Ensaio entregue pelo autor a 20/01/2006 para inclusão no site, dividido em partes conforme melhor fosse.

PETRÓPOLIS - A SAGA DE UM CAMINHO (20)
Gênese e Evolução do Território Petropolitano

Carlos Oliveira Fróes

Capítulo 21

Epílogo

Exatamente no final da Década de 50 do Século XIX, com a implantação formal e plena do Governo Municipal, foram desfeitos os últimos laços que Petrópolis ainda mantinha com a Imperial Colônia.

Não mais podendo obter qualquer ajuda especial, a Câmara Petropolitana estava ciente de que só poderia contar com os parcos recursos orçamentários provinciais, sem quaisquer privilégios ou benesses.

Mas o legado da Colônia era pródigo.

Restara uma Cidade pronta, habitada por um povo ordeiro, determinado, empreendedor e, potencialmente, apto a constituir mão-de-obra da melhor qualidade para atendimento de todas as necessidades que uma Subdivisão Provincial do Império pudesse carecer.

Além disso, em decorrência das proveitosas interações no âmbito da "Segunda Corte" e das especificidades do Período Colonial Petropolitano, aglutinara-se no local uma plêiade de cidadãos competentes - políticos, homens públicos, empresários, profissionais das mais diversas naturezas - contingente esse de inestimável valor para a formação de uma elite municipal.

Os processos de implantação dos setores de Urbanização, Construção Civil, Comércio, Indústria e Agropecuária de Subsistência - urbana e rural - já eram uma realidade que, em muitos casos, superava a de outras Cidades bem mais antigas do Império.

O mesmo ocorria quanto a Instrução, Turismo, Lazer, Imprensa, Artes e Cultura, sendo que nos casos da Instrução e do Turismo eram atingidos patamares mais elevados.

Importante é salientar que, justamente, os embriões gerados na Imperial Colônia tornar-se-iam os mais fortes fatores condicionantes do desenvolvimento cultural que, durante o restante do Período Imperial, iria crescer gradualmente, dentro do processo de evolução natural da florescente Petrópolis, fenômeno esse que se estenderia pelo Período Republicano.

Na sua expressão territorial, a municipalização intempestiva de Petrópolis não acarretou - como acontecia freqüentemente - a inclusão de áreas não identificadas aos antecedentes locais, que eram selecionadas aleatoriamente pela Administração visando, apenas, à formação de uma jurisdição mais consistente.

Com base nos argumentos que apresentamos neste Ensaio, podemos constatar que, desde os primórdios, todas as áreas definidas em 1857 como o termo do Município de Petrópolis e as demais que foram a ele incorporadas, gozavam de uma flagrante identidade comum, espontaneamente desenvolvida na "Micro-Região Serra-Acima de Inhomirim" - por nós conjecturada como "Território Pré-Colonial Petropolitano" {TPCP) - onde surgiu a "Colônia de Alemães de Petrópolis".

E era muito forte o vínculo que essas terras mantinham com o vetusto Atalho do Caminho Novo, já totalmente rejuvenescido nessa fase, como uma "estrada moderna".

Conclui-se que a estruturação da "Povoação-Colônia de Petrópolis", apesar de planejada para outra finalidade, tornar-se-ia ideal para sua adaptação em forma de "uma Villa ou Cidade do Império". E no momento em que ocorreu a emancipação, não foram necessárias tarefas contingenciais para suprir lacunas em setores que, porventura, tivessem existido no processo de formação.

Até então, nenhuma outra Povoação do Império havia criado, em tão curto espaço de tempo, as condições indispensáveis para atingir o patamar que foi alcançado.

Tampouco, qualquer outra Colônia do País atingira, ou atingiria, com tanta rapidez e eficiência a consolidação das metas fixadas, mesmo considerando-se a diferença capital entre a "meta, inequivocamente, planejada como industriosa para a Imperial Colônia de Petrópolis" e a "meta, preponderantemente agrícola, fixada para as demais congêneres do Brasil".

Jamais devemos esquecer que a "Política Imperial para as Colônias de Estrangeiros", acabara de ser reajustada, a fim de atender à nova conjuntura prevista para a segunda metade do Século XIX, a qual, buscando reforçar os seus objetivos originais, visava a incrementar com maior intensidade o povoamento nas Províncias e a concretização da oferta de uma força de trabalho livre e mais capacitada, o que seria imprescindível para assegurar o progresso do Brasil.

Sem dúvida alguma, o que ocorreu em relação à Colônia de Petrópolis foi um fenômeno extraordinário.

Aliás, em todos os sentidos, Petrópolis foi - tanto no que se referia à Colônia, quanto ao processo de povoamento induzido - um empreendimento extremamente bem sucedido.

Antes de darmos por encerrado o presente trabalho, desejamos enfatizar três pontos fundamentais.

Primeiramente, manifestamos que o propósito deste Ensaio foi oferecer uma base concreta, seqüencial e didática, visando a incentivar e viabilizar o aprofundamento e a abrangência dos fundamentos da Historiografia Petropolitana.

Em seguida, desejamos consignar que consideramos a Colônia - Imperial Colônia de Petrópolis - como o fator capital da formação de Petrópolis, cujo período efetivo ocorreu de 1843 até o final da Década de 50, com a participação primordial de colonos germânicos e outros imigrantes brasileiros ou portugueses, além de uma importante contribuição - se bem que mais discreta - de estrangeiros de outras origens.

Finalmente, queremos deixar bem claro que a atitude de SMI D. Pedro II em face da emancipação de Petrópolis, ao contrário do que muitos esperavam, foi compreensiva e serena.

Como não poderia deixar de ser, o "Magnânimo Monarca" continuou prestigiando aquele pedaço de terra serrana que, sutilmente, instituíra como Povoação.

No Imperial Palácio de Verão, SMI continuaria promovendo as suas freqüentes e prolongadas temporadas de veraneio ou de refúgio, fazendo com que Petrópolis fosse se consolidando, pouco a pouco, como aquilo que, no seu dizer, seria a "Segunda Corte".

Porém, no nosso entender, a maior dádiva que SMI D.Pedro II legou a Petrópolis resultou da rígida política de ocupação racional das suas terras petropolitanas, instituída e controlada pela Imperial Fazenda de Petrópolis e, nos dias de hoje, milagrosamente mantida por sua sucessora, a Companhia Imobiliária de Petrópolis.

Apesar de uma série de crimes ambientais que foram e vêm sendo cometidos, é indiscutível que, dentre as cidades serranas fluminenses, Petrópolis mantém o maior percentual de áreas verdes urbanas, o que confere aos petropolitanos o privilégio de poderem vangloriar-se que "de qualquer janela da Cidade, ainda se pode divisar um pedaço de Mata Atlântica".

E isso começou com a vontade do, então jovem, Imperador, da astúcia do Mordomo Paulo Barbosa da Silva, do senso político-administrativo de Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho e da competência, criatividade e dedicação do Major-ICE Julio Frederico Koeler.

À memória de Koeler - o organizador da Imperial Fazenda de Petrópolis, autor do Plano de Colonização que codificou e, até hoje, continua disciplinando o uso mais racional das terras petropolitanas - prestamos uma homenagem especial.

Ao encerrar, manifestamos que a "Gênese e Evolução do Território Petropolitano" - metaforicamente sintetizada por nós, como "Petrópolis, a Saga de um Caminho" - é apenas o começo de uma ciclópica, mas imprescindível tarefa.

Petrópolis merece ter sua Memória Histórica minuciosamente deslindada, fiel e ordenadamente elaborada, publicada e amplamente divulgada, conforme exigido pelas legítimas tradições desta privilegiada terra.

Entendemos ter sido esta a única forma de colocar à disposição de todos os interessados em assuntos históricos petropolitanos e, principalmente, dos professores e jovens estudantes, uma versão realista, abrangente, coerente e acessível, no que tange aos atos, fatos e episódios que foram, inexoravelmente armazenados ao longo dos tempos, nas mais recônditas fontes da Memória Petropolitana, sabendo-se que ainda há muita coisa para ser integralmente recuperada.

Sentir-nos-íamos extremamente gratificados caso, algum dia, esta nossa despretensiosa tentativa de resgatar a memória relativa ao "Período Pré-Colonial Petropolitano" e ao "Período Colonial Petropolitano" possa servir de base e estímulo a outros pesquisadores e historiógrafos que, aceitando tal desafio, se proponham a descrever a evolução que se processou no "Período Municipal Petropolitano do Império" e no "Período Municipal Petropolitano da República".

Entendemos que essa seria uma forma de reduzir - um pouco mais ainda - a imensa lacuna que se pode constatar nas prateleiras das bibliotecas de nossa Cidade e nas demais do País, qual seja a inexistência de uma obra específica e abrangente sobre a "História de Petrópolis".

Acho que decifrei as pistas deixadas por meu pai em suas "Efemérides Petropolitanas", que sem qualquer sombra de dúvida me iluminaram para consecução da primeira parte desta - como citei há pouco - ciclópica tarefa.

FIM

Serão ainda incluídos o Anexo 1 e as Fontes consultadas.

topo da página

índice de trabalhos

índice de autores