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06/02/2005

Ameaça dos NEOs - Fogo, Trevas, Tsunamis (2)

Fernando M. Gomide

CAPÍTULO I

EM ROTA DE COLISÃO

I.1 - CRATERAS NA LUA EM MARTE E OUTROS CORPOS DO SISTEMA SOLAR. O ESPAÇO É INÓSPITO

Não há pessoa letrada que não conheça fotografias de nossa Lua, onde a superfície da mesma está marcada por multidão de crateras de variados diâmetros. A superfície de nosso satélite natural exibe as cicatrizes decorrentes de choques com outros corpos do espaço interplanetário, cujos diâmetros podem ser de dezenas de metros até mais de mil metros. Ao longo de sua história a Lua foi bombardeada com esses bólidos temíveis que podem ser asteróides como cometas. O mesmo se observa com a superfície do planeta Marte, de seus dois satélites naturais, a superfície de Mercúrio e outros objetos de nosso sistema planetário, como asteróides de grande porte. Tanto o espaço interplanetário quanto o interestelar é altamente inóspito e perigoso. As viagens interestelares das ficções cinematográficas são assás improváveis devido à existência de meteoritos e micrometeoritos, os quais chocando-se com naves interestelares a velocidade de muitos milhares de quilômetros por segundo, explodiriam as mesmas. (1)

 (1) John H. Wolfe. On the Question of Interestelar Travel. The Search for Extraterrestrial Life: Recent Developments. I.A.U.D. Raidel Pub. Co., 1985.


Por exemplo, a nave Enterprise do Cap. Kirk, e assim, o seriado do Startrek teria terminado no primeiro capítulo. (2)

(2) F.M. Gomide. Impacto Histórico e Inteligência Extraterrestre, Ed. Vozes, Petrópolis, 2000, p. 57.


Mas a velocidade de nossa nave espacial, o Planeta Terra, não pode ser afetada por meteoritos e micrometeoritos, visto que, sendo corpos pequenos, em pouco tempo se tornam incandescentes e vaporizam ao penetrarem na atmosfera terrestre: as estrelas cadentes são exatamente meteoritos se consumindo na atmosfera, fruto do aquecimento provocado pelo atrito com a mesma. Mas há os meteoritos maiores, que, porisso, não são inteiramente evaporados e chegam a atingir o solo. Uma vez eu voltava para São José dos Campos durante a noite pela Rodovia dos Trabalhadores, quando repentinamente vi um rastro luminoso azul muito intenso projetar-se no solo a poucos metros da estrada. Pensei: meteorito. Se o objeto tivesse colidido com o meu carro provavelmente não estaria agora relatando o evento. Mas são os asteróides e os cometas, que, sendo objetos de diâmetros variando de dezenas de metros até mais de um quilômetro, oferecem real ameaça para nossa sobrevivência no planeta. As crateras imensas observadas na Lua, no planeta Marte, em Mercúrio, etc, são obviamente atestados de efeitos calamitosos decorrentes de impactos por asteróides e cometas.

I.2 - ASTERÓIDES, COMETAS E OS NEOs

A Terra como planeta do Sistema Solar não deveria também exibir muitas crateras de impactos? Acontece que nossa mansão, diferentemente dos objetos a que me referi antes, é rica em água e atmosfera, além de albergar abundante vida vegetal e animal. A ação da atmosfera e da água tendem a corroer a estrutura lítica das crateras, e, sobretudo a vegetação aliada à vida microscópica, completam o efeito de embelezamento da superfície, o que transparece nas fotografias de nosso planeta obtidas de satélites artificiais. Os pesquisadores contudo, na área da geologia e da paleontologia, têm descoberto vestígios inconfundíveis de antigas crateras produzidas por colisão de asteróides ou cometas. Existe o risco perene de asteróides ou cometas colidirem com a Terra, e, dependendo da massa do objeto e sua velocidade relativa, o resultado poderá ser catastrófico ou cataclísmico. Depois trataremos do cataclisma que aconteceu há 65 milhões de anos atrás.

Os astrônomos sabem que efetivamente existe um risco não desprezível de um encontro não amigável da Terra com algum desses objetos. Os cometas, devido a terem órbitas muito elípticas costumam cruzar a órbita terrestre. Quero lembrar aqui evento astronômico no século XIX.

Cometa descoberto no século XVIII e batizado de Biela, em 1846 seu núcleo foi visto fraturado em duas partes separadas por 2 milhões de quilômetros. Em 1872, segundo cálculos astronômicos, o cometa mostrava estar bem próximo da órbita terrestre. Mas, não foi visto e, em vez, os terráqueos assistirem à mais impressionante chuva de meteoritos de que se teve notícia. Houve quem calculasse 50 mil estrelas cadentes. Em Roma, o astrônomo Pe. Seechi e o Papa Pio IX assistiram o espetáculo do começo da noite até 1 hora da madrugada. O cometa acabou se desintegrando, pois nunca mais foi visto.(3) Se o Biela não se tivesse desintegrado, não poderia uma de suas partes ter colidido com nosso planeta?

(3) Oscar T. Matsuura. Cometas: do Mito à Ciência, Ícone Ed. Ltda, São Paulo, 1985.


O número de cometas parece ser imenso: já no século XVIII se descobriam 1 cometa por ano e essa taxa de descoberta foi subindo para mais de 10 no século passado. O astrônomo holandês Jan Oort propôs em 1950 uma teoria sobre a origem dos cometas. Fazendo uma análise estatística baseada nas diferentes órbitas cometárias, inferiu que esses objetos deveriam provir de uma região do espaço envolvendo o Sistema Solar com distância máxima do Sol de um ano-luz. (3) Essa região passou a ser chamada Nuvem de Oort e seria o berçário desses visitantes de nosso Sistema Planetário Solar. O número dos cometas deve ser extraordinariamente grande, e, como muitos deles aparecem quando menos se espera, evidentemente oferecem uma probabilidade não nula de entrarem em rota de colisão com a Terra.

(3) Oscar T. Matsuura. Cometas: do Mito à Ciência, Ícone Ed. Ltda, São Paulo, 1985.


Quanto aos asteróides, pedras de dimensões respeitáveis de vários metros de diâmetro até mais de mil metros. Esses objetos, muito numerosos, estão especialmente localizados no chamado cinturão de asteróides que fica entre os planetas Marte e Júpiter, e os maiores podem ter diâmetros de 10 km até 100 km. Vários milhares desses maiores objetos são conhecidos e catalogados. Mas, os menores de dezenas de metros a mais de mil metros de diâmetro, são corpos que não figuram de modo geral nos catálogos. Estes corpos celestes de nosso sistema planetário, como os cometas, podem ter trajetórias muito elípticas, e que porisso, cruzam com a órbita de nossa morada. Existem pois perigos que nos rondam constantemente.

Tais perigos astronômicos são os NEOs. NEO é a sigla que vem do inglês: Near Earth Objects, que significa em português Objetos Próximos da Terra. Este fato astronômico têm preocupado cientistas e autoridades governamentais. Fruto disso é a Conferência Internacional promovida pelas Nações Unidas no fim da década de 90 (séc. XX) que reuniu uma plêiade de pesquisadores que apresentaram comunicações científicas publicadas num volume dos Anais de Academia de Ciências de Nova York em 1997. (4)

Parece que a primeira aproximação perigosa conhecida de um NEO se deu no século XVIII. Em 1770 um cometa passou a uma distância da Terra de 3 milhões de quilômetros, o que na ciência astronômica é uma piccola distância. O mesmo objeto teve encontros próximos com Júpiter em 1767 e 1779. (4)

(4) Near-Earth Objects The U.N. International Conference, Ann. N. York Ac. Sci., Vol. 822, 1997.


Segundo David Jewitt da Universidade do Hawaii já foram descobertos na Terra vestígios de centenas de crateras produzidas por impactos, algumas das dimensões de pequenos estados americanos, e, tais crateras, apontam para explosões devastadoras que deveriam ter sido fatais para a vida em escala local a global. (5)

(5) D. Jewitt. Astronomy: Eyes Wide Shut, The Planetary Report, Vol. 20, N. 3, 2000.


A The Planetary Society (Sociedade Planetária) dos Estados Unidos à qual eu pertenço, entidade que congrega astrônomos, astrofísicos e pesquisadores afins, elaborou a partir de 1997, um programa de donativos para a investigação de NEOs. Um dos contemplados foi Paulo Holvorcem da Universidade Estadual de Campinas. Este astrônomo completou em 2000 um telescópio robótico para monitorar NEOs. (6)

(6) Daniel D. Durda. Shoemaker Grants: A Little Money, Lots of NEOs. The Planetary Report, Vol. 20, N. 3, 2000.


Nesse programa de monitoração e pesquisa de NEOs também estão participando astrônomos amadores. (7)

(7) Brian Massden. Amateur Astronomers Answer the Call. The Planetary Report, Vol. 20, N. 3, 2000.


Eles têm sido gratificados ao longo da História com descobertas de corpos celestes. Quero lembrar a façanha do astrônomo amador Palitzsch, fazendeiro residente em Dresden. Em 1758 estavam os astrônomos à espera do retorno do cometa Halley, previsto pelos cálculos do Astronomer Royal Edmond Halley e pelos cálculos mais precisos de Alexis Claude Clairaut (1713-1765): o cometa atingiria o periélio em 12 de março de 1759. Isto foi observado inicialmente por Palitzsch. (3)

(3) Oscar T. Matsuura. Cometas: do Mito à Ciência, Ícone Ed. Ltda, São Paulo, 1985.


I.3 - A EXTINÇÃO EM MASSA NO INTERVALO DO CRETÁCIO PARA O TERCIÁRIO. A ANIQUILAÇÃO DOS DINOSSAUROS

Em 1980 Luís Alvares e seu filho Walter, assim como Frank Asaro e Helen Michel, cientistas americanos, descobriram em Gubbio (Itália), numa fina camada de cal, uma concentração estranhamente alta de Irídio. Pesquisas posteriores em todo o planeta foram confirmando essa anomalia no estrato entre a Era do Cretácio e do Terciário, i.e., há 65 milhões de anos atrás. Ora, o Irídio é elemento abundante em asteróides e cometas. Conclusão a que chegaram os pesquisadores: um asteróide ou cometa de grande porte chocou-se com a Terra nessa época produzindo uma cataclísmica explosão que espalhou por toda a superfície do planeta o Irídio detectado. Essa explosão explicaria o desaparecimento súbito dos dinossauros, que os paleontólogos nunca até então puderam encontrar a causa. (8)

(8) John L. Remo. Development NEO Research: A Chronological Outline (Near-Earth Objects The U.N. International Conference, Ann. N. York Ac. Sci., Vol. 822, 1997)


Em 1990 foi identificada a cratera do local de impacto, abaixo da cidade de Chicxulub na Península de Yucatán. (9) A Sociedade Planetária americana, The Planetary Society, realizou em 1996 uma expedição à região de Belize no México com o escopo de ampliar as pesquisas confirmativas daquele antigo evento tenebroso. Várias comunicações científicas foram apresentadas por diversos pesquisadores no The Planetary Report em 1996. (9) O belo resultado das investigações não deixa mais dúvida sobre a realidade daquele evento há 65 milhões de anos.

(9) Adriana Ocampo. Belize: Rosetta Stone of the K/T Boundary, The Planetary Report, Vol. 16, N. 4, 1996.


Os cientistas David Kring e Daniel Durda recentemente publicaram um artigo muito elucidativo daquele desastre de 65 milhões de anos atrás.10 Esse dramático impacto que representou uma explosão da ordem de 100 milhões de bombas de hidrogênio de 1 megaton, (5) liberou 10 mil bilhões de toneladas de gás carbônico, 100 bilhões de toneladas de monóxido de carbono, 100 bilhões de toneladas de metano, uma quantidade de carbono liberada ao equivalente de 3 mil anos de consumo moderno de combustível fóssil.

(5) D. Jewitt. Astronomy: Eyes Wide Shut, The Planetary Report, Vol. 20, N. 3, 2000.


Além desses gases, os fogos devastadores produziram gases tóxicos como cloro, bromo, estes responsáveis por destruir a camada de ozônio, além de chuvas de ácido nítrico e ácido sulfúrico. Como vemos, a atmosfera se tornou em larga medida irrespirável. A fuligem e a poeira levantada pela explosão e os incêndios deixaram o planeta impermeável à luz solar, ficando provavelmente em trevas durante meses. (10)

(10) D.A. Kring, D.D. Durda. The Day the World Burned, Scientific American, Vol. 289, N. 6, 2003.


Impactos dessa natureza provavelmente determinariam terremotos e erupções vulcânicas em vários lugares do planeta, isto devido às ondas de choque se propagando pelo magma. Assim, regiões de fraturas na crosta, como na Califórnia, seriam abaladas pelas ondas de choque liberando as tensões que provocam terremotos. Também ondas de choque e tufões na atmosfera seriam emergentes.

I.4 - TSUNAMIS. EXEMPLOS DO SÉCULO XIX AO SÉCULO XXI

As ondas de arrebentação em praias, muito apreciadas pelos desportistas do surf, são geralmente modestas: dezenas de metros de comprimento e alturas não excedentes de 4 a 5 metros. Já os tsunamis possuem extensão de quilômetros e alturas que excedem, até de muito, os 5 metros. Como veremos, há dados geológicos que apontam para tsunamis de mais de 300 metros de altura.

Em Agosto de 1883 a explosão do vulcão Krakatoa produziu um tsunami que atingiu Java e Sumatra matando 36 mil pessoas. No Japão em Junho de 1896, um tsunami de mais de 25 metros de altura matou 26 mil pessoas reunidas para um festival religioso. No Chile em 1960 um terremoto gerou tsunamis que viajaram 150 graus (17 mil quilômetros) atingindo o Japão com ondas de até 5 metros de altura e umas duzentas pessoas foram mortas. Já nas ilhas do arquipélago do Hawai a uns 10 mil quilômetros do epicentro, as ondas chegaram a atingir 15 metros de altura.

No século XXI em 26/12/2004, algumas horas após o Natal, um terremoto de 9 graus na escala Richter no fundo do Oceano Índico gerou tsunamis que devastaram e mataram multidões em países da Ásia e até na África. Os países que mais sofreram foram a Índia, o Sri Lanka, Indonésia, Thailândia, Mianmar, Malásia e vários arquipélagos, sendo que na Somália e Quênia várias centenas de mortos foram contabilizados. A catástrofe pode ser considerada a maior do gênero em tempos históricos. Desde domingo dia 26 de dezembro o número de mortos vem crescendo, já que as correntes marinhas vêm todos os dias devolvendo mais cadáveres às praias. Inicialmente logo após o desastre, o noticiário falava de 11 mil mortos. No dia seguinte o número pulava para 20 mil. Quinta feira dia 30 de dezembro, a Cruz Vermelha anunciava que o conjunto de baixas deveria superar 100 mil. E, sete dias após o cataclisma, a lista superava 156 mil mortos. Além das vítimas de morte, esses países oferecem o espetáculo doloroso de mais de 5 milhões de desabrigados e deserdados, sujeitos às epidemias decorrentes da tragédia. Dia 26/01/2005 o noticiário anunciava mais de 280 mil vítimas do maremoto, sem contar os desaparecidos.

Qual seria o resultado de um cometa ou asteróide cair no meio do oceano, como o Pacífico ou o Atlântico? Segundo os estudos de Jack Hills e Charles Mader, um asteróide rochoso com diâmetro de 400 metros que caísse no meio do Atlântico produziria ondas de no mínimo 4 metros de altura nas costas da Europa e da América do Norte, mas as que atingissem o litoral da África e da América do Sul teriam alturas de 40 metros. (11) Sayonara Rio de Janeiro, sayonara Salvador... É de se esperar que objetos de vários quilômetros de diâmetro provoquem tsunamis mais devastadores. Existem testemunhos geológicos a favor de terem existido tsunamis mais aterradores. Por exemplo, no Hawai existem corais em regiões de altitude de centenas de metros acima do nível do mar. Na Ilha de Lanai do arquipélago, os vestígios apontam para tsunamis de pelo menos 326 metros de altura. Um tsunami de altura equivalente aconteceu num fiord do Alaska em tempos históricos. No Texas existem evidências de um tsunami de 50 a 100 metros de altura ao longo da costa após o impacto que matou os dinos. (11)

(11) Jack Hills, Charles Mader. Tsunami Produced by the Impact of Small Asteroids (Near-Earth Objects The U.N. International Conference, Ann. N. York Ac. Sci., Vol. 822, 1997)


I.5 - UM NEO DESCOBERTO EM 1989, O TUTATIS

Na seção de Ciência e Tecnologia da Tribuna da Imprensa do Rio de Janeiro em 30/09/2004, a notícia: "Asteróide passa próximo à Terra".

Trata-se do Tutatis, NEO descoberto pelos astrônomos franceses em 1989, que em 29/09/2004 chegou ao ponto mais próximo de nosso planeta: um milhão e quinhentos e cinqüenta mil quilômetros de distância. Uma distância que em termos astronômicos é uma insignificância. Lembremo-nos que a Lua dista da Terra de uns quatrocentos e sessenta mil quilômetros, o que levou o engenheiro escritor e jornalista Gustavo Corção a chamar nosso satélite natural de subúrbio da Terra.

O Tutatis é um NEO perigosíssimo já que suas dimensões com diâmetros de 4,6 por 2,4 quilômetros (comprimento e largura) e velocidade relativa à Terra de 11 quilômetros por segundo, em eventual choque com nosso planeta poderia produzir um cataclisma de extinção massiva da vida e destruição global incalculável. Provavelmente a tragédia seria menor que aquela da aniquilação dos dinos há 65 milhões de anos, visto que aquele NEO tinha dimensões maiores, i.e., de 10 quilômetros de diâmetro. Seria interessante se os especialistas no assunto fizessem estimativas em computador sobre os efeitos da explosão do impacto do Tutatis em nossa pobre mansão.

RESUMO DO CAPÍTULO I

Efeitos do impacto de cometa ou asteróide de mais de um quilômetro de diâmetro:
1) Tempestade de fogo local e/ou global, ou seja: chuva de dejetos incandescentes oriundos do local do impacto.
2) Terremotos, e/ou erupções vulcânicas.
3) Ondas de choque e tufões arrasadores.
4) Trevas planetárias, podendo durar dias, semanas ou meses.
5) Contaminação da atmosfera com gases tóxicos.
6) Tsunamis.

Veremos no Capítulo III que estes efeitos aparecem nas diversas profecias particulares conhecidas como profecias sobre os Três Dias de Trevas, profecias essas que vieram se multiplicando a partir do século XVIII. Nelas os efeitos mais descritos são as trevas planetárias e a chuva de fogo.

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