Instituto Histórico de Petrópolis
 24/09/1938
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31/07/2000
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digitação utilizada para inclusão no site:
16/12/2011

Grande Hotel - Petrópolis - (Parte 1/5) (parte 2/5, 3/5, 4/5, 5/5)

Elizabeth Maller

O Objetivo deste trabalho é registrar o processo de revitalização do Grande Hotel Petrópolis, narrando a trajetória de vida de dois grandes empreendedores que contribuíram, cada um a seu tempo, para o progresso de nossa cidade.

No auge da Belle Époque, o prédio do Grande Hotel trouxe charme e glamour à Petrópolis dos anos 30, com seus salões requintados e instalações modernas em seu estilo eclético, provocou frisson e mudou a paisagem da então Avenida XV de Novembro.

O ano de 1930 marcava o início da era Vargas, o país começava um novo ciclo, que mudaria a rotina e a vida dos brasileiros

A queda da bolsa de New York mudava o perfil daqueles que buscavam o exterior como destino turístico e as viagens pelo interior do Brasil tornaram-se mais atrativas devido às boas condições das estradas de rodagem.

Petrópolis, já famosa desde o tempo do Império por suas belezas naturais e clima agradável, passou a ser freqüentada por um número cada vez maior de visitantes, que buscavam melhores instalações e que, por falta de hospedagem, recorriam aos hospitais, que na época ofereciam bons serviços e os preços eram atrativos.

A idéia de construir um hotel, que oferecesse a seus hóspedes acomodações de alta qualidade, agregando lazer, motivou o Coronel Jeronymo Ferreira Alves, homem de posses e visão de empreendedor, a mandar construir no coração da então Avenida XV de Novembro um hotel, que batizou com o nome de “Grande Hotel”.

O Coronel Jeronymo Ferreira Alves nasceu em São Martinho do Val, Conselho de Vila Nova de Famalicão, Portugal. Chegou ao Brasil com 14 anos de idade em 28.10.1888, vindo para Corrêas, onde morou e trabalhou como caixeiro do estabelecimento do tio chamado Jeronymo de Oliveira.

Mudou-se para Itaipava em 1902, onde se estabeleceu e abriu um armazém próprio, casando-se com D. Margarida Carlos, com quem teve nove filhos: Noêmia, Zaida, Dario, Cármen, Iveta, Narim, Edir, Eda e Jeronymo.


D. Margarida Carlos e Jeronymo Ferreira Alves - 1941
(Acervo da família)

O Grande Hotel, projetado para proporcionar o que havia de melhor a seus hospedes, teve como responsável pela construção o respeitável Sr. Francisco de Carolis, que não mediu esforços na execução de seu projeto.

O Hotel era o único prédio da cidade que possuía um elevador, que atendia a todos os andares, telefone, escadarias marmóreas, decoradas com ladrilhos hidráulicos, como também, banheiro a cada dois quartos. Cozinha internacional, um serviço de quarto exemplar, era um luxo! Grandioso como próprio nome.

As damas da sociedade petropolitana costumavam se reunir nos salões do Grande Hotel para o chá das cinco, enquanto os cavalheiros saboreavam um brandy acompanhados de charutos cubanos.

O Grande Hotel foi arrendado à firma dos Srs. Balbis & Irmão Ltda. pelo aluguer mensal de 8.000$000 (oito contos de reis).

A inauguração, do Grande Hotel, foi noticiada nos jornais locais como sendo uma das mais grandiosas e promessa de alavancar o progresso da cidade.

As perspectivas criadas em torno do Grande Hotel, fazia crescer as expectativas da população que estava desempregada, e que acreditava que o Grande Hotel oferecia-lhes a possibilidade de sair daquela condição.

Em meio às notícias acerca das conquistas dos trabalhadores através da criação da CLT, o perfil do brasileiro mudou, proporcionando àqueles que possuíam poucos recursos a possibilidade enfim de viajar, conhecer novos destinos.

Petrópolis, que no tempo do Império, foi sede da capital durante vários meses, pois o Imperador D. Pedro II e sua corte se instalavam em seu palacete de verão, hoje Museu Imperial, para passar aqui o verão.

No dia 14 de dezembro de 1930, dia da inauguração do “Grande Hotel”, a Tribuna de Petrópolis, noticiava, na coluna do trabalhador, que Lindolfo Collor, suspendia provisoriamente a entrada de imigrantes no país, objetivando com essa medida, defender o operariado agrícola e urbano do País do desemprego.

Essa notícia trouxe preocupação, pois muitas de nossas fábricas possuíam mão de obra estrangeira, principalmente a italiana, fato que preocupou também os empresários acostumados a recrutar esse tipo de mão de obra.

O cenário político estava em pleno movimento, anunciando para as 16h00min um comício na Praça D. Pedro, em prol da campanha do Dr. Sá Earp, e, em meio a esse cenário acontecia o concurso da Rainha dos Empregados do Comércio, através de voto popular, a partir do preenchimento de um cupom publicado na edição do mesmo dia.

Petrópolis era uma cidade muito movimentada, e o comércio era bem variado. A Confeitaria D'Angelo, famosa por seus doces finos, a Casa Fonseca, especializada em artigos de vestuário, a Padaria Sul Americana, o Salão Cosmopolita, especializado em beleza feminina, o Mercado Municipal, dentre outros.

Havia também várias salas de cinema, o Capitólio, de propriedade da firma do Coronel Jeronymo Ferreira Alves, o Cinema Petrópolis, o Santa Cecília, o Glória, que projetavam em suas telas sucessos internacionais.

O Jornal de Petrópolis estampava na primeira página da edição do dia 14 o orçamento para 1931 e também noticiava a moratória dos bancos.
 

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