digitação utilizada para inclusão no site:
06/02/2005

Ameaça dos NEOs - Fogo, Trevas, Tsunamis (7)

Fernando M. Gomide

CAPÍTULO IV

PROFECIAS BÍBLICAS COMPATÍVEIS COM AS PROFECIAS PARTICULARES CONSIDERADAS NO CAPÍTULO III

O grande castigo descrito em profecias particulares desde o século XII com Sta. Hildegarda e mais numerosamente exibidas a partir do século XVIII, parece ser o que a Bíblia chama de Dia do Senhor. Entretanto, o Dia do Senhor também significa o acontecimento cataclísmico da destruição de toda a Terra e da humanidade na parusia. É o que nos diz São Pedro no Novo Testamento, assim:

"Mas os céus e a terra que agora existem são guardados pela mesma palavra divina e reservados para o fogo no dia do juízo e da perdição dos ímpios..." "Entretanto virá o Dia do Senhor como ladrão. Naquele dia, os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra e todas as obras que ela contém" (1).

(1) II Pd. III, 7, 10.


Este fogo aqui referido não parece ser o resultado do impacto de algum NEO com diâmetro da ordem de 10 km, como aconteceu há 65 milhões de anos atrás. Tenho impressão de algo a ver com o seguinte fenômeno astrofísico: o Sol, nossa estrela, se transformando numa gigante vermelha. Sabe-se da astrofísica estelar, que uma estrela após consumir 20% de seu hidrogênio, sua atmosfera se expande consideravelmente transformando-se em estrela gigante. Então, o Sol passaria a ocupar todo o espaço em que se encontram os planetas Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. Estes planetas seriam derretidos e vaporizados. Creio que isto está consignado nas palavras do Apóstolo: "... os elementos abrasados se dissolverão e será consumida a terra e todas as obras que ela contém". Isto é o fim da História da Terra e da humanidade. Vejamos agora o Dia do Senhor significando um castigo em determinado momento da história humana, não o fim do mundo e da História.

O profeta Isaías nos fala do Dia da Vingança do Senhor, dia de fogo para liquidar Seus inimigos e poupar Seus amigos. Suas palavras:

"Sou Eu que luto pela justiça e poderoso para salvar".

"Era Eu que desejava um Dia de Vingança e o Ano da Redenção dos Meus havia chegado".

"Também na Minha cólera Eu arrasei os povos, na Minha fúria triturei-os, fazendo correr seu sangue sobre a terra".

"Com esta visão vossos corações pulsarão de alegria e vossos membros se fortalecerão como plantas. O Senhor manifestará a Seus servos Seu poderio, e aos Seus inimigos Sua cólera. Pois o Senhor virá no meio do fogo, com Seus carros semelhantes ao furacão, para satisfazer Sua cólera num braseiro, e cumprir Suas ameaças em chamas ardentes; porque o Senhor fará a justiça de toda a terra pelo fogo e de todo ser vivente pela espada e muitos cairão sob os golpes do Senhor" (2).

(2) Is. LXIII, 1, 4, 6; LXVI, 14-16.


Parece óbvio que se não trata do fim da História, mas de um castigo universal pelo fogo.

Vejamos agora o profeta Joel, que diz isto sobre o Dia do Senhor:

"Estremeçam todos os habitantes da terra, eis que se aproxima o dia do Senhor, dia de trevas e de escuridão, dia nublado e coberto de nuvens".

"Diante dele um fogo devorador, e atrás, uma chama abrasadora". "Diante deles treme a terra, os céus vacilam, o sol e a lua se obscurecem, as estrelas perdem o brilho". "Sim, o dia do Senhor é grandioso e temível! Quem o poderá suportar?"

"Farei aparecer prodígios no céu e na terra, sangue, fogo e turbilhões de fumo. O sol converter-se-á em trevas e a lua em sangue, ao se aproximar o grandioso e temível dia do Senhor. Mas todo o que invocar o nome do Senhor será poupado, porque, sobre o monte Sião e em Jerusalém, haverá um resto, como o Senhor disse; e entre os sobreviventes estarão os que o Senhor tiver chamado" (3).

(3) Jl II, 1, 2, 3, 10, 11; III, 3, 4, 5.


Como se vê, uma punição universal com fogo, trevas e turbilhões de fumo e sobreviventes escolhidos por Deus. Parece evidente aí que Israel será amorosamente poupado nesse flagelo universal. O contexto sugere os oráculos das profecias particulares apresentadas no Capítulo III.

Também o profeta Amós fala sobre o Dia do Senhor nestes termos:

"Ai daqueles que desejam ver o Dia do Senhor! Que será para vós o Dia do Senhor? Trevas e não luz". "Sim o Dia do Senhor será trevas e não claridade, escuridão e não luz" (4).

(4) Am. V, 18, 20.


No oráculo de Amós, são as trevas que parecem ser a grande nota importante. Parece haver aí algo a se pensar, isto: o fogo mata, mas a escuridão completa leva a alma facilmente ao desespero, que é a morte espiritual.

Exibiremos agora a profecia de Sofonias, que é a seguinte:

"Destruirei tudo sobre a face da terra... farei perecer homens e animais, aves do céu e peixes do mar; exterminarei os ímpios com seus escândalos, farei desaparecer os homens da superfície do mundo, oráculo do Senhor".

"Ei-lo que se aproxima o grande Dia do Senhor! Terrível é o ruído que faz o Dia do Senhor, o mais forte soltará gritos amargos nesse dia..." "Dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e de névoas espessas... Toda a terra será devorada pelo fogo de Seu zelo, porque Ele aniquilará de repente toda a população da terra".

"Buscai o Senhor, vós todos os humildes da terra que observais Sua lei, buscai a justiça e a humildade, talvez assim estarei ao abrigo no Dia da cólera do Senhor" (5).

(5) Sof. I, 2, 3, 14, 18; II, 3.


Trevas, nuvens, névoas espessas no Dia da cólera do Senhor, que, parece pelos versículos apresentados, o próprio fim do mundo. Entretanto o último versículo apresenta a possibilidade da preservação dos justos. Isto sugere que o "desaparecimento dos homens da superfície do mundo" é hipérbole para significar grande número, não propriamente a totalidade.

O último dos profetas menores, Malaquias, também teve visões do Dia do Senhor. Diz ele:

"Porque eis que vem um dia ardente como a fornalha. Todos os soberbos, todos os que cometem o mal serão como a palha; este dia que vai vir os queimarão, diz o Senhor dos exércitos e nada ficará: nem raiz nem ramos. Mas sobre vós que temeis o Meu Nome levantar-se-á o Sol de Justiça que traz a salvação em seus raios".

"Vou mandar-vos o profeta Elias antes que venha o grande e temível Dia do Senhor e ele converterá o coração dos pais para os seus filhos, e o coração dos filhos para os seus pais, de sorte que não ferirei mais de interdito o país" (6).

(6) Mal. IV, 1-2, 5.


Parece claro que o Dia do Senhor não é o fim do mundo, mas um castigo que eliminará os ímpios, e, parte dos justos serão preservados.

Passemos agora para o Novo Testamento, onde no Apocalipse é descrito um castigo semelhante ao do Dia do Senhor no Antigo Testamento. Aqui é chamado de Dia da ira do Cordeiro. O flagelo da ira do Cordeiro aparece na abertura do sexto selo. O livro dos sete selos no Apocalipse simboliza a história da Cristandade que evolui em sete fases. O Dia da ira do Cordeiro, inaugura a sexta e penúltima época da história Cristã, o que significa que a punição da abertura do sexto selo não é o fim da História. Eis os versículos:

"Depois vi o Cordeiro abrir o sexto selo e sobreveio um grande terremoto. O sol se escureceu como um tecido de crina, a lua tornou-se toda vermelha como sangue, os astros do céu caíram na terra como figos verdes que caem da figueira agitada por forte ventania. O céu desapareceu como um pedaço de papiro que se enrola e todos os montes e ilhas foram tiradas de seus lugares. Então os reis da terra, os grandes, os chefes, os ricos, os poderosos, todos tanto escravos como livres esconderam-se nas cavernas e grutas das montanhas. E diziam às montanhas e aos rochedos: 'caí sobre nós e escondei-nos da face Daquele que está sentado sobre o trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da sua ira e quem poderá subsistir?" (7)

(7) Apoc. VI, 12-17.


Aqui como em Joel aparece o Sol se escurecendo e a Lua se tornando vermelha. Não deveriam ambos se tornarem obscuros devido às trevas na Terra? Bem acontece nas descrições bíblicas especialmente voltadas para as profecias, haver multiplicidade de sentidos como aponta Sto. Agostinho em seu Manual de Exegese Bíblica. Suas palavras:

"Quando das mesmas palavras da Escritura são tirados não somente um, mas dois ou vários sentidos - ainda que não se descubra qual foi o sentido que o autor tenha em vista - não há perigo de se adotar qualquer um deles. Sob a condição, porém, de se poder mostrar, através de outras passagens das Santas Escrituras, que tal sentido combina com a verdade" (8).

Sto. Tomás baseia-se nesta passagem de Sto. Agostinho a fim de fazer a exegese dos seis "dias" da criação do Gênesis (9).

(8) Sto. Agostinho.  A Doutrina Cristã. L. III, Cap. XXVII, 38.
(9) Sto. Tomás. 
I S.T. q.68, a.1.


A mim parece claro que a passagem aqui consignada do Apocalipse envolve essa regra exegética. Vejamos. Ao longo do Apocalipse encontramos inconfundivelmente a presença de descrições simbólicas. Há exegetas estultos que insistem em ver nas descrições desse Livro Bíblico de profecias somente descrições de sentido literal. O Pe. Castellani por exemplo, cita certa exegese realizada por um engenheiro católico austríaco que vê em certas passagens do Apocalipse altamente simbólicas, explosões nucleares (10).

(10) Leonardo Castellani.  El Apokalypsis, Ediciones Paulinas, Buenos Aires, 1963, Cuaderno III, Postdata


O excerto apocalíptico aqui exibido é um exemplo em que se aplica a regra agostiniana. Parece aí estar presente um sentido literal aliado a um sentido simbólico. Explico-me.

No Apocalipse tais palavras com "céus", "sol", "lua" carregam um forte significado simbólico. Os "céus" de modo geral significam a Igreja e as "estrelas do céu" a hierarquia eclesiástica. O "sol" é a fonte da luz da verdade do magistério da Igreja e a "lua", iluminada pelo "sol" é o poder temporal. A "lua vermelha" simboliza as violências, terrorismo, revoluções nos governos. O Brasil, Oriente Médio, mundo muçulmano, são exemplos do sangue derramado que tornam a lua vermelha. Já o "sol se escureceu" é a ausência da sã doutrina na autoridade eclesiástica mergulhada na apostasia. Os "astros do céu caíram na terra como figos verdes que caem da figueira agitada por forte ventania" simboliza a queda da hierarquia eclesiástica no mundo, compartilhando de todas as impurezas deste, como por exemplo, a pocilga sonora das músicas rock, caipira, forró, músicas pseudo populares fabricadas pelo rendoso show business. Já outros sentidos literais podem aí ser aceitos, como as trevas físicas, grande terremoto do impacto de um NEO e o terror dos ímpios diante de acontecimentos cataclísmicos.

Í N D I C E

Ameaça Dos NEOs - Fogo, Trevas, Tsunamis (1)
Introdução

Ameaça Dos NEOs - Fogo, Trevas, Tsunamis (2)
Capítulo I - Em Rota de Colisão
I.1 - Crateras na Lua em Marte e outros corpos do Sistema Solar. O espaço é inóspito
I.2 - Asteróides, Cometas e os NEOs
I.3 - A extinção em massa no intervalo do Cretácio para o Terciário. A aniquilação dos dinossauros
I.4 - Tsunamis. Exemplos do século XIX ao século XXI
I.5 - Um NEO descoberto em 1989, o Tutatis
Resumo do Capítulo I

Ameaça Dos NEOs - Fogo, Trevas, Tsunamis (3)
Capítulo II (Primeira parte)
- Errôneas Interpretações de Profecias Bíblicas e Falsas Profecias Particulares
II.1 - Exemplos de interpretações errôneas de profecias bíblicas. A importância do critério cronológico
II.2 - Uma célebre impostura: A profecia dos Papas atribuída a S. Malaquias (séc. XI). Jornalistas profetas
II.3 - A profecia do grande monarca iniciada no século IV. Caos de personalidades e datas até o século XX
II.4 - Gioacchino di Fiore e suas fantasias proféticas. A idade do Espírito Santo
II.5 - A impostura de Medjugorje. O bispo local desmascara a coisa

Ameaça Dos NEOs - Fogo, Trevas, Tsunamis (4)
Capítulo II (Segunda parte)
II.6 - Os falsos segredos de la Salette (séc. XIX-XX)
II.7 - O falso segredo de Fátima de 1963
II.8 - Outro falso segredo de Fátima de 1962. Ligação com o de 1963
II.9 - As falsas revelações de Garabandal de 1961 a 1965
II.10 - Abbé Georges de Nantes. "Profecia" para 1983
Resumo das principais falsas profecias

Ameaça Dos NEOs - Fogo, Trevas, Tsunamis (5)
Capítulo III (Primeira parte)
- Revelações Particulares Clássicas. O Grande Castigo de Trevas e Fogo
III.0 - As revelações particulares clássicas são aquelas que não ferem a fé e a moral, além de não encerrarem coisas bizarras, nada de indecoroso, inexistência de violação da cronologia ou das leis naturais
III.1 - Sta. Hildegarda de Bingen (séc. XI-XII)
III.2 - São Domingos (séc. XII-XIII). São Vicente Ferrer (séc. XIV-XV)
III.3 - Irmã Maria da Natividade (+1798)
III.4 - Irmã Mariana das Ursulinas de Blois (+1804)
III.5 - Bem-aventurada Elizabeth Canori-Mora (+1825)
III.6 - Pe. Albert Sauvageau (+1826)
III.7 - Bem-aventurada Anna Maria Taigi (+1837)
III.8 - São Gaspare del Bufalo (+1837)

Ameaça Dos NEOs - Fogo, Trevas, Tsunamis (6)
Capítulo III (Segunda parte)
III.9 - Palma Maria D'Oria Matarelli (+1863)
III.10 - Sta. Maria do Jesus Crucificado (+1878)
III.11 - Marie-Julie Jahenny, estigmatizada de La Fraudais (+1941)
III.12 - Irmã Elena Aiello, estigmatizada da Itália (+1961)
III.13 - Irmã Agnes Sasagawa, Akita, Japão (Mensagem de 13/10/1973)
III.14 - Enzo Alocci em 1966
III.15 - Cientista húngaro exilado (L.G.A.) em 1986
III.16 - Margarida. Revelações de 1970 e 1973
Resumo destas profecias particulares

Ameaça Dos NEOs - Fogo, Trevas, Tsunamis (7)
Capítulo IV - Profecias Bíblicas Compatíveis com as Profecias Particulares consideradas no Capítulo III

Índice

topo da página

índice de trabalhos

índice de autores