Júnior!

Nesse ínterim, a cidade toma conhecimento, emocionada, do seguinte telegrama dirigido pelo deputado Gwyer de Azevedo ao Interventor Arí Parreiras:

“A campanha feita pelos revolucionários que terminou com a nomeação de V. Ex. para interventor não se fez para que V. Ex. investisse contra o povo fluminense.

Nenhum sofisma poderá defender V. Ex. no caso do Banco Construtor, de cujo lado ficaram conhecidos advogados administrativos.

V. Ex. foi recebido em Petrópolis, na pessoa do delegado de V. Ex., como Bernardes, no Rio, em 1927.

É V. Ex. o único responsável pela perda das vidas preciosas dos defensores da causa nobre de Petrópolis.

Só existe uma situação compatível com a dignidade revolucionária: repôr o Prefeito exemplar e abandonar o Govêrno do Estado.”

Mas, a 3 de janeiro, vem, enfim, a vitória de Petrópolis. À noite, o povo vibrava ao tomar conhecimento da seguinte proclamação da Comissão Pró-Defesa de Petrópolis:

AO POVO PETROPOLITANO

A Comissão Pró-Defesa de Petrópolis torna público que terminou hoje a divergência entre o povo petropolitano e o Govêrno Estadual.

Petrópolis está vitoriosa! sua vontade foi respeitada e salva-guardadas a dignidade e honra do povo.

O Banco Construtor continue em poder da Prefeitura, do que é prova a nota oficial da Interventoria já publicada.

O dr. Stefane Vanier já não é mais Prefeito de Petrópolis.

Desde ontem, depois de ouvida a Comissão, está nomeado Prefeito de Petrópolis, segundo comunicou pelo telefone oficial, às 23 horas, o dr. Joubert Evangelista, d. d. Chefe de Polícia do Estado, o capitão José de Carvalho Júnior, coletor estadual.

Com tal designação, está Petrópolis integrada na direção de si mesma.

Viva Petrópolis! Viva o povo petropolitano!

A Comissão.

A posse de Carvalho Júnior ocorrida a 5 de janeiro, vem pôr fim aos acontecimentos iniciados em 31 de dezembro. A administração do ilustre petropolitano, tal qual se esperava, foi honesta e fecunda, digna, sob todos os aspectos, da anterior do grande Fiuza. A paz voltou a todos os espíritos, esquecidos que foram logo, sob o govêrno do Prefeito-patriarca, tôdas as máguas, todos os ressentimentos.

E a epopéia gloriosa de 31 de dezembro de 1934 teve, assim, o mais digno dos fins.

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