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06/02/2005

Ameaça dos NEOs - Fogo, Trevas, Tsunamis (3)

Fernando M. Gomide

CAPÍTULO II - (Primeira parte)

ERRÔNEAS INTERPRETAÇÕES DE PROFECIAS BÍBLICAS E FALSAS PROFECIAS PARTICULARES

II.1 - EXEMPLOS DE INTERPRETAÇÕES ERRÔNEAS DE PROFECIAS BÍBLICAS. A IMPORTÂNCIA DO CRITÉRIO CRONOLÓGICO

Sto. Irineu (séc. II) célebre Padre da Igreja fez certos cálculos numéricos baseados no Nº 666 e na putativa data da criação do homem em 4.000 a.C. Chegou à conclusão, que o Anticristo viria no século XX (1). Bem, já estamos em 2005...

(1) Sto. Irineu.  Adversus Haereses. L. V, Caps. 28-30.


Para começar, não existe cronologia bíblica. Já no século XIX, os bons exegetas tendo em vista as pesquisas arqueológicas e paleontológicas, começaram a crer que se não podia aceitar a data de 4.000 a.C. para a criação da humanidade. A chamada cronologia bíblica era em grande parte baseada na árvore genealógica dos patriarcas antediluvianos. Mas, como perceberam muito bem os jesuítas alemães Knabenbauer e Bellynck (séc. XIX), essas genealogias são descontínuas, e portanto, não podem definir cronologia (2). Quem hoje acredita em cronologia bíblica é um completo ignorante.

(2) Bacuez et Vigouroux.  Manuel Bíblique. T. I. A. Roger et F. Chernoviz, Editeurs, Paris, 1901, Chap. III.


O erro de Sto. Irineu exerceu certa influência, já que existem intérpretes da Bíblia na antigüidade, crentes na idéia do aparecimento do Anticristo no século XX. Mas outros pensaram diferentemente como é o caso do Abade Gioacchino di Fiore (1135-1202) que "calculou" a vinda do Anticristo para o ano de 1260. Os profetas de plantão, "discípulos" de Joaquim das Flores inventaram outras datas. A historiadora da Universidade de Oxford Marjorie Reeves nos dá um apanhado bastante detalhado da influência dos enfoques pseudoproféticos de Joaquim de Flora criando uma corrente fantasista de profecias pseudojoaquimitas (3).

(3)Marjorie Reeves.  The Influence of Prophesy in the Later Middle Ages. A Study of Joachimism, Oxford Univ. Press, 1963. Part I, Chaps. I-IV.


O padre alemão Bartolomeu Holzhauser (séc. XVII) se enveredou pelo triste caminho de fazer interpretações do Apocalipse sob a inspiração de Joaquim de Flora, chegando a calcular data para a vinda do Anticristo. O exegeta argentino Pe. Leonardo Castellani faz uma severa crítica ao padre alemão. Disse ele que Holzhauser calculou a data da morte do Anticristo para 1911, isto contrariando a proibição do Concílio de Florença (séc. XV). Castellani julga que o Pe. Holzhauser além de ir contra o Concílio incorreu em inexatidões e disparates manifestos (4).

(4)Leonardo Castellani.  El Apokalypsis, Ediciones Paulinas, Buenos Aires, 1963.


Mas, o Pe. Castellani equivocou-se quanto ao Concílio. Na realidade foi o V Concílio de Latrão (séc. XVI) que lavrara a proibição. Decreto deste Concílio diz:

"Nós ordenamos a todos que exercem as funções de pregação agora e no futuro, não presumir, seja em sermões ou em suas afirmações, fixar a data de futuros males, quer da vinda do Anticristo, ou do Dia do Juízo, considerando que a Verdade disse: Não compete a vós conhecer os tempos ou os momentos, que o Pai reserva a Seu poder (At. I, 7). Aqueles portanto que tiveram a audácia de emitir tais sentenças no passado, mentiram, e é bem conhecido que, por sua causa, a autoridade daqueles que pregam com sabedoria têm sofrido grandemente" (5).

(5) Rev. Denis Fahey, C.S.Sp. The Kingship of Christ and the Conversion of the Jewish Nation, Regina Publications, Dublin, 1953, p. 190.


No século XX existe outro padre que andou fazendo cálculos proféticos. Trata-se do italiano Stefano Gobbi dirigente do Movimento Sacerdotal Mariano. Ele vem pregando desde 1972 em peregrinações pelo mundo mensagens que apresenta como provindo de Maria Santíssima. A grande maioria de seus pronunciamentos apenas retratam as desordens doutrinárias, espirituais e morais do mundo, que são altamente óbvias. Como que imitando Sto. Irineu que viveu numa época em que a exegese bíblica estava no seu começo e só no século XVI com o Concílio V de Latrão a Igreja proibira cálculos proféticos sobre males futuros, o Pe. Gobbi desobedecendo à Igreja realizou cômputos proféticos, que aliás são disparates. Vejamos.

Baseando-se em 1989 no Nº 666, descobriu várias datas, das quais destaco apenas duas, estas: 1332 e 1998.

Diz ele que 1332 marca a data em que nasceram os grandes erros filosóficos que se estenderiam séculos a seguir. Por quê? Porque se começou a dar valor exclusivo à ciência e depois à razão como único critério de verdade. Bem, isto é uma sandice de quem ignora história da filosofia e da ciência. Pois do século XIII ao século XIV, um notável movimento filosófico baseado na teologia como nos mostra Pierre Duhem (6), destronou a falsa ciência aristotélica e preparou os caminhos para a verdadeira ciência. O bispo franciscano de Milão Pedro Philargos (+1504) que participara desse movimento afirmou que graças à teologia da Igreja a razão humana se livrou do jugo da física de Aristóteles (6). A tolice do Pe. Gobbi tem muito a ver com a tão difundida repulsa eclesiástica à física, porque ela contradiz Aristóteles, o qual passou a dominar a filosofia do meio católico após o século XV (7). A outra data, 1998, é anti-histórica: seria data da erecção da estátua do Anticristo (8). Bem, estamos em 2005.

(6) P. M. Duhem. Le Système du Monde. T. VIII, Hermann, Paris, 1958, p. 120.
(7) F.M. Gomide. Exemplos do Jugo de Aristóteles na Filosofia e na Ciência, Revista Reflexão (PUCCAMP), N. 64/65, 1996.
(8) P. S. Gobbi. Aos Sacerdotes Filhos Prediletos de Nossa Senhora. Movimento Sacerdotal Mariano, Jauru, MS.


Existe um número não pequeno de astrólogos e outros falsos profetas que todo ano exibem datas de acontecimentos futuros que se não realizam. Quantas vezes vi astrólogos como o falecido Omar Cardoso anunciarem a data da III Guerra Mundial... As tais datas são hoje como que datas pré-históricas. A astróloga americana Jeane Dixon dita católica, em 1980 teve a visão da queda de um cometa em nosso planeta e que isso aconteceria no século XX. Numa visão de Janeiro de 1962 lhe foi revelado que em Fevereiro do mesmo ano, o Anticristo teria nascido no Oriente Médio (9).

(9) A. Woldben. After  Nostradamus. Mayflower Books Ltd., Frognore, St. Albans, 1977


II.2 - UMA CÉLEBRE IMPOSTURA: A PROFECIA DOS PAPAS ATRIBUÍDA A S. MALAQUIAS (SÉC. XI). JORNALISTAS PROFETAS

Neste caso como nos anteriores, o critério cronológico desmonta com a "profecia".

O beneditino Dom Arnold Wion (séc. XVI) recebera a incumbência de sua ordem realizar uma listagem de todos os bispos beneditinos. Um deles S. Malaquias (séc. XI-XII) bispo de Armagh na Irlanda acabou sendo vítima post mortem de uma traquinagem. Ao se referir a S. Malaquias, Dom Wion acrescentou de modo nonchalant (como quem não quer nada) a seguinte proposição:

"Conheço dele certa profecia... sobre os supremos pontífices. Como ela não foi impressa eu a reproduzo aqui".

E, assim começou na História, do século XVI ao século XX, uma seqüela de ofensas a um homem santo, sobretudo no século XX com as sábias interpretações de profetas de plantão, em que se erigiram jornalistas da grande imprensa.

A profecia em apreço consistia em atribuir a cada Papa um dístico latino que correspondia a algo real sobre o mesmo Papa. Assim por exemplo, Celestino II (1143-1144) tinha esta divisa: Ex castro Tiberis. Ora, ele nasceu no castelo de Cittá di Castello sobre o Tibre. Acontece que, de Celestino II (séc. XII) até Clemente VIII (séc. XVI) contemporâneo de Dom Wion, a profecia era de uma transparência linda. Mas para os Papas no futuro de Dom Wion, as divisas passaram a ser quebra-cabeças para os profetas de plantão: as jóias das pessoas dos Papas não se encaixavam no envólucro das divisas. Então, começaram os indivíduos com vocação profética a utilizarem as falsas jóias de antipapas para encaixarem nas divisas. Bem, a profecia que era linda até Dom Wion, após sua morte ela virou uma completa bagunça (10). O critério cronológico nos leva a concluir que a "profecia" foi inventada na época por algum pilantra qualquer, ou, por algum eclesiástico sem caráter, sendo que, há quem diga que o autor da impostura fosse o próprio Dom Wion (11).

(10) Duc de Brissac. Bientôt plus de Papes?, Historia, N. 374, 1978.
(11) Dominique Clerc. La Prophétie de Malachie, Historia Spécial, N. 397, 1979


Mas como a credulidade humana é insondável, como se vê claramente nas farsas eleitorais desta ditadura republicana, a maravilhosa profecia dos Papas atravessou os séculos apesar da evidência de ter sido uma empulhação. Por ocasião da eleição do sucessor de Pio XII em 1958, os homens de imprensa rapidamente envergaram as capas multicoloridas de profetas de plantão. Pio XII era tido como aquele com a divisa de Pastor Angelicus que seria sucedido pelo Pastor et Nauta. Bem, um cardeal que estava muito em foco como o provável Papa era o armênio Dom Agagianian que tinha no escudo uma âncora. Ecco! Eis o Pastor et Nauta identificado. Foi eleito porém o italiano Cardeal Roncalli de Veneza. Mas os sábios profetas de plantão explicaram de modo néscio a divisa de João XXIII. Como Veneza era a cidade dos canais, o Papa devia ser navegador. Para isso era necessário que o Papa fosse gondoleiro promovido a navegador. E S. Pio X e João Paulo I que foram cardeais de Veneza não deveriam ser Pastor et Nauta?

II.3 - A PROFECIA DO GRANDE MONARCA INICIADA NO SÉCULO IV. CAOS DE PERSONALIDADES E DATAS ATÉ O SÉCULO XX

Esta profecia começa num texto apócrifo conhecido como atribuído à Sibila Tiburtina (séc. IV). Nela se fala de um Monarca Leão, imperador bizantino que conquistaria todo o mundo pagão para a Cristandade. É claro que isso não se realizou, e, os profetas de plantão foram modificando a identidade do homem, e, é claro, as datas dos acontecimentos grandiosos. Vejamos a evolução histórica da impostura: (3)

(3)Marjorie Reeves.  The Influence of Prophesy in the Later Middle Ages. A Study of Joachimism, Oxford Univ. Press, 1963. Part I, Chaps. I-IV.


1) Grande imperador bizantino;
2) Carlos Magno;
3) Monarca alemão;
4) Henrique IV;
5) Frederico III (séc. XIII);
6) Húngaro;
7) Carlos V (séc. XVI);
8) Duelos de profetas: monarca francês vs. monarca alemão;
9) No século XVII o astrólogo dominico Campanella identifica o Grande Monarca como espanhol;
10) O ridículo dominico Giordano Bruno aponta Henrique III;
11) Ainda no século XVII o G.M. vira inglês protestante;
12) Os franceses do século XX deslumbrados com Le génie et la gloire de la France fazem do G.M. descedente dos Bourbons via Luís XVII.

Fato recente acontecido em Junho passado (2004) noticiado pela imprensa diária, consigna que Luís XVII, o menino de 11 anos aprisionado na Torre do Templo pelos assassinos da Revolução Francesa, efetivamente foi morto e não resgatado, como certa fantasia fez circular durante muito tempo. O teste de DNA liquidou com qualquer dúvida. Assim acaba o sonho do Grande Monarca francês descendente dos Bourbons. Vou comemorar o fiasco do sonho tomando uma dose de Jim Bean (Bourbon Whiskey!).

II.4 - GIOACCHINO DI FIORE E SUAS FANTASIAS PROFÉTICAS. A IDADE DO ESPÍRITO SANTO

O monge cistercience da Calábria Gioacchino di Fiore, ou seja, Joaquim de Flora ou Joaquim das Flores, desposou no século XII umas doutrinas teológicas pouco ortodoxas sobre a Santíssima Trindade, que aplicou em suas exegeses do Apocalipse. Suas opiniões teológicas foram condenadas em 1215 no IV Concílio de Latrão. S. Boaventura o considerava um homem simplista e ignorante e Sto. Tomás de Aquino concluiu que sua doutrina sobre a Santíssima Trindade não passava de um trideísmo (12).

(12) Sto. Tomás.  I S.T., q. 39, a. 5.


Defendia Joaquim de Flora que a história Cristã se dividia em três Idades, a do Pai, a do Filho e a do Espírito Santo. Esta separabilidade das três pessoas divinas caracterizando três Idades da história é consentânea com sua doutrina de fundo trideísta. Ele insinuou, e, seus seguidores afirmaram, que a Terceira Idade, a do Espírito Santo, seria a Idade do Novo Evangelho, o Evangelho Eterno o Evangelho do Espírito Santo. O Antigo e o Novo Testamento dariam lugar a uma nova aliança com iluminação do Espírito de Deus em plenitude tal que os sete sacramentos da Igreja deixariam de existir (3). Teria assim o início a Nova Cristandade da Era do Espírito Santo. Essa nova época, a Terceira Idade, começaria também com um Papa Santo, o Pastor Angélico, que teria a cooperação de um santo monarca francês, i.e., o Grande Monarca. Quero observar que essa abolição dos sete sacramentos da Igreja pode significar a instituição de um único novo sacramento. Fico pensando se essa fantasia joaquimita não tem a ver com o propalado Batismo do Espírito Santo mencionado com insistência por grupos carismáticos dentro e fora da Igreja. É claro que o 1º sacramento é Batismo do Espírito, pois é missão da terceira pessoa divina santificar, o que é realizado pelos sete sacramentos. Como está no Evangelho, o sacramento do Batismo é do Espírito Santo e não simplesmente de água (Mat. III, 11). Mas a teologia dos carismáticos parece não ser esta.

(3)Marjorie Reeves.  The Influence of Prophesy in the Later Middle Ages. A Study of Joachimism, Oxford Univ. Press, 1963. Part I, Chaps. I-IV.


O Grande Monarca nessas fantasias mostra como Joaquim de Flora herdou a impostura iniciada com a Sibila Tiburtina. Os realizadores da Terceira Idade seriam uma nova ordem religiosa possuída com a plenitude da iluminação do Espírito Santo. Como vemos, esses pensamentos oníricos do Abade Joaquim parecem um manjar para os grupos carismáticos. Ele ao descrever a Terceira Idade que chegaria com a derrota do Anticristo em 1260, parece estar acenando para a velha heresia do Milenarismo. Vários seguidores de Joaquim de Flora tiraram a conseqüência (3). Como bem mostra a historiadora da Universidade de Oxford, Marjorie Reeves, as fantasias proféticas do Abade Joaquim tiveram uma duradoura presença na história e com conseqüências perniciosas (3).

(3)Marjorie Reeves.  The Influence of Prophesy in the Later Middle Ages. A Study of Joachimism, Oxford Univ. Press, 1963. Part I, Chaps. I-IV.


Entre outras coisas, sobre o pontificado do Pastor Angélico, Joaquim de Flora disse o que segue:

"Quando um monstro aparecer no céu, deverás (O Pastor Angélico) encontrar uma fuga rápida para o leste e depois de nove anos entregarás a alma a Deus" (13).

(13) Rev. R. Gerald Culleton.  The Prophets and Our Times, Tan Books Pub. Inc., Illinois, 1974.


Veremos depois este "Monstro" aparecer nas esquizofrênicas Centúrias do astrólogo Nostradamus e no falso segredo de la Salette.

A temeridade com que o Abade Joaquim anuncia a proximidade da parusia e a vinda do Anticristo em 1260, entra em choque com aquelas palavras de Cristo:

"Não compete a vós conhecer os tempos ou os momentos, que o Pai reserva a Seu poder" (14).

(14) At. I, 7.


Essa leviandade em proclamar datas e tempos iminentes está presente em grupos carismáticos ditos evangélicos e outros internos à Igreja Católica.

Há tempos, lembro-me bem, por ocasião da solenidade de São João Batista em 2000, certo sacerdote líder de grupo carismático brasileiro, em sermão transmitido por canal de TV dita católica, fez afirmações temerárias. Falando como profeta transmitiu o seguinte oráculo: "Nós carismáticos do grupo X somos como São João Batista, i.e., anunciamos a vinda iminente de Jesus Cristo". Isto deve ter escandalizado certas pessoas, porque pouco tempo depois através mesmo canal de televisão, um discípulo do mestre apareceu dando explicações visando a atenuar o impacto do oráculo. Para isso agrediu a bela língua de Camões: o termo iminente usado pelo padre profeta deveria ser entendido como surpresa ou indeterminado. Nosso Senhor disse que viria como ladrão, de repente, como surpresa, sem ser esperado, ou seja: qualquer sentença visando a especificar um tempo, um momento, uma proximidade temperal, Jesus Cristo repele. Então dizer que Jesus Cristo está na iminência de aparecer, agride Nosso Senhor. E, modificar a semântica do termo iminência para significar outra coisa a fim de justificar um padre infeliz é algo lamentável. Tem mais. Há pouco tempo no ano de 2004, numa das poucas vezes que sintonizo a tal TV já que ela é pródiga em exibições de músicas profanas com letras religiosas, cujas "melodias" não se distinguem da cacofonia dos shows musicais caipiras das TVs brasileiras, ouvi outros oráculos do padre profeta. Falando sobre a parusia, i.e., sobre a segunda e última vinda de Cristo, evitou mencionar o juízo final e afirmou que Nosso Senhor não vem para acabar, mas para modificar, transformar. Ora, na parusia, o que está no Evangelho, Jesus Cristo vem encerrar a História e separar as ovelhas dos cabritos: céu eterno e inferno eterno. Noutros termos: a vida no planeta Terra está encerrada. O oráculo do padre tem sabor pouco ortodoxo pois tangencia a tese quiliástica, ou seja: Jesus vem para reformar e reinar. Ora, esta infeliz sentença estranha à Tradição Apostólica, se aproxima das teses nas seitas evangélicas de origem estadunidense, seitas essas que são também carismáticas. Posso citar aqui oito autores ditos evangélicos, cujas exegeses da Sagrada Escritura em especial do Apocalipse, exibem a velha doutrina do Milenarismo. São eles: Hal Lindsey e C.C. Carlson (15), John Wesley White e Billy Graham (16), John F. Walvoord e John E. Walvoord (17), Herbert Lockyer Sr. (18) e Arthur E. Bloomfield (19).

(15) Hal Linsey; C.C. Carlson. The Late Great Planet Earth, Zondervan Pub. House, USA, 1973. Este livro foi um best seller.
(16) John W. White. Re-entry. Foreword by Billy Graham, World Wide Pub., Minneapolis, Zondervan Pub. House, 1971.
(17) John F. Walvoord; John E. Walvoord. Armagedon. Petróleo e Crise do O.M., Editor Vida, Miami, 1975.
(18) Herbert Lockyer, Sr. Apocalipse: O Drama dos Séculos, Ed. Vida, Miami, 1982.
(19) Arthur E. Bloomfield. O Futuro Glorioso do Planeta Terra, Ed. Betânia, Belo Horizonte, 1980; Antes da Última Batalha, Armagedon, Ed. Betânia, Belo Horizonte, 1981.


II.5 - A IMPOSTURA DE MEDJUGORJE. O BISPO LOCAL DESMASCARA A COISA

As trombeteadas aparições de Medjugorje tiveram uma origem no mínimo bizarra: elas foram ao que parece programadas por leaders carismáticos. Foram anunciadas com antecedência em Zagreb por um padre alemão Heribert Mühlen, responsável pelo movimento carismático na Alemanha. Ele disse para o auditório iuguslavo isto: "Deus prepara em vosso país grandes coisas que terão uma profunda influência sobre toda a Europa". Em Maio de 1981 o padre franciscano Tomislav Vlasic, carismático, participava em Roma de sessão de líderes do movimento de renovação carismática e foi objeto de duas profecias: uma irmã, Briege McKenna, o viu profetizando no meio de uma multidão e fontes de água viva vertiam de seu lugar. Algumas semanas depois, em 24 de Junho, começaram as aparições de Medjugorje e logo o Pe. Vlasic estava no local e tornou-se diretor espiritual dos seis videntes. O Pe. Vlasic pertencia a um grupo de franciscanos carismáticos dos quais dois tinham sido expulsos da Ordem e suspensos de ordens (20). Nenhuma revelação particular aceita pela Igreja, as chamadas aparições clássicas como Fátima, tiveram tal característica bizarra. Nunca elas foram anunciadas com antecedência (20). Tal fato sumamente estranho sugere armação. E é o que o bispo Pavao Zanic da Diocese de Mostar à qual pertence Medjugorje, acabou provando após uma sindicância rigorosa dos acontecimentos. Abundaram mentiras dos videntes acobertadas pelo Pe. Vlasic assim como falsas curas constadas pelo Bureau medical de Lourdes (21, 22).

(20) Frère Michel de la Sainte Trinité. Les Messages du Ciel à la Terre. La Contre-Réforme Catholique, N. 215, 1985, p. 5.
(21)______. Rapport de L'Évêque de Mostar au Sujet des Evénements de Medjugorje. La Contre-Réforme Catholique, N. 208, 1985, p. 3.
(22)The Truth about Medjugorje: Bishop Zanic's Latest Statement, Fidelity, South Bend, Indiana, May/1990, p. 16.


Exemplos de mentiras: quando os videntes receberam a nona aparição, disseram que Nossa Senhora teria afirmado que era a última. Isto em 1981. Acontece que após a "última aparição", os "videntes" foram premiados com 1.300 aparições e que pareciam não parar. Depois mentiram: negaram que eles tivessem dito que aquela aparição de 1981 teria sido a última. Mais. Durante as primeiras aparições, os videntes anunciaram que logo, Nossa Senhora enviaria um sinal para confirmar a realidade sobrenatural dos fatos. Sucessivas aparições se realizaram com os videntes afirmando a imediata manifestação do grande sinal. Até hoje nada aconteceu.

O bispo Mons. Pavao Zanic em sua sindicância, constatou contradições e mentiras dos videntes coonestadas pelo procedimento pouco ético do Pe. Vlasic. O bispo de Mostar apresenta vinte razões para acreditar no caráter não sobrenatural das mensagens de Medjugorje. Aliás a visão do céu tipo novela da TV Globo descrita pela principal "vidente" da pantomima e as mensagens compostas de platitudes (23), são suficientes para qualquer pessoa séria não acreditar naquela trapaça carismática.

(23) Giovanni Zanon.  Medjugorje. Nossa Senhora Fala Novamente, Edições Louva-Deus, Rio de Janeiro, 1986.

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