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25/10/2007

BICENTENÁRIO DO ALMIRANTE TAMANDARÉ EM 13 DE DEZEMBRO DE 2007

Cláudio Moreira Bento

O Almirante Joaquim Marques Lisboa e Marquês de Tamandaré – o Nelson Brasileiro, é por tradição cultuado patrono da Marinha do Brasil, e hoje, no Exército, como denominação histórica de seu 6º Grupo de Artilharia de Campanha. Pela Marinha, por ele:

 “Representar na História Naval Brasileira a figura de maior destaque dentre os ilustres oficiais de Marinha que honraram e elevaram a sua classe. E, que neste dia deveria a Marinha render-lhe as homenagens reclamadas por seus inomináveis serviços à liberdade e união dos brasileiros, demonstrando que o seu nome e exemplos, continuam bem vivos no coração de quantos sabem honrar a impoluta e gloriosa farda da Marinha Brasileira”.

Pelo Exército por o considerar o maior herói militar brasileiro nascido na cidade de Rio Grande, sede de seu 6º Grupo de Artilharia de Campanha.

Por seus quase 67 anos de heróicos, lendários e excepcionais serviços, além de por tradição ser consagrado o patrono da Marinha e a data de seu nascimento o Dia do Marinheiro.

O futuro Almirante Tamandaré ingressou na Marinha em 4 de março de 1823, aos 16 anos, tendo sido designado para servir a bordo da fragata “Niterói”, como praticante de piloto, ao comando de Taylor que, integrando Esquadra Brasileira de Lord Cochrane, combateu os portugueses na guerra da Independência, na Bahia, em 1823.

Terminada esta guerra, na qual se destacou, freqüentou por quase um ano a Academia Imperial dos Guardas-Marinha, até ser requisitado pelo Almirante Cochrane para embarcar na nau “D. Pedro I” destinada a combater a Confederação do Equador, no Nordeste. Nestas ações se impôs a admiração e estima dos seus chefes que atestaram que ao tempo de sua participação na guerra da Independência “já possuía condições de conduzir uma embarcação a qualquer parte do mundo”.

Segundo Gustavo Barroso:

“Foi Tamandaré marinheiro do primeiro e segundo Império, que vira o Brasil Reino, guerreara na Independência, no Prata, tomara parte ao lado da lei em quase todas as convulsões da Regência, criara e legara a vitória no Uruguai e no Paraguai à Marinha, do segundo Império, assistira a Proclamação da República, a Revolta na Armada, pisara o convés de tábuas dos veleiros e na coberta chapeada de ferro dos encouraçados, vira a nau e o brigue, o vapor de rodas e o monitor e a couraça e o torpedeiro destinada a vencê-la”.

Após haver combatido na guerra da Independência na Bahia, em 1823 e na Confederação do Equador, em 1824, Tamandaré lutou na guerra da Cisplatina entre 1825-28, inclusive no comando de dois navios, aos 20 anos, quando capturou em ação os barcos adversários “Ana” e “Ocho de Febrero”, além de haver lutado bravamente em Corales e Lara Quilmes. Teve atuação febril no combate às Setembrizada (setembro de 1831) e Abrilada (abril de 1832) e Praieira (1848) em Pernambuco, Sabinada (1835), na Bahia, e Balaiada (1841), no Maranhão. Ali comandou as forças navais, quando, em apoio a Caxias, desempenhou ação decisiva no campo logístico e operacional.

Manteve ação brilhante direta na guerra contra Aguirre, em 1864, e destacada na guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai (1865-70), até 22 de dezembro de 1866.

Seu maior feito militar foi haver comandado a conquista da cidade oriental de Paissandu, 1o e 2 de janeiro de 1865. Vitória que assegurou ao Brasil posição estratégica de real valia na vigilância de fronteira, além de com ela abrir os portos à posse de Montevidéu, conseguida com o acampamento do nosso Exército em Fray Bentos e de nossa Marinha no porto de Montevidéu.

Em 11 de junho de 1865 travou-se a vitoriosa batalha do Riachuelo, a maior batalha naval da América do Sul vencida pela 2ª e 3ª divisões da Esquadra Brasileira sob o seu comando, e então comandada pelo Almirante Barroso.

Tamandaré, depois de relevantes serviços no comando da Esquadra Brasileira em operações, passou o comando da mesma, em Curuzu, encerrando, assim, mais de 30 anos de assinalados serviços à Segurança do Brasil, passando a prestar, até 20 de janeiro de 1890, data de sua reforma, depois de quase 67 anos de notáveis serviços à administração naval.

Tamandaré nasceu em 13 de dezembro de 1807, em Rio Grande. Sua infância e meninice transcorreu debruçado no sangradouro da Lagoa dos Patos, onde desenvolveu grande habilidade em natação e aprendeu navegação. Inúmeras vezes atravessou o canal que mais tarde mapeou, como capitão, em vai e vem, entre as vilas de São José do Norte e Rio Grande.

Seu padrinho de batismo foi o lendário fronteiro Marechal Manoel Marques de Souza, precursor da Independência e que guiara, como tenente, as tropas de terra e mar que reconquistaram, em ação conjunta, ao comando do Tenente General Henrique Böhn e a partir de São José do Norte, a Vila do Rio Grande, em 1º de abril de 1776,  há 13 anos em poder dos espanhóis. Seu padrinho é hoje denominação histórica da 8a Brigada de Infantaria Motorizada em Pelotas, a qual é integrada pelo Grupo de Artilharia Almirante Tamandaré com parada em Rio Grande.

O velho, experiente, audaz, corajoso lobo do mar brasileiro, Almirante Tamandaré, âncora da lei, baluarte defensor da Nacionalidade, findou sua existência aos 88 anos, em 20 de março de 1897, no Rio de Janeiro. Dispensou honras fúnebres. Seis marinheiros de sua gloriosa e querida Marinha o transportaram da sua casa ao carro fúnebre.Tamandaré sublimou as Virtudes Militares de Bravura, Coragem, Honra Militar, Desprendimento, Devoção e Solidariedade. Sobre Solidariedade escreveu Gustavo Barroso:

“A esse homem que nascera predestinado às lides guerreiras, o destino reservara miraculosas salvações de navios e pessoas. Fizera-as já no Rio da Prata, nas águas plúmbeas da Patagônia, acabava de fazê-las no Mar Dulce da Amazônia, fá-las-ia ainda nos mares da Europa e do Brasil”.

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