digitação utilizada para inclusão no site:
27/05/2003

Tribuna de Petrópolis
30/05/2003
(com o título incompleto)

Teatro Municipal de Petrópolis João D'Ângelo

Arthur Leonardo de Sá Earp

Há notícia de que se pretende atribuir ao Teatro Municipal de Petrópolis a denominação de Paulo Gracindo.

Todo artista sabe que um dos piores tormentos por que passa é o de obter patrocínio, apoio, lugar para se apresentar. Sem a arena, o palco, o público em seu espaço, o artista não existe e por falta dele a arte vai-se empobrecendo até desaparecer.

Na Petrópolis do início da década de 30 do século passado, houve um homem que realizou para o artista e para a cidade o sonho dourado de poder atuar e caminhar pelas trilhas da cultura.

João D'Ângelo, na liderança de parentes, amigos e profissionais especializados, construiu o Teatro Dom Pedro e abriu-lhe as portas à cidade no dia 2 de janeiro de 1933. De forma concreta e real, o artista ali passou a encontrar os meios de que necessitava para dar corpo à sua genialidade, o povo ali descobriu as luzes universais do saber e da novidade. Ópera, teatro ... cinema!

O agradecimento que o município e os profissionais da arte devem a João D'Ângelo é imenso. Tanto é isto verdade que o prédio foi desapropriado, conservou sua destinação primitiva e se gastam preciosos fundos para restaurá-lo na imagem original.

Batiza quem pode e dá o nome como sabe. Alguns chamam seus bois de "Mimoso" e "Soberano", outros há que ao cachorro apelidam "Saddam". Tudo gira na órbita das idéias que comandam cada qual.

Colocar a designação de Municipal no teatro é, já por si, consagrar aquele valoroso empreendimento particular, é conferir-lhe o reconhecimento público e oficial. Juntar ao título o nome do inicial idealista e efetivo realizador, Teatro Municipal de Petrópolis João D'Ângelo, é harmonizar a História, é não esquecer os enormes esforços feitos para engrandecer a arte e proporcionar meios culturais aos petropolitanos.

O senhor Presidente do Instituto Histórico de Petrópolis, Professor Joaquim Eloy Duarte dos Santos, muito bem externou o despropósito de uma mudança de nome do Teatro. A homenagem verdadeira é, no seu cerne, ao criador daquela casa.

Imagino que na primeira fila, a bater fortes palmas para o que está dito acima, estaria o culto artista Paulo Gracindo. E ao seu lado um tal Rubinho. Rubinho Barrichello, que jamais pensaria em mudar o nome da Ferrari, dando à Escuderia do Comendador aquele de um dos seus primeiros pilotos!

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