Tribuna de Petrópolis: 09/03/1990

As paineiras de Petrópolis

Arthur Leonardo de Sá Earp

Como dito no artigo anterior, as paineiras estão lindas! 

É boa a época para o início do largo plano que começa pela elaboração do mapa das paineiras de Petrópolis. As flores ainda permitem a fácil identificação, mesmo de longe.

Estas árvores florescem nos meses de fevereiro e março e seus frutos de paina amadurecem nos meses de junho a setembro, conforme as zonas e altitudes do terreno. Entre outras várias utilidades, elas se prestam otimamente para a proteção do solo, contra desmoronamentos.

Já vai adiantado o Catálogo das Paineiras Brancas (Chorisia Speciosa, St. Hill.) de Petrópolis, com a colaboração de diversas pessoas, pesquisadores amantes desta terra.

Não há necessidade de grande ciência. Basta conhecer a paineira, ter olhos abertos, anotar sua localização e passar-me a informação. Não importa que muitos se refiram ao mesmo exemplar; isto servirá até para confirmar o registro. Enfim, aí está um trabalho conjunto que pode se denominar “Descubra uma paineira”.

Para exemplificar, cito a seguir alguns dos dados já existentes no Catálogo. Para meu uso pessoal, que se quiserem pode ser generalizado, tomei a liberdade de batizar uma ou outra árvore, pelas razões que explico.

Sob o nº 1 está a paineira situada no início da Av. Koeler, na margem direita do Rio Quitandinha, ao lado da ponte, de porte grande, batizada de “Koeler” pela posição e em homenagem ao capital vulto da história serrana, cujos restos mortais foram depositados nas proximidades.

A de nº 2 se encontra no jardim do Palácio da Princesa, de porte grande, batizada de “Isabel” em homenagem à Regente.

Com o nº 18 se inscreveu aquela que vive na rua Washington Luiz, na margem direita do Rio Quitandinha, em frente aos imóveis de nºs. 397-403, de porte grande, batizada de “Mora” pelas proximidades da famosa Fábrica de Bebidas Cascata e pela amizade de tão importante família proprietária da indústria.

A “Sá Earp” é a de grande porte que se acha em primeiro lugar no início da rua deste nome, na margem direita do Rio Palatino, tendo no Catálogo o nº 5.

Sob o nº 22 está a paineira jovem, de porte médio, localizada na margem direita do Rio Piabanha, diante do imóvel de nº 70 da Av. Barão do Rio Branco, batizada de “Zilah”, em homenagem à delicada e querida tia que morou do outro lado do rio.

Segundo a memória do primo Dr. Marcos, ela costumava sair com os filhos para admirar as árvores e colher paina para travesseiros; daí, por certo, uma das causas do amor que eles aprenderam a ter por Petrópolis, lição para todos.

Descubra uma paineira. Quando Petrópolis fizer 150 anos, talvez possamos lhe oferecer um belo mapa de paineiras, muitas delas as mais antigas testemunhas de sua história, e ter nesta terra ainda melhores cidadãos.

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