Ensaio entregue pelo autor a 20/01/2006 para inclusão no site, dividido em partes conforme melhor fosse.

PETRÓPOLIS - A SAGA DE UM CAMINHO (1)
Gênese e Evolução do Território Petropolitano

Carlos Oliveira Fróes

Introdução e Índice

INTRODUÇÃO

Quando comecei a me interessar, realmente, pela História de Petrópolis, mergulhei com afinco na farta bibliografia disponível, a qual foi rapidamente devorada. Isso ocorreu, aproximadamente há dezoito anos atrás.

Com toda a "grande experiência de um neófito", concluí que já sabia tudo sobre a memória da minha encantadora terra natal. Logo comecei a rabiscar algumas apreciações e a ensaiar algumas pesquisas. E, à medida que prosseguia nas minhas despretensiosas incursões, sentia um forte desejo de ampliar, cada vez mais, meus conhecimentos.

Rapidamente, parti para um aprofundamento da matéria que havia sido absorvida, ficando completamente envolvido em busca de dados mais amplos e precisos, capazes de propiciar um encadeamento sobre os inúmeros fatos e episódios, até então, publicados.

Para minha frustração, logo percebi que a pretendida possibilidade de encadeamento era bem remota, pois, pouco a pouco, foram despontando algumas dúvidas e controvérsias surgidas do confronto entre as versões apresentadas por uns e outros autores. Apesar de minha inexperiência, também fui capaz de perceber alguns equívocos mais sérios.

Tudo isso teria acirrado a minha curiosidade, levando-me até o limiar da compulsão.

Sem sentir, estava me transformando num pesquisador, em busca das informações que pudessem alinhavar em minha mente uma história local clara, bem encadeada e a mais precisa possível.

Para aperfeiçoar - autodidaticamente - meus conhecimentos sobre a metodologia da investigação científica no setor das Ciências Sociais - onde está situada a Historiografia - consultei as obras de três grandes mestres nesse assunto, recurso esse que me permitiu nortear todas as buscas que decidi empreender. O Professor Carl G. Hempel muito me esclareceu sobre as especificidades da pesquisa na área da Historiografia. O notável Bertrand Russel mostrou-me os caminhos e artifícios para a busca da, praticamente inatingível, verdade histórica. E do competente Pesquisador e Historiógrafo nacional José Honório Rodrigues absorvi preciosos conhecimentos sobre a estrutura e a disciplina específicas a serem adotadas numa Pesquisa Histórica.

Curiosamente, encontrei em minha "papelada" um recorte do artigo "Principais Datas de Petrópolis - Colônia", publicado na edição de 1º de janeiro de 1955 da "Tribuna de Petrópolis", cujo autor, paradoxalmente, era Gabriel Kopke Fróes.

Senti que, mais uma vez, meu pai estava me apontando uma direção a seguir. O artigo, composto por cerca de cento e setenta parágrafos, alinhava cronologicamente todos os eventos mais notáveis referentes aos fundamentos da Memória Petropolitana, desde seus primórdios até 11 de junho de 1859, período esse que elegi para enquadrar o desenvolvimento das minhas pesquisas.

Assim sendo, julguei estar pronto para iniciar uma ciclópica tarefa, cuja meta era elaborar um trabalho, tanto quanto possível, didático e informativo, reconhecendo, de antemão, que em face das minhas limitações e das dificuldades que teriam de ser enfrentadas, deveria me contentar em produzir nada além do que um mero Ensaio.

O tema que entendi ser o mais conveniente à minha proposta ficou conceituado como:
"Gênese e Evolução do Território Petropolitano - Petrópolis, a Saga de um Caminho".

Inicialmente, decidi que a forma de apresentação da narrativa final deveria observar a ordem seqüencial, com emprego de termos claros, precisos - sem a menor pretensão de atingir-se um perfeccionismo literário -, postura essa capaz de atender, tanto a grupos de iniciantes ou de estudiosos mais jovens, quanto a um leitor mais erudito.

No intuito de criar uma estrutura capaz de proporcionar a mais perfeita sintonia entre os fatores espaciais, temporais e factuais de cada um dos pontos da narrativa, decidi adotar uma técnica bastante usada em trabalhos de Geopolítica, na parte relativa ao Levantamento dos Dados Historiográficos, qual seja a de delinear uma base espacial onde se desenrolaram os eventos considerados.

Como base espacial, ficou definida a Micro-Região da Bacia do Rio Piabanha, compreendida pela área onde surgiria Petrópolis. Ficou estabelecido como base temporal o período entre a Abertura do Caminho Novo e a Emancipação de Petrópolis na categoria de Município, o que facilitaria a definição da época exata em ocorreram os atos, fatos e episódios julgados mais importantes, possibilitando o alinhamento cronológico dos mesmos.

A efeméride da "abertura do Caminho Novo" ficou estabelecida como o ponto de partida, a qual, além de ter marcado o início da ocupação da absolutamente devoluta Bacia do Médio Inferior Vale do Paraíba, configurou "a primeira manifestação efetiva em relação ao território onde mais tarde surgiria o Município de Petrópolis", conjectura essa que seria confirmada, cerca de vinte anos mais tarde, pela "abertura do Atalho do Caminho Novo", evento esse que merece ser considerado "Gênese do Território Petropolitano".

Nessa fase inicial da pesquisa, apoiei-me nos preciosos ensinamentos do Grande Mestre Capistrano de Abreu, a respeito da gênese e evolução de um território a partir de um agente penetrador, o que, segundo ele, iria propiciar ocupações de áreas ao longo das vias terrestres ou aquáticas, originadas ou disponíveis. De acordo, ainda, com sua teoria, o subseqüente desenvolvimento dessas áreas, fatalmente, iria dar lugar a acontecimentos dignos de registro, em decorrência das interações ali processadas.

Não tenho a menor dúvida de que todo esse conhecimento adquirido previamente tornou-se de extrema valia para a execução da pesquisa e para a elaboração seqüencial da narrativa que foi prevista para se desenvolver em três períodos distintos: Período Pré-Colonial Petropolitano, Período Colonial Petropolitano e início do Período Municipal Petropolitano.

Uma vez alinhavada uma estrutura básica e concluídas as tarefas preliminares, o trabalho prosseguiu no sentido de alinhar, coordenada e cronologicamente, todos os atos, fatos e episódios, já devidamente conhecidos. E, para o preenchimento das lacunas, esclarecimento das discrepâncias e inclusão de algumas prováveis informações inéditas, foi necessário proceder a uma reanálise das fontes disponíveis e partir para o resgate de novas fontes, tudo isso visando a garantir, tanto quanto possível, um aperfeiçoamento e ordenamento dos "Fundamentos da Historiografia Petropolitana".

Temas memoráveis foram selecionados para constar na narrativa, tais como: "Abertura do Caminho Novo e sua Influência nas Terras da Bacia do Piabanha", "Abertura do Atalho de Bernardo Soares de Proença", "A Ocupação das Terras do Distrito Serra-Acima da Freguesia de Inhomirim", "A Convenção dos Anos 40", "A Variante do Atalho pelo Piabanha", "As Primeiras Questões Lindeiras nas Terras do Atalho", "A Grande Medição Judicial de 1762", "As 47 Propriedades Rurais Pré-Petropolitanas no final do Século XVIII", "A Calçada de Pedra e as Ações do PR D. João em Prol do Território Pré-Colonial Petropolitano", "D. Pedro I Proprietário na Serra da Estrella", "Koeler na Serra da Estrella", "Planejamento da Futura Estrada Normal da Estrella", "Fundação da Povoação de Petrópolis", "O plano de Koeler", "A Colônia de Estrangeiros de Petrópolis", "A epopéia da Chegada dos Primeiros Colonos Germânicos a Petrópolis", "Petrópolis - 2º Distrito da Freguesia de S. José do Rio Preto", "Petrópolis - a Sede da Freguesia de S. Pedro de Alcântara", "O Sucesso da Colônia de Petrópolis e sua Reclassificação como Imperial Colônia de Petrópolis", "A Morte de Koeler", "As Administrações da Imperial Colônia e a Urbanização de Petrópolis", "A Estrada Normal da Estrella", "A Estrada União e Indústria", "Petrópolis - a Segunda Corte", "A Povoação de Petrópolis elevada a Cidade Sede de Município", "A Extinção da Imperial Colônia de Petrópolis", "A Consolidação da Estrutura do Primeiro Governo Municipal de Petrópolis".

Além dos supracitados tópicos, também foram arroladas centenas de outras importantes informações sobre os Fundamentos da Historiografia Petropolitana, as quais foram distribuídas cronologicamente nos diversos capítulos constantes do Ensaio, cobrindo todo o período planejado.

Desejo, ainda, acentuar que o presente trabalho teve como propósito paralelo o de disponibilizar mais um subsídio para reanálises, críticas e discussões visando ao aperfeiçoamento e aprofundamento da Memória Petropolitana. De antemão afirmo que não se trata de uma obra de fácil leitura, tal como um livro de cabeceira. Contento-me que ele se destine primordialmente a ser, nada mais, que um "livro de referência", permanecendo disponível numa prateleira do "setor de história" das bibliotecas públicas e privadas, dos institutos históricos e demais instituições correlatas interessadas, bem como das universidades e colégios.

Finalmente, desejo acrescentar que qualquer leitor que disponha de fôlego suficiente para leitura desse Ensaio poderá, facilmente, entender o motivo que levou o autor a visualizar Petrópolis como a "Saga de um Caminho".

INDICE

Capítulo 1 - O Caminho Novo.
Capítulo 2 - A Variante do Caminho Novo por Inhomirim.
Capítulo 3 - As Ocupações Pioneiras ao Longo do Atalho.
Capítulo 4 - Evolução das Ocupações Pioneiras do Território Pré-Colonial Petropolitano .
Capítulo 5 - Regularização e Consolidação das Ocupações no Território Pré-Colonial Petropolitano .
Capítulo 6 - O Território Pré-Colonial Petropolitano  no Último Quartel do Século XVIII.
Capítulo 7 - O Território Pré-Colonial Petropolitano  no Limiar do Século XIX.
Capítulo 8 - O Território Pré-Colonial Petropolitano  no Novo Século.
Capítulo 9 - A Transmigração da Família Real e as Primeiras Conseqüências no Território Pré-Colonial Petropolitano .
Capítulo 10 - O Território Pré-Colonial Petropolitano  na Década de 20.
Capítulo 11 - D. Pedro I Proprietário no Território Pré-Colonial Petropolitano  e o Início do Período Regencial.
Capítulo 12 - As Obras Viárias na Serra da Estrella.
Capítulo 13 - O Início do Período Colonial Petropolitano e a Fase Koeler.
Capítulo 14 - Fase Galdino Pimentel.
Capítulo 15 - Fase Azeredo Coutinho.
Capítulo 16 - Fase Albino de Carvalho.
Capítulo 17 - Fase Jacyntho Rebello.
Capítulo 18 - Fase Sergio Marcondes de Andrade.
Capítulo 19 - Desativação da Colônia.
Capítulo 20 - Sinopse da Formação e Limites do Território Petropolitano.
Capítulo 21 - Epílogo.

INDICE SUMARIADO (inacabado)

Capítulo 1 - O Caminho Novo - Descoberta das "minas de ouro". Garcia Rodrigues Paes contratado para abertura do caminho da "borda do campo aurífero" ao Porto do Rio de Janeiro. Construção do Caminho Novo. Conclusão e primeiras viagens pelo Caminho Novo. Habilitação do Caminho Geral das Minas do Ouro. As agruras da rota do Caminho Novo. A Questão Emboabas e a Implantação do Poder da Coroa Portuguesa nas "Minas do Ouro". A criação da Capitania de Minas Gerais. Ayres de Saldanha assume a Capitania Geral do Rio de Janeiro.

Capítulo 2 - A Variante do Caminho Novo por Inhomirim - Medidas preliminares do novo Governador sobre a abertura da "variante do Caminho Novo por Inhomirim". Bernardo Soares de Proença e Luiz Peixoto da Silva são outorgados com as duas primeiras Sesmarias, "serra-acima". Abertura de vias de acesso para as novas Sesmarias. Implantação da "Roça do Secretário". Medidas para regularização do projeto de abertura da "variante do Caminho Novo por Inhomirim".  Bernardo de Proença lidera movimento para abertura da "projetada variante" com cooperação de "fazendeiros da Baixada". Início da abertura informal da variante do Caminho Novo, ligando Parahyba à Freguesia de Inhomirim e abertura da "picada base". Complementação das obras de construção da variante com requisitos de caminho. Carta a SMR visando à oficialização das obras de abertura já realizadas. Aprovação de SMR à abertura da variante e sua homologação como Caminho Geral. O "Atalho" e a Gênese do Território Pré-Colonial Petropolitano - TPCP .

Capítulo 3 - As Ocupações Pioneiras ao Longo do Atalho - Retrospectiva das Sesmarias de Bernardo S. de Proença e L. Peixoto da Silva e a "Roça do Secretário. Confirmação das seis novas Sesmarias em série, ao longo do Atalho. Instalação das "6 Sesmarias em série". Alterações nas Sesmarias Rio da Cidade e Araras. Instalação da Sesmaria do Távora, a 1ª fora da "Faixa de Quadras do Atalho".

topo da página

índice de trabalhos

índice de autores