Texto básico de 25/10/1994
 publicado no verso do
 Mapa Turístico de Petrópolis,
 Petrotur, 3ª edição, 1995, e na
 Revista de Petrópolis, Ano I, n.º 3, Setembro de 1996,
na qual se omitiu o parágrafo sobre a sequência numérica dos prazos.

Tribuna de Petrópolis 
Caderno Especial: 29/06/2001

Na mesma
edição especial comemorativa da Festa do Colono Alemão:
Antônio Eugênio
 de Azevedo Taulois

Maria de Fátima Moraes Argon
Francisco José Ribeiro
 de Vasconcellos

OS QUARTEIRÕES

Arthur Leonardo de Sá Earp

Como o assunto sempre desperta interesse e antes que se publique, caso haja solicitação, o resumo dos limites de cada quarteirão nas vias públicas, apresento de novo uma visão geral da matéria, feitas algumas modificações no texto estampado no verso do Mapa Turístico de Petrópolis editado pela Petrotur.

Petrópolis nasceu na mesa de trabalho do Major Júlio Frederico Koeler. Cidade planejada. Pioneira no Brasil.

Como obrigação estabelecida na escritura de arrendamento da Fazenda Córrego Seco, o Major devia “levantar a planta da futura Petrópolis e do Palácio, ... demarcar em prazos ... todo o terreno ... e ... numerá-los (artigo 10 da escritura de 26 de julho de 1843, em que foram partes o Mordomo da Casa Imperial e Koeler).

O território inicialmente destinado à construção da cidade foi dividido em vilas, áreas centrais, mais vinculadas ao palácio, previstas para maior densidade demográfica, e quarteirões, nos quais os prazos (lotes) tinham dimensão suficiente para permitir a subsistência de uma família.

Quarteirão significa o mesmo que bairro.

A planta elaborada por Koeler, conforme a reprodução de 1846, apresentou Petrópolis composta de:

duas vilas: 01 - Vila (Vila Imperial)
02 - Vila Teresa

          e onze quarteirões:

03 - Bingen
04 - Castelânea
05 - Ingelheim
06 - Mosela
07 - Nassau
08 - Palatinato Superior
09 - Palatinato Inferior
10 - Renânia Central
11 - Renânia Inferior
12 - Siméria
13 - Westfália


Poucos anos depois, com o prosseguimento dos trabalhos de demarcação e ocupação de espaço mais amplo destinado à cidade de Pedro, definiram-se, segundo a planta de 1854, de Otto Reimarus, outros onze quarteirões:

 

14 - Brasileiro
15 - Darmstadt
16 - Francês
17 - Inglês
18 - Mineiro
19 - Presidência
20 - Princesa Imperial
21 - Renânia Superior
22 - Suíço
23 - Woerstadt
24 - Worms.


Com esta figura de duas vilas e 22 quarteirões (aqui incluído o Quarteirão Mineiro, mostrado mas não nomeado na planta de Reimarus) ficou fixada a estrutura física do coração de Petrópolis, vigente até hoje.

Os nomes foram escolhidos por Koeler e sucessores em homenagem:

1 - a locais da Alemanha, de onde veio grande parte das pessoas envolvidas na criação e no desenvolvimento da cidade (Bingen, Castelânea, Darmstadt, Ingelheim, Mosela, Nassau, Palatinato, Renânia, Siméria, Westfália, Woerstadt e Worms),

2 - a grupos nacionais integrantes da população petropolitana (Brasileiro, Francês, Inglês, Suíço),

3 - à coroa (Vila Imperial, Vila Teresa, Princesa Imperial),

4 - ao governo da província (Presidência)

5 - e à região para a qual se dirigia a mais importante estrada que cruzava Petrópolis (Mineiro).

No caso dos Palatinatos e das Renânias, “Superior” é aquele que está mais acima no rio, mais perto da nascente dele, “Inferior” é o que está mais abaixo e “Central”, evidentemente, a porção que fica entre os dois.

O projeto de Koeler fundou-se, o mais possível, no aproveitamento dos vales como unidade concentradora dos habitantes sob as mesmas condições. A conformação física daquilo que se define como vale foi o elemento fundamental para a distribuição das terras e a localização da morada dos colonos e outras pessoas, procurando dar a todos prazos com os mesmos e melhores atributos. O plano proporcionou qualidade de vida invejável porque para a ordenada ocupação impôs respeito à natureza, com as correções necessárias, e ofereceu fácil acesso à sede da administração, correndo os caminhos sempre no nível mais suave, ao lado dos cursos d’água.

Por isto os quarteirões foram basicamente constituídos ao longo das bacias dos três principais rios da cidade, o (1) Palatino, antigo Córrego Seco, o (2) Piabanha e o (3) Quitandinha.

De acordo com esta orientação geral, pode-se armar o seguinte esquema dos quarteirões em cada uma das bacias, colocados entre parêntesis os nomes dos afluentes de maior expressão:

(1) Bacia do Palatino:

Palatinato Superior (Limpo)
Palatinato Inferior
Suíço

(2) Bacia do Piabanha:

Woerstadt (Meyer)
Bingen
Darmstadt (Avé Lallemant)

Ingelheim (Alpoim)
Mosela (Paulo Barbosa)
Nassau
Westfália
Brasileiro (São Rafael)

(3) Bacia do Quitandinha:

Worms
Inglês
Renânia Superior (Moss)
Renânia Central
Renânia Inferior
Siméria (Saturnino)
Castelânea (Verna, Aureliano)
Francês.


No tocante aos prazos, a sua identificação observou a sequência dos seguintes números iniciais de cada quarteirão:

Vila Imperial 
Francês  
Mineiro  
Nassau
Mosela
Ingelheim
Bingen  
Renânia Inferior
Castelânea 
Renânia Central
Siméria  
Palatinato Inferior 
Vila Teresa 
Palatinato Superior  
Inglês  
Brasileiro  
Suíço
Presidência 
Woerstadt 
Darmstadt  
Westfália 
Renânia Superior
Worms 
Princesa Imperial 

1
400
440
620
802
1001
1201
1401
1601
1801
2001
2205
2478
2601
2801
3001
3201
3424
3601
3801
4001
4207
4402
5027


É importante ressaltar mais uma vez que a divisão da cidade, a nomenclatura dos quarteirões e a numeração dos prazos, a princípio estabelecidas, jamais foram revogadas e, portanto, continuam em vigor. Até hoje valem para o Registro de Imóveis, para o cadastro da Prefeitura e para a Companhia Imobiliária de Petrópolis.

O que é imperioso fazer é usar o nome dos quarteirões, em todas as ocasiões e de todas as formas possíveis, para restaurar um dos valores e uma das belezas do planejamento de Petrópolis.

As demais designações de locais ou áreas da cidade (Valparaíso, Morin, etc.) tiveram origem popular e não dispõem de limites definidos; como não devem ser desprezadas, precisam ser relacionadas com os quarteirões para ficarem bem situadas.

Em 1995 a Petrotur produziu a terceira edição do Mapa Turístico de Petrópolis em que aparece, na área coberta pela publicação, a divisão dos quarteirões.

Este mapa é de suma importância porque, a mais de suas outras virtudes, é o primeiro, pelo que se sabe, a buscar a maior definição possível dos limites dos quarteirões nas vias públicas, ou seja, nele se procurou casar a originária e ainda vigente divisão da cidade em quarteirões com a indicação atualizada das ruas, observadas as restrições da escala.

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