Ensaio entregue pelo autor a 20/01/2006 para inclusão no site, dividido em partes conforme melhor fosse.

PETRÓPOLIS - A SAGA DE UM CAMINHO (14)
Gênese e Evolução do Território Petropolitano

Carlos Oliveira Fróes

Capítulo 15

Fase Azeredo Coutinho

Síntese da Gestão - A 15.IX.1850 o Engenheiro Civil José Luiz de Azeredo Coutinho passou a responder - em caráter provisório - pelas funções de Diretor da Imperial Colônia de Petrópolis, devido ao pedido de afastamento temporário do titular, Galdino Pimentel, para fins de tratamento de saúde. Naquele momento as Diretorias da 2ª Sessão de Obras da Estrada Normal da Estrella e da Imperial Colônia de Petrópolis eram exercidas em cargo unificado, na observância da Deliberação de 16.IX.1847.

Sabe-se que Azeredo Coutinho não assumiu nenhum encargo de Direção na referida 2ª Sessão. Chamamos atenção para que, se tal assertiva não fosse confirmada, a exoneração de Galdino Pimentel seria inevitável. (1) Por outro lado verificamos que ele continuou prestando serviços à 2ª Sessão.

(1) - Durante este período o Ten. Cel. ICE Galdino Pimentel continuou exercendo, realmente, suas funções na 2ª Sessão de Obras da Estrada Normal da Estrella, enquanto permaneceu dispensado daquelas inerentes à Imperial Colônia de Petrópolis. Há registros de uma série de documentos oficiais, relativos à 2ª Sessão, dirigidos a Galdino Pimentel, na fase em pauta.


A administração de Azeredo Coutinho não ficou marcada por grandes iniciativas políticas ou obras notáveis. Profundamente técnico e profissional, dedicou-se apenas à tarefa de dar continuidade aos trabalhos de seus antecessores, Koeler e Galdino Pimentel, sob as ordens dos quais trabalhara na qualidade de Encarregado das Obras Coloniais.

Em contrapartida, sua equilibrada gestão foi privilegiada por um fato indireto, da maior relevância para Petrópolis, qual seja o advento do mais poderoso empresário do Império, Irineu Evangelista de Souza, o futuro Barão e Visconde de Mauá, para as cercanias da Serra da Estrella, trazendo o seu mirabolante projeto de ligação hidro-ferroviária do Porto do Rio de Janeiro ao coração da Província de Minas Gerais, figurando em tal contexto, a Imperial Colônia de Petrópolis como importante ponto de escala.

Esse assunto será apreciado com maiores detalhes nos tópicos referentes ao setor de transportes, apresentados no final da narrativa desta fase e nos próximos Capítulos.

Coube a Azeredo Coutinho a iniciativa para instalação do primeiro Sistema de Abastecimento Público de Água de Petrópolis, idéia essa amadurecida no período que atuou como Encarregado das Obras Coloniais.

Durante toda sua gestão, ele desempenhou, cumulativamente, as funções de Juiz de Paz, ao lado de Alexandre Cirne.

Apesar de tudo, ele não tem sido normalmente visualizado pelos historiógrafos como um autêntico Diretor da Imperial Colônia. Porém o afastamento de Galdino Pimentel, inicialmente classificado como temporário, foi longo e definitivo.

Durante dois anos e sete meses, Azeredo Coutinho ocupou - ainda que como não titular - esse referido cargo, tendo encerrado sua gestão em abril de 1853.

Assistência Religiosa - Durante a gestão de Azeredo Coutinho, a Assistência Religiosa, especificamente voltada para os colonos alemães, sofreu dois grandes baques. O primeiro foi o término, em 1852, do contrato de cinco anos relativos ao Padre Franz Anton Weber, cujo desempenho - na qualidade de Cura da Capella da Imperial Fazenda de Petrópolis - não só foi providencial para a comunidade católica germânica, mas também para todos os católicos em geral de Petrópolis. Seu substituto provisório foi o Pe. Nicolau Germain, Coadjutor da Freguesia, o qual apesar de possuir todos os atributos necessários a um Cura, não falava o idioma germânico.

O segundo baque foi o falecimento do abnegado e competente Professor, Médico e Pastor Praticante, Dr. Julius Friedrich Lippold, ficando vago o cargo de "Cura Evangélico" até a possível chegada de um substituto.

Próximo ao final desta fase, a situação religiosa da Imperial Colônia passou por crítico momento de incerteza e instabilidade.

Assistência Médico-Hospitalar - Nenhuma alteração mais significativa, quanto à Assistência Médica na Colônia, foi registrada durante a gestão de Azeredo Coutinho.

Entretanto é justo ressaltar o exemplar desempenho do seu auxiliar, o Dr. Antônio Pereira de Barros, à frente do limitado Hospital e Casa de Caridade de Petrópolis.

Esse abnegado Médico que foi o primeiro a permanecer no cargo por um período mais longo, além de executar com grande proficiência os seus encargos, ainda conseguiu tempo para prestar assistência domiciliar aos colonos e demais habitantes locais.

Assistência Social - Durante a gestão de Azeredo Coutinho a Caixa de Socorro e Auxílio Mútuo funcionou com a escrituração em dia, apresentando um razoável saldo positivo.

Instrução - Nessa fase, consolidaram-se efetivamente as atividades dos estabelecimentos de instrução particular para meninos, tais como, o "Collégio de Petrópolis do Dr. Henrique Kopke", para os níveis primário e secundário e o "Collégio do Professor João Baptista Callógeras" para o nível secundário, sendo que ambos constituíram um orgulho para a Povoação. Outra importante realização, no setor da instrução primária particular, foi a inauguração do "Collégio da Madame Jenny Diemer", para meninas.

No setor da instrução primária oficial, funcionavam, no final de 1852, seis Escolas Públicas, sendo que em três das quais era ministrado o ensino em alemão.

Quarteirões e Caminhos Coloniais - Azeredo Coutinho deu continuidade à ativação dos Quarteirões Woerstadt, Darmstadt, Brasileiro, Worms, Inglês e Princesa Imperial, cujas locações avançaram, parcial ou totalmente, em áreas não coloniais que foram, ou estavam sendo, negociadas, tais como a Fazenda Vellasco, a Fazenda Itamaraty e a Fazenda Alto da Serra.

E nessa fase, foram completadas as obras previstas para os Caminhos Coloniais dos Quarteirões Worms, Woerstadt, Darmstadt e Brasileiro.

Quanto ao Quarteirão Princesa Imperial e ao Quarteirão Inglês, a via de acesso era a própria Estrada Normal da Estrella.

Implementação Urbana - Azeredo Coutinho deu prosseguimento às obras alinhavadas por seu antecessor para estruturação urbana da área central de Petrópolis. O novo trecho da Estrada Normal da Estrella - formado pelas ruas Thereza, de Aureliano, de Da. Januária, do Imperador, do Mordomo e do Honório, que constituía a espinha dorsal da Povoação - já era considerado transitável, porém, apesar das pistas terem sido compactadas com "empedramento miúdo", era muito lamacento nos dias de chuva. A Rua do Imperador só estava sendo desenvolvida entre a Rua de Da. Francisca e a Rua de Paulo Barbosa e seu complemento, adiante dessa última rua, dependia da remoção de um grande bloco de granito, o qual também impedia a retificação e canalização do Rio Palatino, fazendo com que o tráfego no local se desenvolvesse pela Rua de Paulo Barbosa, título esse que passou a cognominar todo o trecho das primitivas Rua do Mordomo e Rua do Honório. No final da Rua de Aureliano, próximo à "Garganta", a pista assumia uma aclividade / declividade inaceitável - muito acima de 1/15 - o que levou à necessidade de ser planejado um desaterro - rebaixamento - radical no local, a fim de permitir o tráfego de carros de tração animal.

A ação de Azeredo Coutinho nesse setor, ao final de sua gestão, foi sintetizada pelo Presidente, através das seguintes palavras, expressas no Relatório Anual da Província, assinado a 3.III.1853: "As obras que se fizeram durante o ano na Povoação, e nos raios coloniais,......consistiram no melhoramento das ruas existentes, na abertura de novas, na construção e edificação de pontes, e em outras semelhantes (sic)".

Edificações Particulares - No final de 1852 já estavam edificadas cerca de 750 residências particulares, o que significava uma redução no ritmo da expansão. Quanto aos prédios comerciais e de serviços verificou-se um crescimento razoável.

Cemitério Público - As ponderações levadas por Azeredo Coutinho ao Presidente da Província sobre a necessidade de um novo cemitério em local adequado e realmente público foram endossadas por este, conforme podemos inferir através da citação feita a esse respeito no Relatório Anual de 1852: "Recomendei que se tratasse quanto antes de fazer o novo cemitério".

Matadouro Público - Essa atividade, ainda não regulamentada, continuou sendo praticada, precariamente e a céu aberto, no Largo de D. Affonso.

Abastecimento Público de Água - Mister se faz destacar o empenho de Azeredo Coutinho no planejamento do primeiro Sistema de Abastecimento Público de Água para o centro de Petrópolis.

Mediante proposta sua, o Governo Provincial nomeou, a 30.VII.1851, uma comissão incumbida de "promover a canalização de água da Garganta para abastecimento da cidade (sic)".

Essa importante obra - segundo planejamento efetuado pela dita comissão - previa a captação de água potável proveniente do Rio Garganta, por meio de uma barragem, a qual, através de um encanamento de chumbo, deveria alimentar diversas postos públicos de abastecimento - chafarizes - e ramais - penas d'água - para o fornecimento de água a particulares.

O início das obras foi protelado, por sugestão de Azeredo Coutinho, em virtude da necessidade de reduzir a declividade da pista do novo trecho da Variante da Estrada Normal da Estrella - nas proximidades do ponto de encontro da Rua Thereza e Rua de Aureliano - onde se tornou necessário fazer um grande rebaixamento, justamente no local onde deveria passar a tubulação projetada desse sistema.

Correio - Não houve qualquer alteração significativa nesta fase.

Agricultura, Indústria e Comércio - Baseando-se nas informações prestadas por Azeredo Coutinho referentes ao exercício de 1852, o Presidente Luiz Antonio Pedreira Ferraz, assim se expressou no Relatório Anual, assinado em 3.V.1853: "Esta colônia posto que não apresente uma perspectiva de grande riqueza, nem possa ser considerada agrícola (o grifo é nosso), pela razão que por vezes tenho tido ocasião de expor, pôde contudo ser encarada debaixo do lisonjeiro aspecto". "Os colonos em geral continuam a mostrar-se satisfeitos, e a respeitar as leis do país, e quase todos dotados de boa índole e ânimo pacífico". "Não encontrando futuro na indústria agrícola, vão-se empregando ultimamente nas obras da Casa Imperial, nas da Província e nas particulares, já como oficiais de diversas artes mecânicas, já como jornaleiros, e empreiteiros de serviços de aterro e escavação" e "Aplicam-se também ao corte de madeiras, de que fazem não pequena exportação, ao transporte de carga e de passageiros por meio de carros e de seges, de que muitos são proprietários, a fabricas e a diferentes misteres de indústria manufatureira".

Esse oportuno pronunciamento mostrou claramente qual era o real perfil da sui generis colônia serrana, dentro do conceito "agrícola e industriosa".

Na realidade, a agricultura local continuava limitada às chácaras da periferia, onde eram praticadas a cultura básica de grãos, a horticultura e a fruticultura, bem como, as pequenas criações de aves e suínos, com vistas à subsistência familiar ou local de pequeno porte. Ademais, as relativamente boas vias de comunicação favoreciam o abastecimento em maior escala proveniente das áreas não coloniais da Freguesia de Petrópolis, onde existiam fazendas de porte considerável.

Delineava-se assim a vocação petropolitana voltada para as atividades industriais ou manufatureiras.

Naquela fase já operavam em Petrópolis duas fábricas de cerveja, duas tecelagens de "algodão a ponto de meia" e inúmeras marcenarias, carpintarias e demais oficinas.

E o mais importante era o potencial de mão-de-obra mais qualificada que estimularia a instalação de novas unidades industriais de maior porte.

O comércio de Petrópolis vinha mantendo o mesmo ritmo de crescimento dos períodos anteriores com a introdução gradual de novas lojas e de estabelecimentos mais especializados, como alfaiataria, relojoaria, etc.

Cultura, Artes e Viajantes ilustres - Além da estada em Petrópolis por dois dias do ilustre viajante Hermann Burmeister - renomado cientista e escritor alemão, cuja chegada ocorreu a 11.XII.1851 - não se registrou neste tópico qualquer alteração mais significativa..

O relato completo, apresentado por Burmeister nas páginas 299 a 302 de sua obra "Reise in Brasilien" constituiu o mais precioso, objetivo e fiel testemunho sobre Petrópolis, na virada do ano de 1851 para 1852. Dele extraímos as seguintes citações referentes à Colônia e às demais áreas da Freguesia:

sobre a Fazenda do Secretário - "Engenho do Secretário, antiga plantação de cana de açúcar que me fizeram lembrar das nossas grandes propriedades rurais de fins industriais";

localidades pelas quais passou - "Almeida", "Antonio Luiz", "Sumidouro no Piabanha, onde pernoitou", "Magé", "Olaria", "Fazenda do Pe. Correa", "Samambaia" e "Tamaraty" e "a bifurcação em Sumidouro do Caminho de Mar de Espanha e Porto Novo do Cunha"; e

descrição da Colônia no final do ano de 1851 - "A primeira impressão é realmente a de uma colônia alemã. De início o caminho descia para a cidade margeando diversas vendas e estalagens, mas, ao chegarmos ao planalto, vimos uma grande olaria e entramos em seguida numa cidade ampla, nova e impulsionada por uma vida assaz ativa. As ruas, a maioria sem calçamento eram largas e bastante lamacentas. As casas, elegantes, novas e espaçosas, emprestavam ao todo um aspecto de um balneário europeu na fase de crescimento. Em toda a parte, notava-se a mesma febre de construções, obras de melhoramentos e delineação de novas ruas... Passei pela estalagem portuguesa e pelo English Tavern que ficava no começo de sua principal, para escolher, finalmente, o Hotel Suíço do Dr. Chifelle, atraído pelo aspecto acolhedor da casa...".

Imperial Fazenda de Petrópolis - A 15.X.1851 SMI D. Pedro II comprou a Fazenda Morro Queimado que pertencia a Gregório José Teixeira.

Com a pronta integração dessa grande propriedade, a Imperial Fazenda de Petrópolis passou a dispor de uma área com cerca de 19.000.000 de braças quadradas.

Tudo indica que essa ampliação fora incentivada pelas tentativas que estavam sendo procedidas, visando ao estabelecimento de uma via de ligação direta entre o Quarteirão Mosella e Paty do Alferes, através da Fazenda do Inglês e da Fazenda Santa Catharina.

Ocorrências no Distrito Petrópolis - A 26.I.1852 foi registrado o falecimento, na Freguesia de São José do Rio Preto, do Tenente Coronel José Vieira Affonso, que vendera em 1830 a Fazenda Córrego Secco a SMI D. Pedro I. A partir dessa venda, Vieira Affonso dera grande incremento às várias propriedades rurais que adquirira no Apêndice Nordeste, tornando-se um dos mais prósperos e respeitáveis fazendeiros da área.

Vias de Interesse para Petrópolis - Essa fase foi caracterizada por grandes realizações que se processaram ou se refletiram no setor viário de Petrópolis.

Estrada Geral da Estrella - No final de 1851, as preocupações também se voltaram para a seção da Estrada Geral da Estrella entre Petrópolis e Parahybuna, recebendo Galdino Pimentel - que fora mantido no setor de Obras Viárias da Província - a incumbência de examinar as diversas opções e propostas para melhoramentos e conservação dessa via que complementava o trajeto da Serra da Estrella até Parahybuna, mas que ainda não fora reajustada para o padrão de Estrada Normal.

Estrada Normal da Estrella - Por Ato de 6.IV.1852 o Governo Provincial baixou as "Instruções para Conservação da Estrada Normal da Estrella". Decorridos os dez primeiros anos de contínuas e vultosas obras, a situação da Estrada Normal na Serra de Petrópolis ainda não podia ser considerada aceitável, apesar de, em inúmeras ocasiões, ter sido anunciado que ela fora macadamizada, melhorada ou concluída. Por melhor que fossem os serviços efetuados dentro das técnicas disponíveis no País, a pista não era capaz de resistir ao tráfego pesado de muares ou de carros com rodas estreitas, num percurso de subida de serra, sujeito a freqüentes chuvas e fortes aguaceiros. Próximo ao final de 1853, o Governo Provincial Fluminense decidiu recorrer à assessoria de Mariano Procópio Ferreira Lage, proprietário da Companhia União e Indústria, empresa essa que no ano anterior firmara contrato com a Província Mineira para melhorar, construir e explorar a "nova estrada" entre Barbacena e Parahybuna. Era evidente que a "problemática subida da Serra da Estrella", um dos segmentos da "futura Estrada Geral da Corte", era de vital interesse para Mariano Procópio que, nos quadros de sua empresa, dispunha de dois engenheiros franceses - Srs. Vigoreux e Flagelot - peritos em compactação de pistas rodoviárias, na mais moderna técnica européia. Com as informações colhidas, a Província Fluminense baixou, em 30.XII.1853, as "Instruções para Macadamização da Estrada Normal da Estrella", incumbindo ao Major-ICE Sérgio Marcondes de Andrade a supervisão de tais obras. Dentro de um juízo mais flexível, a realização do "segmento fluminense da futura Estrada Geral de Minas Gerais", estava em andamento, através das obras de construção ou reajuste de algumas de suas seções, objetivando os padrões de Estrada Normal.

Estrada União e Indústria - Pelo Decreto Imperial nº 1.031, de 27.VIII.1852, o empresário Mariano Procópio Ferreira Lage adquiriu o privilégio para organizar a Companhia União e Indústria com o objetivo de "construir, melhorar, conservar e explorar duas estradas que, começando nos pontos mais apropriados à margem do Rio Parahyba, desde a Villa desse nome, até Porto Novo do Cunha, se dirigissem um até a Barra do Rio das Velhas, passando por Barbacena, com um ramal dessa Cidade para São João Del Rey e outro para o Município de Mar de Espanha, em direção à Cidade de Ouro Preto". Como vemos, Petrópolis não estava incluída diretamente nesse contexto. Porém, havia um dispositivo no citado Decreto, prevendo, para o caso de não ser construído, no prazo de cinco anos, o complemento da Estrada Geral da Corte em Território Fluminense, o privilégio seria estendido para o trecho do Rio Parahyba até Petrópolis. Em 31.I.1853, Mariano Procópio estabeleceu um acordo com o Governo de Minas, através do qual deveria assumir e concluir até o final do ano em curso, os trabalhos de melhoramento e construção do trecho mineiro da nova estrada que estava sendo efetuado entre Barbacena e Parahybuna. Cumprida essa cláusula, tal porção de via seria incorporada à Companhia União e Indústria que estaria habilitada para explorá-la.

Estada de Ferro de Petrópolis e Hidrovia Prainha -Mauá - Em 1852 o empresário Irineu Evangelista de Souza voltou seus olhos para a Serra da Estrella e "arrematou a concessão para construção e exploração de uma ferrovia entre o Porto de Mauá e Petrópolis", cujo contrato foi assinado a 27.IV.1852. Logo depois, a 12.6.1852, ele também obteve a "concessão para estabelecimento e exploração de um serviço de navegação a vapor entre a Corte e o Porto de Estrella".As obras de construção da ferrovia tiveram início a 29.VIII.1852, a partir de uma cerimônia que contou com a presença de SMI. Mas as pretensões desse empresário iam bem mais longe. Pelo Decreto Imperial nº 1088 de 13.XII.1852 ele "arrematou o privilégio para construção e exploração de uma ferrovia entre Petrópolis e Porto Novo do Cunha". Em 29.XIII.1852 foi aprovado o "Estatuto da Imperial Companhia de Navegação e Estrada de Ferro de Petrópolis". Até o final dessa fase as obras dessa ferrovia desenvolveram-se em ritmo acelerado e todas as providências foram tomadas para breve inauguração, não só da primeira ferrovia brasileira, mas também do primeiro sistema intermodal, rodo-hidro-ferroviário, do Império.

Ligação Viária com Paty do Alferes - No âmbito da Colônia, o Engenheiro Agrimensor João Christiano Moerken fora incumbido da abertura de um caminho que, partindo do final do Quarteirão Mosella, deveria passar pelas fazendas do Inglês e do Malta, até se entroncar com o Caminho de Araras que ligava Olaria à Fazenda Sta. Catharina. Essa era uma tentativa de revitalização do secular Atalho do Caminho do Sardoal. E o supracitado segmento que unia a Fazendo do Inglês à Fazenda do Malta era a "antiga trilha do mata-cavalo". No início de 1853 já estava pronta a restauração ou a abertura da picada-base entre Mosella e Fazenda Santa Catharina. Porém, ficou evidente que sua complementação como estrada carroçável seria impraticável. (2)

(2) - Ver Relatório Anual do Presidente da Província do R. de Janeiro, referente a 1853.


Estrada de Mar de Espanha - Desde algum tempo atrás, já vinham sendo feitas novas tentativas para melhoria da Estrada do Mar de Espanha - não confundir com a "Estrada Magé a Mar de Espanha", nem com a "Estrada Cantagallo a Mar de Espanha" - responsável pelo escoamento de consideráveis cargas de café provenientes da Zona da Mata e São José do Rio Preto. Esta importante via que se entroncava com a Estrada Geral da Estrella na "paragem do Sumidouro do Rio Piabanha", apesar da precariedade do seu trajeto, representava uma grande vantagem para Petrópolis. Todavia, não foi registrada qualquer providência mais significativa em relação a ela.

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