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29/09/2011

Tribuna de Petrópolis:
29/09/2011

Resgates petropolitanos

Francisco de Vasconcellos

João Francisco Barcellos foi dos grandes advogados fluminenses, ao lado de tantos outros de igual fama, a montar o seu quartel general aqui em Petrópolis, onde residiu, produziu imensamente e colecionou vasta clientela e inúmeros amigos.

Nasceu na antiga Santa Teresa de Valença, hoje Município de Rio das Flores aos 26 de agosto de 1862.  A 25 de maio de 1928 tombou fulminado por um ataque cardíaco, quando fazia sustentação oral no Tribunal da Relação (hoje de Justiça) em Niterói, à época capital do Estado do Rio de Janeiro.

Fez o Dr. Barcellos curso de humanidades no Colégio Pedro II e, com os preparatórios na mão, ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, onde fez brilhante curso até bacharelar-se em 1885.

Como todo moço de sua época, era abolicionista e republicano.

Radicando-se em Petrópolis, engrossou as fileiras dos que pugnavam pelo fim da Monarquia.  Já na República, durante o governo de José Thomaz da Porciúncula, foi Chefe de Polícia do Estado e Secretário do Interior e Justiça.

Eleito deputado federal não tomou posse de sua cadeira na Câmara, abandonando definitivamente a política.  Nunca ficou suficientemente esclarecida essa súbita decisão.  Homem de caráter forte e incorruptível, alicerçado em sólidos princípios éticos e filosóficos, deve ter experimentado alguma contrariedade para tomar atitude tão radical.

Entregou-se dali em diante de corpo e alma à advocacia, ganhando fama, não só por seus conhecimentos jurídicos e habilidade no desempenho profissional, mas também por sua retidão, pelo espírito de justiça e sobretudo pelo repúdio à chicana, à treita, ao chamado apostolado do embuste.

Foi o defensor intimorato de quantos necessitavam ver amparados os seus direitos, ainda que as causas não rendessem a seu patrono honorários suficientes.  Nesse modelo espelhar-se-ia com certeza Heráclito Fontoura Sobral Pinto.

João Francisco Barcellos foi membro do Conselho Diretor e Presidente do Banco Construtor do Brasil.

João Francisco Barcellos morava à Rua Silva Jardim n° 163 e de lá saiu o cortejo fúnebre com número avultado de pessoas em direção ao Cemitério Municipal.

Ainda nesse mesmo ano de 1928 a Prefeitura Municipal de Petrópolis por sugestão do Dr. Luiz Pessoa Cavalcanti, e de Amadeu Guimarães, Spartaco Banal e Francisco Costa Bastos Filho, todos residentes no Itamaratí, baixou o Ato n° 43 de 26 de outubro, dando o nome de João Francisco Barcellos a um dos logradouros daquele bairro.  Está nas proximidades da antiga fábrica de papel.

Dentre os filhos do falecido destacou-se nesta cidade o Dr. Eugênio Lopes Barcellos (1892/1961) que aqui desenvolveu atividades jurídicas, políticas e literárias.

Formado em Direito em 1914, montou escritório nesta urbe, exercendo a profissão por mais de quarenta anos.

No princípio da década de vinte fundou o jornal “O Século”, de onde comandou o seu grupo político alinhado ao Partido Republicano Fluminense.  Foi Vereador e Presidente da Câmara Municipal.

Foi um dos fundadores da Academia Petropolitana de Letras.

Eugênio Lopes Barcellos possuía uma das maiores e melhores bibliotecas particulares de Petrópolis, constando dela além de obras jurídicas, as que se relacionavam com a melhor Literatura nacional e estrangeira, com a História, com as Artes Plásticas, com as Ciências Humanas.  Ali estavam as provas da excelente formação humanista do filho de João Francisco Barcellos.

Eugênio Lopes Barcellos foi por sua vez sogro de Claudionor de Souza Adão (1917/1993), que aqui nasceu e morreu, com enorme folha de serviços prestados ao município.  Foi advogado da antiga CBEE, depois CERJ; foi figura proeminente no Rotary Clube de Petrópolis; ocupou uma das cadeiras da Academia Petropolitana de Letras e, sócio efetivo do I.H.P., ocupou a presidência do mesmo entre 1987 e 1992.

Foi durante sua profícua gestão que o Instituto Histórico de Petrópolis comemorou o seu cinqüentenário em 1998, ano em que o I.H.P. em parceria com a U.C.P. promoveu aqui o 8° Simpósio de História do Vale do Paraíba, na altura bienalmente organizado pelo Instituto de Estudos Valeparaibanos.

Bela cadeia sucessória vinculando advogados e intelectuais nesta urbe.

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