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17/08/2000

Acervo Histórico de Gabriel Kopke Fróes - Via Internet
www.earp.arthur.nom.br 
- em 07/06/2005
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Palestra na Associação dos Cronistas Esportivos de Petrópolis:
14/03/1957.
Título atribuído pelo site.

ESPORTE EM PETRÓPOLIS (4)

Gabriel Kopke Fróes

TÊNIS DE MESA

A apresentação do tênis de mesa nos moldes oficiais teve lugar, em nossa cidade, com o torneio interclubes, promovido pelo Sport Clube Rio Branco, em sua sede, a 1º de maio de 1944.

Antes, só conhecêramos o ping-pong jogado livremente em nossos clubes desde tempos imemoriais.

Mas o Rio Branco não limitou sua ação em prol do tênis de mesa à realização daquele torneio. Dez dias após, ou seja, precisamente, a 10 de maio de 1944, realizava ele, em sua sede, uma reunião dos clubes da cidade, a fim de ser estudada a possibilidade da fundação de uma entidade que controlasse o novo esporte, ou a criação, na Liga Petropolitana de Desportos, de um departamento especializado. Dessa reunião e de outra que teve lugar a 18 do mesmo mes na sede do Sindicato dos Empregados no Comércio, resultou a deliberação de promover-se o 1º Campeonato Petropolitano de Tênis de Mesa sob a direção de uma comissão especial indicada pelos clubes interessados.

E assim foi feito, inscrevendo-se para a disputa do certame os clubes: Serrano, Petropolitano, Sindicato dos Empregados no Comércio, Diamante, Internacional, Cruzeiro do Sul e Coral Concórdia.

O Torneio Início, realizado a 21 de junho no salão do Coral Concórdia, teve como vencedores o Sindicato e Serrano, respetivamente, em 1º e 2º lugares. Os campeonatos, disputados por equipes de 1ª e 2ª categorias, foram iniciados a 23 de junho, terminando, o da 1ª categoria, a 24 de novembro, com a vitória do Serrano, seguido pelo Sindicato; e o da 2ª categoria, a 18 de dezembro, tendo como vencedor o Sindicato, seguido pelo Diamante.

No ano seguinte, o Tênis de Mesa foi oficializado pela Liga Petropolitana de Desportos, não tendo sido, porém, realizado o campeonato.

De 1946 para cá, os campeonatos foram realizados sem interupção, sendo os seguintes, os resultados conseguidos pelos clubes até 1955, já que os do ano findo ainda não estão decididos: 1ª categoria, equipes masculinas: Serrano (1944. 1950. 1951. 1953. 1955) cinco vezes campeão; Petropolitano (1946/1948), tres vezes; Sindicato (1949), Magnólia (1952) e Luzeiro (1954) uma vez cada um - 2ª categoria, equipes masculinas: Serrano (1950/1952.1954) quatro vezes campeão; Petropolitano (1946.1947.1953) e Sindicato (1944. 1948. 1949) tres vezes cada um; Luzeiro (1955) uma vez - 3ª categoria, equipes masculinas: Luzeiro (1953.1955) duas vezes campeão; Palmeira (1951), Magnólia (1952) e Serrano (1954) uma vez cada um.

Os campeões individuais da cidade têm sido os seguintes: Henrique Kreischer (Quico) em 1946 e 1950; José Angelo em 1947; Adalmir Morais (Daime) em 1949; Canalli, em 1951; Felipo Gelli, em 1952; Adão Teixeira, em 1954; e Durval Garcia, em 1955.

CONCURSOS

A consulta à opinião pública através de concursos promovidos pela imprensa é velho e arraigado hábito nosso. Tal prática foi inaugurada em 1915, quando "O Tempo" quis apurar qual o clube que possuía melhores elementos e o povo opinou em favor do Esporte Clube de Petrópolis com 919 votos.

Em 1919, foi o "Diário da Tarde" que desejou saber qual o clube mais simpático e o Esporte Clube Internacional foi o vencedor do pleito com 3110 votos.

A seguir foi "O Século" que, em 1920, auscultou a opinião de seus leitores indagando quais o melhor clube e o melhor futebolista, sendo indicados, respetivamente, o Internacional e seu defensor Francisco Garzinho.

Ainda em 1920, "Tribuna de Petrópolis" promoveu a eleição das mais formosas torcedoras de clubes, sendo escolhida a representante do Serrano sta Henedida de Abreu com 8469 votos, seguida pelas stas. Amanda Passaglia, do Tiro de Guerra nº 12, com 5403 votos, e Alzira Catacini, do Internacional, com 4806 votos

"Jornal de Petrópolis", em 1925, indagou qual o mais simpático clube e o indicado foi o Serrano.

Em 1927, foi, novamente, "Jornal de Petrópolis" que promoveu a eleição da "Rainha dos Esportes", recaindo a escolha na sta. Iolanda Dangelo, do Petropolitano.

Aldemar de Oliveira (Nena), do Serrano, foi o escolhido em 1928 como melhor "player" em concurso promovido por "Tribuna de Petrópolis".

"Tribuna de Petrópolis" voltou a consultar a opinião pública em 1932 para saber qual o mais perfeito esportista, sendo escolhido Ferro, do Cascatinha.

O Serrano, em movimento do concurso promovido novamente por "Tribuna de Petrópolis" em 1945, foi eleito com 15054 votos "o clube mais querido da cidade", seguido pelo Petropolitano com 14060 votos.

Foi "Jornal de Petrópolis" que, em 1947, promoveu a eleição da nova "Rainha dos Esportes", sendo vencedora do pleito a sta. Nair Volpato, representante do Serrano

Ainda em 1947, quis saber "Tribuna de Petrópolis" qual o mais eficiente jogador de futebol de 1946, e o eleito foi Domingos Vieira Muniz, do Petropolitano.

Analise-se a tendência popular manifestada nos onze concursos realizados e ter-se-á o Serrano como campeão da popularidade com cinco resultados favoráveis e o Internacional e Petropolitano, como vice-campeões.

Alegar-se-á que nem sempre os resultados dos concursos expressam a real opinião pública. No nosso caso, porém, há de se convir que a primazia do Serrano foi realmente justa, porque se trata, na verdade, do clube mais popular da cidade em todos os tempos.

HINOS E MARCHAS

Quase todos os clubes possuem hinos e marchas próprios, adotados, em geral, em momentos de entusiasmo, mas que, passados estes, são logo esquecidos e, na primeira oportunidade, substituídos por outros suspeitos a igual sorte. Quantos torcedores de clubes lembrar-se-ão hoje, por exemplo, de alguns destes hinos e marchas por nós arrolados? Eil-os:

Do Serrano

- Canção dedicada ao Serrano, tricampeão petropolitano - Para ser cantada com a música da Canção do Soldado (1920)

- Ao tricampeão azul e branco - Para ser cantado pelos "torcidas" do glorioso Serrano F. C. com música do "rag-time" Sul Americano (1920)

- Hino Serranista, da lavra de Rodolfo Alberto Pires (1930)

- Marcha do Campeão de 1918 - Newton Karl

Do Internacional

- Marcha Carijó, de Milton Amaral (1945)

- Nós, os Carijós, marcha de Oswaldo Miranda e Oswaldo Soares (1942)

Do Itamaratí-Electro F. C.

- Hino do Itamaratí-Electro F. C. (1933)

Do Petropolitano

- Hino do Petropolitano F. C. - Letra de Manuel Bastos Tigre e música de Ivone Geslin de Faria (1921)

- Marcha Carnavalesca do Petropolitano F. C., letra de G. Vasques com música de "Tem Gato na Tuba"

Não têm faltado ao esporte petropolitano as publicações especializadas.

A primeira delas foi "Jornal Esportivo" de Mário G. Coelho e Manuel Gomes Moreira aparecido a 8 de janeiro de 1916 e que durou seis meses.

A 30 de novembro de 1918, Euclides Raeder editou "O Sport", jornalzinho que deveria sair todas as semanas, mas que apareceu menos de meia duzia de vezes.

Tivemos a seguir "É o Suco ..." revista que, embora se declarasse humorística, esportiva, mundana e literária, cuidava, principalemnte, do esporte. O número um saiu a 9 de março de 1919.

A 27 de março de 1920 foi publicada "A Pelota", jornalzinho que acreditamos não ter passado do primeiro número.

Otávio Venâncio da Silva e Mário Martins puseram na rua a 17 de junho de 1922 "Sport-Jornal" que durou quase um ano.

"Vida Sportiva" foi o jornal que Henrique Paixão J.or, Antônio d'Almeida Azevedo, Mario Caldeira Roque e Raul Gomes Coelho (a fina flor dos cronistas esportivos da época) editaram a 5 de junho de 1926.

A tentativa seguinte coube a Manuel de Souza Matos que, a 25 de julho de 1927 publicou "Segunda-Feira" que não foi além de vinte e oito semanas.

Os irmãos Mario e Arlindo Caldeira Roque, associados a Nestor Pimentel, deram a lume em 2 de julho de 1934 a "A Semana", cuja trajetória foi curta.

A 17 de novembro de 1934, apareceu "Petrópolis Sportivo" de A. Brasil, Ernani Lessa, H. Schlick e R. Schmidt, cuja vida tambem deve ter sido muito curta.

A Associação Petropolitana de Planadores Aéreos publicou em 1937 "Boletim do Ar", seu órgão oficial.

Foi a 31 de maio de 1943 que "Jornal de Petrópolis" iniciou seu "Suplemento Esportivo" editado às 2.as feiras sob a direção de Cesar Borralho e Luiz Faleiro de Castro. Durou dois anos.

"Boletim Alvi-Negro", publicação de interesse do corpo social do Petropolitano, apareceu em julho de 1943 sob a direção de Hamilton Menezes, Arlindo Scudesi, Oscar Ferreira da Silva e Arlindo Teixeira de Abreu, desaparecendo em 1952.

Rodolfo Alberto Pires, Atílio Marotti, Walter Nicodemus e Isaias Sá Ramos iniciaram a 22 de setembro de 1947 a publicação de "Vida Esportiva" que durou dois meses.

No fastígio de Quitandinha, a 1º de abril de 1948, apareceu "Atlético Clube Quitandinha".

A 30 de dezembro de 1949, com a realização da corrida inaugural do Jóquei Clube de Petrópolis, apareceu "Turf Serrano" sob a direção de Luiz M. Cavalcanti.

"Fôlha Esportiva", sob a direção de Edgardo Fausto da Silva e Darci Paim de Carvalho, apareceu a 5 de junho de 1950.

Quando da realização em nossa cidade do Campeonato Brasileiro de Tênis de Mesa, em 1950, Darci Paim de Carvalho editou, a 22 de agosto, "Revista do Tênis de Mesa" que se limitou a um único número.

Suspensa a publicação de "Turf Serrano", apareceu, em substituição, a 18 de janeiro de 1951, "Turf Petropolitano".

Em maio de 1951, o S. C. Internacional editou seu "Boletim Informativo".

E, finalmente, a 1º de março, começou a circular "Tribuna Esportiva" sob a direção de Darci Paim de Carvalho, encerrando nossa relação.

Está terminada, amigos, a parte formal, a parte séria - podemos assim dizer - da nossa despretenciosa palestra. Mas o esporte, a par de muita emoção, é tambem fonte permanente de bom humor. É natural, portanto, que seus episódios jocosos, as anedotas e as curiosidades sejam aqui relembrados. E que com eles terminemos nosso trabalho que, de resto, já deve estar esgotando vossa paciência

CURIOSIDADES

A história dos patos do Capitão Castro é a mais conhecida de todas do esporte petropolitano, mas nem por isto deve ser aqui omitida.

Aí por volta de 1915 a 1918, o Serrano, recém-fundado, realizava constantes excursões, quando sua equipe se fazia acompanhar, então, de grande caravana de torcedores.

Mas, coincidindo com essas excursões registrava-se sempre o desaparecimento de alguns espécimes dos belíssimos patos da criação do Capitão Castro, os quais, em bando, vinham até ao açude da Renânia, todas as tardes, dar ao local um aspeto realmente bonito e original.

À argúcia do Capitão Castro, não passou desapercebida tal coincidência, de maneira que, mal lia nos jornais qualquer notícia de excursão do Serrano, trancafiava ele seus queridos patos em lugar seguro.

E era de ver-se, então, a tristeza do torcedor, às margens do açude, na véspera da excursão ...

A 15 de julho de 1919, o Serrano foi ao Itamarati disputar o jogo do campeonato de futebol da cidade com o clube local. Mais forte do que o adversário, passou o Serrano, logo de início, a dominar o jogo e já ganhava de 2x0, quando seu "center-forward" Guido Marchiori, apossando-se da bola em boa situação, investiu célere contra o "goal" do adversário e, no momento exato em que chutava para marcar, pôs as duas mãos no rosto e sentou-se, a seguir, no chão, como que atordoado. Houve o corre-corre próprio de tais ocasiões e, logo após, o fato era explicado: um torcedor, desesperado com o espectro da derrota e tentando evitar a dilatação do escore, com estranha pontaria acertara a cara do Guido com uma pedrada desferida do seu posto atrás do "goal" ...

Em agosto de 1950, assistiram os petropolitanos a um jogo absolutamente original: uma partida de futebol em que os contendores, ao invés dos clássicos calção e camisa, envergavam batinas, umas brancas e outras pretas. Eram seminaristas em vilegiatura no Colégio S. Vicente que decidiam no campo do Valparaiso uma antiga quizília.

Nada faltou, disse o cronista de "Jornal do Povo", para que a disputa tivesse o colorido dos mais bonitos jogos. As batinas não constituíram obstáculo às escapadas, aos dribles e aos chutes mais poderosos.

Até um "goal" feito na "banheira" provocou do zagueiro vencido a exclamação de que o Juiz (um circunspeto sacerdote de óculos e chapéu) estava dormindo ...

Outro jogo fora do comum foi o disputado a 3 de novembro de 1940 no campo da Terra Santa entre futebolista do sexo dito fraco. Naquele dia, o Serrano organizou um festival cujo jogo principal foi o encontro das equipes femininas do Brasil Novo e Independente, ambos do Rio. O campo se encheu e o jogo das moças não decepcionou, sendo que uma delas, Margarida Soares, do Independente, chegou até a provocar entusiamo pelas suas "formidáveis escapadas e correção nas fintas e arremates", segundo o noticiarista de Tribuna de Petrópolis. O empate de 2 goals fez justiça ao esforço dos dois quadros. Registre-se, ainda com respeito à jogadora Margarida, que, na partida preliminar disputado entre os marmanjos do Serrano e do América, ela, Margarida, empunhou o apito em substituição ao juiz que se indispusera com as equipes e levou o jogo a termo sem qualquer nova reclamação ...

Quando o Petropolitano começou a disputar em 1921 os campeonatos oficiais, de futebol, a constituição de suas equipes secundárias era coisa engraçadíssima. Sem campo e com poucos atletas, os quadros eram formados a "le-diable", pescando-se jogadores à hora dos jogos. Lembro-me bem de um desses, vitima constante que era de tal pescaria: o pintor Bertoni. Ele comparecia ao clube para jogar o seu "pocker", mas na hora do futebol era arrancado à força da mesa para completar a equipe. O simpático Bertoni, conformado, uniformizava-se, montava seu cavalo que permanecia amarrado à beira do rio e seguia fagueiro para o Alto da Serra. Lá chegado, o nosso herói subia uma elevação que havia logo após o campo do Internacional e nela amarrava o rocinante.

Comecado o jogo, percebia-se, então, o motivo porque o Bertoni amarrava o cavalo naquela elevação: é que, enquanto castigava a pelota em jogo, o futebolista vigiava o animal ...

O jogo do campeonato petropolitano de futebol de 1919 realizado a 19 de outubro entre o Pau Grande A. C. e o Estrêla F C., na Raiz da Serra, passou, indiscutivelmente, à história. Ainda há pouco, mereceu ele a honra de uma referência de Henrique Pongetti em sua crônica diária de "O Globo".

Registre-se que Pongetti foi testemunha ocular dos acontecimentos. Relembremos, no entanto, para a nova geração, o que, então, ocorreu. O Estrêla F C. era um pequenino grêmio do bairro do Retiro para o qual entraram em 1919, já em meio do campeonato, alguns dos melhores jogadores da cidade, tais como Mario Lobo de Morais, Milton Sá Pereira, Silvio Magalhães Figueira, Pedro de Castro e outros. Sem embargo de tão grande reforço, ninguém, porém, fazia fé no pobre Estrêla. Chegou o dia 19 de outubro e com ele o jogo Pau Grande x Estrêla. O primeiro cheio de craques e invencível em seu campo; o segundo pequenino, modesto e desacreditado.

Com o campo completamente cheio, como sempre acontecia naquela época, foi iniciado o jogo, versão moderna da luta Davi x Golias. Mas, coisa estranha, o Estrêla, longe de se intimidar ante o adversário, jogava desassombrosamente, com a atuação primorosa de todo o quadro. De repente, goal do Estrêla - o que estarrece os locais.

Era realmente, muita audácia clube de fora abrir escore no Pau Grande! ... Que se aguardasse, no entanto, a reação. Mas esta não veio nunca e com o Estrêla jogando cada vez melhor, terminou a partida com a vitória dos serranos pelo escore mínimo.

Foi em meio do segundo tempo do jogo que os visitantes, de dentro do campo, começaram a ouvir estranha sinfonia de bambus quebrados nas touceiras circundantes, aparecendo, então, os torcedores munidos de ameaçadoras varas. Com a terminação do jogo, veio a explicação do fato: enquanto os jogadores do Estrêla se congratulavam, uns com os outros, o Juiz da partida, o saudoso Júlio Ernesto da Silva, que não era bobo nem nada, tratou de sair do campo em desabalada carreira, pulou, sem nela roçar, uma cerca de arame com mais de metro e meio de altura, para se embrenhar na mata próxima perseguido pelos torcedores empunhando as varas de bambu. Estarrecidos ante o que acontecia com o Juiz, os jogadores nem se aperceberam de que o campo fora invadido e que as "homenagens" com varas de bambu chegariam até eles. E nós, de cadeira, podemos afirmar que ditas homenagens foram de todo carinhosas, porque guardamos nas costas, por muito tempo, um largo vergão, como lembrança.

A noite já ia alta, quando os petropolitanos, protegidos por dirigentes da fábrica local, puderam seguir para Raiz da Serra em busca do trem de Petropólis.

Quanto ao Júlio Ernesto, o popular Perereca, nunca conseguimos saber como se desvencilhou de seus perseguidores e poude voltar a Petrópolis. Temos a certeza, porém, que, naquele dia, foram batidos no Pau Grande, dois recordes mundiais: um no salto em altura (sobre a cerca de arame) e outra na corrida de velocidade (rumo à mata) ...

Já vimos que duas equipes femininas de futebol se exibiram em 1940, ocasião em que uma delas arbitrou com êxito uma partida de marmanjos. No entanto, poucos saberão de outra vitória feminina no esporte petropolitano: a 28 de janeiro de 1926, tomou parte na reunião do Conselho Diretor da Liga Petropolitana de Sports, como representante do Cruzeiro do Sul F. C., a sta. Isaura Faleiro, fato que a imprensa local, na época, declarou inédito no país.

Uma vez mais, o Brasil se curvara ante Petrópolis ...

Em 1895, uma competição sacudiu os nervos do pacato petropolitano: a do cavalo contra a bicicleta. Daniel Egalon, cidadão francês domiciliado em nossa cidade e exímio ciclista, desafiou o seu compatriota Laborde, ás do hipismo, para uma corrida na Wesphalia, no trecho compreendido entre a rua 13 de Maio e o Retiro, ida e volta, montando aquele a bicicleta e este o cavalo. Duas vezes foi a prova disputada, sendo uma a 17 de março, quando o cavalo venceu por mais de 200 metros de vantagem; e outra, uma semana após, registrando-se a forra da bicicleta com um metro apenas de diferença.

Quando, em 1911, o Petropolitano ocupou o campo da Terra Santa, o terreno, todo aberto e constituindo um extenso pasto, era o recreio predileto dos muares, cavalares, caprinos e lanígeros da redondeza. Tanto que, muitas vezes, para realizar jogos ou treinos, era preciso enxotar os animais para longe.

Pois foi um desses pacíficos animais o causador involuntário da primeira crise verificada no quadro principal do recém-fundado Petropolitano. O caso foi o seguinte: organizadas as equipes, Luiz Quirino Magalhães Gomes, embora fosse também um bom dianteiro, ganhou a posição de arqueiro efetivo do quadro principal, mercê de grandes atuações nos primeiros treinos e jogos. Era o dono inconteste da posição.

Mas - azar do Quirino - veio um jogo, não nos recordamos de qual tenha sido ele, em que o Petropolitano dominava inteiramente seu adversário. Havia, como hoje se diz, meio campo para alugar ...

E o Luiz Quirino que estava roxo para exibir suas qualidades, não havia meio de ver bola!

Mas, afinal, aconteceu o inesperado: um jogador do quadro adversário apanhou, sozinho, a pelota, atirou-a bem à frente, correu velozmente sobre o goal do Petropolitano e chutando para marcar o ponto, foi surpreendido, como toda a assistência, com o quadro que a meta apresentava: um burro se achava sob os paus e nele montado o arqueiro do Petropolitano.

Não conhecemos os detalhes do caso, mas podemos esclarecer que, no domingo seguinte, quando o Petropolitano enfrentou o Sport Club Americano, o arqueiro era outro: estreava Belfort Vieira ...

Agora, vamos terminar de verdade. O nosso desejo muito sincero era aqui falar hoje pouco e bem. Bem, já sabiamos impossivel; mas pouco, estava na nossa vontade e não conseguimos.

Falamos, parece, que demais.

Pedimos, pois, o vosso perdão. Os fatos ora narrados são quase todos do tempo da nossa mocidade e sua recordação nos encheu de saudade, pertubando-nos.

Perdão, mil perdões, portanto. Mas, como dizia, há dias, Carlos Rizzini, quem não tem saudade da sua mocidade?

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