Ensaio entregue pelo autor a 20/01/2006 para inclusão no site, dividido em partes conforme melhor fosse.

PETRÓPOLIS - A SAGA DE UM CAMINHO (8)
Gênese e Evolução do Território Petropolitano

Carlos Oliveira Fróes

Capítulo 7 - Segunda parte

Capítulo 7
O TPCP no Limiar do Século XIX

O acesso ao "embrião da Fazenda da Arca de Noé" se processava pela mesma vereda que servia à Fazenda Santo Antônio e se desenvolvia pelas vertentes do Rio Santo Antônio (também chamado Magé).

Seguiam-se ao norte "as terras de Magé".

A Sesmaria ou Terras de Magé

As "terras de Magé" originaram-se da data concedida a José da Silva Torres pela Carta de Sesmaria de 18.I.1760, confirmada por SMR em 9.I.1761, cuja localização ficou precisamente definida no respectivo Foral: "na quadra da fazenda chamada o Sítio das Pedras para o nascente". E assim ela foi traçada no "Croqui Topográfico da Grande Medição Judicial de 1762", com sua linha divisória sul sobre os limites norte das Sesmarias Goularte e Muniz / Manoel Correa. (13)

(13) - Croqui Topográfico, constante do Inventário de Carlos de Miranda Jordão.


Mas sua ocupação não foi tão normal como se poderia esperar, pois era evidente que a parte sul dessa Sobrequadra não se encontrava desocupada, conforme sugeria o supracitado "croquis". Ali estavam inseridos os enclaves - autorizados, tolerados ou irregulares - caracterizados pela Fazenda da Ponte e, numa faixa estreita mais acima, pelas terras pertencentes ao Coadjutor da Paróquia de Inhomirim, Pe. Domingos Barbosa, as quais pertenceram, anteriormente, a Manoel Ferreira de Abreu.

Mister se faz incluir nesse contexto uma importante informação sobre a Sesmaria Goulão, localizada na mesma faixa lateral ocupada pela Fazenda da Ponte. A confirmação da primeira em 1763 constitui a prova da legitimidade da locação de ambas, sinal de que todas as pendências com seus confrontantes foram eliminadas, inclusive quanto ao limite sul da Sesmaria Magé que teria de ser deslocado 1.500 braças para o norte.

Não se sabe qual tipo de acordo foi feito em relação às "terras do Coadjutor". Entendemos que tal área foi incluída no espaço que restou para implantação da Sesmaria Magé, estimado em 4.500.000 braças quadradas (1.500 x 3.000 braças), medidas entre os limites norte da Sesmaria Goulão e da Fazenda da Ponte e o limite sul da Sesmaria do Secretário.

Em 1764 foi inaugurada a Capella de N. Sra. do Carmo de Magé, edificada nas "terras do Coadjutor", entre a Variante do Atalho e a margem esquerda do Rio Piabanha, em local próximo ao limite sul da Sesmaria de Magé, local onde, desde algum tempo atrás, vinha funcionando oficiosamente uma Coadjutoria Serra-Acima da Paróquia de Inhomirim.

Além da confirmação da Sesmaria de Magé em nome de José da Silva Torres, ocorrida em 1761, não há o menor indício sobre a atuação deste cidadão como sesmeiro.

Apesar da precisão com que foram descritos no respectivo Foral, os termos de localização da "famosa porém tão mal interpretada Magé", muitos historiógrafos foram levados a considerá-la - equivocadamente - como a Sesmaria outorgada em 1734 a José Ferreira da Fonte, ou uma parte integrante da mesma.

Além disso, enfatizamos que a localidade "Magé" distava cerca de 1.500 braças do limite sul da Sesmaria do Secretário (1734), o que parece afastar quaisquer especulações a respeito da sua origem e locação.

Parece oportuno esclarecer que, somente, cerca de cinco anos após a morte do Secretário, isto é na Década de 60, foi que começou a despontar  o topônimo "Magé", de Serra-Acima. Vejamos, pois, os seguintes documentos onde foram registradas as primeiras menções:

"Croquis Topográfico da Grande Medição Judicial de 1762";
"Assentamentos feitos no Livro de Registro da Paróquia de Inhomirim, sobre a criação da Capella de N. Sra. do Carmo de Magé, em 1764";
"Carta Topográfica do Rio de Janeiro de Vieira Leão - 1767"; e
"Diário de Viagem do Governador Luiz de Albuquerque, em 1772".

Inequivocamente, o topônimo Magé referia-se à "paragem de Magé Serra-Acima", situada no sul da Sesmaria de José da Silva Torres (1761), à beira da Variante do Atalho e nas proximidades da Barra do Rio Magé (Santo Antonio) no Piabanha.

A época em que tal nomenclatura surgiu, ajusta-se perfeitamente ao evento da habilitação da Variante do Atalho pelo Piabanha, no trecho Fazenda da Ponte até à Roça do Secretário, pois foi justamente nessa fase que se desencadeou o interesse pela efetiva ocupação de terras daquele setor da Faixa de Sobrequadras Leste.

Quanto à menção feita por Frei Estanislau Schaette de que "vieram famílias da Baixada Fluminense, especialmente de Magé, para trabalhar nas novas terras do Secretário, ganhando a região o nome Magé", entendemos que tais trabalhadores poderiam ter sido contratados - e certamente o foram - para trabalhar nas "terras do Secretário" e, provavelmente, foram aproveitados nas obras de prolongamento da Variante, além da Fazenda da Ponte. Após a conclusão daquela obra que coincidiu com a morte do seu provável incentivador, alguns deles permaneceram no local, em busca de oportunidades para a implantação de roças à beira do caminho que ajudaram a abrir.

E, daí, pode-se entender perfeitamente as origens dos enclaves praticados na Sesmaria de José da Silva Torres (1760), por Manoel Ferreira de Abreu e pelo Pe. Domingos Barbosa, na "paragem de Magé".
Não muito tempo depois, o fazendeiro Pedro Martins instalou uma "roça" no setor nordeste da Sesmaria em tela, a qual em 1772 foi registrada no Diário de Viagem do Governador Luiz de Albuquerque como localidade de "Pedro Martins", onde havia uma grande ponte de madeira sobre o Piabanha, a "ponte de Pedro Martins".

Nas duas últimas décadas do Século, surgiram embriões de outras fazendas nas imediações das "paragens do Sumidouro e Retiro das Pedras".

Depois de tantas considerações, é perfeitamente cabível imaginar que a área disponível para locação da Sesmaria de Magé, outorgada a José Maria da Silva Torres, era:

em forma de retângulo;

testada e linha de fundo medindo cerca de 1500 braças, orientadas no rumo NNO (337,5º v);

linhas de lado norte e sul medindo 3000 braças, orientadas no rumo ENE (067,5º v);

confrontantes - pelo norte a Sesmaria do Secretário (1734), pelo leste a Sesmaria de João Gonçalves Rainho, pelo sul a Fazenda da Ponte, juntamente com Sesmaria Goulão (1760), e pelo oeste a Sesmaria das Pedras (1723), na qual fazia testada; e

área total estimada em 4.500.000 de braças quadradas.

Toda a Banda Leste da Sesmaria era servida pela Variante do Atalho, ao longo da qual surgiram embriões de vias vicinais, para acesso a outras áreas que estavam sendo ocupadas:

ao Valle do Rio Carvão, a partir da "paragem de Magé";
ao "sertão do Taboão", a partir da "paragem do Sumidouro"; e
às "terras dos sucessores das Sesmarias de Joaquim José Pegado (1758) e de Caetano Manoel da Motta Ferraz (1741)", através da "ponte do Pedro Martins sobre o Piabanha".

Na "paragem do Sumidouro" originava-se "um ramo do embrião do Caminho de Mar de Espanha", o qual cruzando a Serra do Taquaril alcançava o Valle do Rio Paquequer Pequeno, em seguida o Valle do Rio Preto e chegava ao Apêndice Nordeste, dali conectava-se ao "embrião do Caminho para Mar de Espanha", aberto pelo Bacharel Nunes Pereira.

Ao final do Século, a Sesmaria Magé, já subdividida - "terras do Coadjutor", Fazenda do Pedro Martins, "embrião da Fazenda Sumidouro" e "embrião da Fazenda Retiro das Pedras" -, não demonstrava um desenvolvimento mais expressivo como propriedade rural. Na "paragem de Magé" esboçava-se um pequeno pouso e um núcleo de interação sócio-religiosa em torno da Capella de Nossa Senhora do Carmo de Magé. Um outro pequeno pouso estava se formando na "paragem do Sumidouro", incentivado pelo "entroncamento do Caminho de Mar de Espanha". E a "paragem do Pedro Martins" crescia de importância, em face da corrida para ocupação do Apêndice Nordeste.

Seguia, ao Norte, a Fazenda do Secretário, já substancialmente dividida.

Sesmaria ou Fazenda do Secretário

Fazenda do Secretário foi o nome pelo qual ficou conhecida a Sesmaria outorgada a José Ferreira da Fonte pela Carta de Sesmaria de 28.VII.1734 e confirmada por SMR a 9.XII.1735.

A sua demarcação pôde ser feita com bastante precisão, devido à clareza dos termos de localização expressos em seu Foral e, também, pelo fato de que a data contígua que lhe serviu de base - Roça do Secretário - fora confirmada mediante uma Medição Judicial.

A locação original foi feita:

em forma de Quadra-Padrão;

testada e linha de fundo leste medindo 3,000 braças, orientadas no rumo NNO (337,5ºv);

linhas de lado norte e sul medindo 3.000 braças, orientadas no rumo ENE (067,5º v);

confrontantes - pelo norte "as roças dos herdeiros e sucessores de Francisco Fagundes do Amaral", pelo leste e pelo sul os "sertões do Piabanha" e pelo oeste a Roça do Secretário e a parte norte da Sesmaria das Pedras, com as quais fazia testada pelo oeste; e

área total com 4.500.000 braças quadradas.

Mais do que uma simples propriedade rural, a data em pauta foi a primeira ocupação nas "bandas do Médio Piabanha", a qual iria servir de estímulo para que outros pretendentes participassem da corrida para obtenção de terras a jusante da Barra do Tamaraty, desencadeada em 1741.

Cabe alertar que alguns aspectos relativos a essa data foram abordados na Síntese Retrospectiva da Roça do Secretario e, certamente, serão repetidos agora a fim de que esta narrativa possa ser mais bem encadeada.

Seu segundo concessionário foi o filho de José Ferreira da Fonte, Antonio Pegado de Carvalho. Chamamos atenção para o fato de que alguns historiógrafos confundiram Antonio Pegado de Carvalho com Joaquim José Pegado, outro fazendeiro da área que, mais tarde, iria ocupar a Sesmaria contígua pelo leste.

Essa alteração patrimonial ocorreu por volta de 1758, quando Antonio Pegado de Carvalho arrematou tal Sesmaria (1734) e a Roça do Secretário (1722), numa execução movida contra o espolio do pai.

Logo em seguida - por volta de 1760 -, Antonio Pegado de Carvalho decidiu retalhar sua propriedade, constituída pela Fazenda do Secretário e Roça do Secretário que juntas perfaziam cerca de 14.400.000 de braças quadradas:

doou ao genro, Eugenio Viegas de Proença, 12% (doze por cento) da área total;
vendeu 4% (quatro por cento) a Sebastião de Araújo Álvares; 
reteve para si outros 4% (quatro por cento); e
vendeu para Manoel da Costa Guimarães os restantes 80% (oitenta por cento).

Dos desmembramentos efetuados, surgiram os "embriões das Fazendas Pegado, Cachoeira, Calembe e Oriente" e roças menores.

Após o falecimento de Manoel da Costa Guimarães, ocorrido na segunda metade da Década em curso, a área adquirida por ele - parte da Fazenda do Secretário e mais a Roça do Secretário - foi herdada por sua viúva, D. Francisca de São Felix. Em 1771, essa nova titular, alegando que a área vendida ao seu falecido marido era inferior àquela que constava na escritura, suspendeu o pagamento das prestações restantes e deu início à uma reclamação judicial. Imediatamente, Antonio Pegado de Carvalho, requereu uma Medição Judicial para aferição das "antigas terras do Secretário", cujo laudo não confirmou as acusações da reclamante.

Ainda no ano de 1771, D. Francisca de São Felix vendeu todas suas terras para o Pe. Antonio Leal Pennafiel que as manteria sob sua posse por mais de cinco décadas.

Considerando a locação original da Sesmaria como um todo e sem levar em conta os diversos desmembramentos que foram efetuados, os seus confrontamentos eram os seguintes:

pelo norte as "roças dos sucessores de Francisco Fagundes do Amaral e de Antonio Gonçalves de Carvalho";

pelo leste a Sesmaria de Joaquim José Pegado;

pelo sul a Sesmaria Magé; e

pelo oeste a Roça do Secretário e parte da Sesmaria das Pedras.

A Fazenda do Secretário era cortada na sua parte sul pela Variante do Atalho, no trecho entre a Ponte do Pedro Martins e a Roça do Secretário, ao longo da qual foram se desenvolvendo os "embriões das Fazendas Alto Pegado, Calembe, Cachoeira e Oriente", além de outras roças menores, localizadas nas proximidades da "Ponte do Pedro Martins".

O Pe. Pennafiel que, na Roça do Secretário se dedicava às culturas mais seletivas, ampliou, nas áreas da "fazenda", a pecuária de maior porte e seus canaviais.

A Sesmaria, ou Fazenda, do Secretário, completou a Faixa de Sobrequadras Leste do Atalho e apesar de possuir cerca de 30% de sua área em terras consideradas na época como pré-paraibanas e, após ter sido submetida à Medição Judicial de 1771, contribuiu decisivamente para a definição da "Base Topográfica Norte do TPCP".

Seguindo para o norte, ficavam as Sesmarias ocupadas pelos sucessores de Francisco Fagundes do Amaral (1723) e de Antonio Gonçalves de Carvalho (1734).

Faixa de Pós-Sobrequadras Leste do Atalho

As informações colhidas para reconstituição das ocupações procedidas na Faixa de Pós-Sobrequadras Leste durante o Século XVIII foram insuficientes para que todas as Sínteses Retrospectivas que se seguem, fossem mantidas no mesmo nível de detalhamento daquelas apresentadas até agora.

No nosso entender, o pouco interesse pelas terras dessa faixa e o baixo rendimento das ocupações efetuadas até o final do Século em curso foram causas primordiais para a carência de informações a tal respeito. Voltamos a afirmar que, nos poucos casos em que não dispúnhamos de dados absolutamente concretos, tivemos de recorrer a algumas conjecturas - somente hipóteses mais prováveis -, artifício esse que nos permitiu oferecer aos leitores uma idéia geral sobre tais propriedades, sem comprometimento da verdade histórica. Estamos certos de que os informes que conseguimos alinhavar poderão ser bastante úteis para futuros estudos ampliações e aperfeiçoamentos.

Sesmaria Goularte (Restante)

A Quadra-Padrão concedida a Antonio da Silveira Goularte pela Carta de Sesmaria de 18.I.1760 e confirmada por SMR a 30.VII.1761, deveria confinar "pela parte do poente com as terras de Manoel Correa da Silva" e estender-se por uma légua em direção à Serra dos Órgãos.

Entretanto, nos seus primeiros dez anos ela passou por uma série de indefinições e reajustes. Na Síntese Retrospectiva da Fazenda Santo Antonio foram descritas, nos mínimos detalhes, as pendências jurídicas que levaram às inúmeras alterações do posicionamento da sua linha divisória com a Sesmaria Muniz / Manoel Correa e, conseqüentemente, exigiram relevantes alterações na forma e dimensões da Sesmaria em pauta.

Todas as atividades dessa data estavam concentradas na Fazenda Santo Antonio que, pela sua posição em relação à Variante do Atalho e à orografia local, assumira toda a identidade da Sesmaria Goularte.

Na Década de 70, logo em seguida à homologação definitiva da Sesmaria Muniz / Manoel Correa como Quadra Padrão, a Sesmaria Goularte, também outorgada como Quadra-Padrão, foi deslocada para a direção leste, na distância de 1.000 braças.

Portanto, só iremos tratar neste tópico da Sesmaria Goularte (1760), a partir da fase em que ela foi deslocada inteiramente para a Faixa de Pós-Sobrequadras Leste do Atalho, após ter perdido a área ocupada pela Fazenda Santo Antonio.

Na nova posição, essa data tinha início cerca de 450 braças a montante da confluência dos Rios Magé (Santo Antonio) e Cuiabá, cruzava o espinhaço da Serra dos Órgãos e avançava meia légua pelas vertentes opostas, já no Vale do Paquequer Pequeno.

A maior parte do seu termo se desenvolvia por terrenos rochosos e escarpados, sobrando apenas uma reduzidíssima área com potencial para atividades rurais.

A locação definitiva foi feita:

em forma de Quadra-Padrão;

testada e linha de fundo leste medindo 3.000 braças, orientadas no rumo NNO (337,5º v);

linhas de lado norte e sul medindo 3.000 braças, orientadas no rumo ENE (067,5º v);

confrontantes - pelo norte a Sesmaria de João Gonçalves Rainho, pelo leste os "sertões do Vale do Paquequer Pequeno", pelo sul os "sertões da Serra dos Órgãos" e pelo oeste a Fazenda Santo Antônio (na qual fazia testada); e

área total com 9.000.000 de braças quadradas.

O acesso ao setor sudoeste da Sesmaria podia ser feito por extensões das vias utilizadas pela Fazenda Santo Antonio.

Não há qualquer registro sobre exploração de suas terras na fase em tela.

Seguia-se ao norte a Sesmaria de João Gonçalves Rainho.

Sesmaria ou Fazenda de João Gonçalves Rainho

A data concedida a João Gonçalves Rainho pela Carta de Sesmaria de 26.I.1761 e confirmada por SMR em 3.XI.1761, não ficou bem definida em seu Foral, tanto no que se referia ao dimensionamento, vagamente estipulado em "meia légua ou uma (sic)", quanto à localização que fora descrita em termos confusos e fazendo referências a diversas propriedades que nada tinham a ver com a área em pauta. De concreto aproveitava-se, apenas, a menção de que ela deveria ocupar uma área entre as "terras de Joaquim José Pegado e as de Antonio da Silveira" (certamente Antonio da Silveira Goularte), o que só seria factível na Faixa de Pós-Sobrequadras Leste, onde havia um espaço vago medindo, justamente, 3.000 braças por 3.000 braças.

Supomos que ela possa ter sido locada como a seguir especificado em virtude de ter ficado do disponível no "croqui de locações" que organizamos, uma área praticamente igual:

em forma de Quadra Padrão;

testada e linha de fundo leste medindo 3.000 braças, orientadas no rumo NNO (337,5ºv);

linhas de lado norte e sul medindo 3.000 braças, orientadas no rumo ENE (067,5ºv);

confrontantes - pelo norte a Sesmaria de Joaquim José Pegado (1758), pelo leste os sertões das Serras dos Órgãos e Taquaril, pelo sul a Sesmaria de Antonio da Silveira Goularte (1760) e pelo oeste a Sesmaria Goulão (1760) e parte da Sesmaria Magé (1760) (nas quais fazia testada); e

área total estimada com 9.000.000 de braças quadradas.

Nada ficou registrado sobre as atividades desenvolvidas na data em pauta.

Entretanto, há provas da atuação de João Gonçalves Rainho nessa área, o que pode ser confirmado através da sua participação em 1771, como testemunha, na organização do Testamento do proprietário da Fazenda da Ponte, Domingos Rodrigues da Rocha, de quem era vizinho.

Essa Sesmaria era cortada pelos Rios Cuiabá e Carvão (depois Rio da Arca), onde nas áreas ribeirinhas existiam terrenos adequados para a agricultura de pequeno e médio porte e pequenas criações.

Não sendo servida diretamente pelo Atalho, o acesso ao setor sudoeste poderia ser feito por extensões das veredas que conduziam à Fazenda Santo Antonio ou ao "embrião da Fazenda Arca-de-Noé".

Seguia-se ao norte a Sesmaria de Joaquim José Pegado (1758).

Sesmaria ou Fazenda de Joaquim José Pegado

A Quadra-Padrão concedida a Joaquim José Pegado pela Carta de Sesmaria de 5.VI.1758 e confirmada por SMR a 17.V.1760 deveria se estender para o leste, no mesmo alinhamento da Roça do Secretário e da Sesmaria do Secretário.

Em 1771, por ocasião da Medição Judicial das "terras do Secretário", a sua linha divisória com a Sesmaria do Secretário foi aferida e homologada, tendo esse concessionário assinado o "Termo de Medição".

Uma significativa porção do norte dessa Sesmaria ficava em terras pré-paraibanas.

Ela era cortada pelo Piabanha que, nesse segmento, fazia uma brusca inflexão para a direita, passando a correr segundo o eixo ENE (067,5ºv). E, a partir da "paragem do Sumidouro", esse rio começava a se estreitar e se encachoeirar, ficando cada vez mais espremido entre a Serra da Cambota e os contrafortes das Serras do Taquaril, até atingir o ponto mais crítico, no "cânion da Jacuba".

De uma forma geral a superfície ocupada por essa Sesmaria era muito acidentada e, em grande parte, coberta por imensos blocos graníticos. As terras agricultáveis eram poucas, a maior parte das quais nas áreas ribeirinhas do Piabanha, cujo destaque fazemos a uma delas que daria origem ao "embrião da Fazenda Santa Anna do Piabanha", na localidade mais tarde conhecida como Barra Mansa.

Essa data foi locada:

em forma de Quadra-Padrão;

testada e linha de fundo leste medindo 3.000 braças, orientadas no rumo NNO (337,5º v);

linhas de lado norte e sul medindo 3,000 braças, orientadas no rumo ENE (067,5º v);

confrontantes - pelo norte a Sesmaria de Caetano Manoel da Motta Ferraz (1741), pelo leste as "terras de José Álvares Bastos e demais sucessores de Valério Gomes da Silveira (1749)", pelo sul a Sesmaria de João Gonçalves Rainho (1761) e pelo oeste a Sesmaria do Secretário (1734) (na qual fazia testada).

Até então, a Fazenda de Joaquim José Pegado era servida por uma incipiente vicinal que se iniciava nas proximidades da Ponte do Pedro Martins e seguia ao longo das vertentes mais favoráveis do Piabanha.

Há indícios de que, naquela época, já estavam em desenvolvimento tentativas de ligação com a "paragem do Brejal", através de derivações do "complemento do embrião do Caminho de Mar de Espanha" no trecho entre a "paragem do Sumidouro do Piabanha" e o Rio Paquequer.

Essa Sesmaria, que teve a sua linha de fundo oeste homologada pela "Medição Judicial de 1771 das terras do Secretário", contribuiu para a consolidação da base topográfica do Setor Nordeste do TPCP.

Seguia-se ao norte, em terras quase totalmente pré-paraibanas, a Sesmaria de Caetano Manoel da Motta Ferraz (1741) e ao leste, fora da Faixa de Pós-Sobrequadras, já dentro do Apêndice Nordeste, a Sesmaria que foi de Valério Gomes da Silveira (1749).

Sesmaria ou Fazenda de Caetano Manoel da Motta Ferraz

A Quadra-Padrão concedida a Caetano Manoel da Motta Ferraz pela Carta de Sesmaria de 6.X.1741 e confirmada por SMR em 4.VII.1746, deveria ser locada no alinhamento, "para a parte do leste.... das terras do Capitão-Mor Francisco Fagundes [do Amaral]".

Não há qualquer dado sobre como ela, realmente, foi locada. Sabe-se, apenas, que deveria confrontar, pelo norte, com a Sesmaria de Jerônimo Coutinho da Silva. Entretanto, usando-se informações indiretas, foi possível inferir que ela deveria ocupar a Pós-Sobrequadra Leste, seguinte à da Sesmaria de Joaquim José Pegado. Sua locação conjectural seria:

em forma de Quadra-Padrão;

testada e linha de lado oeste medindo 3.000 braças orientadas no eixo NNO (337,5ºv); e linhas de lado norte e sul medindo 3.000 braças orientadas no rumo ENE (067,5ºv); fazia testada, pelo oeste, sobre a Sesmaria pré-paraibana de Antonio Gonçalves de Carvalho; e

confrontantes - pelo norte a Sesmaria pré-paraibana de Jerônimo Coutinho da Silva, pelo leste os "sertões do Piabanha", pelo sul a Sesmaria de Joaquim José Pegado, pelo oeste a Sesmaria pré-paraibana de Antonio Gonçalves de Carvalho.

Apenas, uma diminuta parte do setor sudeste dessa data - cerca de 10% - ficava inserida no TPCP, a qual foi, justamente, a única área ocupada da Sesmaria original, cujo acesso era feito por uma vereda que partia da Ponte do Pedro Martins.

Através dela, também foram efetuadas tentativas de interligação ao "Valle do Rio Preto", através da transposição da Serra da Cambota.

Esta foi a última Síntese Retrospectiva da Faixa de Pós-Sobrequadras Leste do Atalho e, em seguida, passaremos para o Apêndice Nordeste.

Apêndice Nordeste

O fenômeno que provocou a corrida para ocupação das terras do Médio Inferior Valle do Parahyba, devido à intempestiva chegada da cafeicultura nessa micro-região, sem dúvida alguma, atingiu o Apêndice Nordeste, oferecendo novas perspectivas para as culturas seletivas de grande porte naquela vasta área - ainda totalmente inculta -, tais como, café e cana-de-açúcar.

Daí podermos afirmar que o repentino interesse pelas férteis e orograficamente suaves terras do Valle do Rio Preto, decorreu de uma causa exógena ao TPCP e sem qualquer vinculação direta com o Atalho.

Essa característica, delineada desde os primórdios da evolução pré-petropolitana, acentuava que aquele apêndice da micro-região da Bacia do Rio Piabanha gozava de uma identidade própria, totalmente diferente daquela que se sedimentara no restante do TPCP.

Sesmaria de Valério Gomes da Silveira

Uma Quadra-Padrão foi concedida a Valério Gomes da Silveira pela Carta de Sesmaria de 7.II.1749. Não temos informações sobre sua confirmação. Apenas sabemos que ela foi efetivada.

Essa foi a primeira ocupação procedida, até então, no Apêndice Nordeste e tudo leva a crer que sua evolução ocorreu de forma desordenada, devido ao quase isolamento viário e ao seu posicionamento desfavorável - além da Faixa de Pós-Sobrequadras Leste - totalmente fora do corpo principal do TPCP.

A única prova de continuidade da propriedade em tela pode ser constatada através da Carta de Sesmaria de 10.VI.1799, confirmada a 8.VII.1805 em nome de José Álvares Bastos. Dos termos expressos no respectivo Foral, podem ser retiradas preciosas informações. Dentre elas citaremos, somente o trecho que julgamos ser o mais esclarecedor: "... uma sorte de terras situada na quadra de Valério Gomes da Silveira, em terras que comprara a Luiz Álvares da Cunha por não ter título de Sesmaria e querer possuir o mesmo sítio com ordens e por concessão de S. Majestade necessitava que se lhe concedesse terras que se acharem entre D. Paula e o falecido Joaquim José Pegado, que eram pouco mais ou menos oitocentos e tantas braças segundo a Medição futura da testada com o sertão que se achar (sic)".

Sem necessidade de maiores aprofundamentos, podemos confirmar as seguintes informações sobre tal Sesmaria de Valério Gomes da Silveira:

a locação foi feita no umbral do Apêndice Nordeste, nas cercanias da Barra do Brejal no Piabanha, distante cerca de 1.500 braças da Barra do Rio Preto;

fazia testada, pelo oeste, na Sesmaria de Joaquim José Pegado;

ela foi gradativamente subdividida em roças menores; e

no ano de 1805, a sua melhor parte, nas cercanias da Barra do Rio Brejal, iria ser confirmada em nome de José Álvares Bastos.

Até o final da Década de 50, não foi registrado qualquer fato que tivesse ocorrido nessa área. Tampouco, foram observados, até então, sinais concretos de evolução.

No nosso entender José Álvares Bastos que esperou sete anos para legalizar sua posse - magnificamente localizada na mais promissora área dos arredores da Barra do Rio Brejal no Piabanha -, sem dúvida alguma, foi alertado pela corrida desenfreada que estava se desencadeando naquele momento para ocupação das férteis terras do Valle do Rio Preto. Ele estava plenamente ciente da valorização que teriam as terras que, sem maiores preocupações e garantias, vinha explorando há muito tempo e, por tais razões, resolveu regularizá-las.
Cabe ressaltar que a "pioneira Sesmaria do Valério", pela sua posição privilegiada que cobria todo o Vale do Rio Brejal e a banda esquerda do Baixo Valle do Rio Preto, constituía o portal do Apêndice Nordeste.

A concepção conjectural dessa data - com elevado grau de aproximação - seria:

em forma de Quadra-Padrão;

testada e linha de fundo leste medindo 3.000 braças, orientadas no rumo NNO (337,5º v);

linhas de lado norte e sul medindo 3.000 braças, orientadas no rumo ENE (067,5°v);

confrontantes - pelo norte a Sesmaria de Silvestre Gomes da Silva (1793), pelo leste os "altos sertões dos Rios Preto e Brejal", pelo sul os "sertões do Taquaril" e pelo oeste a Sesmaria de Joaquim José Pegado (1758) (na qual fazia testada); e

área total estimada com 9.000.000 braças quadradas.

Ante a corrida para obtenção das "terras do Rio Preto (Apêndice Nordeste)" e a expectativa criada através da concretização do "embrião do Caminho de Mar de Espanha" - efetuada pelo Bacharel Francisco Pereira Nunes - via essa que ligava o Piabanha à "passagem de Mar de Espanha (mais tarde Porto Velho)", estava prevista uma radical ocupação de todo o Apêndice Nordeste, incluindo a área em que foi locada a pioneira data do Valério Gomes da Silveira (1749).

Enquanto não ficasse consolidado o "complemento do embrião do Caminho de Mar de Espanha até Sumidouro do Piabanha", seria necessário manter ligações com o Caminho Geral de Minas Gerais - Atalho -, as quais continuariam, ainda por algum tempo mais, processando-se pelas incipientes vias que conduziam a Sebollas ou Parahyba, bem como pelas muito precárias veredas marginais pelas Serras do Taquaril e Cambota.

Seguiam-se na direção geral ENE as dez datas concedidas no Valle do Rio Preto que, na fase em tela, se encontravam em fase de implantação.

As Demais Sesmarias do Apêndice Nordeste

Além da Síntese Retrospectiva da Sesmaria do Valério, nenhuma outra será apresentada, tendo em vista que, naquele final de Século, a efetivação da ocupação das "terras do Rio Preto" estava, apenas, começando. Em razão disso, apenas, citaremos os nomes daqueles que, antes do ano de 1800, foram outorgados com Sesmarias, constando, entre parênteses, as datas de expedição das respectivas Cartas de Sesmaria e das Cartas Régias de Confirmação:

- Francisco Nunes Pereira (25.VIII.1795 / 26.XI.1797)
- José Corrêa Rangel de Bulhões (6.IV.1797 / 24.XI.1800)
- Lourenço de Souza Meireles (6.V.1797 / 24.XI.1799)
- Joaquim de Souza Meireles (9.V.1797 / 2.IV.1799)
- Damaso Moreira de Carvalho (30.V.1797 / 2.IV.1799)
- Bento José de Magalhães Bastos (12.V.1797 / 2.IV.1799)
- José de Souza Santos (6.VI.1797 / 13.III.1799)
- Joaquim da Silva Marques (30.VIII.1797 / 7.I.1800)
- Francisco Xavier da Cruz (1.III.1798 / 19.XI.1800)
- João Pinto Coelho de Souza (26.VI.1798 / 10.I.1800)

Até pouco tempo atrás, um meticuloso estudo sobre essas e todas as demais ocupações verificadas no Valle do Rio Preto e adjacências esteve sendo desenvolvido criteriosamente pelo casal de pesquisadores locais: D. Jany de Oliveira Limongi e o Professor Carlos Alberto Limongi. Após o recente falecimento desse ilustre, douto, abnegado e competente historiógrafo, sua viúva D. Jany está dando prosseguimento, sozinha, a essa importantíssima tarefa.

Por essa razão, entendemos não ser oportuno discorrermos paralelamente sobre uma área com tão peculiar identidade - bem diferente da do TPCP - e tão conhecida pelos citados pesquisadores.

Neste ponto, concluímos a série de Sínteses Retrospectivas referentes à Banda Leste do Atalho e, em seguida, passaremos para a Banda Oeste.

Faixa de Sobrequadras Oeste do Atalho

A Banda Oeste do Atalho, apesar de não ter sido servida diretamente por esse Caminho Geral, também, seria contemplada pela nova conjuntura, estando previsto um razoável incremento, devido às boas perspectivas da rota marginal, formada pelo Caminho do Sardoal e seus segmentos constituídos pelo Atalho do Caminho do Sardoal e pelo Caminho da Taquara.

Desde priscas eras essa rota, não autorizada, mas tacitamente tolerada, vinha viabilizando as ocupações procedidas nas Faixas de Sobrequadras e Pós-Sobrequadras da Banda Oeste do Atalho, processadas nas áreas das nascentes do Piabanha e Rio da Cidade e nas terras ribeirinhas do Valle do Sardoal (Fagundes) situadas nos cursos Médio e Alto do rio formador. Ante a nova conjuntura, as mais setentrionais dessas propriedades poderiam ser visualizadas como detentoras de um significativo potencial para as culturas extensivas de cana-de-açúcar e café.

Fazenda Quitandinha

A Fazenda Quitandinha originou-se da aglutinação de duas áreas contíguas, situadas no extremo meridional da Faixa de Sobrequadras Oeste do Atalho.

A "paragem Quitandinha", desde o início do Terceiro Quartel do Século XVIII, gozava de uma identidade local e já fazia jus a esse cognome. 

Quanto à origem do termo, podemos afirmar que se tratava do diminutivo aportuguesado de "kitanda" que, no idioma quimbundo, significa feira ou venda.

Isso parece ter algum fundamento devido à localização da "paragem da Quitandinha", situada justamente na conexão do Atalho do Caminho do Sardoal com o Caminho da Taquara, em posição proeminente em relação ao Porto do Rio de Janeiro.

Em 1773 Manoel Gonçalves Malta, sesmeiro da Raiz-da-Serra e fundador da Fazenda Cordoaria, comprou de Sebastião de Souza Vellasco - neto do pioneiro Domingos Rodrigues Távora - o desmembramento de 2.250.000 braças quadradas, feito na parte sul da Sesmaria Távora / Vellasco.

Ao norte de suas terras - já reorientadas sobre o eixo do Caminho da Taquara - que se estendiam, desde a Fazenda Cordoaria até o limite sul da Sesmaria Távora / Vellasco, ele reservou uma área, também com 2.250.000 braças quadradas, que foi anexada àquela que acabara de comprar, dando surgimento ao "embrião da Fazenda Quitandinha".

Provavelmente o Caminho da Taquara foi melhorado por ele, viabilizando a sua integração à rota alternativa que era complementada pelo Atalho do Caminho do Sardoal e pelo Caminho do Sardoal, com uma derivação para o Atalho de Paty do Alferes.

Não há registros sobre o desempenho dessa propriedade no restante do Século XVIII. Sabemos apenas que, nessa fase, o interesse pelas terras meridionais da Faixa de Sobrequadras Oeste do Atalho aumentou consideravelmente, sinal de que, através delas estava se desenvolvendo um tráfego efetivo.

A demarcação definitiva dessa fazenda só pôde ser efetuada após a definição das divisórias das datas contíguas: Fazenda Córrego Secco e "embrião da Fazenda Alto da Serra".

Ela foi locada no formato de um hexágono irregular composto por um paralelogramo superposto a um retângulo.

A área procedente das "terras do Malta", foi locada:

em forma de retângulo;

testada e linha de fundo oeste medindo 750 braças, orientadas no rumo NNO (337,5º v);

linhas de lado norte e sul medindo 3000 braças, orientadas no rumo ENE (067,5º v);

confrontantes - pelo norte o desmembramento da Sesmaria Távora / Vellasco, pelo leste o "embrião da Fazenda Alto-da-Serra" (na qual fazia testada), pelo sul a Fazenda Cordoaria e pelo oeste os "sertões da mantiquira"; e

área de 2.250.000 braças quadradas.

A área procedente das "terras do Vellasco" foi locada:

em forma de paralelogramo;

testada e linha de fundo oeste medindo 1.100 braças, orientadas no rumo N-MQL-NE (019,5º v);

linhas de lado norte e sul medindo 3.000 braças, orientadas no rumo ENE (067,5º v);

confrontantes - pelo norte o restante da Fazenda Vellasco, pelo leste a Fazenda Córrego Secco (na qual fazia testada), pelo sul a área desmembrada da Sesmaria do Malta e pelo oeste "as terras que foram do Marcos da Costa na Serra da Boa Vista"; e

área de 2.250.000 de braças quadradas.

Cada uma dessas partes perfazia 2.250.000 braças quadradas, ficando a área total com 4.500.000 braças quadradas.

O "embrião da Fazenda Quitandinha" gozava do privilégio de ser cortado pela rota marginal que se estendia do Sardoal até a Baixada, podendo utilizar, Serra-Acima, uma curta conexão com o Atalho.

Após as mortes de Manoel Gonçalves Malta e de sua esposa Quitéria Maria de Jesus, o Formal de Partilha dos bens do casal foi executado, em 30.III.1789.

O "embrião da Fazenda Quitandinha" coube à neta Angélica Valleriano e a seu marido Francisco Dias Chagas, os quais, naquela época, estavam em processo de separação.

Francisco Dias Chagas comprou a parte que cabia a Angélica e, pouco depois, entrou em negociações para venda da área total a Ambrosio de Souza Coutinho, ficando essa transação consumada em 1796.

Daí por diante esta propriedade passou a ser citada como Fazenda Quitandinha e seu novo proprietário, que havia comprado em 1789 a Fazenda Vellasco e a Fazenda Morro Queimado, passou a deter uma vasta área contínua, com cerca de 10.000.000 braças quadradas.

Não há nenhuma referência sobre um expressivo desempenho da Fazenda Quitandinha como propriedade rural. Entretanto, ela foi de suma importância para consolidação da ocupação e o desenvolvimento das demais propriedades da Faixa de Sobrequadras Oeste e, também, das outras na Faixa de Pós-Sobrequadras Oeste.

A Fazenda Quitandinha, após ter sido devidamente demarcada, contribuiu para o estabelecimento da base topográfica do Setor Sudoeste do TPCP.

Seguia-se, ao norte, a Fazenda Vellasco.

Fazenda Vellasco

A Fazenda Vellasco originou-se da data concedida a Domingos Rodrigues Távora pela Carta de Sesmaria de 25.VI.1728 e confirmada por SMR a 5.III.1729.

Localizada contiguamente, pelo oeste, à Sesmaria Tamaraty, ela foi a primeira terra do TPCP outorgada fora da Faixa de Quadras do Atalho, podendo ser alinhada dentre as sesmarias pioneiras na "serra-acima de Inhomirim".

Salvador Antonio Vellasco, que era neto do primeiro concessionário, tornou-se o segundo titular em virtude da doação em vida que seu avô lhe fizera.

Em 1773 ela sofreu, em sua parte sul, o desmembramento de uma área com 2.250.000 braças quadradas que foi vendida a Manoel Gonçalves Malta, fundador da Fazenda Cordoaria e proprietário das terras limítrofes, vertentes para a Baixada, fato esse amplamente apreciado na Síntese Retrospectiva anterior.

Entre 1775 e 1780, a Fazenda Vellasco coube, por herança, às herdeiras de Salvador Antônio Vellasco, D. Anna Joachina Vellasco e D. Josepha Maria Vellasco.

Em 1782 ela foi comprada por Manoel Correa Pestana e seu filho Luiz da Costa Correa.

Em 1789 ela foi vendida a Ambrósio de Souza Coutinho, estando incluída nessa transação a Fazenda Morro Queimado.

Após a definição, em torno de 1790, dos limites das Fazendas Córrego Secco e Tamaraty ela pôde ser, finalmente, locada:

em forma de paralelogramo;

testada e linha de fundo oeste medindo 1.900 braças, orientadas no rumo N-MQL-NE (019,5º v);

linhas de lado norte e sul medindo 3.000 braças, orientadas no rumo ENE (067,5º v);

confrontantes - pelo norte a Fazenda Morro Queimado; pelo leste a Fazenda Tamaraty e uma parte do Córrego Secco (nas quais fazia testada), pelo sul a Fazenda Quitandinha e pelo oeste as "terras que foram do Marcos da Costa na Serra da Boa Vista" e

área total de 2.250.000 braças quadradas.

Posicionada na Faixa de Sobrequadras Oeste, ela era cortada pelo Atalho do Caminho do Sardoal e podia ligar-se ao Atalho, através de precárias veredas que partiam das Fazendas Morro Queimado e Quitandinha.

Situada em área acidentada, a Fazenda Vellasco não alcançou o menor sucesso como propriedade agrícola, tendo sofrido diversas invasões e aforamentos irregulares por parte dos proprietários vizinhos.

Juntamente com a Fazenda Quitandinha ela contribuiu para o estabelecimento da base topográfica do Setor Sudoeste do TPCP.

Seguia-se, ao norte, a Fazenda Morro Queimado.

Fazenda Morro Queimado

A Fazenda Morro Queimado originou-se da data concedida a Pedro Martins Coimbra pela Carta de Sesmaria de 29.II.1762, confirmada a [176..], que deveria ser locada na "sobrequadra do Rio da Cidade e Paciência, para a parte do Poente".

O concessionário inicial e seus herdeiros instalaram-se na parte norte da Sesmaria onde dispunham de excelentes áreas de várzea, no final do Médio Valle do Rio da Cidade, área essa que ficou cognominada como "Fazenda dos Martins".

A parte sul da data, situada em área acidentada e praticamente saturada pelas serras formadoras das nascentes do Rio Piabanha e do divisor de águas com o Rio da Cidade, foi desmembrada num total de 4.500.000 braças quadradas que foram vendidas em 23.VIII.1782 a Francisco Correa Pestana e seu filho.

No início do Último Quartel do Século XVIII, essa parte já era conhecida como "Morro Queimado", devido a um morro existente nas proximidades de sua área central, cuja vegetação fora destruída por um incêndio.

Ali, Francisco C. Pestana fundou a Fazenda Morro Queimado, que foi assim locada:

em forma de retângulo;

testada e linha de fundo oeste medindo 1.500 braças, orientadas no rumo NNO (337,5º v);

linhas de lado norte e sul medindo 1.500 braças, orientadas no rumo ENE (067,5º v);

confrontantes - pelo norte a Fazenda dos Martins, pelo leste a Fazenda Rio da Cidade (na qual fazia testada), pelo sul a Fazenda Vellasco e pelo oeste os "as terras que foram do Marcos da Costa"; e

área total de 4.500.000 braças quadradas.

A Fazenda Morro Queimado era servida pelo Atalho do Caminho do Sardoal. E, através de uma precária vereda, podia ligar-se diretamente ao Atalho

Nenhuma atividade rural mais significativa foi registrada nessa fazenda.

Juntamente com a Fazenda dos Martins, essa data contribuiu para a consolidação da base topográfica do Setor Oeste do TPCP.

Seguia-se, ao norte, a Fazenda dos Martins.

Fazenda dos Martins

A Fazenda dos Martins originou-se da data concedida a Pedro Martins Coimbra, pela Carta de Sesmaria de 29.II.1762, confirmada por SMR em [176..] e, na conformidade do que fora estipulado em seu Foral, deveria localizar-se "na sobrequadra do Rio da Cidade e Paciência para a parte do Poente".

A parte sul da área onde deveria ser instalada era muito acidentada e oferecia poucas possibilidades para agricultura, enquanto que a parte norte, situada no Médio Vale do Rio da Cidade, dispunha de excelentes várzeas, propícias às atividades rurais de médio porte.

O concessionário instalou a casa-sede nessa parte sul e aos poucos a Sesmaria ficou conhecida como "Fazenda dos Martins" ou, popularmente, "os Martins".

Em 1772 a parte sul da Sesmaria foi desmembrada e negociada, conforme pudemos apreciar em maiores detalhes na Síntese Retrospectiva da Fazenda Morro Queimado.

A Fazenda dos Martins foi locada:

em forma de retângulo;

testada e linha de fundo oeste medindo 750 braças, orientadas no rumo NNO (337,5º v);

linhas de lado norte e sul medindo 3.000 braças, orientadas no rumo ENE (067,5º v);

confrontantes - pelo norte a Fazenda do "Malta Serra-Acima", pelo leste a Fazenda Rio da Cidade (na qual fazia testada), pelo sul a Fazenda Morro Queimado e pelo oeste os "as terras que foram do Marcos da Costa".

A Fazenda dos Martins ocupava uma posição privilegiada, envolvida pela Serra de Santa Catharina, pela Serra da Boa Vista (também chamada, erradamente, "do Couto") e pela Serra Negra que era o divisor de águas entre o Rio Piabanha e o Rio da Cidade.

Desde o final da Década de 20, essa área foi palco de inúmeras tentativas em busca da efetivação do elo viário entre as "terras do Alferes e o Alto Vale do Piabanha".

Assim, sedimentaram-se diversas veredas - nem picadas e, muito menos, caminhos - as quais se entroncavam nas proximidades da Fazenda dos Martins.

Das que temos indícios, arrolamos a "trilha do Mata-Cavalo" e a "vereda pela Serra da Boa Vista" que se alternavam como segmento final do Atalho do Caminho do Sardoal.

Uma terceira vereda que provia acesso à Fazenda do "Malta Serra-Acima", esboçava-se ao longo das vertentes do Rio Araras, em busca do Atalho, junto à Fazenda da Ponte.

Sem ter atingido um nível mais significativo, podemos afirmar que a fazenda dos Martins foi bem sucedida, haja vista os tantos anos nos quais se manteve efetiva sob a direção de Pedro Martins Coimbra, de sua viúva Sebastiana Martins de Abreu e, finalmente, dos seus sucessores.

Essa fazenda que permaneceu por, quase, seis décadas em posse da família Martins Coimbra, mais tarde, cederia seu lugar para a Fazenda do Inglês.

Juntamente com a Fazenda Morro Queimado, ela contribuiu para a consolidação da base topográfica do Setor Oeste do TPCP.

Seguia-se ao Norte a Fazenda do "Malta Serra-Acima".

Fazenda do "Malta Serra-Acima"

A Fazenda do "Malta Serra-Acima" originou-se da data concedida a Boaventura da Cruz Alvarez pela Carta de Sesmaria de 11.II.1762, confirmada por SMR a 29.X.1763, que deveria ser localizada na "Sobrequadra Araras por da parte do Poente (sic)".

Essa área ocupava o Valle do Rio Araras, formado entre as Serras das Araras e de Santa Catharina.

Não ha informações sobre a época em que o primeiro concessionário teria negociado suas terras. Sabe-se apenas que na Década de 90 do Século XVIII elas já pertenciam a Antonio Gonçalves Malta, filho do pioneiro da Fazenda Quitandinha, Manoel Gonçalves Malta.

Entendemos que, Antonio Gonçalves Malta, após ter vendido a Banda Leste da Fazenda Cordoaria que lhe coubera por herança em 1790, tenha comprado a supracitada Sesmaria que ficou famosa como Fazenda do Malta ou Fazenda do "Malta Serra-Acima".

Esse fazendeiro também se tornou dono da parte leste da Sesmaria, contígua pelo Oeste, outorgada em 1761 a José Luiz de Souza, a qual teria dado origem ao "embrião da Fazenda Santa Catharina". (11)

(11) - Autos da “Questão da Fazenda Fagundes Novo”, Fontes Documentais, Ref. 31. 
31.  Autos de "A questão da fazenda Fagundes Novo - Foro da Parahyba do Sul - Libello cível entre partes", transcrito no "Mercantil", edição de [ ] de 1879.


A Fazenda do "Malta Serra-Acima" foi locada:

em forma de retângulo;

testada e linha de fundo oeste medindo 2250 braças, orientadas no rumo NNO (337,5º v);

linhas de lado norte e sul medindo 3.000 braças, orientadas no rumo ENE (067,5º v);

confrontantes - pelo norte a Sesmaria de Leandro da Cruz Alvarez, pelo leste a Sesmaria Araras (na qual fazia testada), pelo sul a Fazenda dos Martins e pelo oeste o "embrião da Fazenda Santa Catharina"; e

área total de 6.750.000 braças quadradas.

A Fazenda do "Malta Serra-Acima", além de ligar-se ao Atalho por uma via vicinal que corria ao longo das vertentes do Rio Araras, conectava-se ao Caminho do Sardoal por uma picada que se desenvolvia ao longo do Córrego da Ponte Funda, tributário do Alto Curso do Rio Fagundes.

A casa-sede foi instalada à margem direita do Rio Araras, próximo à Barra do Córrego Mata-Cavalo, sendo que suas atividades principais concentravam-se nas áreas circunvizinhas.

Tudo indica que ela foi bem sucedida como propriedade rural, tendo em vista a ampliação procedida por Malta em direção ao Alto Sardoal, através da aglutinação do "embrião da Fazenda Santa Catharina".

Mas, para o interesse da pesquisa que realizamos, a precisa locação dessa fazenda - Sesmaria do "Malta, Serra-Acima" - e do seu apêndice - "embrião da Fazenda Santa Catharina" - foi de extrema importância para fixação de uma base para a Faixa de Sobrequadras Oeste.

Pelo exame dos dados colhidos no Inventário do, então, futuro proprietário Carlos Miranda Jordão - organizado no Século XIX - pudemos constatar que ela ocupava precisamente toda a extensão da largura da Sobrequadra Oeste da Sesmaria Araras, cuja testada foi definida na "Grande Medição Judicial de 1762" como sendo de 2.240 braças, medida essa que, praticamente, coincidia com a testada de 2.225 braças que figurou na demarcação efetuada por Malta e na Escritura de venda dessa propriedade para Miranda Jordão.

Cotejando essa locação com aquelas referentes às fazendas Quitandinha, Vellasco, Morro Queimado e dos Martins, podemos concluir que todas as propriedades da Faixa de Sobrequadras Oeste do Atalho tiveram como base as datas contíguas do Faixa de Quadras do Atalho, acompanhando, inclusive, as testadas e os rumos nelas observados.

Devido a isso, podemos assegurar que a base topográfica de toda a Banda Oeste do Atalho é, extraordinariamente, confiável.

Seguia-se ao norte a Fazenda de Leandro da Cruz Alvarez (1758).

Fazenda de Leandro da Cruz Alvarez

A Fazenda de Leandro da Cruz Alvarez teve suas origens na Quadra-Padrão concedida ao supracitado fazendeiro pela Carta de Sesmaria de 14.X.1758, confirmada por SMR a 12.IV.1760, em cujos termos era prevista sua localização "no sertão da dita Fazenda das Pedras se achava uma légua de terra devoluta em quadra, para a parte do Couto" / "e do Poente" / "de uma parte da Cruz e da outra parte do sul partia com o sertão das Araras".

Tudo leva a crer que Leandro da Cruz Alvarez tenha sido um dos pioneiros da revigoração da "antiga rota do Sardoal", pois instalou sua Sesmaria, num ponto importante da via e, justamente, na época em que os melhoramentos estavam começando.

Após a morte de Leandro da Cruz Alvarez seus herdeiros subdividiram a grande Sesmaria e instalaram roças menores, as quais no final do Século em curso, ainda, eram exploradas por eles.

Em 1796 a sua linha divisória norte foi verificada por uma Medição Judicial, requerida pelo titular da Fazenda dos Vieiras.

Essa data foi locada:

em forma de retângulo;

testada e linha de fundo oeste medindo 2.250 braças, orientadas no rumo NNO (337,5º v);

linhas de lado norte e sul medindo 2.250 braças, orientadas no rumo ENE (067º v);

confrontantes - pelo norte a Fazenda dos Vieiras, pelo leste a Fazenda Rocinha das Pedras (na qual fazia testada pelo sul) a Fazenda do "Malta Serra-Acima" e pelo oeste os sucessores de João Baptista Lamin e a Fazenda de José Luiz de Souza; e

área total de 2.750.000 braças quadradas.

O canto nordeste da propriedade ligava-se diretamente à Roça do Secretário, através de uma precária vereda, numa rota que acompanhava o Rio Pequeno. E o canto noroeste ligava-se ao Caminho do Sardoal. Essas ligações ofereciam uma boa perspectiva para a parte norte. A restante parte sul, mais montanhosa, não oferecia as mesmas condições.

Assim, ao correr dos tempos, foi se desenvolvendo pelas várzeas do Rio Pequeno, o "embrião da Fazenda Santa Thereza", nas proximidades da divisa com a Fazenda dos Vieiras.

No canto oposto, noroeste, surgiu o "embrião da Fazenda Santa Rita", cuja sede ficava junto ao Caminho do Sardoal, nas proximidades da confluência do Rio Acima com o Rio Fagundes.

Seguia-se ao norte a Fazenda dos Vieiras.

Fazenda dos Vieiras

A Fazenda dos Vieiras originou-se da Quadra-Padrão concedida a Ignácio Ferreira da Cruz pela Carta de Sesmaria de 10.V.1748 e confirmada por SMR em 15.III.1751, cujos termos previam, muito vagamente, a sua localização "no Caminho de Inhomirim".

Através de fontes indiretas, pudemos inferir que ela foi locada na Sobrequadra Oeste da Roça do Secretário, tornando-se a Fazenda do Sardoal que, pouco depois, sofreu o desmembramento da sua parte sul, vendida para José Pinto da Rocha. A restante parte norte da Sesmaria, quase inteiramente situada em terras pré-paraibanas, continuou mantendo a designação de Fazenda do Sardoal.

Por volta de 1756, Manoel Vieira Affonso comprou o supracitado desmembramento que media 840 braças de testada por 3.000 braças de fundos.

Naquela área, situada no "sítio do Médio Sardoal", o novo proprietário instalou uma fazenda que, ao longo dos tempos, ficaria conhecida como Fazenda dos Vieiras.

Alertamos para um equívoco cometido por diversos pesquisadores que entenderam a fazenda de Manoel Vieira Affonso como sendo a própria Fazenda do Sardoal.

Em 1796, Manoel Vieira Affonso requereu Medição Judicial para verificação das suas divisórias. A sentença foi emitida em 17.XII.1796, tendo sido confirmada uma testada medindo 840 braças e fundos medindo 3.000 braças. Naquela ocasião, a linha de lado norte da Sesmaria de Leandro da Cruz Alvarez teve de ser corrigida.

Próximo ao final da Década de 90, Manoel Vieira Affonso fez doação em vida a seus filhos da Fazenda dos Vieiras e foi residir na sua Fazenda Córrego Secco com a esposa D. Catharina Josepha.

A Fazenda dos Vieiras foi locada:

em forma de retângulo;

testada e linha de fundo oeste medindo 840 braças, orientadas no rumo NNO (337,5º v);

linhas de lado norte e sul medindo 3.000 braças, orientadas no rumo ENE (067,5º v);

confrontantes - pelo norte a Fazenda do Sardoal, pelo leste a Roça do Secretário (na qual fazia testada), pelo sul o "embrião da Fazenda Santa Thereza" e o "embrião da Fazenda Santa Rita e pelo oeste a Sesmaria de João Baptista Lamin; e

área total de 2.520.000 braças quadradas.

A Fazenda dos Vieiras era servida na parte norte pelo Caminho do Sardoal e no seu lado leste pela vereda que ligava a Roça do Secretário ao "embrião da Fazenda Santa Thereza".

Implantada em terras favoráveis para atividades rurais em geral, era privilegiadamente situada em relação ao Atalho e à "rota marginal do Sardoal". Além do mais, sendo administrada pelo competente Manoel Vieira Affonso com a colaboração de seus filhos - dentre eles José Vieira Affonso - podemos afirmar que ela foi bem sucedida. Aliás, devemos levar em conta que, tanto Manoel Vieira Affonso, como seus herdeiros, foram futuramente consideradas abastados fazendeiros da micro-região.

Essa fazenda, que tinha seu Setor Noroeste projetado além da margem esquerda do Rio Fagundes - portanto fora das terras pré-petropolitanas - contribuiu, decisivamente, para compor a base topográfica do Setor Noroeste do TPCP, em face da Medição Judicial pela qual passou.

Seguia-se ao norte a Fazenda do Sardoal.

Fazenda do Sardoal

Como vimos na Síntese Retrospectiva da Fazenda dos Vieiras, a Fazenda do Sardoal originou-se da Sesmaria concedida a Ignácio Ferreira da Cruz, pela Carta de Sesmaria de 10.V.1748 e confirmada por SMR em 15.III.1751.

Antes de 1756, ela sofreu o desmembramento da parte sul que iria constituir a Fazenda dos Vieiras.

Após essa divisão, praticamente, toda a área setentrional restante ficou locada em terras pré-paraibanas.

Somente uma pequena parte do seu canto sudeste - quase toda ela ocupada pela Serra das Onças - ficava dentro do TPCP, porém não temos quaisquer informações sobre sua forma de ocupação ou exploração.

Assim, entendemos não lhe caber uma Síntese Retrospectiva mais detalhada. Essa pequena área que completou a Faixa de Sobrequadras Leste, dentro do TPCP, poderia ser, assim, delineada:

em forma de triangulo retângulo;

cateto medindo 1.000 braças, orientado no rumo NNO (337,5: v);

cateto medindo 1.360 braças, orientado no eixo ENE (067,5º v);

hipotenusa medindo 1.700 braças, traçada sobre o eixo do Rio Fagundes;

confrontantes - pelo noroeste o Rio Fagundes, pelo leste a Roça do Secretário (na qual fazia testada) e pelo sul a Fazenda dos Vieiras; e

área aproximada de 630.000 braças quadradas.

Seguia-se ao norte, em terras pré-paraibanas, o restante da Fazenda do Sardoal.

Faixa de Pós-Sobrequadras Oeste do Atalho

Esclarecimento Prévio

Antes de darmos prosseguimento à apresentação das Sínteses Retrospectivas referentes à Faixa de Pós-Sobrequadras Oeste do TPCP, mister se faz recomendar uma leitura da matéria constante do "Anexo 1", através da qual prestamos alguns esclarecimento prévios, julgados imprescindíveis, sobre as dúvidas que surgiram quanto à verificação dos seus limites com as datas contíguas pelo oeste.

Embrião da Fazenda Santa Catharina - Ex-Sesmaria de J. Vargas Pizzarro

O "embrião da Fazenda Santa Catharina" foi desenvolvido por Antonio Gonçalves Malta, como um acréscimo à sua Fazenda do "Malta Serra-Acima".

Como vimos anteriormente, a área ocupada por essa data, que podia ser estimada em 4.500.00 braças quadradas, seria um sobejo da Sesmaria de José de Vargas Pizzarro (1728).

Ainda que, naquela fase, suas terras não tivessem sido exploradas em maior escala, é importante salientar que por ela se desenvolveram as veredas de interligação dos "Caminhos do Couto, Inhomirim e Sardoal".

Um antigo croqui possibilitou o resgate de sua posição, contígua pelo oeste à Fazenda do "Malta Serra-Acima", isto é, a Ex-Sesmaria de Boaventura da Cruz Alvarez. (13)

(13) - Croqui Topográfico, constante do Inventário de Carlos de Miranda Jordão.


Seus confrontantes eram:

pelo norte a Sesmaria de José Luiz de Souza (1761);

pelo leste o embrião da Fazenda do "Malta Serra-Acima";

pelo sul a parte leste da Sesmaria de Domingos Vieira da Costa (1728); e

pelo oeste a Sesmaria de Domingos Ribeiro Correa [172..].

Seguia-se ao norte a Sesmaria de José Luiz de Souza, na parte leste da qual se desenvolviam o "embrião da Fazenda Cachoeira" e mais adiante o "embrião da Fazenda Santanna do Alto-Sardoal".

Sesmaria de J. Luiz de Souza (Embriões das Fazendas Cachoeira e Santanna.

A Quadra-Padrão que foi concedida a José Luiz de Souza, pela Carta de Sesmaria de 30.I.1761, confirmada a 1.XII.1763, foi amplamente comentada no tópico anterior. Nela desenvolveram-se o "Embrião das Fazenda Cachoeira" e o "Embrião da Fazenda Santanna (do Alto Sardoal)".

Ao longo do Atalho do Caminho do Sardoal que se desenvolvia pela margem direita do Rio Fagundes, num ponto situado cerca de 1.500 braças a montante do ponto de entroncamento do Caminho do Sardoal com o "antigo atalho que partia da Roça do Alferes", teve origem o "embrião da Fazenda Cachoeira".

Cabe citar ainda o "embrião da Fazenda Santa Anna do Sardoal", que apesar de estar situado na outra margem do Rio Fagundes - o divisor natural do TPCP com as "terras do Marcos da Costa" - mantinha fortes vínculos com as roças pré-petropolitanas do Alto Sardoal, inclusive com o "embrião da Fazenda Santa Rita", cujas casas-sede eram muito próximas.

Não há muito a comentar sobre os "embriões de fazenda - Santa Anna e Cachoeira" - que, naquela fase, ainda eram meras roças em formação, e só despontariam no auge da cafeicultura naquela área.

Adiante da Faixa que acaba de ser descrita seguiam as "terras pré-parahybanas".

Esta última Sesmaria e seus embriões, bem como todas as demais datas que parcialmente ocuparam a Faixa de Pós-Sobrequadras Oeste do Atalho, não puderam contribuir para a consolidação da base topográfica do TPCP, tendo em vista as incompatibilidades reinantes, no que se referia aos critérios de locação aplicados nessas duas micro-regiões vizinhas e à impossibilidade de demarcações mais precisas.

Entendemos ter sido esse um dos motivos para que as divisórias entre a Bacia do Piabanha e a Bacia do Ubá permanecessem indefinidas por tão longo tempo.

O Território Pré-Colonial Petropolitano no Limiar do Século XXI

No nosso entender, as Sínteses Retrospectivas das grandes propriedades existentes no TPCP que acabamos de apresentar e os comentários relativos às ocupações que começavam a despontar no Apêndice Nordeste, podem configurar uma bastante aproximada visão global da evolução que se processou nessa micro-região, durante o Século que estava por terminar.

Aproveitamos para reiterar nossa opinião de que esta foi a última oportunidade de uma apreciação nesse gênero e manifestar que tais informações constituirão uma ampla e sólida base para a compreensão e acompanhamento da desenfreada evolução que se processaria no Século XIX.

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