Ensaio entregue pelo autor a 20/01/2006 para inclusão no site, dividido em partes conforme melhor fosse.

PETRÓPOLIS - A SAGA DE UM CAMINHO (15)
Gênese e Evolução do Território Petropolitano

Carlos Oliveira Fróes

Capítulo 16

Fase Albino de Carvalho

Síntese da Gestão - No mês de abril de 1853 o Tenente Coronel-ICE Alexandre Manoel Albino de Carvalho assumiu o cargo unificado de Diretor da Imperial Colônia de Petrópolis e das Obras da Estrada Normal da Estrella, posto esse que ocuparia por, pouco menos, de dois anos.

E, no dizer do Dr. Alcindo Sodré, foi um "dos Diretores da Colônia de Petrópolis que mais se distinguiram pelo brilho de sua administração".

Albino de Carvalho não foi apenas um bom administrador na acepção técnica da palavra.

Dotado de um acurado senso político, ele trouxe à baila, com grande proficiência, uma delicada questão que poucos teriam coragem de levantar. Tornou-se, assim, a primeira autoridade a se pronunciar explicitamente a favor da necessidade da Povoação de Petrópolis começar a se preparar para abrigar uma Sede Municipal.

Sabia, ele, que a Villa de Estrella, ante a construção da Estrada de Ferro de Petrópolis, entraria num rápido processo de declínio, ao contrário do seu Distrito Serrano que crescia a olhos vistos e, até mesmo, já a superava.

Albino de Carvalho não ficou apenas nas conjecturas.

Nos seus Relatórios Anuais de 1853 e 1854, mostrou que a estrutura administrativa de Petrópolis não era a ideal, sugerindo uma alteração radical da mesma, como ação preparatória de "um inevitável processo de emancipação como Município Cabeça de Comarca". Compreendia perfeitamente que o "caso de Petrópolis" não era nada comum, pois se tratava de uma Colônia instalada numa Povoação, ambas em fase de formação e franco desenvolvimento.

Inclusive alertou sobre a necessidade de reservar, quanto antes, as áreas para os futuros prédios municipais e selecionou o "Largo da Imperatriz" como o local ideal para implantar a "Praça Municipal".

Nesse logradouro, estava prevista a instalação do terminal do "Sistema Público de Abastecimento de Água de Petrópolis", onde seria instalado um simples "chafariz ou bica". Valendo-se dessa oportunidade e visando a dar maior solenidade ao seu plano, mandou projetar, para o centro daquela área, uma estrutura de granito, destinada à instalação de um artístico chafariz - "uma elegante bacia de mármore montada sob pedestal" - elemento esse que foi encomendado na Itália.

Mister se faz ressaltar que o então Presidente da Província, Luiz Antonio Barbosa, concordando com as idéias de Albino de Carvalho, as reproduziu em seus respectivos Relatórios Anuais.

Outro problema estrutural da Povoação era que a Freguesia de São Pedro de Alcântara, apesar de ter sido criada em 1846, ainda não saíra do papel. Até então, ela não pudera ser homologada "em Natureza Colativa", devido à inexistência de uma Igreja-Sede Paroquial, a qual, no dizer de Frei Cândido Spannagel, OFM, era "o ponto central de uma Paróquia, o símbolo da unidade espiritual e da estruturação sobrenatural da Freguesia". Na realidade, Petrópolis sediava apenas um Curato, que, criado em 1844, somente passou a dispor de uma Capella Curada em 8.X.1848.

Em paralelo à sua ação de "preparar a estruturação do Poder Civil", também deu partida à montagem da "base do Poder Eclesial da Povoação". Para isso, empenhou-se na criação da "Irmandade do Santíssimo Sacramento da Freguesia de São Pedro de Alcântara", instituição essa indispensável à execução de tarefas essenciais, tais como a seleção dos Juizes de Paz e membros das Juntas de Qualificação, bem como a Condução do Processo Eleitoral Local e outras funções inerentes a um Distrito da Villa de Estrella, ou seja, a Povoação de Petrópolis.

Nessa fase, o empresário Irineu Evangelista de Souza - já nobilitado com o título de Barão de Mauá - consolidou sua presença em Petrópolis, mandando construir um belo prédio residencial junto à Praça de Coblenz, na esquina das Ruas de Nassau e da Westphallia. Os trechos da Estrada de Ferro de Petrópolis já estavam chegando à Raiz da Serra e ele iniciava os trabalhos para terminar a construção da Ponte de Parahyba do Sul.

É oportuno ressaltar que, para supervisão dessa obras, Mauá contratara o Major-ICE Amaro Emilio da Veiga e montou o Escritório de sua Empresa no prédio de esquina da Praça Municipal, construído pelo Comendador Câmara no Prazo 126 da IFP.

Mister se faz acentuar que o Barão de Mauá, além de ter sido o autor de um vasto elenco de ousadas realizações e o introdutor, no Império, da mais atualizada tecnologia de transportes e mecânica pesada, tinha desenvolvido idéias políticas bastante avançadas.

Não se pode precisar até que ponto ele teria exercido uma influência direta sobre Albino de Carvalho, quanto aos ideais da emancipação petropolitana. Mas, é insofismável a sua ação, nesse sentido, sobre Emílio da Veiga, inclusive quanto à sua participação na política local e provincial, conjecturas essas perfeitamente cabíveis.

Albino de Carvalho reestruturou a política interna de todos os setores de sua gestão.

Com vistas ao setor administrativo ele citou alguns pontos de conflito entre as obras a cargo da Diretoria da Colônia e as da Superintendência, salientando que a responsabilidade para aplicação e controle de todas as posturas baixadas para execução do Imperial Decreto Nº 155 de 16.III.1843 deveria ser transferida para sua Diretoria. E, como solução provisória, sugeriu a reunificação dos supracitados órgãos.

Deu, ainda, grande prioridade à solução dos problemas pertinentes aos setores de assistência e prestação de serviços públicos básicos da comunidade local. Como veremos nos tópicos específicos, ele levantou os problemas, obteve apoio necessário por parte do Governo Provincial e solucionou alguns deles. E deixou bem encaminhadas as tarefas que não pôde concluir.

Porém, Albino de Carvalho apresentou problemas de saúde que o levaram a um longo afastamento durante o período de 12 de abril a 24 de agosto de 1844. O Coronel-ICE Joaquim Cândido Guillobel respondeu pela Direção da Colônia de 20 de abril até 16 de junho e o Dr. Thomaz José de Porciúncula respondeu de 16 de junho até o retorno do titular.

Foi especulado que o afastamento de Albino de Carvalho seria uma decisão unilateral por parte do Governo Provincial. Porém havia fortes razões mais fortes para acreditar que sua precária condição de saúde - agravada pelos tão desagradáveis últimos acontecimentos - teria motivado seu pedido de dispensa definitiva dos cargos que ocupava.

O Presidente da Província baixou sua exoneração através da Portaria de 27.III.1855. Em outra Portaria, baixada na mesma data, foi nomeado para substituí-lo o Capitão-ICE José Maria Jacyntho Rebello que, naquele momento, estava ocupando o cargo de Superintendente da Imperial Fazenda de Petrópolis. Cabe salientar que Albino de Carvalho assinou o Relatório Anual de sua gestão, referente ao Exercício de 1854, em 28.IV.1855, isto é, no dia seguinte ao de sua exoneração e só efetivou a passagem do cargo a seu substituto em 16 de abril do ano em curso.

Assistência Religiosa - A 12.I.1854, o recém-chegado Pastor Alemão Jacob Daniel Hoffmann, assumiu as funções de "Cura dos Colonos Evangélicos Germânicos de Petrópolis", ficando assim preenchida uma lacuna que perdurava há mais de um ano, desde o falecimento do Pastor Lippold. Até o final desta fase, o culto evangélico, lamentavelmente, continuaria sendo praticado provisoriamente nas precárias instalações do Quartel da Diretoria da Colônia.

Pouco depois - em 9.I.1854 - o Padre alemão Theodor Wiedemann assumiu as funções de "Cura dos Colonos Germânicos Católicos" que vinham sendo exercidas, interinamente, pelo Coadjutor da Paróquia, Pe. Nicolau Germain. De início, o Pe Wiedmann causou boa impressão. Porém, aos poucos, foi se revelando extremamente autoritário e radical.

Não aceitava, de forma alguma a "postura ecumênica, responsável, até então, pela existência de uma boa convivência entre os católicos e os evangélicos locais" e, rapidamente, essa harmonia começou a se deteriorar, dando ensejo ao confronto entre os subgrupos mais radicais, até chegar a uma ponto bastante crítico.

A 1.XII.1854 faleceu o Pe. Luiz Gonçalves Dias Correa da Silva Goulão que exercia cargo de Vigário Geral da Vara Eclesial da Freguesia de São José do Rio Preto, cumulativamente com o de Vigário da Freguesia de São Pedro de Alcântara, e, para ocupar esses postos, foi designado o Pe. Antonio José de Mello.

Valendo-se dessa oportunidade, Albino de Carvalho mandou efetuar os reparos necessários na Capella da Imperial Fazenda de Petrópolis, situada na Rua da Imperatriz, e determinou a elaboração de um projeto para readaptação desta modesta igreja em Sede Paroquial Provisória.

Mister se faz assinalar que, até então, o Pe. Luiz vinha exercendo a função Vigário de forma artificial, pois, sem dispor de uma Igreja-Sede Paroquial, seria impossível assumi-la efetivamente.

Com grandes responsabilidades em São José do Rio Preto, contentava-se em atender - oficiosa e precariamente em sua particular e não homologada Capella de N. Sra. da Conceição da Samambaia - a seus "fregueses petropolitanos residentes no território extra-colonial", tarefa essa que, obviamente, não poderia ser continuada pelo Pe. Antonio Mello. Na área da Colônia tal atendimento era feito pelo Coadjutor da Freguesia, o Pe. Nicolau Germain.

O novo Vigário passou a atuar mais efetivamente em toda a área de sua jurisdição e manteve o Pe. Nicolau Germain na função de Coadjutor da Freguesia, definindo bem suas atribuições, em relação àquelas do "Cura dos Colonos Germânicos". E, conseqüentemente, o Pe. Wiedmann foi dispensado da função de Cura e designado "Capelão dos Colonos Católicos". Mas esse inflexível sacerdote não aceitou tal situação como decorrência de uma nova conjuntura.

Desde cedo, ele entrara em confronto com a Diretoria da Colônia e com a "estrutura eclesial petropolitana". Ficou patente que não tinha noção do significado técnico da função "Cura" - isto é, o responsável pela Capella Curada da Imperial Fazenda de Petrópolis para a qual fora designado por Ato Diocesano independentemente do Contrato que assinara, para prestar assistência aos "colonos germânicos católicos de Petrópolis".

Face à incontornável situação reinante, o Diretor da Colônia solicitou a exoneração desse problemático Padre e a rescisão do seu contrato para atuar no Brasil. A dispensa do Pe. Wiedmann foi baixada pela Provisão Episcopal de 18.III.1855.

Mesmo exonerado, o Pe. Wiedemann continuou atuando, com mais vigor ainda, desafiando o Vigário Pe. Mello e o Diretor Albino de Carvalho, colocando a Colônia na beira de um conflito.

Tais divergências culminaram com um "motim desfechado em 26.III.1855 pelos seguidores do Pe. Wiedemann", o qual foi contido no dia seguinte pelo Destacamento Policial Local, devidamente suplementado por um Reforço Militar procedente da Imperial Fábrica de Pólvora da Estrella e outro da Guarda Nacional de Villa da Estrella.

Abrindo um parêntese, informamos que esse inusitado episódio foi minuciosamente citado no tópico "O Motim dos Colonos", constante da Conferência "O Caráter Petropolitano", proferida no IHP, em 1957, pelo historiógrafo Gabriel Kopke Fróes (1). Outra contribuição valiosa foi prestada pelo historiógrafo Antônio Eugenio Taulois, através da Palestra intitulada "A Rebelião dos Colonos Germânicos do Quarteirão Mosella", proferida na Sessão de 13.IX.2005 do IHP, constituída por uma interessante e oportuna "análise personológica" sobre o Pe. Wiedemann.

(1) - Conferência publicada nas edições de 4.III e 8.V.1958 do Jornal de Petrópolis.


Cumpre esclarecer que o referido Padre era visto pelos colonos católicos mais radicais como um verdadeiro líder espiritual e comunitário. Era também considerado como uma pessoa bastante culta e preparada que lutava por melhores condições para os Colonos de Petrópolis. É inegável que se tornara um grande incentivador da Sociedade de Indústria e Agricultura de Petrópolis - fundada em 16.XII.1853 pelos colonos Julio Anders, Frederico Damke e Carlos Spangenberg - a qual era destinada a fomentar e racionalizar a industrialização e a agricultura seletiva locais. Em contrapartida, ele atraía a antipatia dos "colonos e extra-colonos não alinhados às suas radicais posturas", principalmente por parte dos colonos evangélicos e da Administração Local.

Assistência Médico-Hospitalar - Duas importantes medidas do Governo Provincial foram tomadas em relação ao Hospital e Casa de Caridade de Petrópolis.

Pela Portaria de 16.I.1854 Albino de Carvalho recebeu autorização para escolher um terreno e mandar elaborar um projeto para edificação de um novo Hospital.

E pela Portaria de 16.II.1854 a consignação anual do Hospital e Casa de Caridade de Petrópolis foi elevada para 9:600$000.

Nos esforços para melhoria da assistência de saúde da Povoação de Petrópolis, Albino de Carvalho contou com o Dr.Thomaz José de Porciúncula, recém-empossado na Chefia do Hospital, a 6.V.1853.

O Dr. Porciúncula, dinâmico e exigente, não se conformou, desde o início, com as precárias instalações que dispunha para prestação da Assistência Médico-Hospitalar à população local, não só da Colônia, mas de toda a Freguesia. Nos relatórios que encaminhou ao Diretor da Imperial Colônia, ele demonstrou que somente um novo Hospital poderia solucionar o problema. Quando Albino de Carvalho afastou-se temporariamente para tratamento de saúde, o Dr. Porciúncula, na qualidade de substituto eventual do Diretor, iniciou a construção de um novo prédio no terreno dos Quartéis de Bragança. Ao repassar o cargo ao titular, as fundações do novo prédio já estavam concluídas e uma parte da estrutura de madeira já estava levantada. Albino de Carvalho mandou interromper a construção alegando que esta não seria uma solução adequada quanto à localização numa área já bastante povoada, com a agravante do terreno ser propriedade da Imperial Fazenda. Consta que a referida obra prosseguiu, porém foi replanejada. No local foi construída uma residência para o Médico do Hospital, fato esse que gerou interpretações fantasiosas, levando historiógrafos a imaginar que "o Hospital teria mudado para outro local, onde o Dr. Porciúncula estava construindo sua residência particular".

Afirmamos que, até o momento em pauta, sem sombra de dúvida, o Hospital permanecera no mesmo local onde Koeler o instalou, nos Quartéis de Bragança.

Assistência Social - Continuou em dia a "escrituração" de Caixa de Socorro, sendo mantido um pequeno saldo positivo.

Instrução - Durante a gestão Albino de Carvalho não foram registradas grandes realizações nesse setor. Porém no seu Relatório de 1854 ele levantou uma séria questão, alertando para a inconveniência das prioridades que estavam sendo dadas à "instrução colonial em alemão", o que, no seu entender, iria ser um entrave para uma desejável nacionalização dos colonos. Estas suas críticas foram reiteradas no seu Relatório de 1855.

Nessa fase registrou-se o fechamento de uma das seis escolas públicas, permanecendo três delas para a instrução pública em alemão e duas para instrução pública nacional.

O "Collégio Kopke" e o "Collégio Callógeras" (2), para meninos, e o "Collégio de Madame Diemer", para meninas, continuaram em franco desenvolvimento.

(2) - Sob tais títulos foram consagrados estes dois notáveis estabelecimentos de ensino.


Destinado à instrução primária particular para meninos, foi fundado o modesto "Collégio do Professor Jacyntho Augusto de Mattos".

Quarteirões e Caminhos Coloniais - Algumas alterações começaram a se manifestar, nessa fase, em relação à forma de ocupação dos Quarteirões - principalmente os mais próximos à Villa Imperial e à Villa Thereza - os quais, pouco a pouco, deixavam de ser apenas ocupados pelos colonos germânicos.

E, conseqüentemente, a implementação urbana da Povoação, extrapolando dos seus limites em direção aos Quarteirões adjacentes, exigiu que certos Caminhos Coloniais fossem transformados em ruas, como ocorreu nos seguintes casos:

o trecho inicial do Caminho Colonial de Nassau - Praça de Nassau ao Rio Piabanha - deu lugar à Rua de Monte Caseros e seu segmento subseqüente - ao longo do Piabanha até a Praça de Coblenz - deu lugar à Rua de Nassau;

o Caminho Colonial da Westphallia deu lugar à Rua da Westphallia;

o Caminho Colonial do Palatinato Inferior deu lugar à Rua do Palatinato; e

o trecho da Estrada Normal entre o Marco dos Sete Caminhos e o Alto do Quissamã deu lugar à Rua dos Mineiros.

Em decorrência desse mesmo fenômeno, estava em franco andamento o estabelecimento de Caminhos de Interligação de Quarteirões, tendo sido iniciadas as aberturas das interligações da Rua Joinville com o Quarteirão Princesa Imperial e do Quarteirão Suisso com o Quarteirão Palatinato Inferior.

Implementação Urbana - Até então, as três últimas Diretorias da Imperial Colônia de Petrópolis haviam promovido a extremamente rápida edificação da quase totalidade dos elementos constantes do Plano Koeler.

Das alterações efetuadas nesta fase, registramos o cancelamento definitivo da Rua dos Engenheiros, as aberturas da Rua dos Protestantes, da Rua do Tonelero e da Rua do Ouvidor. Mais radicais foram as alterações feitas quanto às praças, pois do planejamento inicial só foram mantidas a Praça do Imperador, a Praça de São Pedro de Alcântara, a Praça de Koblenz (já notabilizada como Praça da Confluência), a Praça de Nassau e a pequenina Praça de São Goar, no Caminho Colonial da Rhenania Central, na altura do início do Caminho Colonial da Castelânia. Enquanto isso, a Praça Municipal foi instalada no local onde estava se consolidando o Largo da Imperatriz que não estava previsto, em área não destinada originalmente para um logradouro público e, sim, para área residencial.

Uma vez terminada a etapa básica de implementação da planejada Povoação, Albino de Carvalho deu prioridade a uma análise criteriosa sobre as obras realizadas, concluindo que alguns desses trabalhos foram efetuados sem maiores preocupações quanto aos aspectos estéticos, de qualidade e de fidelidade aos projetos iniciais, especificando que diversas ruas "não obedeceram ao alinhamento previsto" e outras "foram abertas com largura abaixo dos padrões". Entendeu, ainda, que a pavimentação das pistas, feita por "empedramento miúdo não era satisfatória", o que, no caso das ruas de Aureliano, de Da. Januária, do Imperador, de Paulo Barbosa (ex-ruas do Mordomo e do Honório), por constituírem um segmento da Estrada Normal da Estrella, eram problemas mais críticos, devido aos danos que seriam provocados pelo pesado tráfego de carros de tração animal que já circulavam por ali. Também foi aventada a necessidade de melhorar a estrutura das pontes e a contenção das laterais dos canais. Finalmente, pensou em dar melhor acabamento às ruas, através de meios-fios, valetas e demais complementos.

Com base nessa avaliação, foram executadas muitas obras, das quais selecionamos, apenas, as mais importantes. Comecemos pela macadamização pelo "processo alemão" - ainda não o definitivo - da Rua de Paulo Barbosa, Rua do Imperador, Rua de Da. Januária e Rua de Aureliano, trajeto esse que, cerca de um ano antes, fora percorrido numa sege por Hermann Burmeister, o qual foi citado por ele como "enlameado". Cabe reiterar que a pavimentação pelo processo de "empedramento miúdo", feita anteriormente, não dera bons resultados.

A Rua de Da. Maria II, também foi "macadamizada pelo processo alemão".

A Rua do Tonelero e a Rua dos Protestantes foram retraçadas, inclusive com remoção de casas particulares que não tinham seguido as posturas vigentes.

Foram reajustadas para a largura padrão as ruas de Aureliano, de Da. Januária, de Bourbon e a de Monte Caseros (que passou pelos nomes anteriores de Caminho Colonial de Nassau e Rua do Cemitério).

Teve início o prolongamento da Rua do Imperador, no trecho entre a Rua de D. Francisca e o Engenho de Serrar, situado no Caminho Colonial da Rhenania.

Também foi dado grande impulso ao nivelamento ou renivelamento das ruas do Imperador, de D. Affonso, de Bragança e dos Artistas.

Como solução para a fracassado tentativa de contenção das laterais dos canais feita pelo processo de "faxinas", foi iniciada a construção de "muralhas" nas ruas do Imperador e do Tonelero, o que tornar-se-ia uma solução ideal.

Albino de Carvalho deu grande ênfase à construção e reconstrução de pontes deixando praticamente concluída a ponte mista - madeira e alvenaria - na confluência dos rios Quitandinha e Palatino.

Realizou reparos nos Caminhos Coloniais do Quarteirão Worms e do Quarteirão Darmstadt. Iniciou a abertura do Caminho Colonial de Interligação da Rua de Joinville com o Quarteirão Princesa Imperial, bem como a do Caminho Colonial de Interligação do Quarteirão Suisso com o Quarteirão Palatinato Inferior.

Para tão proveitoso desempenho, Albino de Carvalho contou com a colaboração do Engenheiro Azeredo Coutinho e, apenas por poucos e proveitosos meses, com a do Coronel-ICE (Reformado), Joaquim Cândido Guillobel, o qual foi obrigado a deixar Petrópolis, por motivos de saúde.

Em contrapartida foi contratado o cidadão alemão Otto Reimarus, que era um competentíssimo engenheiro, projetista, topógrafo e, além de tudo, um excepcional iconógrafo. Ainda no ano de sua chegada elaborou a precisa "Planta da Imperial Colonial de Petrópolis - 1854", mostrando os vinte e um Quarteirões, as duas Villas, dezenove ruas e quatro praças. Cotou ainda os principais caminhos, estradas e rios, além das locações de todos os prazos locais.

Nessa referida planta, já constou a nova numeração dos Prazos da Imperial Fazenda de Petrópolis, apresentados mais ordenadamente e dando uma idéia precisa de suas vinculações aos Quarteirões.

Edificações Particulares - No final de 1854 já estavam edificadas 937 casas particulares. Desse total, 14 eram consideradas casas nobres. Quanto às demais, 60 eram estruturadas com tijolos (34 cobertas com telhas e 26 com tabuinhas), 24 com paredes externas estruturadas em enxaimel / xadrez (56 cobertas com telhas, 3 com lousa, 3 com zinco e 180 com tabuinhas) e, finalmente, 568 de pau-a-pique (59 cobertas com telhas e 499 com tabuinhas).

Mais uma casa considerada na "categoria das nobres" estava em vias de conclusão. Era ela a senhorial residência do Barão de Mauá edificada no início do Caminho Colonial do Quarteirão Westphallia, nas proximidades da Praça da Confluência.

Quanto aos prédios comerciais e de serviços particulares verificou-se um nível razoável de crescimento.

Cemitério Público - Outro ponto crítico da Colônia priorizado por Albino de Carvalho, foi a instalação de um Cemitério Público que ele classificou de "necessidade inquestionável e urgentíssima".

Atendendo prontamente a esse reclamo, o Governo da Província, pela Portaria de 27.VII.1854, autorizou a compra dos prazos adequados para tal finalidade, cuja escolha já havia recaído sobre os prazos pertencentes a João Adão Melches e Balthazar Statzner, localizados nos fundos da primitiva Praça de Nassau (3).

(3) - Prazos nº 651 e nº 652 da IFP.


Matadouro Público - Na gestão de Albino de Carvalho foi adquirida uma ampla área - dois prazos - no Caminho Colonial de Westphallia, destinada à instalação do Matadouro Público de Petrópolis. Alegando falta de recursos, o Diretor deixou para a gestão posterior a elaboração do projeto definitivo e o início das obras.

Abastecimento Público de Água - Albino de Carvalho deu partida à concretização do Sistema de Abastecimento Público de Água de Petrópolis, planejado na gestão de Azeredo Coutinho, em 1851, mas que praticamente ainda não saíra do papel. O projeto global do sistema - captação de águas na Garganta, instalação da tubulação de alimentação e de distribuição, das bicas e dos chafarizes - foi elaborado em 1853 e suas obras preliminares foram iniciadas pouco depois.

Para dar maior realce à instalação do terminal do Sistema - Chafariz de Praça Municipal - foi elaborado um projeto de urbanização da "Praça Municipal", de autoria do Coronel-ICE Guillobel.

Correio - Em 1853 a Agência dos Correios retornou para a residência do Agente Correia Lima, na Rua da Imperatriz.

Agricultura, Indústria e Comércio - No final de 1855, Albino de Carvalho afirmou que os colonos, em sua grande maioria, continuavam se dedicando a "serviços de maior interesse", sem dar muita atenção à atividade agrícola. Entretanto, no último ano verificou-se um significativo aumento de áreas cultivadas, principalmente quanto à horticultura e à fruticultura. Notou também um incremento na criação de animais domésticos, voltada para o gado suíno, caprino, ovino e bovino leiteiro. Pelos números apontados, deduz-se que essas criações destinavam-se ao consumo familiar e ao comércio informal.

Lamentou esse Diretor o fechamento da "fábrica de tecidos a ponto de meia de Alfredo Gand" e da "fábrica de calçados - tamancos - carioclaves". Todavia anunciou a abertura de mais uma fábrica de cerveja, a quarta do local.

Identificou, ainda, uma retração nos serviços de transporte por carros de roda para a Baixada que, devido à entrada em funcionamento da ferrovia no trecho de Mauá até Fragoso, tiveram uma perda, quase total, da operação da parte entre Fragoso e o Porto de Estrella.

Em contrapartida, a "Companhia Estrada de Ferro Petrópolis", inaugurou no Alto da Serra o seu parque de consolidação de cargas, constituído por "vastos armazéns".

No setor comercial, foi registrado um grande progresso através da "abertura de muitas lojas e estabelecimento mercantis".

Cultura, Artes e Viajantes Ilustres - Um oportuno depoimento, elaborado com base em dados colhidos em torno do final da Fase Albino de Carvalho, foi prestado pelos Pastores Protestantes norte-americanos, Daniel P. Kidder e J. C. Fletcher, através do livro editado em 1857 nos Estados Unidos da América, intitulado "Brazil and the Brazilians". Visando ao atendimento dos interesses do presente Ensaio, selecionamos as seguintes citações:

sobre o trajeto marítimo entre Prainha e o Porto de Mauá - "uma agradável embarcação atravessa a baía por entre as pitorescas ilhas, em direção a Mauá, ponto terminal da primeira estrada de ferro do Brasil";

sobre a Estrada de Ferro de Petrópolis - "Primeira estrada de ferro do Brasil, obra do clarividente e patriota brasileiro, Evangelista Irineu de Souza (sic) e que, por tal motivo foi feito Barão de Mauá pelo Imperador" / "Na Raiz da Serra , carruagens, cada qual puxada por quatro mulas" / "maravilhosa estrada" / "vegetação exuberante" / "em certos pontos a encosta da montanha é bastante íngreme e as curvas se sucedem de tal maneira...." / "no alto da serra, maravilhosa vista da baía"; e

sobre Petrópolis - "A cidade contém cerca de 10.000 habitantes (sic)" / "por toda a parte encontram-se belas moradias, residências de famílias ricas do Rio que aí veraneiam" / "nada pode exceder à beleza dos arredores" / "cidade cortada a todo momento por tropas vindas do interior, carregadas de café, açúcar e às vezes ouro em demanda ao porto de embarque na capital" / "o Palácio do Imperador acha-se colocado no centro de Petrópolis, e quando estiver concluído, e cercado de jardins cultivados terá bela aparência" / "ruas cortadas por rios, atravessados por pitorescas pontes, dão à cidade uma graça toda especial" / "igrejas católicas, luteranas, grandes hotéis e várias lojas" / "aí o Barão de Mauá tem uma encantadora residência" / "de ano a ano Petrópolis aumenta de importância" / "o clima salubre e delicioso torná-la-á uma grande cidade moderna, sucursal da Capital do Império, e talvez a segunda cidade da Província (sic)".

Os pastores Kidder e Fletcher cruzaram outra vez Petrópolis, durante uma viagem que fizeram para Minas Gerais e citaram:

sobre os arredores de Petrópolis - "não se pode deixar de fazer um détour e visitar uma das mais belas cascatas do Brasil, a do Itamaraty" / "em lugar chamado Padre Correa, não longe de Petrópolis, encontra-se uma bela figueira, cujos galhos se estendem sobre uma circunferência de 480 pés, e já foi provado, que 400 pessoas podem se conservar por sua sombra, ao meio dia"; e

sobre a via entre Petrópolis e Barbacena - "A estrada entre Petrópolis e Barbacena é extremamente pitoresca, algumas vezes contornando altas montanhas, que permite admirar maravilhosas vistas" / "extensas tropas cortam continuamente a estrada em demanda do porto".

Como pudemos perceber, nas épocas em que as supracitadas viagens ocorreram, ainda não estavam concluídas, ou até mesmo iniciadas, as obras de construção da Estrada União e Indústria, as quais, em momento algum, foram mencionadas.

Imperial Fazenda de Petrópolis - Pelo Imperial Decreto de 9.V.1853 o Superintendente José Alexandre Alves Pereira Ribeiro Cirne foi exonerado por, motivo de saúde, tendo sido nomeado para substituí-lo o Capitão-ICE José Maria Jacyntho Rabello.

Durante cerca de seis anos de gestão, Alexandre Cirne acumulou por diversas gestões as funções de Vice-Diretor da Colônia, Juiz de Paz e Subdelegado. Apesar da opinião contrária do ex-Mordomo Paulo Barbosa, o seu desempenho à frente da Superintendência foi bastante produtivo, conforme podemos inferir do expressivo elenco de obras constantes do Relatório, assinado em 14.VI.1843, que ele apresentou ao Mordomo Velho da Silva.

Uma de suas mais importantes realizações foi ter dado eficiente continuidade à construção do Imperial Palácio de Verão, após a morte de Koeler. Ao deixar o cargo, toda a ala direita e o corpo central assobradado estavam completamente edificados, restando apenas detalhes de acabamento. E a ala esquerda já tinha os alicerces e os embasamentos concluídos.

O seu substituto, o Capitão-ICE Jacyntho Rabello, tomou posse em meados de junho daquele ano e, desde cedo, manteve bons entendimentos com o Diretor da Colônia, postura essa fundamental para superação das dificuldades inerentes aos conflitos de regulamentação existentes, possibilitando que os órgãos que dirigiam atuassem em perfeita harmonia.

Nessa gestão, o novo Superintendente deu grande impulso à complementação da estrutura do Imperial Palácio de Verão e aos detalhes de acabamento externo e interno.

No final de 1853, o corpo central e a ala direita estavam capacitados para alojar provisoriamente - caso se fizesse necessário - a Família Imperial, dependendo apenas da colocação do piso definitivo, ornatos e detalhes de acabamentos mais apurados, o que foi realizado no decurso do primeiro semestre de 1855. Quanto à ala esquerda - de quem olha da testada - a estrutura foi concluída e coberta com telhas. Internamente, os tetos foram preparados para receber estuque, tendo sido iniciada a colocação de soalhos, esquadrias, portas e janelas.

Na passagem de 1854 para 1855 o Palácio estava com o arruamento concluído e as muralhas de contenção bem adiantadas. E os terrenos da parte nobre já se encontravam ajardinados pelo paisagista radicado em Petrópolis, João Baptista Binot.

Área Territorial da Colônia - O Superintendente Jacyntho Rabello, logo após tomar posse, verificou que a área da Imperial Fazenda de Petrópolis, após as ampliações que sofrera ultimamente, carecia de uma verificação quanto aos seus reais limites e, para tal, requereu uma Medição Judicial que teve início em 7.VIII.1854, tarefa essa que foi acompanhada pelo Engenheiro Azeredo Coutinho.

Enquanto era aguardada a verificação dos limites da Colônia, nenhuma alteração foi processada nesse setor.

Freguesia de São Pedro de Alcântara, Distrito da Villa de Estrella - Até então, o Regulamento de 25.V.1847 da Imperial Colônia de Petrópolis não vinha sofrendo contestações quanto à sua sui generis estrutura do Poder - Civil, Judicial, Eclesial - na Povoação-Colônia e às interferências com a legislação específica vigente.

Conforme foi adiantado no tópico inicial deste Capítulo, Albino de Carvalho levantou, decididamente, essa questão e tentou minimizar alguns dos pontos mais críticos. Logo ao assumir, propugnou pela instituição de uma Irmandade na Paróquia de São Pedro de Alcântara, medida essa que não devemos visualizar, apenas, como de fundo religioso.

Na realidade, esse seria o ponto de partida para alcançar um propósito eminentemente de ordem político-administrativa.

A Lei Imperial de 19.III.1846 que regulava os procedimentos para Eleições no Império, previa em seu Artigo 1º que: "No terceiro domingo de janeiro far-se-á em cada Paróquia uma Junta de Qualificação para formar a lista geral dos cidadãos que tenham direito de votar nas eleições de Eleitores, Juizes de Paz e Vereadores das Câmaras Municipais".

Apesar de Petrópolis ainda não estar completamente estruturada como Povoação - padrão - e com situação indefinida quanto à Sede Paroquial, o Diretor da Colônia estimulou o estabelecimento de uma Irmandade em Petrópolis.

Com o seu apoio, determinação e prestígio, em 31.XII.1853 foi criada a "Irmandade do Santíssimo Sacramento da Freguesia de São Pedro de Alcântara de Petrópolis", a qual foi aprovada pela Provisão Episcopal de 31.I.1854. E, em 28.XI.1854, ela foi constituída definitivamente.

A confirmação da Irmandade foi passada pela Carta Presidencial de 10.III.1854 e a primeira Mesa Administrativa - Mesa Paroquial - eleita teve como Provedor o Tenente Coronel-ICE Alexandre Manoel Albino de Carvalho, sendo complementada por mais onze membros da comunidade local.

Como resultado concreto dessa realização, Petrópolis passou a contar, no Exercício de 1855, com quatro Juízes de Paz, todos residentes na Colônia. Também foi instalada uma Junta de Qualificação.

Com a morte, a 1.XII.1854, do Padre Luiz Gonçalves Dias Correa da Silva Goulão, o Padre Antonio José de Mello assumiu, no dia 1.I.1855, a função de Vigário da Freguesia de São Pedro de Alcântara, cumulativamente à de Vigário Geral da Vara Eclesial de São José do Rio Preto. Daí por diante, a Mesa Paroquial foi informalmente instalada na Capella da Imperial Fazenda de Petrópolis, à Rua da Imperatriz, ainda não consagrada como Sede Paroquial.

Albino de Carvalho anunciou "grandes consertos dentro em pouco tempo" para a precária igreja.

Esse acontecimento foi o primeiro passo para a efetivação da Paróquia. A partir de então já existia um local oficial, se bem que provisório, para realização das Sessões da Mesa Paroquial e das Assembléias Paroquiais Anuais ou Extraordinárias, estas últimas, imprescindíveis à condução dos processos eleitorais no Império.

Vias de Interesse para Petrópolis - No que dizia respeito ao setor viário, essa foi uma fase extraordinária para Petrópolis, tendo em vista os sucessos alcançados nos setores rodoviário, ferroviário e hidroviário, onde se concretizou o primeiro empreendimento intermodal - hidrovia, ferrovia e rodovia - do Império, no trecho entre Prainha e Petrópolis.

Hidrovia Prainha-Mauá - Em março de 1853 foi inaugurada a "Carreira Prainha - Mauá", operada com embarcações a vapor e destinada ao transporte de cargas e passageiros. Enquanto não foi prontificado o trecho da ferrovia do Porto de Mauá à Raiz da Serra, esse trajeto complementar terrestre foi efetuado, provisoriamente, pela antiga Estrada do Bonga.

Estrada de Ferro de Petrópolis - Em 30.IV.1854 foi inaugurado, com grande pompa, o primeiro trecho da Estrada de Ferro de Petrópolis que, partindo do Porto de Mauá atingia a localidade de Fragoso, numa distância itinerária de 14,5 km. Naquela ocasião, o idealizador, proprietário e construtor da ferrovia, o empresário Irineu Evangelista de Souza, foi nobilitado por SMI D.Pedro II com o título de Barão de Mauá.

Ligação Viária com Paty do Alferes - No decurso de 1853, foi abandonado o "projeto pela trilha do Mata-Cavalo" e o 7º Distrito de Obras, sediado em Petrópolis, decidiu contratar o Coronel-ICE (R) Camillo de Goffredo para elaborar o projeto e executar a construção de "uma nova via que buscasse Paty do Alferes numa direção mais direta, a partir da Fazenda do Inglez (sic)". A picada-base aberta por Goffredo desenvolveu-se pelas vertentes esquerdas do Rio da Cidade, em busca de uma "garganta na Serra de Santa Catharina, mais suave do que aquela da rota do Mata-Cavalo". Essa tentativa também não foi bem sucedida.

No primeiro trimestre de 1854, o Governo Provincial decidiu incumbir o Engenheiro Malthe-Daun para "reconhecer a direção mais conveniente a uma estrada regular entre Petrópolis e Paty do Alferes".

Malthe-Daun pouco aproveitou dos trabalhos executados por Goffredo e redirecionou a abertura da picada-base para a Serra da Boa Vista, onde escolheu uma "garganta" originária de um dos formadores do Rio da Cidade, denominado Vargem Grande. E, uma vez no flanco oposto, idealizou um trajeto de aproximadamente 23.687 braças itinerárias (52,1 km) até Paty do Alferes.

A proposta que Malthe-Daun apresentou para execução das obras que planejara não foi aceita devido ao seu elevado custo.

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