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26/03/2011

Tribuna de Petrópolis:
26/03/2011

Resgates petropolitanos

Francisco de Vasconcellos

Filipe Faulhaber foi dessas figuras raras de colono petropolitano. Até onde puderam chegar as pesquisas genealógicas, atestam os documentos que Filipe descendia de Alban Faulhaber, que morreu por volta de 1565 na região de Ulm, sul da Alemanha. Nesta cidade nasceu aos 5 de maio de 1580 e faleceu em 1635 o matemático e astrônomo Johannes Faulhaber. Hans Mathaus Faulhaber (1601 / 1683) foi engenheiro e matemático.

O pai de Filipe Faulhaber já nasceu na região do Hessen-Darmstadt. Chamava-se Philipp Heinrich Faulhaber e veio ao mundo em 1812 na aldeia de Gross Winternheim, próxima à margem esquerda do Reno, a leste da cidade de Bingen. Casado com Barbara Neidmann, nascida em 1809, teve sete filhos, dos quais cinco nascidos na Alemanha. Em 1846, com mulher, sogra e filhos pequenos, migrou para o Brasil para instalar-se na recém fundada colônia de Petrópolis. Filipe, o mais velho, tinha na altura 11 anos.

Aqui, F. H. Faulhaber recebeu em aforamento o prazo de terras n.° 2445 do quarteirão Vila Tereza, localizado entre a Estrada Normal da Estrela, atual Rua Tereza e o Rio Palatino, em cuja margem passava a antiga estrada para Minas, correspondente nos dias que correm a um trecho da Rua Dr. Sá Earp.

Neste prazo estabeleceu-se como fabricante de carruagens e seges, pois era carpinteiro de profissão. Foi membro atuante da comunidade evangélica de Petrópolis. Vítima de um ataque cardíaco faleceu aqui a 9 de março de 1857. Em 12 de abril de 1866 findava seus dias sua mulher Barbara.

Nascido na mesma aldeia paterna aos 15 de setembro de 1835, Filipe, após a morte do pai assumiu a direção da fábrica de seges, mantendo-a próspera até o fim de sua existência.

Foi testemunha da evolução de Petrópolis, participando ativamente de seu progresso econômico, social e político.

Foi decano dos comerciantes e industriais da cidade; foi um dos fundadores do extinto clube Cecilie Verein e do Deutscher Saengerbund Eintracht, que depois da segunda guerra passou a atender por Coral Concórdia; como figura de prôa da comunidade evangélica foi um dos responsáveis pela construção da torre do tradicional templo da Avenida Ipiranga.

Filipe Faulhaber não ficou alheio à vida político-administrativa desta urbe. A 14 de outubro de 1894 foi eleito pelo voto popular Juiz de Paz, integrando assim a Assembléia Municipal que deveria cumprir o segundo triênio da República em Petrópolis. Em 1897 reelegeu-se para o mesmo cargo e de 1901 a 1909, durante três triênios, foi Vereador à Câmara Municipal.

Em 1904 Filipe Faulhaber fez doação à Biblioteca Municipal petropolitana das coleções do jornal “O Parahyba” que aqui circulou entre 1857 e 1859.

Em 1909 viajou à Alemanha em busca da velha casa paterna. Encontrou-a intacta. Nela hospedou-se e ali comemorou numa festa por ele patrocinada os seus 74 anos. O fato foi documentado numa foto integrante do arquivo de Luis da Silva Oliveira, seu sobrinho-neto.

Pouco antes de completar 88 anos, aos 19 de julho de 1923, morreu Filipe Faulhaber cercado do respeito e do carinho de sua dedicada família e dos amigos de fé.

Antes de morrer mandou gravar em alemão, numa lápide, o seguinte epitáfio: “Aqui jaz em repouso um trabalhador cansado”. Esta peça de inestimável valor lamentavelmente desapareceu do Cemitério Municipal.

Homem prático, objetivo, simples, viveu Faulhaber na austeridade profissional, familiar e religiosa, com algumas liberalidades reveladoras de sua fina sensibilidade de espírito, que alguns fatos são capazes de ilustrar. Reconhecido à obra de Julio Frederico Koeler nestas serras, tornou-se laborioso integrante da comissão que angariava fundos para erigir monumento em homenagem ao Major de Engenheiros cofundador da cidade. Infelizmente essa comissão não logrou colimar seus objetivos, e, o monumento a Koeler só raiou em praça pública nos anos cinqüenta do século xx.

Luis da Silva Oliveira que foi membro do Instituto Histórico de Petrópolis e que aqui viveu por longos anos, tinha imenso orgulho do seu parentesco com essa invulgar figura de colono alemão.

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