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17/08/2000

Acervo Histórico de Gabriel Kopke Fróes - Via Internet
www.earp.arthur.nom.br 
- em 31/05/2005
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Palestra na Associação dos Cronistas Esportivos de Petrópolis:
14/03/1957.
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Esporte em Petrópolis (3)

Gabriel Kopke Fróes

ATLETISMO

Dificílimo será determinar com precisão a data em que o atletismo, o chamado esporte base, começou a ser praticado em nossa cidade. A primeira referência que encontramos em nossas pesquisas às disputas atléticas foi a notícia da inauguração, a 14 de maio de 1881, do "Foot Rink Club", dos alunos do Colégio Paixão, ocasião em que foram disputadas corridas rasas e com barreiras. Daí em diante, todos os colégios devem ter cultivado o atletismo entre seus alunos, sem que, porém, se tenha notícia da disputa de qualquer competição.

Sómente a 14 de julho de 1923, teve lugar uma competição que, embora de âmbito interno, teve sua organização e seus resultados tornados públicos. Realizou-a o Petropoltano F. C., no Valparaiso, com obediência parcial das regras oficiais. Foram disputadas provas de corrida e saltos. À guisa de curiosidade, os nomes de alguns dos concurrentes: Jaime Justo da Silva, Alfredo Maurício Kappaum, Tito Livio de Castro, Gabriel Fróes, Armando Vilar, Luiz Segreto.

Longo e tenebroso hiato após a competição de 1923. Somente a 20 de julho de 1930, quando o Petropolitano comemorou o 10º aniversário de sua reorganização, veriamos novamente o atletismo. Tivemos, então, uma competição com obediência das normas internacionais sob a direção do técnico consumado que era o sarg.to Daniel de Araujo Góis, sendo disputadas provas de corridas, saltos e arremessos. Alguns concorrentes: Nelson Loureiro que saltou a distância de 5,90; Nelson Magioto que correu 100 metros rasos em 11s 4/5; Verlande Silveira que pulou a altura de 1,65m, Antolim Soares de Sá, Jarbas Braga, Alexandre Martins, Hamilton Menezes, Oscar Ferreira da Silva.

A oficialização do atletismo teve lugar em 1932, quando pontificava na Associação Petropolitana de Sports a clarividência do presidente Plinio Leite. Duas medidas preliminares tomadas pela A. P. S. deixaram ver a seriedade com que o atletismo estava sendo encarado: a obrigatoriedade de todos os clubes filiados participarem do campeonato atlético e a proibição de quaisquer outras competições nos dias destinados ao atletismo.

O atletismo oficial em Petrópolis tem duas fases distintas: uma de 1932 a 1934, e outra de 1953, aos nossos dias.

Na primeira fase, foram realizados os campeonatos de estreantes, juniores e de qualquer classe relativos aos anos de 1932,1933 e 1934, todos eles ganhos pelo Petropolitano. Foi iniciada, ainda, em 1933, a disputa do campeonato de novíssimos que, interrompido pela chuva, nunca foi concluído.

A segunda fase teve início em 1953 quando foram disputados os campeonatos de principiantes, juniores, qualquer classe e da cidade, todos igualmente vencidos pelo Petropolitano. Em 1954, 1955 e 1956, foram disputados os campeonatos de principiantes, juniores e qualquer classe dos quais se sagrou vencedor, ainda uma vez, o Petropolitano.

O Petropolitano, campeão de todas as competições oficiais até hoje realizadas em Petrópolis, mantém um título que nos parece único no país: heptacampeão da cidade em todas as categorias. E, além disso, invicto.

Petrópolis, nos últimos anos, tem participado, em Niterói, dos campeonatos fluminenses, sem haver, porém, passado do 2º lugar. Possui, porém, inúmeras vitórias individuais e vários recordes fluminenses.

TENIS DE CAMPO

A primeira referência que se encontra ao "lawn-tenis" nos velhos jornais petropolitanos é a contida na notícia de "Gazeta de Petrópolis" de 29 de dezembro de 1896, mencionando a fundação de um clube de tênis no Alexandra-Hotel. Esse hotel, por sinal o estabelecimento da época, funcionava no prédio da rua 7 de Abril onde se acha localizado hoje o Convento de Lourdes. Do tal clube de tênis, não houve, porém, mais notícia.

O tênis começou a ter vida efetiva em nossa cidade a 3 de abril de 1907, quando foi fundado, no então chamado Mato do Palácio, o Tênis Clube de Petrópolis. Ali foi praticado excelente tênis, sendo realizados vários campeonatos individuais, muitas competições interclubes e até um torneio internacional. Os três primeiros campeões individuais da cidade foram cav. Ricardo Borghetti, encarregado dos negócios da Itália, em 1910; Edgard da Silva Ramos em 1911; e Júlio Furquim Werneck, em 1912. A 13 de fevereiro de 1910, registrou-se a visita do Fluminense F. C., do Rio, cujo jogo com o Tênis Clube de Petrópolis foi interrompido pela chuva. O torneio internacional a que nos referimos foi disputado em 17 de abril de 1910, nele tomando parte, além do clube local, as equipes de oficiais dos navios de guerra "North Carolina", dos Estados Unidos, e "Kaizer Karl VI", alemão. O "triangular" foi vencido pelos alemães.

O Velo Sport Petropolitano, a 26 de abril de 1908, inaugurou o "lawn-tenis" em sua sede no Morro da Igreja.

Em 1909, o Centro Católico e o Colégio Luzo-Brasileiro começaram a cultivar o tênis. O primeiro, com sua quadra na rua atualmente chamada Barão de Tefé, chegou a promover torneios internos, um dos quais terminou a 30 de janeiro de 1910 com a vitória de Francisco Moreira da Fonseca sobre Oscar Leans, ambos grandes jogadores. No Colegio Luzo-Brasileiro, pontificavam, entre outros, os irmãos Wagner, Walter e José Werneck de Carvalho, Carlos Airosa Ribeiro e Elisabeto Porto Mendes. Este, vinte e três anos após, viria a ser o primeiro campeão individual oficial da cidade de Petrópolis.

A 19 de agosto de 1923, por inspiração do grande Júlio Furquim Werneck, era inaugurada no Valparaíso a primeira quadra do Petropolitano F. C. Realizado o primeiro torneio interno, dele sagrou-se vencedor o dr. Alfred Oleseu que, para nossa alegria, passados 33 anos, ainda frequenta nossas quadras.

Em 1932, o extraordinário presidente Plínio Leite promoveu, por intermédio da Associação Petropolitana de Sports, os primeiros campeonatos individuais da cidade, sagrando-se vencedores: Elisabeto Porto Mendes (Serrano), simples masculino; Elisabeto Porto Mendes e Emanuel Stumpf (Serrano), duplas masculinas; Zette van Erven (Petropolitano), simples feminino.

A 16 de março de 1934, nas quadras da avenida 1º de Março, foi disputado, pela primeira vez em nossa cidade, o Campeonato Fluminense de Tênis. A vencedora foi Barra do Piraí, tendo sido Petrópolis desclassificada sob a alegação de falta de condições legais a um dos seus jogadores.

Os acontecimentos mais marcantes do tênis petropolitano têm sido as disputadas do campeonato fluminense, já que o da cidade, por falta de concorrentes, ainda não poude ser realizado. Começamos mal, como vimos, em 1934. Em 1937, fomos a Friburgo e melhoramos chegando às semifinais, quando perdemos para os campeões que foram os niteroienses. Em 1938, em Niterói, melhoramos ainda mais, classificando-nos vice-campeões, perdedores que fomos de Niterói no jogo final.

O campeonato seguinte foi o de 1940, disputado em Niterói. Fomos os campeões e, dali para cá, não perdemos mais. Ostentamos o título de tetra campeões do Estado, conquistado nos anos de 1940, 1942, 1945 e 1956.

Depois dos campeonatos individuais da cidade realizados em 1932, só voltamos aos jogos oficiais em 1954, quando o Petropolitano ganhou o campeonato de equipes, 2ª classe, e seus representantes Feliciano Peixoto e Kurt Zeidler se sagraram, respetivamente, campeão e vice-campeão individuais da mesma classe

Em 1956, voltaram a ser realizados os campeonatos da 2ª classe e mais o campeonato feminino de equipes. Os vencedores foram: Individual, masculino, simples: Ângelo Novarini; idem, idem duplas: Kurt Zeidler e Feliciano Peixoto; Equipes, masculino: Petropolitano em 1º e Internacional em 2º; Equipes, masculino: Dona Isabel em 1º e Petropolitano em 2º.

BASQUETE

Tentou-se, pela primeira vez, a implantação do basquetebol em Petrópolis no ano de 1923, quando o Petropolitano improvisou uma quadra em sua praça de esportes e iniciou treinos sob a orientação do campeão sul-americano Paulo Monteiro Valente. Mas a tentativa não vingou, embora nela houvessem colaborado, entre outros, Rufino Pizarro e os irmãos Potter, traquejados jogadores do Fluminense, do Rio. Permaneceu, por isto, deserta, durante muitos anos, a quadra construída em 1923 no Valparaíso.

Em 1928, começaram a ser publicadas notícias do basquete que vinha sendo praticado regularmente no 1º Batalhão de Caçadores e no Colégio Silvio Leite e, esporadicamente, no Petropolitano.

A 14 de julho daquele ano, por exemplo, noticiava-se a ida a Niterói do quadro do 1º B. C. para um prélio com seus colegas do 2º B. C. - Os petropolitanos foram os vencedores, sendo o jogo o primeiro de que se tem conhecimento de uma equipe de nossa terra.

A 1º de fevereiro de 1931, o Tênis Clube de Petrópolis que não praticava o basquete, inaugurou uma quadra em sua sede à av. 1º de Março.

Em 1932, já havia na cidade uma apreciável quantidade de conhecedores do basquete, todos egressos do 1º BC e do Colégio Plínio Leite, ex-Sílvio Leite, quando assumiu a presidência da Associação Petropolitana de Sports o dr. Plínio Leite. Ao espírito atilado do novo presidente, não passou desapercebida tal circunstância. E oficializou logo o basquete petropolitano.

Abertas as inscrições para o 1º campeonato, candidataram-se ao título os clubes Internacional, Serrano, Petropolitano, Rio Branco, Itamarati e Cascatinha.

O Torneio Início foi realizado a 12 de abril, à noite, na quadra do Tênis Clube, sob intensa curiosidade da massa popular que superlotou as instalações do clube da av. 1º de Março. O Serrano foi o vencedor, seguido pelo Itamarati.

O primeiro campeonato foi realizado com toda a regularidade e muita animação, dele saindo vencedores o Serrano, campeão e o Internacional, vice-campeão. Uma particularidade dos vencedores: o Serrano era constituído pelos jogadores do primeiro quadro do Colégio Plínio Leite e Internacional pelos do segundo quadro do mesmo colégio.

De 1932 a 1956, a disputa dos campeonatos da cidade não sofreu interrupção alguma, sendo a seguinte a classificação dos clubes disputados: Efetivos: Petropolitano (1938.1939.1943/1945 - 1948/1956) quatorze vezes; Serrano (1932-1935-1941), três vezes; Quissamã (1936.1937.1942) três vezes; Magnólia (1946.1947), duas vezes; Internacional (1933) uma vez; Cascatinha (1934), uma vez; e Liceu (1940), uma vez. Reservas: Petropolitano (1934.1949.1950.1952.1953.1956), seis vezes; Serrano (1954.1955), duas vezes; Cascatinha (1935), uma vez; Cruzeiro do Sul (1951), uma vez. Juvenis: Petropolitano (1947), uma vez. Lance Livre: Petropolitano (1947.1949/1952.1955.1956), sete vezes; Serrano (1953.1954), duas vezes; Luzeiro (1946), uma vez.

Embora sem haver alcançado o nível técnico desejável, o basquete petropolitano, é evidente, tem progredido. A falta de um ginásio, necessidade imprescindível em cidade fria e chuvosa como a nossa, tem sido o principal óbice à maior difusão e popularidade do basquete em Petrópolis. Mas, vencendo todos os empecilhos e incompreensões, a verdade é que caminhamos para a frente!

Ressalte-se, num preito de justiça, os esforços do Petropolitano F. C. em tal sentido. Até junto aos demais clubes da cidade tem agido para a continuidade do nosso basquete. Aliás, o destino lhe tem sido dadivoso, porquanto ostenta ele, entre outros, um título que nos parece inédito - Brasil: eneacampeão da cidade! 

VOLIBOL

Em 1923, quando a peteca era a "coqueluche" do Petropolitano, F. C., recebeu este clube, da Associação Cristã de Moços, do Rio de Janeiro, as regras do volibol, esporte, praticamente, desconhecido no Brasil e que aquela associação procurava difundir. Foram, então aproveitados quadra, rede e os próprios praticantes da peteca para a iniciação do volibol no Valparaíso. O novo esporte absorveu logo a peteca e era de ver-se o entusiamo com que moços e moças se empregavam nos treinos e desafios constantes dos diversos grupos de noviços.

Em meado daquele ano, a Associação Cristã de Moços quis ver o progresso dos petropolitanos e, para tal, mandou-nos, nada mais nem menos, do que a sua categorizada equipe principal. Os cariocas, constituindo a fina flor dos voleibolistas brasileiros da época, chegaram à nossa cidade a 19 de agosto de 1923. O jogo estava marcado para a tarde daquele dia, na quadra do Valparaíso, carinhosamente preparada pelo dr. A. B. Cavalcanti para tal fim. Chega a hora do encontro e o corpo social do Petropolitano lota as dependências da quadra, ávido de conhecer o volibol e, principalmente, os grandes jogadores cariocas. De um lado, estão, calmos e serenos, os mestres, os introdutores do novo esporte no país; no outro, se acham, nervosos, vibrantes, os discípulos que iam fazer a estréia. Espectativa. Começa o jogo e os mestres ganham vantagem. Os discípulos, porém, se concentram e melhoram. Milton Sá Pereira, o craque do futebol, comanda as ações dos petropolitanos para cuja energia apela. E os novatos atendem: correm, pulam e arremessaram com perícia inimaginável. Surpresa dos mestres. Mas novo apelo é feito por Milton Sá Pereira e os nossos redobram de energia, atacando, então, furiosamente. O adversário, surpreendido, titubeia, cede e, por fim, cai. Era a vitória dos nossos que, em cinco setes, haviam ganho quatro. Estava inaugurado o volibol em Petrópolis.

De 1924 a 1931, só se tem conhecimento da realização em nossa cidade dos seguintes jogos de volibol:

1º) Em 9.4.1925, no Valparaíso - Petropolitano, 3 x Tênis Clube de Petrópolis, 1.

2º) Em 16.4.1925, no Valparaíso - Petropolitano, 3 x Tênis Clube de Petrópolis, 1.

3º) Em 21.4.1929, no Valparaíso - Oficiais do 1º B. C. x Moças do Petropolitano (demonstração)

4º - Em 1929, no Colégio Plínio Leite - Petropolitano, 2 x Colégio Plínio Leite, 0 (Equipes femininas)

Em 1932, entretanto, como aconteceu também com o basquete, foi oficializado o volibol pela Associação Petropolitana de Sports, presidida por Plínio Leite.

Os seis clubes inscritos no campeonato disputaram a 19 de abril daquele ano, na quadra do Tênis Clube, à av. 1º de Março, o primeiro Torneio Início de volibol. Serrano em primeiro e Internacional em segundo, foram os vencedores.

O primeiro campeonato da cidade disputado pelos clubes Serrano, Internacional, Petropolitano, Rio Branco, Cascatinha e Itamarati terminou empatado com Internacional e Petropolitano com igual número de pontos. Na melhor de três decisiva, o Internacional levou vantagem por 2x1, sagrando-se campeão.

A classificação dos clubes, nos oito anos em que os campeonatos tem sido realizados, é a seguinte: Efetivos, masculino: Petropolitano (1940. 1946. 1953. 1955) quatro vezes; Fidalgos da Cesta (1937/1939), três vezes; Internacional (1932. 1933), duas vezes; e Serrano (1954) uma vez - Reservas, masculino: Petropolitano (1954) e Serrano (1955) uma vez cada um - Feminino: Cruzeiro do Sul (1953) e Petropolitano (1954) uma vez cada um.

Na disputa do campeonato fluminense, Petrópolis logrou a vitoria em 1934, o primeiro realizado, e daí para cá nada mais conseguiu.

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